O começo de um fim ?

6 As suas ordens, My lady.


Notas iniciais
Boa leitura!

Acordei no dia seguinte. Sete horas. Ainda da tempo de ir para a escola. Desci. Só o meu pai estava na sala. Ele estava completamente absorvido pela árdua tarefa de girar a panqueca na frigideira sem usar a espatula. Ri. Essa era a primeira vez que a casa parecia normal desde que descobrimos sobre a minha condição.

–Oi filha- falou meu pai, finalmente notando a minha presença- vai para a escola hoje?

–Acho que sim. Cade a mãe?

–Ela saiu hoje de manhã. Foi para a casa da sogra coral (o apelido ''carinhoso'' que ele dava a minha avo). Disse que precisava de um pouco de tempo sozinha para respirar. Aconteceu alguma coisa ontem enquanto eu estava no trabalho?- ele perguntou, tentando esconder sua preocupação.

–Sim- e antes que ele pudesse abrir a boca para perguntar o que eu falei-mas por favor, não pergunte.

–Ok. Mudando de assunto. Panquecas? — ele falou, com um sorriso orgulhoso no rosto. As panquecas estavam perfeitamente redondas, coisa que ele nunca tinha conseguido fazer antes.

–Você ainda pergunta?- respondi, rindo.

–Você tem razão- ele falou, botando uma panqueca no meu prato. Eu adoro a maneira do meu pai de lidar com essa situação. Ele não fica me pressionando para falar da situação. Ele também não age como se nada estivesse acontecendo. Ele age como sempre agiu, mas me da mais liberdade e é mais compreensivo. Gracas a deus eu tenho alguém assim . Com ele eu posso agir normalmente, sem medo que a conversa acabe em gritos ou em choros.

Comi a panqueca e subi para me trocar. Decidi pôr um vestido preto e simples, com um decote um pouco ousado, mas que ressaltava meus peitos (que eram bem menores do que a media dos das garotas da minha idade). Desci. Meu pai me viu e assobiou.

–Fiu fiu, arrasa corações- ele falou, brincando- então vai pra escola?

–Sim- respondi.

–Cade a sua mochila?

–Não tenho ideia- falei- e nem quero ter

Fui para a escola andando, sem dar a minima para o horário.

Chegando no portão da escola, olhei para os laos, procurando por Joseph. Mas ele não estava la. Senti uma pontada de decepção. O que você esta pensando? perguntei para mim mesma. Para com isso.

–Ei, Ana- chamou uma voz, me trazendo de volta a realidade. Era ele. Ao vê-lo, senti algo entre irritação, ressentimento, vergonha e felicidade. Franzi a testa e bati na minha cabeça, tentando afastar esses pensamentos.

–Ei- ele falou, pegando a minha mão e deixando-a cair na minha cintura- você sabe que se você continuar tendo essas reações aleatórias e esquisitas eu só vou me interessar mais por você- ele falou, sorrindo.

–Se interessar ainda mais...-repeti baixinho, quase sem querer.

–É. Eu te chamo, e ao invés de você ter uma reação normal, que seria responder ou virar a cara, você simplesmente encara o nada por cinco segundos e depois bate na sua própria cabeça. Chega a ser fofo.

–Ah, você tem razão- falei- é estranho e aleatório. Desculpe. Não vou mais fazer isso. Agora tenho que ir pra aula.

–Eu vou com você- ele falou- afinal, somos da mesma turma.

Até chegarmos na sala de aula, nós andamos juntos no corredor sem falar nada. Não foi exatamente um silencio bom, mas também não foi ruim.

–Que aula nós temos agora? — perguntou Joseph.

–Matemática, acho- respondi.

Entramos na sala de aula. Miguel, o professor, olhou para nós dois com um sorriso malicioso estampado na sua cara velha e enrugada.

–Atrasados- ele falou- atrasados. Um de vocês tem que responder essa equação corretamente dentro de dois minutos ou vocês dois vão fazer uma linda viagem até a diretoria.

Merda. Sou péssima em matemática.

–2x= 3x+ 9/4 + 13x2- falou o professor.

–Errm- balbuciei. Não tinha como responder isso em apenas dez segundos. Velho nojento.

–x=4- respondeu Joseph, num tom monótono. Olhei para ele, surpresa. Não imaginava que Joseph fosse um bom aluno. Afinal, ele faltava três quartos das aulas.

–Correto- falou o professor, igualmente surpreso.

–Podemos nos sentar agora?- perguntou Joseph.

–Sim, claro- respondeu o professor.

Passei o resto da aula me esforçando para não ficar encarando Joseph. Droga. Ele realmente é bonito. Derrepente, um papelzinho bateu na minha testa. Abri.

Gostei do vestido. Principalmente do decote

–Joseph ;)

–Idiota- murmurei. Joseph sorriu. Botei a mão na minha bochecha para esconder o fato de que ela estava ficando vermelha.

O sinal tocou. Miguel nos liberou da sala de aula. Muito chato, pensei. Não sei porque eu vim pra escola. Na verdade sei sim, só não quero admitir. Acho que vou embora daqui.

Sai da escola. Não queria voltar para casa, então parei por alguns segundos, tentando decidir para onde eu poderia ir.

–Ei, para aonde você esta indo?- Perguntou Joseph, que obviamente me seguiu.

–Você tem que parar de me seguir- respondi.

–Você pode simplesmente sair da escola depois do primeiro período? Você não se preocupa com o seu futuro?

–Como se você pudesse falar alguma coisa- respondi, secamente.

–Comigo é diferente- ele respondeu. Parecia frustrado.

–Comigo tambem é- falei-Porque você fica me seguindo afinal? O que tem de tão interessante assim em mim? Eu não sou simplesmente uma Barbie?

–Não sei. Só sei que você é interessante. E um interessante legal.

–Acredite, eu sou a ultima pessoa com quem você quer se envolver agora. Eu só vou te decepcionar no final — falei. Era verdade. No final, se ele se apegasse, eu ia deixar ele sozinho. Ia fazer mais alguém sofrer por mim.

–Não é não. No momento, acho que você é a primeira. Afinal , como não se interessar numa Barbie que derrepente põe fogo no livro de matemática? E que foge da escola no primeiro período? Você é interessante. Quero saber quão interessante você é. Quero te conhecer melhor.E rir mais com as suas reações aleatórias e estranhas — ele falava rápido, quase como se as palavras saíssem descontroladamente da sua boca. Por que motivo aquilo se parecia com uma declaração?Será que é porque talvez eu queira que seja uma?

–Ok. Mas depois não diga que eu não avisei — falei. Eu tambem queria conhece-lo melhor. E sei que é injusto. Mas eu quero... — Minha vez de te levar para um lugar. Tem como arranjar bebida? Estou afim de beber.

–Claro que tenho. Hoje eu estou as suas ordens, My lady — ele estava sorrindo, como se tivesse conquistado algo.

Notas finais
Para onde será que Ana esta levando Joseph?