O começo de um fim ?
5 Viver, quebrar ou morrer.
Notas iniciais
Argh. Minha cabeça esta pesada. Nossa, como essa cama é macia! Pera. Não me lembro de ter chegado em casa ontem. Eu cheguei em casa? O que eu fiz ontem? Ah não...Não pode ser...
Abri meus olhos. Eles estavam ardendo.Merda. Como eu imaginei. Esse não era o meu quarto. Droga. Eu não consigo me lembrar do que aconteceu ontem depois que eu fumei aquele baseado. O que será que aconteceu? Sera que eu...
Virei e vi Joseph sentado no sofá do lado da cama, lendo. Olhei para o meu lado direito e vi que a cama estava bagunçada. Congelei. Não. Não pode ser. Ele não faria isso. Ou sera que faria? Pensando bem, até ontem eu nunca tinha falado com ele. Ele é da minha turma, por isso sabia o nome dele, mas ele faltava maioria das aulas.
–Deus ajuda quem cedo madruga- falou Joseph- infelizmente, no seu caso, acho que ele não vai te ajudar hoje. Já são, huum — ele olhou seu relógio- duas da tarde.
– Você finalmente cortou sua franja- falei. Ele era mais bonito do que eu esperava-esta bem melhor assim.
–Obrigado. Agora você ainda quer que eu tire a camisa?
–Oi? Como assim? Tirar a camisa?
Ele riu.
–Você não lembra? Então e melhor deixar quieto.
–Pera. ''Ainda''? Quer dizer que eu te pedi pra tirar a camisa?
–Não esquenta. Você estava chapada. É normal
Percebi que ainda estava deitada na cama dele. Senti o meu rosto ficar vermelho. Joseph percebeu e riu. A situação era tão ridícula que eu comecei a rir também. Levantei e vi que ainda estava usando as mesmas roupas de ontem. Que alivio.
–Só pra ter certeza, nada aconteceu ontem, não é?- perguntei
–Claro que não. Você acha que eu sou o que, um monstro?
–Não é isso, e que acordar na cama de um cara sem lembrar do que aconteceu na noite anterior...
–Nada aconteceu- ele afirmou, me interrompendo- Porque, você queria que algo tivesse acontecido? — ele se levantou do sofá e ficou na minha frente, me fazendo recuar até eu bater minhas costas contra a parede.
Meu coração começou a bater forte e rápido. Pude sentir o meu sangue ferver dentro de mim. Eu o empurrei. O que estava acontecendo comigo? Eu não sou assim. E mesmo se eu fosse. Não seria justo. Nem comigo, nem com ele.
–você pelo menos sabe qual é o meu nome?- perguntei. As palavras se embaralhavam ao sair da minha boca. Olhei para Joseph. Ele parecia surpreso.
–Ana. O seu nome é Ana.
Ah, pelo menos ele sabia o meu nome. Sai correndo do quarto. Não queria mais ficar ali, não queria mais ver Joseph.
Cheguei em casa. Olhei para o relógio. Duas da tarde uma ova. Ainda eram onze da manhã. Minha mãe chegou na sala. Ela me viu. Ela parecia muito puta.
–Que cheiro é esse? Ana, você bebeu?-ela estava gritando- Onde você estava com a cabeça? Deixar uma mensagem daquelas e só voltar pra casa no dia seguinte? Você acha que pode fazer o que quiser só porque...
–Porque o que mãe?- eu a interrompi- porque eu tenho câncer? Porque eu vou morrer?- eu estava descontrolada.
–Filha, não diga isso- ela parecia arrependida
–Não. Eu digo sim. Porque? O que você vai dizer? Que talvez ainda tenha esperança? Você ouviu o que os médicos disseram- eu estava tremendo- e sim. Eu acho que posso fazer o que passar pela minha cabeça. O que você esperava? Que eu continuasse a agir como a sua filinha perfeita fingindo que nada estivesse acontecendo? Que eu só continuasse a viver daquele jeito? Esperando o tempo passar com um sorriso na minha cara até o dia da minha morte? Bem, eu não vou fazer isso. E boa sorte tentando me impedir. Vai me trancar no quarto? Tirar o que resta da minha vida de mim? Você é capaz de fazer isso?- subi as escadas correndo e fechei a porta do meu quarto violentemente.
–Ana!- ouvi minha mãe gritar-Ana...- a voz dela falhava. Alguns segundos depois, pude ouvir ela chorando.
Merda. Merda. Chutei a parede. Ai. Meu pé ainda estava doendo por causa de ontem. Que lindo. Abri as minhas gavetas, procurando por algo para poder quebrar. Qualquer coisa. Achei um globo de vidro da viagem para o Alasca que tínhamos feito dois anos antes. Aquela viagem tinha sido uma das melhores da minha vida. Naquela época, eu não podia nem imaginar que isso aconteceria comigo. Isso não é justo! Simplesmente não é justo! Joguei o globo no chão, com força. Como esperado, ele caiu e quebrou. E como esperado, eu vou morrer daqui alguns meses. É assim que a vida funciona, não é mesmo? Viver, quebrar ou morrer, tudo acontece do mesmo jeito. Tudo acontece sem proposito.
Gritei. Alto. Muito alto. Cai de joelhos. As lagrimas vinham descontroladamente. Eu chorei alto, soluçando. Chorei como nunca tinha chorado antes. Chorei durante horas, até cair na minha cama e dormir, exausta.
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