O assassino Aesir
5 Capítulo 5° - O início do Jogo da Morte
Notas iniciais
O telefone tocou:
– Alô. – atendi.
– Alex, precisamos conversar. – falou a pessoa do outro lado da linha.
Por um momento tirei o celular do meu ouvido e olhei o número, era a Lana.
– Conversar? Sobre o quê? — indaguei desconfiado.
– Eu estou indo embora. – disse a voz dela fraca e sem vida.
– Vai sair da cidade? — perguntei desconfiado.
– Vou para outro estado.
– O quê? – indaguei com um um desespero, aquilo era teoricamente impossível de se ouvir, não queria acreditar, talvez fosse só mais uma brincadeira dela.
– O voo sai hoje à noite.
– Isso é sério?
– E por que não seria? –
Assim que ouvi a voz dela falar senti algo estranho dentro de mim. Era como se eu estivesse preste a perder algo valioso e que faria falta na minha vida.
– Você está em casa? Eu quero te ver.
– Não! – berrou ela eufórica e depois soltou um suspiro. – Não venha me ver, Alex. – sua voz ficou chorosa por um momento.
– Por quê?
– Eu tenho que desligar, até depois. – disse apressadamente e logo o som da linha desligada assombrou minha mente.
Fechei os olhos e pensei no que pensar nesta situação. Talvez fosse só um sonho. Quem dera.
Levantei da cama e olhei para a janela tentando encontrar um fio de esperança esbanjado por uma vida alheia do outro lado da rua, contudo isso era quase impossível quando o mundo todo desmorona em cima de você.
A Lana era, teoricamente, a pessoa mais próxima que eu poderia dizer que amava, e agora ela iria embora e eu nem podia falar com ela. Estranho. Não sabia o que pensar sobre isso, mas decidi que não era uma boa coisa para se colocar na cabeça enquanto um assassino está atrás de você. Peguei o celular tremulo e então liguei para o Jake.
– Ela vai embora. –falei assim que ele atendeu.
– É, eu sei. – disse ele desconsolado.
– Ela lhe ligou?
– Sim, agora pouco e disse que estava com pressa. Ela lhe disse por que vai embora?
– Não.
– Que tenso. Queria saber, mas ela parecia atordoada. Talvez seja os pais dela que estão querendo sair daqui depois do que aconteceu.
– Eu posso até entender a dor, mas sair da cidade? Será que ajuda em algo?
– Não faço ideia. Mas, como está se sentindo, cara?
– Vazio como sempre.
– Eu sei bem o que você sente por ela, vai ficar bem mesmo com isso?
– Não há outro jeito, é a vida.
– Vai fazer o que agora?
– Vou na biblioteca ver algumas coisas desse tal Vanir.
– Quer que eu lhe encontre lá? Podemos dá uma passada lá na Lana quando voltarmos.
– Não. Bem, vá lá para a biblioteca que eu lhe explico tudo.
– Beleza, só vê se não faz alguma loucura de lá pra cá. – finalizou ele desligando o celular.
Fiquei um tempo parado olhando para o tempo, mas depois tomei banho e me aprontei. Desci as escada apressadamente a fim de sair daquele muquifo e clarear minha cabeça. Passei pela sala e me deparei com meu pai sentado na cadeira, como sempre, vendo qualquer besteira que passava na TV.
– Ei, aonde vai? – perguntou ele assim que me viu.
– Interessa?
– Deixe de ser rebelde, menino! Depois quando você está lá na polícia é de mim que você lembra né!?
– Garanto que não. — retruquei virando em direção a porta de saída.
– Antes que saia, vá na cozinha e me traga um suco, eu estou morrendo com a garganta seca.
– Já que é você que está morrendo, e não eu, por que não se levanta e vai pegar?
– Pessoas que estão morrendo não saem andando. Agora, deixa de besteira e vá logo, é só um suquinho.
– Mãe, o pai quer um suco, traga ai por favor! — gritei sem paciência e depois voltei a me virar para a porta.
– Para aonde você vai? — perguntou a voz da minha mãe logo atrás de mim.
– Sair. – finalizei abrindo a porta e indo para a rua.
Pode parecer meio rebelde, mas eu não estava com muita paciência para explicar para onde eu estava indo. Era algo desnecessário ficar perguntando para onde eu ia sempre que ia sair, já estava de bom tamanho saber que eu não estava em casa. Andei pela rua com os fones no ouvido, imaginando em um fim para toda essa história de assassino. Queria voltar a ser um simples idiota que leva a vida na brincadeira. Mas, parecia impossível.
Continuei a caminhada até que cheguei na biblioteca e Jake já estava me esperando sentando no lado de fora.
Assim que me viu ele levantou animado e disse:
– Encontrei alguém que pode lhe ajudar!
– Quem? – perguntei sério.
– Venha, vou lhe mostrar. – finalizou entrando dentro da biblioteca e eu o acompanhei.
A biblioteca era grande e espaçosa, toda em branco com mesas negras e estantes cinzas repletas de livros de todo os tipos. Logo na entrada estava a pessoa que administrava tudo, sentando do outro lado do vidro, e pouquíssimas pessoas estavam nas mesas, em silêncio e concentração. Acompanhei Jake até uma mesa onde um garoto estava sentado com vários livros abertos em sua volta.
– Este é Ryan – falou ele assim que paro do lado da mesa. O cara que estava sentado, com os fones no ouvido e todo distraído.
Logo que percebeu nossa presença, ele levantou a vista e tirou os fones do ouvido.
– Oi. – falou Ryan serenamente. – Você é o Alexander, né?
– Sim. – respondi. – Em que ele pode me ajudar? — referi-me agora a Jake que estava parado ao meu lado sorrindo.
– Sobre a história do Vanir. Tem algumas coisas interessante. Não é Ryan? – disse alegre esbanjando muito entusiasmo aos se dirigir ao garoto sentado na mesa.
– Sim. – respondeu ele se levantando e, incrivelmente, ele era maior que eu, mas tinha uma aparência tão jovem.
Era alto, cabelos negros e olhos escuros. Talvez fosse algum amigo do Jake que fazia história. Ele ergueu a mão para mim e eu apertei-a.
– Agora deixa eu lhe explicar. – falou Ryan indicando as cadeiras logo para que sentássemos nelas.
Sentei-me bem de frente a ele, e Jake ao me lado.
– Eu estava pesquisando sobre esse assunto, sabe? Mas, eu tinha algumas coisas para fazer, e decidi passar o cargo para outra pessoa. O Ryan é meu primo e ele sabe tudo desses negócios de mitologia. — explicou Jake.
– Legal. Pode começar a falar – comentei.
– Sim, sim. Vamos lá. Você já sabe que Vanir é um panteão de deuses, né? — começou Ryan animado.
– Sim, sei. Isso o Jake já tinha me dito. Mas, se quiser me ajudar mesmo, conte-me a história dessa panteão.
– Posso saber qual é o interesse pela história e o porquê? – indagou ele.
– Nós estamos jogando um jogo que tem essas coisas. – respondeu Jake se intrometendo na conversa, já que tinha percebido meu ar austero.
– Hmmm, e por que não pesquisam na internet?
– Vai nos ajudar ou não? – indaguei impaciente.
– Tá, né. Na mitologia nórdica existem dois panteões, sendo eles o Vanir e o Aesir. Ambos são constituintes de deuses antagônicos de certo momento. – começou a explicar o menino abrindo um dos livros que estava na mesa e colocando em uma página em que logo pude reconhecer um enorme símbolo que estava impresso no papel. Era o mesmo círculo o qual dentro havia o A e o E unidos. Assim que a vistei a folha tomei o livro das mãos do garoto e avaliei a imagem surpreso.
– Esse símbolo. O que é? – perguntei boquiaberto.
– Dá-me licença que a explicação e a história é minha. – falou ele mal-criado e puxando o livro de volta para perto. Olhou-o atento e voltou a falar. – Na crença nórdica esses panteões lutaram entre si, em uma suposta Guerra dos Deuses. O motivo da guerra foi o aprisionamento de uma deidade chamada Freya, mas não se sabe exatamente quem começou a disputa. Todavia, logo a paz voltou a reinar no lugar e digamos que não posso dizer que houve uma vitória ou uma derrota, porque ambos são panteões e ambos tinham sua importância no cenário nórdico. Quando se tratava da guerra os Aesir eram os mais requisitado, mas já na época de colheita os principais eram os Vanir. Quanto ao símbolo, esse aqui é o símbolo dos Aesir. – falou ele indicando a imagem que eu tanto admirava. – É um símbolo simples, e geralmente quando se escrever a palavra, o A e o E do início são unidos como você vê no símbolo.
– Então isso é só um símbolo do panteão?
– Sim, só. Na verdade nem chega a ser um símbolo em si. Hoje nós temos como um símbolo, mas antes era só a forma de escrever o nome. E já os Vanir geralmente duas serpentes ou dragões envolta do nome, é o que caracteriza seu "símbolo".
– Sabe me dizer, algo que represente um assassino no meio desses panteões? – perguntei tentando encontrar algo que ligasse a lenda dos deuses com o assassino que estava a solta.
– Bem, não vou dizer que não haja assassinato entre essas lendas, até porque todos os deuses de qualquer mitologia possui seu lado ruim. Mas, não, nenhum assassinato ou algo do tipo que seja relevante em relação aos Vanir e Aesir. Por quê?
– Nada. – respondi. – Quem é o principal Deus dos Aesir? – perguntei.
Nesse momento, o telefone de Jake começou a tocar e rapidamente ele deixou a mesa em que estávamos e foi atender do lado de fora enquanto eu continuei com o garoto.
– Ah, os Aesir são os mais conhecidos. Temos Odin né, o deus principal, que é o "pai de todos". Tem Thor que é o filho de Odin que seria herdeiro do martelo dos raios, que é chamado de Mjölnir. Tem o Loki, tem tantos!
– É, então creio que não possa mais me ajudar.
– Mais nada? – perguntou ele pegando seu celular e digitando algo, depois olhou para mim e sorriu colocando o celular em cima de mesa. – Eu posso explicar mais sobre os deuses se quiser.
– Acho que não me ajudaria muito. – respondi, mas ele ignorou e voltou a pegar o celular e digitar mais.
– Certo. É estranho você me perguntar essas coisas. – disse ele levantando o rosto e me olhando seriamente.
– Por quê?
– Bem, é que não é qualquer um que joga sem saber de nada, até porque o jogo sempre explica algo. – respondeu voltando sua atenção ao celular. – Bem, se for só isso, já vou indo.
– Certo. – confirmei desolado.
Então ele levantou-se e foi saindo com sua atenção voltada a digitar algo no celular novamente. Fiquei por um tempo sentado pensando em o que estaria por vim. Sinceramente, eu não tinha ideia de que roubada eu tinha me metido. Pensei em até entregar o CD de volta a polícia, mas seria uma burrada enorme e eles não deixariam passar isso. Olhei em volta tentando distrair um pouco minha mente e então logo veio em minha cabeça a imagem de Lana, feliz, simpática e radiante como sempre. Como eu iria perde-lá assim?
Soltei um suspiro e então levantei-me para a saída. Tentei procurar o Jake, mas parecia que algo sério tinha acontecido, porque não estava ali. Tinha sumido. Talvez fosse a mãe dele, só que é estranho, visto que a mãe dele normalmente não fica no pé. Por isso, peguei o celular e liguei para ele, mas caiu na caixa postal. Estranho. Ele não deixaria de atender se não estivesse muito ocupado.
Desci as escada da entrada e fui na direção da rua, colocando os fones no ouvido, e continuei minha caminhada.
Em algum momento em meu dia de amargura eu pensara em ir para a casa da Lana, mas como ela mesmo tinha dito, não queria que eu fosse, por qualquer que seja o motivo. Talvez ela ache que não quer dar adeus. Isso parece normal para quem perde uma pessoa tão importante. Devo admitir que por um momento uma lágrima arriscou descer de meus olhos. Quanto mais pessoas morreriam? E quantos mais seriam jovens como ele, irmão de Lana?
Em meio ao meu estado preocupante, a música parou e o meu celular vibrou. Assim que o tirei de meu bolso avistei que se tratava de uma mensagem. De quem era o número? Anônimo. Não pude esconder minha surpresa ao ver que eu tinha recebido esse tipo mensagem, ninguém nunca me mandou no modo anônimo. Deslisei a tela e coloquei a senha, para depois abrir a mensagem. No instante em que li o recado que ali tinha escrito, hesitei por um momento e um calafrio corroeu meu corpo. Como ele tinha conseguido meu número?
A mensagem dizia: "Meu caro Vanir, para seu bem e o de sua amiga, venha buscar sua encomenda". Eu quase deixei meu celular cair no asfalto e devo admitir que a parti daquele momento eu podia sentir o coração pulsando forte em meu peito. Cambaleei para o lado e então coloquei a mão em meu rosto tentando acalmar meus nervosos que nesse momento estavam a mil por horas. Engoli um seco e suspirei por um momento. Tentando manter a calma, eu voltei a ler a mensagem para ver se se tratava daquilo mesmo, contudo, era unânime e a mensagem estava clara. Abaixo dela havia uma suposta despedida escrita "De seu amigo, Aesir" e então logo após um endereço, onde eu teria que ir pegar minha "encomenda". O mais estranho era que aquele endereço não era de um lugar próximo, ou pelo menos onde eu conhecesse.
Ele estava com a Lana e queria que eu fosse pega-la. A Lana. Como ele estava com a Lana? Eu perderia o amor da minha vida? Como a conhecia?
Apesar de minhas perguntas a mensagem estava clara "para o bem de sua amiga, Lana". Ele iria mata-la.
E agora? Ir ou voltar?
Essas perguntas são aquelas que costumam determinar o destino de alguém como eu, e obviamente de todos na terra, só que em circunstâncias diferentes. Quando se tem um segundo para perder pessoas em que amamos, parece que tudo em sua volta transforma-se em qual surreal. As coisas passam mais rápido e você simplesmente não quer acreditar no que estar na sua frente. Só que isso não irá ajudar a Lana, e se ele sabe realmente quem é ela, eu teria que correr contra o tempo. Ele não tinha dado prazo, mas pelo jeito que as pessoas morreram em suas mãos, ele não parecia tão paciente.
Eu poderia simplesmente sair correndo para algum lugar, mas naquele momento, não se tratava mais de mim e sim da Lana. Não importava o que isso me levasse, não deixaria que ela sofresse por mim.
Acho bom esse assassino estar bem escondido, porque se eu chegar a encontra-lo e ele tiver feito algo com a Lana, seria a vez de EU arrancar seus olhos e desenhar meu símbolo na parede! Ele quer um Vanir, então ele terá um a altura para disputar com ele. Ele mexeu com algo valioso em minha vida. Chega de mortes. Chega de mistério. Chega de esconder-se
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