O assassino Aesir
3 Capítulo 3 - A morte do Werber
Notas iniciais
Estava sentado de frente a uma mesa larga e retangular, vazia e surrada. Tudo em minha volta estava vago e ao meu lado um enorme espelho negro se erguia, não era possível ver nada além deste vidro. Mais a frente do lado do espelho havia uma porta quase identificável, pois era da mesma cor que o vidro negro. E na parede ao lado havia outra porta mais claro que dava acesso ao corredor.
Não sabia o que pensar, nem como reagir, só tremia e refletia sobre tudo. Eu poderia ter morrido, ou será que ele quer que eu esteja vivo? Era uma pergunta que não se calava em minha mente.
De repente a porta da frente se abriu e os dois soldados do hospital entraram na sala, com um ar soberano como sempre.
– Boa noite, garoto. – falou o do nariz maior. – Disse que não faria nada.
– Eu não controlo os planos de um assassino sanguinário. – retruquei entre os dentes.
– Tenha calma, cara. – falou o do nariz menor sentando-se à minha frente em uma cadeira de madeira. – Parece que você tem problemas grandes.
– Quem é? O que quer? Quando irá parar? – citei em pausas longas – São perguntas que não me deixam ficar quieto. E o pior: eu deveria morrer ou ele me quer vivo?
– Bem, até hoje eu tinha descartado a hipótese de ser uma única pessoa com quem estávamos lidando, mas com esse fato entramos em uma situação interessante, ele fez tudo isso, uma única pessoa.
– Você fala como se fosse algo mais abrangente – comentei – Existem mais casos que eu não sei?
– Três com o mesmo símbolo – respondeu o cara do nariz pequeno. – O primeiro foi uma semana antes do da boate, e o último foi a poucos minutos.
– Poucos minutos?
– Sim, antes que você nos ligasse louco por ter dois olhos na sua casa, recebemos uma ligação misteriosa, mas ninguém dizia nada. Logo depois nos avisaram que havia um homem morto na praia.
– Então temos um assassino em série?
– Temo que sim. Mas, não precisa se preocupar, você terá companhia policial. – disse o homem do nariz pequeno
– Agora, você precisa ir dormir e descansar. – falou o homem do nariz maior. – Pode ir, logo a frente terá dois policias que estarão lhe esperando para lhe levar até a sua casa, eles farão a sua proteção. Creio que não é nada tão sério.
– Ok – concordei serenamente e fui me levantando seguindo em direção a porta da saída.
Abri-a e olhei para fora. A parede do corredor parecia transmitir perigo para mim, eu temia que do nada surgisse um maluco assassino para me matar a sangue frio. Não queria nem pensar em quem teria feito aquilo e nem o que as outras vítimas tinha passado.
Atordoado pelos meus pensamentos, olhei para o lado e vi um amontoado de pessoas paradas, e pelo jeito de falar estavam desesperadas. Elas choravam e soluçavam, e no meio de palavras eufóricas e terríveis, bem no meio delas eu avistei Lana. Ela estava sentada em uma banco chorando intensamente com a cabeça baixa. Meu coração saltou e a dúvida me atacou, o que ela estava fazendo ali?
Deixei de lado o meu medo e fui me aproximando lentamente até estar próximo o suficiente para reconhecer os pais dela que gritavam e choravam desesperadamente, enquanto ela sofria sozinha e sentada no banco.
– Lana? – perguntei sem entender nada, com os olhos arregalados e a voz fraca.
Assim que me ouviu, ela levantou o rosto com os olhos vermelhos e cheios de lágrimas, e então pulou em meus braços dando-me uma abraço. Fiquei parado por um momento sem entender nada, até que correspondi o abraço e perguntei: – O que houve?
– Alex, mataram ele! – falou ela entre os soluços e deixando as lágrimas escorrerem em seus olhos.
– Ele quem? – perguntei sem entender.
– O Werber! – exclamou ela com ódio em sua fala e temor na voz. Senti um breve calafrio, fiquei sem saber o que falar diante da situação.
Werber era o irmão mais novo da Lana, ele devia ter uns 17 anos e era um bom garoto, quase eu não o via atualmente porque ele era sempre muito ocupado, todavia agora eu não o veria nunca mais. Ele estava morto. Senti uma enorme tristeza tomar conta de mim, me rasgando e me transformando. Eu estava inerme e sem nada para fazer. Um lágrima desceu de meu olho e eu logo a enxuguei, aquilo era demais para mim, imaginar a dor dos outros era mais fácil do que imaginar a dor de alguém que eu já vi viver feliz.
Fiquei ali um tempo abraçado com a Lana pensando em quem teria coragem de tirar a vida de um cara que ainda teria grandes coisas pela frente, assim como todas as outras duas vítimas. Depois de um tempo os pais da Lana me olharam estranhos com a tristeza estampada em seu sembrante, e então levaram-na para casa. Eu poderia voltar para casa também, mas não conseguia pensar em nada além dos últimos momentos das três vítimas. Os segundos de agonia e medo que eles passaram no sofrimento.
Levantei-me decidido, queria ver o que o DVD que estava em minha pia dizia. Queria ver o que tinha ali, uma vez que se ele foi até a minha casa deixar esse objeto, com certeza ele queria que eu visse. Fui indo direto pelo corredor e logo um policial pareceu em minha frente. Ele era afrodescendente, tinha os olhos grandes e era um pouco baixo.
– Alexander? – perguntou ele assim que me viu.
– Sim. – respondi enxugando mais lágrimas do meu rosto e voltando a ficar sério.
– Vamos indo? Faz um tempo que eu lhe espero lá fora. Precisa ir para casa.
Assim que ouvi isso me lembrei do que os policiais tinham dito para mim na sala, só que eu não podia sair dali sem o DVD, eu tinha que ver o que estava lá. Então, confirmei com a cabeça e fiquei alguns minutos calado até que falei: – Sim, claro. Espere lá no carro por favor, eu vou usar o banheiro. Posso?
– Sim, estarei esperando. – respondeu ele virando e indo para um porta enorme de vidro.
Virei-me para a outra direção e fui de volta a mesma sala que eu tinha ficado depois de ter chegado na delegacia, a mesma com uma vidro negro enorme. Eu já tinha visto aquilo em um filme, eles ficam do lado do vidro negro me observando, enquanto escutam as coisas e me olham.
Entrei na sala e fui ao lado do vidro, onde tinha uma porta também negra que era quase impossível de ser vista, abri-a e, pela graça de Deus, lá estava vazio. Não queria nem imaginar se alguém ainda tivesse ali.
Comecei a mexer nas coisas e olhar envolta atrás de um DVD com o A e E juntos, como se fosse só uma letra, mas foi difícil. Havia tantos papéis ali e muitos armários, com sorte olhei em cima de um e lá tinha uma capa transparente vazia, com certeza eles tinham ouvido já. Olhei em volta e tinham um rádio estranho em cima de uma mesa, com alguns fios descendo e uns papéis envolta. Abri a parte do CD e o peguei colocando de volta na capa.
Estava nervoso e quase deixei o CD cair de tanto tremer. O suor escorria de mim ferrenhamente e eu estava com um calor imenso. Depois que coloquei o CD na capa fui me direcionando a saída, contudo a porta de fora da sala, abriu e os dois soldados voltaram. Neste momento me joguei no chão e fui para de baixo de uma outra mesa do lado direito, colado na parede.
"Eu falei que não estava aqui", berrou um deles.
De repente, a porta negra se abriu e uns pés entraram na sala. Os mesmo pés com botas escuras. "Hmm, é mesmo! Acho que deixei no carro" falou um deles parando no centro da sala, aonde eu estava antes e parecendo ter percebido algo. Meu coração saltou do lugar, ainda bem que eles começaram a sair da sala, foi quando finalmente soltei um suspiro de alívio.
"Espera, ouvi isso?" perguntou um que ainda estava saindo pela sala ao ouvir meu suspiro. "Não é nada, seu neurótico, vamos logo!" disse o outro com ignorância na voz. Os pés continuaram quietos até que sairão de vez.
Fiquei quieto até ouvir a porta de fora se fechar, levantei-me e corri para a sala em que eu estava. Fiquei um tempo esperando para que os soldados fossem embora e coloquei o CD em um bolso no meu casado.
Sai pelo corredor como se nada tivesse acontecido e fui andando para a saída. Passei pelo hall de entrada da delegacia que estava vazio, exceto por uma atendente que estava sentada olhando alguns papéis. Fui para fora e logo avistei o homem que falara comigo a pouco. Aproximei-me e então entrei no carro.
O resto do tempo foi silencioso e eu tinha dor de cabeça enorme, além de temor por ter pego algo de uma delegacia. Logo eles saberiam que tinha sumido e então suspeitaria, tomara que eles não façam como o CSI que usa aqueles negócio de digitais.
Cheguei em casa atordoado e logo na entrada fui surpreendido por minha mãe que me agarrou e me abraçou.
– Achei que num voltaria mais. – gritou ela. – Que ideia é essa de sair para casa do Jake sem me avisar? – perguntou e eu fiquei perplexo porque não sabia do que ela estava falando. Tentei falar algo, mas minha voz falhou e só foi possível ouvir grunhidos. – Tá, eu entendo que eu lhe tomei um pouco de espaço, o Jake também falou isso, ele conversou comigo a noite toda explicando o motivo de você ter ido para a casa dele. – finalizou ele me dando outro abraço. Então me lembrei que tinha dito para Jake falar com a minha mãe e que mentira ele tinha inventado, ein!?
– Sim. – falei colocando a mão em minha cabeça e depois forçando a memória. – Bem, eu preciso ir dormir.
– Certo, mas se for para a casa do Jake de novo, por favor me fale desta vez. – falou ele me olhando e depois voltando a cozinha.
Minha mão era baixinha e gordinha. Adorava se meter na minha vida e isso sempre me agoniava, eu sempre discutia com ela sobre limites que para ela era besteira. Ela também era muito preocupada com as coisas, o que eu achava desnecessário. Odiava o jeito dela gritar e as agonia na forma de falar. Mas, pelo menos ela se preocupava comigo.
Passei pela sala e dei um "Boa noite" para meu pai que nem respondeu e continuou a olhar o jogo da TV, depois fui andando pela escada subi e fui direto para meu quarto. Sentei na cama e outra lágrima desceu meu rosto, mas aquele não era o momento para isso. Olhei envolta e peguei o CD em meu casaco. Admirei-o por alguns minutos, até me encontrar em um estado de inércia, como de costume. Será que ele tinha alguma mensagem? Será que ele mataria de novo? Se fosse mantar, quem seria? Por que ele veio até mim e não me matou?
Joguei-me na cama, com essas dúvidas no ar respirei fundo, pensando se eu realmente queria entrar naquilo da forma que eu estava fazendo, até que então decidi que sim, eu iria tentar ser útil ou pelo menos descobrir o porquê dele ter vindo até mim. Não iria ficar feito uma criancinha esperando por policiais, eles fazem o trabalho deles que eu faço aos minhas hipóteses, ainda mais depois de ter chegado até a Lana. Por um momento pensei em como ela estava se sentindo e logo fiquei decidido. Eu iria encontrar aquele cara, e dá uma bela surra nele!
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