O coração de Isabela.

6 Capítulo 6 - É pra você essa nossa canção...


No dia seguinte fui para casa e ainda bem que a Rebeca não estava lá, fui para o quarto e peguei a bolinha de golf que eu trouxe do meu pai e fiquei olhando para ela e sentindo saudades dele. Como eu queria que ele estivesse comigo.

Mais tarde fui arrumar minhas coisas, achei uma mochila no guarda roupa e tentei escolher o que levar, mas estava difícil, lá em casa eu tinha que escolher quais roupas eram mais legais para eu levar nos lugares, e aqui eu tenho que escolher quais são as menos bregas. Aff.

A Helena entrou no quarto e me pediu para tentar conversar com a Rebeca porque ela estava muito triste com o que aconteceu, mas eu disse que não queria e a ignorei.

Quando deu o horário de sair e a Rebeca chegou em casa com o Otávio, ela estava com uma cara horrível como se não tivesse dormido a noite, mas não fiquei com dó, continuei a ignorando por todo o percurso até a casa de campo, o Otávio alugou uma van e fomos todos juntos nela, o pessoal ficou cantando e brincando na viagem.

Chegando na casa fiquei feliz, o lugar era lindo, do meu nível. A casa era parte de madeira, em um estilo rústico. Tinha um jardim com muitas flores, arbustos e árvores, tinha uma piscina enorme com uma cascata e um lago. Por dentro a casa era muito chic, o piso todo de madeira e os móveis combinando. Adorei! Pena que ia ser só um fim de semana, se eu pudesse ficava aqui e não voltava para o vilarejo.

A casa tinha muitos quartos, mas foi dividido assim, eu e a Rebeca ficaríamos em um quarto junto com a Dóris porque ela não queria ficar sozinha nem com os meninos. O Otávio ficaria com um quarto só para ele e o Mateus e o Téo em outro quarto.

Fui para o meu quarto e coloquei as minhas malas, daqui a pouco iriamos descer para almoçar, ainda bem que aqui tinha empregadas! A Rebeca ainda tentava falar comigo, mas eu continuei a ignorando e saindo de perto, aproveitei que a Dóris também estava no nosso quarto para ficar conversando com ela.

Descemos juntas para a mesa e já estava tudo pronto, que maravilha! Todos sentamos e começamos a comer. Não falei quase nada enquanto comia, já o pessoal ficou conversando.

Depois do almoço o pessoal foi nadar na piscina e eu fiquei sentada em uma das espreguiçadeiras em volta. Esse pessoal era muito animado, estavam jogando bola e até o Otávio estava no meio, só a Rebeca que estava sentada na ponta com as pernas na água. Ela se levantou e veio na minha direção e eu olhei para o outro lado.

— Manu querida, vamos conversar. – Ela disse sentando na ponta da espreguiçadeira.

— Não quero conversar com você. – Eu disse para ela.

— Eu sei que você está chateada, mas precisamos resolver isso, não gosto de ver você assim comigo. – Ela disse com uma voz triste, por um momento eu até pensei em deixar minha raiva de lado porque ela realmente parecia magoada, mas quando lembrei do que ela me disse não consegui, me levantei e saí de perto dela.

Quando passei perto da ponta da piscina fui empurrada pelo Mateus, o Téo e a Dóris. E eles riram quando eu caí dentro da piscina. Fiquei com muita raiva, não queria nadar.

— Porque vocês fizeram isso? Eu não queria nadar! – Disse irritada e eles pularam na piscina jogando mais água em mim.

— Ah Manu, pode parar com isso. – Disse o Mateus para mim.

— Vocês vão se ver comigo! – Eu disse batendo na água pra jogar água neles e começamos uma guerrinha de água e minha raiva passou. É muito estranho como eu me sinto diferente quando estou com eles, mais feliz.

Depois que saímos da piscina eu fui tomar banho.

À noite fomos comer na varanda da casa e estava tudo muito gostoso, depois que a empregada tirou a mesa continuamos lá conversando e sentamos nos sofás que tem lá. O Téo tinha levado o violão do irmão dele e ficou tocando enquanto o pessoal cantava, fiquei com muita vontade de cantar também, mas não podia passar vergonha na frente de todo mundo.

— Manu, você não vai cantar? – A Dóris me perguntou.

— Hoje não Dóris, não estou com muita vontade de cantar.

— Você está muito estranha Manu, nem canta mais. – O Mateus disse e eu achei melhor nem responder.

— É verdade querida, você podia cantar com seus amigos. – A Rebeca me disse e fiquei irritada de novo.

— Já disse que nunca mais vou cantar, para de insistir! – Eu disse alto e sai andando para o jardim. Andei um pouco e sentei em um banco que tinha lá.

Que droga, eu não conseguia cantar e eles ainda ficavam insistindo, aff! Já estava cansada disso, cansada de tentar fingir ser que eu não sou.

Escutei o Téo me chamando.

— Téo, tô aqui! – Ele chegou onde eu estava e eu ajudei ele a sentar do meu lado, reparei que ele ainda estava com o violão.

— Tá tudo bem Manu? – Ele disse preocupado.

— Ah, sei lá.

— O que aconteceu com a sua mãe? Eu percebi que você não está conversando direito com ela e o Mateus me disse que você foi dormir na casa dele ontem.

— Nós tivemos uma discussão lá em casa.

— Tem alguma coisa a ver com você cantar? – É incrível como o Téo não deixava nada passar. Ele era muito perceptivo.

— Desde que eu voltei não consigo mais cantar, tem alguma coisa me impedindo. – Isso é o que eu senti a minha vida toda em relação ao canto.

— Não se preocupe com isso, é só você se divertir cantando que daqui a pouco você vai estar cantando como antes.

— Não sei Téo, acho que nunca vou conseguir cantar bem.

— Não sei direito o que está acontecendo com você desde que você voltou, mas como as pessoas devem te perguntar sobre isso o tempo todo não devemos mais conversar sobre isso, se você nunca mais conseguir cantar, também não tem problema, essa não é sua única qualidade. – Fiquei feliz com o que ele disse, ele sempre conseguia fazer eu me sentir melhor. – Só que eu ainda acho que você deveria fazer as pazes com sua mãe, tenho certeza que ela só quer seu bem.

— Obrigada Téo. – Eu disse dando um beijinho no rosto dele e ele sorriu.

— Agora eu queria te mostrar uma música que eu fiz para você quando você sumiu, tem um tempo que eu estava querendo mostrar, mas só agora que deu... Você quer ouvir? Talvez te anime a cantar de novo.

— Claro. – Sorri.

Ele começou a tocar e cantar junto, ele cantava muito bem. Eu percebi um sentimento que eu nunca senti começar a crescer dentro de mim e eu não entendia muito bem o que era.

♫ “Eu não sabia

Que você iria fazer falta desse jeito assim

A amizade é coisa boa

É pra vida inteira

É pra não ter fim...”

— Ficou linda Téo, muito obrigada!

Ele colocou o violão de lado e pegou na minha mão, não sei porque eu fiquei meio nervosa e tirei a minha mão rápido e levantei do banco.

— Eu acho que devíamos voltar agora, eu já estou melhor, muito obrigada.

Ele sorriu e se levantou também, eu coloquei meu braço no dele para ajudar ele à andar do jardim até a casa.

Depois disso fomos todos deitar.

No dia seguinte o Otávio fez todos nós acordarmos cedo porque ele tinha uma trilha planejada para a gente, ele disse o caminho levava à um lugar muito bonito, eu já estava planejando ficar em casa, mas quando a Rebeca disse que ia ficar eu acabei indo para não ter que ficar sozinha com ela.

Andamos demais, estava muito quente, tinha muitos bichos e eu não estava gostando nadinha. Devo ter tropeçado umas mil vezes, parecia que nunca iriamos chegar.

— Pessoal, acho que eu vou voltar, não aguento mais andar e já devo estar toda picada.

— Calma Manu, estamos quase chegando. — O Otávio me disse.

E finalmente chegamos à um lugar muito bonito, era uma cachoeira pequena. Nos sentamos em uma pedra e ficamos conversando, o Otávio tirou uma câmera e bateu fotos nossas, eu deveria estar saindo horrível, eu estava toda suada. Aff.

— Eu vou entrar na água, vocês vão ir também?

O pessoal animou e todos pularam na água dessa vez eu não entrei e eles nem tentaram me jogar, ainda bem. Só cheguei perto da água para lavar meu rosto.

Depois de um tempo voltamos para casa, cheguei e fui direto tomar banho. Almoçamos e pegamos a estrada de volta para o vilarejo.

—----------> No próximo capítulo <---------

Tive a ideia de ligar para um advogado para contar a minha situação e ver se eu poderia mesmo perder a herança.

Aquela foi a gota d’água, saí de lá sem nem olhar para ele e escutei o Omar falando que eu ia arrepender de tratar ele assim. Como se ele pudesse fazer alguma coisa contra mim, sou muito mais esperta do que ele.

A Dóris chegou mais perto da gente e gritou assustada.

— Está sangrando!

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Notas finais
Adorei escrever esse capítulo! Espero que vocês gostem! Até o próximo! Beijos! :*