O assassino Aesir
8 Capítulo 8 - O jovem genial
Notas iniciais
Dor. Tudo era dor.
Os cortes na superfície da minha pele mostravam o fim da linha para as poucas expectativa que restavam dentro de mim. Não havia esperança. Não havia futuro.
Os médicos tentavam fazer o melhor comigo, contudo de nada adiantava. Meus dias estavam contados, isso não havia como negar. Na porta logo à frente dois policiais armados faziam a proteção de meu quarto, enquanto que os doutores tentavam reverter meu estado. Semanalmente eu tinha um visita de três psicólogos idiotas que não sabiam como me tratar. Os dois policiais narigudos ainda estavam analisando os CD's e eu não tinha nada a fazer do que olhar vago para o nada.
Minha mão ardia e a cirurgia parecia ter piorado com o tempo.
Megan fazia questão de me visitar diariamente para ver como eu estava, todavia nessa altura do campeonato, não falávamos nada. Na verdade, eu não falava nada com ninguém, salvo os piscólogos que ficavam enchendo o saco. Minha mente não raciocinava da melhor maneira, e de quando em quando meus pais apareciam no hospital para me visitar. Que saco!
Não tinha paciência para nada e minha vida já não tinha a mesma importância. Morrer para mim seria um alívio. Impressionante como um simples ser humano consegue colocar-me para sofrer de modo tão brutal, mas não chega a me surpreender tanto. O ser humano é o animal mais perigoso que há na face da terra. Nós mentimos, traimos, matamos e roubamos a nosso fazer. Viro para o lado e tento pensar o motivo de tudo aquilo está acontecendo. Se é que existe um Deus, por que ele me deixa passar por tantas coisas? Estúpido levar isso para o lado religioso. Tenho que começar a lidar com a vida de forma mais realista, deixando de lado a culpa de Deus. Na verdade, todos temos que fazer isso. Não é um Deus que coloca os problemas em nossa vida. Nós mesmo construímos os problemas. Sempre soube que um dia deveria amadurecer, contudo nunca imaginei que seria dessa forma. Eu construí esse problema? Hmmm... Sim. Sem sombra de dúvidas, minhas noites auxiliaram para tudo. Afinal, como ele havia me encontrado? Parecia alguém tão próximo de mim.
Lana tinha partido, Werber também. E agora Jake estava na mira. Não tinha percebido que seu sumiço poderia ter a ver com o assassino e agora, no banheiro ao lado, o sangue taxa esta mensagem bem de baixo do meu nariz. Incrível o fato de como ele entrou no hospital, fez tudo e ninguém percebeu.
Às vezes utilizamos nossa inteligência para certas atitudes incoerentes a realidade, porque no final, esse assassino morrerá. Todos morreremos. E então, para que matar? Quando olhar para trás e ver o rastro de destruição que deixo simplesmente irá se indagar: Fiz o que deveria fazer? E em sua idiotice e estupidez sorrirá e dirá que sim. Porque é assim que somos. Nos orgulhamos dos nossos fatos e conquistas, não importa qual seja e nunca aceitamos nosso erro, mais fácil é culpar o próximo ou então sucumbi a verdade. Essa cara estava fazendo tudo para o nada. Sem um sentindo. No final, ele estará dentro de um caixão, igualmente a todas as vítimas deles e em fim, pagará por seus erros. Todos pagamos pelos erros.
Megan entrou na sala séria e então sentou-se ao meu lado, como fazia todas as tardes. Olhou-me apreensiva e então pegou o celular e começou a digitar algo. Depois de um certo tempo ali, quando percebeu que eu nem se quer olhará para ela, comentou:
– Você tem uma visita.
– Diga aos meus pais que mais tarde estarei melhor. — comentei com um voz fraca e vacilante.
– Não são seus pais. É um garoto. Disse que você conhece ele. Ryan. — explicou.
– Diga que não quero visitas.
– Ele disse que não sairá sem que você veja ele.
– Então veremos até onde ele vai aguentar esperar.
– Deixa de ser rebelde, garoto! — berrou uma voz logo a frente na porta, mas o indivíduo não entrou na sala porque os policiais bloquearam a passagem, santos policiais.
Era Ryan que estava ali parado de frente a porta me olhado deitado na cama.
– Vim lhe ajudar.
– Não quero sua ajuda. — respondi sério.
– Claro que quer. Esqueceu que Jake é meu primo?
– Isso não é do seu interesse.
– As coisas são do meu interesse conforme eu seleciono, e não você. — respondeu rebeldemente.
– Aproveite enquanto o assassino não tomou conhecimento de você. Viva enquanto pode
– Olha a vida é minha, tá?! Eu decido o que eu quiser. Agora deixa de besteira. Acho que sei quem é o assassino!
Suas palavras soaram como uma fonte de energia brutal que ativou meu sistema novamente e eu arregalei os olhos. Olhei avidamente para Megan e por fim falei para os policias "Deixem entrar, ele é meu amigo". E assim foi feito.
Quando estava dentro do quarto me olhou preocupado, e até com pena, mas pareceu perceber minha reação a tal avaliação e logo começou a explicar:
– Quando me perguntou sobre o assassino, fiquei me indagando o motivo de você querer tomar conhecimento dos Vanir e Aesir. E então, depois que saiu nos jornais que você estava desaparecido e que um assassino utilizando um símbolo de "A" e "E" estava pairando a região, comecei a estudar sobre os casos. As dezessete vítimas. E percebi algumas coisas. Primeiro, a pessoa mais velha assassinada entre os dezessete, tinha uma idade de 33 anos, e a mais nova 10 anos. Fazendo a conta, ele dá um período de 23 anos entre todos os assassinados até agora.
– E o que a idade dos assassinados tem a ver com a descoberta do caso? — indaguei impaciente.
– Você gosta de me interromper né? Cara, eu estou explicando! Hmm... voltando. Unindo os panteão Vanir e o Aesir existem 23 deuses, o que me leva a pensar que ela matará 23 pessoas, sendo que ainda estamos na dezessete.
Então foi quando percebi que a jogada dele fazia sentindo. Ele queria que de alguma forma desvendasse o que estava acontecendo e é por isso que mandava os CD's. Agora estava abrindo uma luz no caminho escuro para a verdade.
– Ahmmm, recebi hoje isso. — falou ele tirando uma capa e um CD do bolso com um número quatro enorme na capa. — Não consegui ouvir, e percebi que quem mandou codificou o áudio para somente um computador. Como a polícia e nem os noticiários estava falando que o assassino era Aesir, supus que você estava envolvido de fato no caso, e creio que você saiba o que fazer para escutar o que está nesse CD.
– Sim, sei. Ele só pega em meu notebook.
– Espera. — interrompeu Megan do nada — Você supôs isso sozinho? — perguntou para Ryan
– Sim. É claro que foi preciso muito tempo pensando e anotando. Mas, tudo se esclareceu pelo fato dele ter me procurado para saber sobre o Vanir.
– Você tem quantos anos? — perguntou Megan
– Minha idade não importa — respondeu Ryan irritado.
– Ele é um adolescente só. — retruquei
– E descobriu isso tudo sozinho? — indagou Megan.
– Algum problema quanto a isso? — disse Ryan.
– Não. Claro que não. Só estou impressionada como você pensou nisso tudo sem nem precisar da ajuda da polícia.
– Se isso foi um elogio, obrigado. Mas, vamos continuar. De uma coisa sabemos, as vítimas são todas de uma sequência de idades, e só faltam seis. Outra pista é a questão de todas estarem ligadas a você, Alexander. A primeira vítima foi sua vizinha, apesar de que você não soube. Na verdade, ela um dia foi sua vizinha. Acho que até um ano atrás, quando viajou para outra cidade. A segunda não tinha nada a ver com você, mas estava no mesmo lugar que você estava. A terceira, era o irmão de Lana, Weber, e a quarta foi a própria Lana.
– Quem foram os outros? — perguntei com lágrimas nos olhos.
Meio comovido com meu estado ele tirou uma pequenina agenda do bolso de trás de sua calça e começou a ler.
– Sua prima, Ester, foi a quinta. Henry, seu amigo, foi o sexto. Depois dele, três pessoas foram mortas de uma vez: Emilly, sua amiga, Enzo, seu amigo, e um colega seu chamado Bob. O décimo foi o filho mais novo de seus atuais vizinhos. Depois disso cinco pessoas da turma em que você fazia faculdade foram assassinadas em uma viagem da própria faculdade, e um professor foi ferido, mas por ter passado a idade o assassino não quis que morresse, e ele está vivo, mas com trauma. Depois disso, a polícia começou a vigiar as portas de seu curso e ninguém entra ou sai quando as aulas começam. Por fim, outro primo seu, e uma mulher que tinha estudado com você na oitava série.
O som de cada nome citada naquele momento foi como uma montanha de dor e remorso que de desabava em mim. Mas, parece que eu já esperava essa sensação.
– Bem, eu estive percebendo. — comentou Ryan olhando para meu jeito triste e pálido, enquanto olhava para o nada. — O assassino teria que ter uma rotina muito vaga para fazer isso. Então, ele teria que não fazer faculdade ou então trabalhar. Na verdade, acho que ele nem deve sair de casa para poder ter tanto tempo disponível. E eu analisei algumas pessoas próximas a você que tem tido esse tipo de comportamento hoje em dia, e encontrei um.
O dito "um" soou como uma alarme estridente em meus ouvidos e a raiva voltou a se apoderar de mim, contudo desta vez fui mais calmo e fiquei no lugar.
– Então, você está dizendo que sabe que é o assassino? — prontificou-se Megan.
– Não exatamente isso. Estamos trabalhando com teorias e não fatos. Isso é o o que eu suponho, e se chegar a estar errado, teremos que analisar novamente e criar uma nova teoria. É como um experimento que não deu certo.
– Quem é a pessoa que você supôs ser o assassino? — perguntei.
– Na esquina da sua rua tem um morador que tem uma vida um tanto antissocial. — respondeu Ryan.
– Está falando do Luiz, aquele coroa?
– Sim, esse mesmo. Ele é médico, mas está afastado por invalidez o que lhe dá tempo o suficiente para fazer isso tudo. Além do mais, ele tem conhecimentos cirúrgicos para fazer tudo o que vem sido mostrado nas vítimas.
– Ele nunca pareceu isso tudo. — retruquei.
– Talvez, mas não temos outra pessoa que lhe conheça e que tenha esse horário vago.
– E se não for ele? — indagou Megan.
– Acho que ai entraríamos no plano B, mas por enquanto não podemos descartar o A.
– Digamos que o cara seja o assassino. Do jeito que tudo vem acontecendo, ele já deve saber que sabemos de quem ele é.
– Provavelmente. Mas, acho que é isso que ele quer. — disse Ryan.
– Como assim? — perguntei.
– Simples, ele lhe chamou para ir salvar Lana e tinha um plano nisso tudo. Ela morreu e você recebeu dois CD's na barriga, porque ele queria que você recebesse o CD. Sem dúvidas ele sabe que eu sei quem é ele, porque ele me mandou o quarto CD e sabia que eu ia levar para você. Mas, ele poderia ter me matado, quando na verdade só me deixou o CD. Ele quer que joguemos o jogo dele, e é isso que estou fazendo, porque é o único jeito de ficar vivo até que descubramos quem é ele exatamente. Nós precisamos só tentar.
Por um longo momento um silêncio se manifestou na sala do hospital, até que Ryan se prontificou novamente.
– Se não for o médico, tenho outras suposições. Só que elas são mais ousadas e precipitadas. O Luiz, tem cerca de 45 anos e já cursou história na universidade, o que lhe dá disponibilidade a sabe sobre os Aesir e Vanir. Andei conversando com a filha dele, Simone, e ela disse que ele também, na época, fazia um curso de mitologia, até perceber que o ramo ganhava pouco e partir para a medicina. Na medida do possível, tudo se encaixa para ele.
– Então vamos na casa dela acabar com a viva que ele tem. — falei.
– Vamos com calma, Alex. Da última vez que agiu assim as mortes foram unânimes. Precisamos de um plano. Mas, não é qualquer plano. Estamos lidando com um gênio, sem dúvidas, e eu estou começando a pensar que esse cara é mais do que podemos imaginar. Por isso, temos que ter cuidado, e também, por isso que estou aqui.
– O que sugere? — perguntei.
– Querem que eu saia? — indagou Megan se levantando.
– Não precisa. — respondeu Ryan. — Já ouviu todas as minhas suposições. Agora pode ficar. Bem, Alexander, creio que o assassino provou ser mais do que a polícia local consegue lidar. Já são dezessete casos e os rumores estão crescendo. Atualmente, ninguém ousa sair a noite depois das nove e as dúvidas pairam no ar. Por isso, creio que temos que recorrer a outros recursos de proteção e arquitetamento. Estive pensando em fazer o caso tomar proporções maiores, até que as forças exteriores se interessem e venham ver o caso. Temos que envolver o tráfico nisso.
– O que? Você está louco? — berrou Megan eufórica.
– Shiuu. — falam Ryan — Não anuncie para todo mundo.
– Isso é a coisa mais idiota que eu já ouvi, cara! — exclamou ela.
– Não, não é. Alexander sabe bem do que eu estou falando. O assassino é sanguinário. Foram dezessete pessoas matadas a sangue frio. Temos que fazer algo superior a ele.
– E envolver o tráfico? — perguntei.
– Sim.
– Como quer que façamos isso?
– Um deles tem que morrer, para que entre o tráfico inteiro dentro
– Seja claro! — disse Megan.
– Na cidade, existe as "bocas de fumo" que vendem constantemente as drogas e são guardadas pelos traficantes que possuem armas pesadas. Se um desses traficantes for morto pelo assassino, os outros começaram a ir atrás dele e então teremos uma proteção, tanta da polícia quanto do tráfico.
– Cara, você tem noção de que isso é algo totalmente idiota? Está na cara que isso é uma fantasia da sua cabeça. — falou Megan.
– Como eu disse temos que tentar. Ou então sentar e esperar tudo acontecer. Alexander, é você quem deve decidir. Iremos tentar?
Soltei um suspiro e devo admitir que meu raciocínio estava tão lento naquele dia que eu não conseguia encontrar razão naquilo tudo. Mas, só pelo simples fato do garoto ter feito algo que eu, nem mesmo os policiais, não tinha conseguido. Então fiquei pensativo e até meio desnorteado sobre o assunto, até que ergui a cabeça e respondi firme:
– Sim!
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