O assassinato de Hanna William

2 Hanna William está morta!


–Ela morreu as 04:36 da manhã de hoje de acordo com a temperatura de seu corpo. – Um homem com o cabelo cheio de gel e blusa social branca falou enquanto anotava tudo em uma prancheta de madeira.

–Obrigado Francis, pode ir e deixe conosco essa belezura sem rosto.

A garota estava totalmente desfigurada, sua face estava irreconhecível e seu corpo carbonizado, seja lá quem tenha feito isso, realmente não queria nenhuma evidência, para mim isso se chama assassino inteligente.

–Então.... Vamos começar?

Senhor Philip pega seu kit de instrumentos para pericias de última hora em uma maleta que trazia do carro. Depois de muito tempo tentando encontrar pistas, a única coisa que sabemos é que a moça foi arrastada de um lugar para outro.

–Vamos Ben, não acharemos mais nada por aqui, deixamos que o Dr. Wallace examine o corpo e nos diga algo.

Voltamos ao carro, deixando a cena do crime com os outros policiais, os primeiros passos do meu primeiro caso não foi exatamente como eu estava esperando. Esperava que resolveríamos de cara a situação, mas conseguimos no máximo identificar arranhões nas costas da vítima.

De volta a delegacia, Sr. Philip e eu estávamos pesquisando o máximo que podíamos pare descobrir quem era a nossa vítima pelas seguintes características: cabelos ruivos tingidos, um sinal no pé esquerdo e pele branca. A busca foi em vão, no entanto, o laboratório nos ligou chamando para falarmos do corpo da vítima.

Em poucos minutos chegamos ao laboratório e o Dr. Wallace estava nos esperando. Ele era um homem negro, pai de família e respeitado por muitos na sociedade, apesar de ser tão jovem, mas, porém, é muito preguiçoso e desatento, mas acabou se tornando um Médico legista por sua inteligência superior.

–Então Wallace, descobriu algo? – Sr. Philip pergunta.

–Ah, sim, ela tem uma marca de nascença nas costas que não foi danificada pelo nosso assassino, achei uma moça com características iguais, chama-se Hanna William, 17 anos, ela é filha de Sacha e Robert William, os advogados que saem em tudo que é jornal, registraram seu desaparecimento há dois dias atrás.

–Tem a localização da casa dos pais dela?

–Para sua sorte, mestre, sim, eu tenho.

Rumo a casa dos pais da Hanna, não prestei atenção em uma palavra que saiu da boca do Sr. Philip, pensei como seria angustiante a sensação de uma mãe não saber do paradeiro de seu próprio filho. Chegando lá vi que era uma casa de gente da alta sociedade, pintura branca em perfeito estado e jardim verde como se fosse regado pelos anjos. Tocamos a campainha e no exato momento uma mulher gorduchinha e baixa com roupas de empregada veio até nós.

– O que desejam? – Falava o inglês com um sotaque russo, o que ficava meio difícil de entender o que dizia.

–Poderíamos falar com os donos da casa?

–Tem hora marcada?

–Somos da polícia senhora. – Mostro o distintivo que o Sr. Philip tinha me dado antes, caso alguém nos interferisse, o que foi bem útil naquele momento, pois ela abriu a porta da casa no mesmo instante.

–Irei chamá-los.

Ela saiu rapidamente da sala onde nos encontrávamos em direção a um grande corredor iluminado logo a frente. Minutos depois um casal vestido com roupas finas aparece em meio ao brilho da lâmpada que refletia do cômodo depois do corredor.

–Pois não? — A mulher pergunta.

–Somos da polícia e estamos aqui para falar de sua filha Hanna William.

–Vocês a encontraram?

–Senhora ela está morta. – Digo sem pensar muito que aquela é a mãe da Hanna e que eu estaria dando uma facada em seu coração anunciando a morte de sua filha com tanto desdém. Ela cai sentada no sofá com soluços em meio a seu choro e seu marido a abraça como conforto.

–Me desculpem, mas o que houve?

–Ela foi encontrada hoje em Coney Island as 8:26 da manhã e seu horário de óbito foi por volta das quatro, seu rosto foi desfigurado e só conseguimos identificá-la graças a sua marca de nascença.

–Isso não pode estar acontecendo. Qual foi a causa da morte? – A Sra. William fala em meio aos prantos.

–Assassinato. Ainda não temos uma pista de quem seja o assassino. – Digo.

–Vocês poderiam nos responder algumas perguntas sobre a Hanna?

–Claro!

–Qual foi a última vez que a viram? Ben, anote tudo.

–A dois dias atrás, ela saiu para ir à casa da Beatrice, sua melhor amiga, por volta das cinco horas da tarde.

–Poderiam nos dar o endereço da Beatrice?

–Sim, podemos.

Eles falavam rápido, o que foi meio difícil, porque eu tinha que anotar cada palavra que diziam. Com o endereço em mãos, nosso próximo destino seria rumo a casa da Beatrice. Não muito longe dali ficava uma rua calma e bonita, a casa da tal Beatrice era laranja com portões brancos em meio a muitas outras casas parecidas.

–Procuramos por Beatrice?

–Sou eu.

Ela era uma garota não muito alta com cabelos castanhos repicados na altura dos ombros, seus olhos azuis destacavam pela forte maquiagem preta ao redor deles.

–Estamos aqui por causa da Hanna William.

–Sim, ela desapareceu a uns dois dias atrás.

Ela diz como se fosse a coisa mais natural do mundo.

–Qual foi a última vez que a viu?

–Quinta-feira no colégio antes de irmos para casa.

–O Sr. e Sra. William disseram que ela teria vindo até aqui antes de seu desaparecimento.

–Sim, quando queria fugir do mundo, ou vinha até o meu quarto para falarmos besteira ou dizia que viria até aqui para enxergar melhor o mundo a qual queria fugir.

–Isso é uma pena.

–Ela está morta, não está?

–Sim.

–Eu sabia!

–Obrigado pelas informações, foi muito útil.

–Ótimo, agora irei ao meu quarto escutar músicas de foça para lamentar a morte da minha única amiga e pensar como será minha vida daqui para a frente sem ninguém. Desculpe, estou precisando de um psicólogo.

Ela fecha a porta e sai do meu campo de visão, e por mais que nossa conversa fosse sobre um assassinato, tinha gostado, não sei, algo nela tinha me fascinado, talvez fosse porque seu olhar não olhasse exatamente para lugar algum ou olhasse para tudo ao mesmo tempo.