O assassino Aesir
2 Capítulo 2 - A mensagem foi recebida
Notas iniciais
Acordei atordoado em um lugar estranho. Minha cabeça rodava intensamente e minha vista estava embaçada. Fiquei por um tempo rodando na minha própria mente até que me situei lúcido, fechei os olhos e respirei fundo.
Nossa, a minha cabeça estava pronta para explodir de tanta dor, com certeza era a ressaca. Meus olhos estavam cansados e eu tinha uma náusea sem fim.
Abri os olhos novamente e olhei envolta tentando me localizar e logo reconheci um hospital. Eu estava na cama e em meu pulso tinha uma agulha com um fio de plástico que levava até uma bolsa de soro logo em cima de mim. Ainda estava vestido do mesmo jeito, exceto pelo casaco que estava ao meu lado.
Assim que tomei noção de mim mesmo, levantei-me e fiquei sentado tentando lembrar o que tinha acontecido, mas era como se a minha cabeça tivesse tido um apagão, eu não lembrava de nada do dia anterior. Forcei e tentei, mas estava tudo vazio em minha mente, então olhei envolta de novo e me perguntei por que eu estava em um hospital.
Não demorou muito para que uma médica entrasse na sala e me visse acordado.
– Hmm, pelo jeito, vejo você está bem – proclamou ela assim que entrou e colocou um sorriso meigo no rosto. Ela era meio baixa, tinha os cabelos longos e bem escuros, pele morena e olhos azuis vivos. Seu rosto era sincero e alegre, ela tinha traço belíssimos e curvas esbeltas, além de vida no olhar.
– Por que estou no hospital? – perguntei com um voz rouca e fraca. Coloquei a mão em minha cabeça e depois olhei novamente para ela.
– Não lembra de nada? – perguntou ela se aproximando de mim. Confirmei com a cabeça e demostrei-me confuso. – Bem, você estava em uma boate e passou mal. – disse ela. – Lembra? – perguntou. Neguei com a cabeça novamente, e então me deitei de novo pensando em que merda eu tinha feito agora.
– Ah, a polícia quer falar com o senhor! – exclamou ela saindo da sala.
Assim que ela me deu está notícia, meu coração pulo do lugar em um batida forte e eu me levantei assustado com os olhos arreganhados.
– Espera, polícia? – indaguei medroso – Como assim? O que eu fiz?
– Interessante como não lembra de nada mesmo! – comentou a médica olhando envolta e parecendo pensativa. – Bem, não me falaram nada, talvez possa perguntar a eles. Estão esperando no corredor principal. – finalizou a morena girando e indo para fora, deixando o charme de seus cabelos longos e bonitos para trás.
Deitei pensativo na maca e então soltei um suspiro final. Tirei a agulha de mim e peguei casaco, depois sai pelo corredor e lá estava ela no final olhando para mim, a médica. Ela sorriu e então acenou com a cabeça indicando que eu deveria ir. Então, acompanhei-a por um corredor longo e largo, branco com vários bancos onde pessoas preocupadas pensavam e olhavam envolta. No final havia uma porta pela qual passamos e chegamos em um outro corredor bem maior, e no lado esquerdo, mais a frente, estava dois policiais, altos e fortes. Os dois eram brancos e eram meio parecidos, exceto pelo nariz que o de um era maior que o do outro. Suas roupas eram escuras e atrás tinham o nome "Polícia Militar". Um colete estava em seus peitos e na cintura pousava uma arma e um cassetete, além de que em seus pés eles calçavam botas de couro e brilhantes.
Assim que cheguei perto eles me colocaram um olhar severo e desprezível, então a médica passou pela frente me anunciou:
– Bem, senhores, este é Alexander, o garoto que entrou ontem com desmaio ontem à noite.
– Obrigado, doutora. – agradeceu o policial com o nariz grande – Vamos entrando? – perguntou ele agora se dirigindo para mim e indicando a porta ao lado.
Confirmei com a cabeça e entrei na sala assustado. Olhei envolta e não havia nada além de uma maca e uma enorme janela bem de frente a ela. Eles entraram e fecharam a porta para ninguém nos observar ou nos olhar.
– Alexander, estamos aqui para lhe fazer algumas perguntas – falou o homem do nariz pequeno. – Poderia sentar, se quiser.
Avaliei desconfiado o lugar e depois virei para eles ainda assustado, decidi me sentar e ouvir o que eles tinham para mim.
– O que lembra de ontem? – indagou o mesmo homem.
– Nada. – respondi distraído.
– Então não lembra do assassinato de Sthefanny Dambrósio? – perguntou o homem do nariz maior. Assim que ouvi a palavra "assassinato" eu soltei um suspiro longo e forcei minha cabeça, logo veio tudo de volta à minha memória. A imagem da mulher sem olhos se formou em minha cabeça de novo e eu senti um repugno de mim mesmo, depois olhei para o chão e tive vontade de vomitar, olhei envolta desesperado sem saber o que pensar, além de ter começado a suar feito uma chaleira.
– Eu, eu, acho – gaguejei sem entender e depois parei, respirei e fechei os olhos até que os abri e me acalmei – Eu me lembro de algo.
– O quê? – indagou o mesmo homem.
– Uma cena, eu, eu estava no banheiro e eu fui e urinei, só que com os olhos fechado e depois quando eu sai tinha um símbolo enorme no espelho, e eu olhei para trás e um corpo estava suspenso. – parei por um instante fiquei pensando a cena que eu tinha presenciado e percebi como eu estava me tremendo. – Ela estava sem os olhos, como? Quem?
– Bem, é isso que estamos tentando descobrir. Lembra de algo mais? – perguntou o do nariz pequeno.
– Sim, eu estava com meus amigos, talvez eles possam ajudar em algo.
– Não podemos deixar que saia do hospital.
– Por quê? – indaguei assustado.
– Você é suspeito de matar uma mulher. – finalizou o homem do nariz grande. Aquela notícia pesou em meu peito e me levou à beira do desespero, mas então engoli um seco e voltei a olhar envolta.
– Não fui eu que fiz aquilo.
– Nós sabemos, até porque você teria algum sangue no corpo, mas isso não impede que tenha ajudado em algo. – comentou o mesmo.
– Ajudado? – perguntei sarcástico deixando uma gargalhada sair. – Em que? Em servir de plateia enquanto ela morria?
– Olha, não se exalte, você ficará aqui até que as coisas melhorem.
– Que dia é hoje? – perguntei.
– Segunda-feira.
– Eu tenho faculdade hoje. Tenho que trabalhar e tenho atividades para serem feitas do meu dia a dia, não posso ficar em um hospital esperando sua boa vontade.
– Mas ficará. – respondeu o homem do nariz grande.
Depois os dois se viraram para a porta e saíram sem dizer mais nada.
Parei por um momento e me senti um inútil, não tinha nem capacidade de falar com um policial. Aquilo era loucura demais, nunca tinha me metido em algo tão complicado como naquela noite. Minhas farras costumavam me levar para a minha cama ou a de alguém. Agora, eu estava preso em um hospital com dois policias me vigiando e sem poder falar nem com meus pais que logo notariam que eu não estava em casa, se é que não já tinha notado. Aonde estava Jake naquele momento para me ajudar?
Passei a manhã inteira dentro do quarto pensando no que poderia acontecer e como sair daquela situação, mas parecia que não tinha o que fazer, só me restava esperar que tudo passasse e que logo aquele assassinato fosse desvendado. Então decidi dá um volta no hospital, contudo eu também estava proibido de sair do corredor. Por isso, sentei-me em uma dos bancos enormes do local e fiquei de olhos fechados, pensando nos casos que estavam acontecendo comigo, até que veio a minha cabeça a esperança: meu celular. Lembrei dele de repente e então abri os olhos animado para dar notícias, levantei-me e comecei a procurar-lo em meus bolsos até que o encontrei. Desbloqueie-o e fui logo ver o "whatsapp". Olhei as mensagens que tinha recebido, tinha bastante do pessoal de ontem me perguntando como eu estava, o que tinha acontecido, se eu estava em casa ou então se estava muito doente. Além de que havia mais de cinquenta ligações do meus pais e de muitas outras pessoas. Droga! Será que ninguém poderia viver com o meu sumiço sem me encher de mensagens?
Liguei para o Jake.
– Cara, aonde você está? Eu passei um tempão lhe esperando e de repente você passou para a ambulância! – falou ele assim que atendeu.
– Eu sei que é uma loucura. Estou no hospital, mas estou bem. Só passei mal. Será que poderia falar com meus pais?
– Claro que sim, eu falo. Mas você está bem?
– Sim, estou de boa, só preciso que cuide dos meus pais e assim que eu sair eu ligo para você. – terminei e depois desliguei o telefone.
Mandei algumas mensagens para os meus amigos e contei sobre eu ter passado mal, mas que eu estava bem no momento, sem nenhum problema. De quando e quando a mesma médica bonita que eu tinha me guiado para os policiais passava e dava um papo comigo, todavia ela sempre cortava o assunto no meio e saia para fazer algo.
Passei o dia todo com as costa doendo e bunda amassada de tanto ficar sentado. Comi um lanche que comprei e voltei a conversar com o pessoal, não via a hora de sair daquele lugar, eu precisa de um bom banho, uma boa comida e um bom sono. O tédio me corroía por dentro e sem falar que toda hora alguém passava correndo com equipamentos estranhos de um lado para o lado. Com certeza eu estava em um lugar de sofrimento, mas eu nem ligava só queria sair e volta para a minha vida normal. Era patético eu ser suspeito de um assassinato o que diabos eu tinha feito com tanta droga que eu num lembrava?
Por um momento eu pensei na mulher que havia sido morta. Será que ela já estava morta quando lhe arrancaram os olhos? Quando pensei nisso um arrepio se espalhou no corpo e eu me senti mal por estar sendo tão ignorante. Tudo era dor, não importava se ela estava viva ou não, a imagem dela tinha sido destruída e coitados da família. Quem teria coragem de fazer aquilo?
Afogado em meus pensamentos fui pego de surpresa quando a médica de novo voltou em minha direção.
– Você está no tédio, ein!? – falou ela sorrindo e sentando ao meu lado.
– Pois é. – disse pensativo – Você ainda não me falou seu nome.
– Megan. E você nem precisa falar o seu.
– É, infelizmente eu vim parar neste hospital dos infernos.
– Tenha mais calma, eu estou aqui para dizer que os policiais lhe esperam e disseram que você irá para casa. Eles estão esperando você no carro.
– Uau, você virou mensageira? – perguntei dando um pulo e me animando.
– Mais ou menos. Só dou recados – comentou ela sorrindo – Toma, meu número. Te vejo no "whats" – ela me entregou um papel com seu número e seu nome e depois saiu dando um "tchau" com a mão por cima dos ombros enquanto olhava para trás.
Comecei a andar animado porque ia sair dali finalmente. Peguei meu celular liguei para Jake e avisei que estaria saindo do hospital, ele então disse que já tinha falado com meus pais, mas não tinha conseguido muita coisa, só que não me deu detalhes e desligou rapidamente.
Atravessei o estacionamento e fui até o carro da polícia, o único que tinha ali. Entrei e me sentei no banco de trás. "Parece que por enquanto você está por fora da situação", falou o policial do nariz grande que estava no volante, depois ligou o carro e saiu pela cidade. O sol já estava indo embora e a escuridão já tomava de conta do céu. Não demorou muito para chegar em minha rua e ultrapassar a esquina, indo direto para a minha casa.
– Bem, garoto, aguarde a visita de alguns de nós logo, logo. – falou o cara do nariz melhor, olhando para trás e me encarando. – Espero que não faça nenhuma besteira.
– Eu não fiz nada e vou continuar sem fazer. – respondi mal-educado e abrindo a porta do carro.
Sai e fui em direção da minha casa, tirei a chave e abri a porta. Depois entrei e estava tudo escuro, com certeza meus pais tinham saído, ou para igreja ou fazer comprar. Joguei as chaves na mesa da sala e subi a escada indo direto para meu quarto, tirei a chave dele e abri a porta. Tudo estava do mesmo jeito de sempre, minhas roupas no chão, minha cama bagunçada e os livros em toda parte.
Fui para o banheiro e me olhei para o espelho, estava péssimo, a minha cara dizia tudo: cansado, sujo e sem entender nada. Peguei a toalha e tomei um banho longo e frio. Era o meu momento de pensar sobre as coisas que estavam acontecendo. Deixei que a água levasse meu medo e me guiasse para um pensamento melhor. Depois de alguns minutos sai do banho e me vesti pronto para ir dormir. Deitei e fiquei olhando o teto, pensando e me afogando na ideia do desespero que a mulher tinha sentindo. Sem falar que eu ainda tinha que lidar com meus pais quando ele chegassem. Que saco!
Não consegui dormir e então me levantei e fui de volta ao banheiro, liguei a luz e levantei a vista para o espelho. Então o medo me corrompeu e me levou para um estado de desespero. Assustado recuei para trás e então me deparei com a parede, fiquei recuado e com medo por alguns momentos sem saber o que fazer ou pensar.
Em cima da pia que estava abaixo do espelho tinha uma capa transparente com um CD branco. Na base do CD tinha o mesmo símbolo do espelho do banheiro da boate, o A e E juntos, e ao lado estava dos olhos, vermelhos e vazios, com a iris escura, mas opaca. Na parte de trás dos olhos estava uma pequeno fio rosa e era liga por uma pequena parte avermelhada. Eu quase vomitei e me desesperei no silêncio da noite. Sai correndo do quarto e peguei meu celular, liguei para a polícia, mas eles não atenderam. Desci as escadas correndo e então acabei esparrando na pequena mesa que tinha ao lado da escada, derrubando um vaso no chão e fazendo um barulho enorme. Como aquilo tinha ido parar ali? Quem colocará? Ele ainda estava na minha casa? Eu seria o próximo?
A noite fantasmagórica me alucinava e eu tremia de medo, impressionantemente havia sangue pelo chão e pegadas se formavam por toda a volta, como em alguns minutos tudo isso tinha acontecido? Eu não sabia as resposta, mas tinha certeza de uma coisa: aquilo não terminaria tão cedo.
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