O assassino Aesir
4 Capítulo 4 - O "Vanir"
Abri a capa transparente e peguei o CD que estava dentro, avaliei-o e notei que era muito novo e com certeza tinha sido gravado recentemente. Levantei-me e fui até meu notebook, que estava carregando ao lado da minha cama na cabeceira. Peguei-o e o abri, depois coloquei o CD e abri o programa de reprodução. Logo, uma aba de um vídeo do Windows apareceu na tela e a imagem do mesmo símbolo do espelho no dia do assassinato brilhou azuladamente. Então um barulho de algo bateu ecoou na gravação, logo após uma voz estranha e com um timbre distorcido começou a falar: "Boa noite, meu caro Vanir". Por um momento o silêncio pairou e então alguns sons de algo se movendo na gravação atordoou o áudio até que a voz voltou a falar:
"Vejo que você não chamou a polícia, ou então roubou o CD dela? Isso não importa. Mas, pelo jeito se isso acontecer quer dizer que você de fato está no jogo. Sem mais problemas, eu estou me precavendo, se é que me entende". De repente um estampido levou ao silêncio total da gravação. Por isso abri novamente a aba dos programas do CD e havia dois ícones. Um que eu já tinha ouvido e outro que estava lá prontinho para o meu "click". Mas, pensando bem, o diabos era "Vanir" que ele tanto falava? Assim que apertei no mouse que estava conecta, como de costume, no meu notebook, outra aba apareceu na tela e a voz continuou a falar: "Agora sim, Vanir, estamos livres para falar o que quisermos. Você deve estar se perguntando quem sou. Não é? Bem, quem sou ou oque serei não importam, não acha? Porque mesmo que descubra minha identidade, nunca chegará perto de mim, e eu não pararei de matar, até que esteja tudo cumprido. E ai vem outra pergunta em sua cabeça. Hmmm, essa pergunta você terá que responder sozinho, meu caro Vanir. Ah, também deve estar se perguntando: por que Vanir? Bem, pelo o que fiquei sabendo de você, não está muito alinhado com os livros né? O conhecimento pode ser nosso guia em muitas situações. Sabe, estava pensando em como começar tudo isso, entende? Afinal, hoje em dia não é muito fácil ultrapassar a polícia. Contudo, são todos humanos, eis o ser mais falho da face da terra. Desse modo, consegui encontrar algo que fosse ao meu favor e começar tudo isso. Primeiro, pensei em como matar as pessoas, visto que não estou interessado em ser qualquer um. Eu costumava ler sobre Jack, o estripador e ficava impressionado como ele era incrível, e agora eu estou sendo um "Jack, estripador do século XXI". Na verdade, como deve ter visto em minha primeira vítima, eu não estripo. Já se perguntou, se eles estavam vivos quando arranquei seus olhos? Boa pergunta. Hmmm, é a primeira coisa que faço neles, então sem sombra de dúvida estão vivos para sentir a dor. Louco, né? Talvez, dependo do seu ponto de vista. Acho que já me estendi demais. Esse CD é de minha primeira vítima, Vanir, outros viram para cada vítima que eu fizer e no final você talvez consiga se contentar com tudo. Pelo que planejei esse CD chegou em sua casa, um dia depois do assassinato que você presenciou na boate, no caso, a segunda morte que causei. Então pode esperar mais dois, e o terceiro, tenho certeza que irá adorar!" Então uma risada maléfica e com o som distorcido ecoou no áudio e tudo se apagou, a imagem ficou escura na tela e o vídeo acabou. Soltei um suspiro e olhei confuso para a parede que estava logo a minha frente. Engoli um seco e tentei me conformar com o que tinha ouvido. Mas, estava óbvio que aquela pessoa era mais inteligente que eu pensava. Ela tinha previsto as duas únicas alternativas que eu tinha para ficar com o CD: não ligar para a polícia — o que era quase impossível — e roubar o CD. Mas, como ela tinha certeza que eu pegaria o CD? Coloquei o notebook em cima da cama e me levantei. Coloquei a mão em meu rosto, suspirando e olhando envolta. Ele tinha me empurrado para isso tudo e eu nem tinha percebido. Agora eu não poderia falar com a polícia sobre os CD, porque se não haveria desconfiança sobre eu ter roubado o primeiro e tudo se complicaria. Então de um jeito de outro ele conseguiu prender minha atenção e me confundir mais ainda. Minha mente não parava de pensar o que era Vanir? Que estranho. Ele parecia me conhecer, mas não me chamava pelo nome e sim por um "apelido" que nem mesmo eu sabia de onde tinha saído. Olhei para o "not" em cima da cama e pensei em pegar o CD e quebra-lo. Esquecer tudo aquilo. Voltar para a minha vida normal e me esconder pela polícia. No entanto, a voz dele ecoou em minha cabeça novamente "não pararei de matar". Uma imensa confusão tomou de conta de mim. Olhei para um lado e para o outro, fiquei atordoado. O que faria? Por fim, tomei uma decisão. Não importava o que acontecesse, o ódio e o medo tomava de conta de mim. Eu não iria confrontar esse cara, ele parecia ser alguém muito insano e se juízo, mas isso não impedia de eu descobrir quem ele era, ou pelo menos tentar, até porque era isso que ele queria que eu fizesse. Ele não tinha me matado quando trouxe o CD até a minha casa, então com certeza não me mataria enquanto eu continuasse a ouvir, assim me daria mais tempo para pensar sobre. Porque se ele disse que no final eu iria entender tudo, é porque ele está planejando me deixar vivo até lá, eu poderia tentar descobrir algo e contar para a polícia.
Peguei o meu celular e liguei para o Jake. – Alô! — falou ele assim que atendeu.– Jake, será que você poderia me ajudar em uma coisa? — perguntei.– Bem, eu estou fazendo umas pesquisas, mas tudo bem, eu dou um jeito de fazer mais tarde. O que é? – Já ouviu falar alguma vez em Vanir?– Rapaz, não. — respondeu ele soltando uma risada. — Por quê?– Não nada, tem como você pesquisar o que é para mim?– Tudo bem. Mas, por que você não pesquisa?– Tenho outra coisa para fazer. Pode ser, né?– Sim.– Ok — falei — Obrigado, vou indo, quando encontrar me liga. — ele confirmou e então desliguei o celular. Voltei para a minha cama e comecei a ouvir a mensagem repetidamente sem parar. Quando repeti na quarta vez, dei um salto da cama e corri para a estante que ficava próximo dali e peguei um caderno. Abri em uma folha branca e voltei a ouvir as mensagens. Percebi que eu precisava saber o que era Vanir e que de fato eu só conseguiria encontrar aquilo estudando, mas para isso eu já tinha conseguido o Jake. Em um momento ele dizia "até que esteja tudo cumprido", eu precisava descobrir do que ele estava falando, porque assim poderia prever os casos dele. Mas, o que poderia ser? Cumprir algo? Por um momento eu pensei em ter mais gente envolvida, contudo isso seria algo complicado de se especular, e ele também falava de uma forma unitária, como se só ele estivesse envolvido. A cada momento que eu ouvia a mensagem, mais perguntas surgiam em minha cabeça. Quem era tão descarado em mandar um CD? E não podia esquecer o fato da polícia ter ouvido, então eles com certeza iriam imaginar que a mensagem estava certa e que eu teria roubado o CD, então precisava me precaver quanto a isso. Esconder ele em algum lugar e aguardar a vinda da polícia para minha casa. Levantei-me da cama e tirei o CD, colocando-o de volta na capa e saindo do meu quarto. No corredor estava a minha mão passando e assim que me viu ficou surpresa e arregalou olhos.– Já ia sair sem me avisar né? — gritou ela com sua voz aguda. — Olha, menino, vem cá que vou lhe dá uns tapas.– Pra que isso tudo? — perguntei sério. — Estou indo beber água e tomar um ar. Não vou sair. — finalizei saindo pelo corredor e descendo as escadas. Passei pela sala e meu pai ainda estava sentado com um prato na mão vendo a TV.– Ah, você está ai, Alexander. Vem cá, meu filho — me interrompeu ele terminando de mastigar um pedaço de carne. Aproximei-me como ele tinha pedido e então ele ergueu o prato para mim. — Leva para cozinha. Peguei o prato com mau humor e obedeci. Por que ele tinha que insistir em me fazer de empregado? Abri a geladeira e peguei um copo de água, então, depois fui para frente da janela de casa olhando o para o quintal e me perguntei aonde podia esconder aquele CD, já sabia, no meio dos meus livros. Logo, em meio a meus pensamentos o celular tocou em meu bolso. Peguei-o e o atendi.– Diga? — perguntei.– Bem, pelo o que eu achei aqui, Vanir é um grupo de deuses. — respondeu a outra pessoa, Jake.– Deuses? — gritei surpreso batendo o copo na pia que estava a minha frente e derramando toda a água que lhe restará. Logo atrás de mim ouvi minha mão gritar "O que é isso menino, tá maculo? Que deuses?", então para ver se ela parava de me perturbar respondi " É uma coisa do jogo, estou falando com o Jake"– Sua mãe? — perguntou ele do outro lado da linha.– Sim. Mas, como assim deuses? É isso mesmo?– É.– Tem certeza?– Absoluta é um tipo de panteão nórdico que lutou contra outros deuses, que formam outro panteão, está dizendo aqui que é em sua maior parte deuses da fertilidade e prosperidade.– Está certo, amanhã vou procurar alguém que saiba mais sobre isso.– Não vai me dizer o porquê disso?– Depois, vou desligando. — falei e voltei para meu quarto. Era só o que me faltava, uma cara me chamando de um nome para deuses nórdicos. Quem seria esse lunático? Agora além do medo eu tinha dúvidas, não sabia como pensar sobre a situação. Eu só ficava afogado. Entretanto, havia alguns livros na faculdade que talvez pudesse me ajudar, e eu tinha uns amigos que do setor de humanas, eles talvez pudessem me auxiliar a descobrir mais sobre isso. Bem, essa era a minha situação: sendo perseguido por um fantasma que me chamava de Vanir, um grupo de deuses nórdicos. Quer mais louco que isso? O que tinha a ver as mortes comigo? E o que tinha a ver esses deuses? Não havia resposta, parecia que tudo flutuava em minha cabeça, ao meu alcance, mas eu não conseguia conquistar esse conhecimento, tinha algo faltando e eu tinha que descobrir o que era.
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