O assassino Aesir

6 Capítulo 6° - O tiro


Notas iniciais
Acho que estamos em uma parte interessante da história... Só prestar a atenção, a partir de agora só os mestres perceberão quem é o assassino. Boa leitura! U-U

Tentei ligar para Jake novamente, mas não deu certo e à medida que eu tentava a lidação caia na caixa postal. O que diabos aquele zé ruela estava fazendo?
Voltei o mais rápido possível para a minha casa. Correndo apressado e passando pelas pessoas como um louco. Chegando lá, entrei direto e fui na cozinha onde peguei a maior faca que eu tinha encontrado. Coloquei-a em minha bolsa e pensei: não sei bem o que irei fazer com isso, mas se fosse necessário eu usaria, sem hesitar, nem olhar para trás.

Sai de casa e peguei o ônibus mais próximo que me levasse àquele lugar desconhecido que eu nunca tinha visto em minha vida. Perguntei de início aonde ele se situava e o motorista respondeu que era muito longe e seria necessário mais que uma hora, visto que ele passaria em outras paradas antes.

Muito distante, mas eu não iria desistir.

Agradeci a informação e me caminhei para dentro do ônibus.
Sentei-me próxima à janela e fiquei olhando a vista dos prédios e casas se desfazerem no cenário urbano, e ali, com meus fones no ouvido, imaginei o que era tudo aquilo que levava a vida humana. Tipo, a rotina diária era para quê? No final todos morremos e não levamos nada dessa vida. Não levamos dinheiro. Não levamos conhecimento. Não levamos casa. Então, por que continuar? Simplesmente construímos algo para o tempo destruir, compramos para depois jogar fora, matamos por uma parte mesquinha e morremos pelo nada. Seria mais fácil se fossemos todos como os animais. Que não precisa de tantas ocupações das quais não levam a lugar nenhum. Uma pessoa como eu não possui chances na vida, porque os caras de cima nos empurram para baixo. Então isso não é sociedade. Somos monstros sedentos por um poder que nunca teremos. Patético. Esse assassino podia morrer, eu também, e todos morrerem para irmos para o tal "mundo" melhor que existe do outro lado. Seria tudo mais fácil.
O tempo passou mais rápido que eu pensei, e em um "instante" o motorista anunciou a chegada do lugar para mim, já que só havia a minha presença no ônibus para aquela parada. E que parada! O lugar cheirava mal e tinha algumas casa velhas, e até abandonadas. Era um lugar desprezível e em alguns terrenos plantas exóticas se estendiam pelo chão, ou então subindo pelas paredes. No horizonte o Sol ainda brilhava intensamente e a tarde já estava rolando. Que fome! Mas, não posso pensar em nada além de salvar Lana.
Assim que desci do carro um arrepio me percorreu e olhei envolta totalmente perdido. Um nervosismo começou a me invadir e o medo tornou-se meu melhor amigo naquele momento de alta tenção. Eu não podia surtar do nada, tinha que ser frio e calculista, assim como as pessoas do dia a dia era com os próximos. Engoli um seco e pensei que naquele momento a caçada estava iniciada, e quando o silêncio dá boas vindas para a morte, ou você caça ou será caçado.
Peguei meu celular do bolso e olhei as horas, "13:50", e para piorar tudo estava sem área. Mais que droga! E a carga não iria demorar muito. Então eu tinha pouco tempo para me conseguir o que queria e encontrar Lana. Olhei o endereço de novo a fim de me localizar melhor e percebi que o local tratado era um armazém abandonado. Comecei a andar de um lado para o outro em todas as direções em busca de alguma construção grande, o que não foi difícil de se encontrar.
Lá, mais afastado para perto de um amontoado de árvores estava uma enorme construção. Ela estava acabada e em pedaços, a tinta já estava se descascando com pedaços da parede caindo em volta. Rachaduras eram normais em sua volta, e as janelas gigantescas estavam quebradas, enquanto que a grade que lhes cobriam enferrujada.
Eu não iria simplesmente entrar lá para pega-la sem um plano. Eu assisto séries demais para não duvidar desse tipo de emboscada, e com certeza ele não estaria ali com uma mesa cheia de sobremesas para me receber e dá-la de bom grado. Não podia esquecer o fato de estar lidando com um assassino dos mais malucos que eu conheci na minha vida. Por isso, decidi dá uma volta no lugar e valiar as saídas e as portas, mas parecia que todas, além a da frente, estava trancadas a chave, o que me levou a crer que só tinha uma única entrada e uma única saída. Dei a volta e olhei para o portão da frente, que estava meio aberto e mostrava um pouco do lugar escuro que era lá dentro.
Peguei meu celular para iluminar o caminho e fui entrando furtivamente agachado. Logo o o suor começou a escorrer de minha testa, e eu não tinha domínio sobre meu corpo, pois ele tremia sem parar. Talvez meu cérebro sabia que eu estava caminhando para a morte. Tentando me acalmar, eu peguei minha bolsa e tirei dela a faca de cozinha que colocara lá. Empunhando em uma mão a faca e na outro meu celular para iluminar o caminho, comecei a andar no maior silêncio pelo meio de estantes de ferros que guardava peças quebras, muita poeira e algumas caixas cobertas por panos pesados e sujos.
Andei até chegar em uma área vazia no meio do recinto que levava a um caminho para uma pequena sala mais a frente, cuja a luz estava acesa. Uma janela de vidro e larga revelava o conteúdo da sala, e assim que eu vi quase o ar pareceu nem existir em minha volta, e uma paz voltou a pairar em meu peito. Lá estava Lana dentro da sala caída no chão, mas não havia sinal algum de sangue ou ferimentos. Eu tinha conseguido!
Gritei seu nome e assim que percebeu minha presença ela se atirou a janela de vidro colocando suas mãos contra ela e berrando por ajuda aos choros. Corri ao seu encontro e olhei envolta tentando encontrar uma entrada além da janela de vidro, mas parecia que não havia. Então falei "Calma, eu irei quebrar. Se afasta". Contudo, ele me olhou assutada e começou a gritar "Não, Alex! Eu não quero morrer! Não, não, não, meu Deus, não, ajuda!" e quando ia novamente repetir a palavra "não", eu simplesmente vi o motivo de eu deixar tudo para atrás. A cena mais horrível em toda a minha vida, até o momento em que ela teve um fim. A partir dali eu poderia decretar o início da insanidade mais hedionda que se apoderava em mim. Um misto de desespero e dor. A sensação de não servir para nada ou de que então tudo em sua volta é uma mentira. Tudo um sonho. No meu caso, um pesadelo!
De repente, houve uma explosão dentro da sala, mas não tinha nenhum sinal de fogo, o que explodira, literalmente, era Lana. Para todos os lados foi jogado o sangue que com seu vermelho enfeitou a cena mais macabra. Seus órgãos foram lançados para lados distintos e retraídos contro o vidro e as paredes.
Cai para trás com lágrimas incondicionais e fiquei perplexo ao ver tudo. Um peso tão grande, que eu poderia sentir a dor definhar meu coração, começou a perdurar em meu peito. Intestinos escorrendo na janela, pedaços de pulmões caindo no chão, sangue pingando em todo canto.
Como me descrever naquele momento? Talvez a única palavra que se enquadre para essa acontecimento é um simples "indescritível". Não podia suportar nem respirar mais. Não queria mais nada. Soltei um grito altíssimo de ódio e perda. Fiquei jogado no chão inerme falando comigo mesmo que aquilo não podia acontecer e não passava de uma ilusão. Todavia, um som me chamou a atenção e levantei atordoado olhando para os lados como um louco. Ergui a faca na direção do nada para me defender do que fosse que estivesse ali.
Bem no fim das estantes velhas e escorraçadas, eu vi a imagem da morte demoníaca andar a passos lentos e penosos até meu encontro. O vento entrava no recinto causando um ruído e dando as boas vindas para o sangue que escorreria no chão. E uma questão de segundos o homem que ali se aproximava de mim ergueu sua mão e um som alto e ecoante soou no lugar, e em questão de segundos uma dor exorbitante me atingiu da forma mais violenta. Um impulso seguido de uma ardência levou-me ao chão inerme. Um tiro me acertara.