–Não sabia que os adolescentes dessa época estavam tão problemáticos. – Sr. Philip diz. –Vamos Ben, temos muito a fazer.

De volta a laboratório, pesquisamos o que pudemos a respeito de Hanna e não achamos nada o que fosse de se prestar atenção.

O meu primeiro dia de trabalho basicamente terminava ali, então fui para o meu apartamento, tirei minhas roupas e coloquei apenas uma calça de algodão macio e uma blusa branca, enquanto dobrava o meu jeans achei o cartão da cafeteria onde a Josy trabalhava, tinha o número dos funcionários, resolvi ligar para ela, chamou umas quatro vezes e na quinta escuto sua voz suave do outro lado da linha.

–Quem é?

–Ben, comprei café a você para o meu chefe hoje mais cedo.

–Claro, Ben, como vai?

–Cansado, foi um longo dia.

–Entendo, mas porque da ligação?

–Vi seu número no cartão e não resisti a tentação.

Conversamos por duas horas seguidas, e quando vimos que já eram duas da madruga resolvemos desligar os aparelhos. Pensei muito em minha conversa com a Josy, mas no final a imagem da Beatrice acabou vindo até minha mente, seu rosto era tão interessante, fiquei simplesmente fascinado com a sua expressão, então dormi tentando lembrar dos detalhes de seus olhos azuis.

Tinha programado o despertador para alarmar cedo garantindo que não iria me atrasar, como ainda tinha tempo sobrando resolvi comer serial com leite e checar minha agenda, não era uma pessoa tão solicitada, longe disso, o problema é que esquecia facilmente de minhas obrigações.

Vi que hoje era quarta-feira e lembrei-me do café que marquei com a Josy, chequei minhas roupas e percebi que elas não estavam adequadas para um encontro em um café, já que uma blusa social branca com uma gravata afrouxada azul marinho no pescoço não eram uma boa escolha, coloquei uma camisa vermelha que combinava com meu jeans azul e um blazer cinza. Encarei o perfume e além do que tinha borrifado em mim antes, borrifei mais ainda, eu estava nervoso antecipadamente para um encontro que só ocorreria a horas.

Depois de um trânsito infernal, chego na delegacia, quando entro na sala o Sr. Philip estava com o seu blazer em mãos pronto para ir a algum lugar,

–Vamos Ben, o laboratório nos aguarda, descobriram algo sobre a Hanna.

Mal cheguei e já estávamos indo embora. O laboratório era um lugar grande, com iluminação boa e cheiro de hospital frequentado por gente fina, o ar-condicionado fazia meus lábios racharem, mas a sensação de estar dentro daquelas salas me fazia lembrar de quando eu sonhava em estar ali.

Dr. Wallace estava a nossa espera na penúltima sala do corredor do terceiro andar do prédio, que era sua sala desde que começou sua carreira como médico no laboratório.

–E então Wallace? – Philip pergunta.

–Achei resíduos de cola usada para colar solas de sapatos em sua blusa, tudo indica que a cola tenha vindo de uma marca que os pais da Hanna disseram que um de seus colegas compra para seu trabalho como engraxate.

–Quem é o indivíduo?

–Mike Turner.

Sustentado pelos pais, com 18 anos, e duas reprovações no colégio, Mike era forçado a trabalhar para seus pais na sua pequena loja de sapatos que tinham a algum tempo no shopping, quando algum cliente comprava um sapato e causasse algum dano com validade de troca ainda em dia, os pais dele o obrigavam a ajustar o sapato para não terem o trabalho pesado.

–Endereço?

Rumo a casa dos Turner, percebi que eles eram de família mais humilde em comparação com a da Hanna e Beatrice.

–Procuramos por Mike Turner.

Uma mulher com cabelos presos em um coque, que aparentava ter por volta dos 46 anos atendeu a porta.

–É o meu filho. Vocês são da polícia, não são? O que querem com ele?

Iria perguntar a senhora como ela sabia que éramos da polícia, olhei para trás e vi o carro com o símbolo estampado na lateral do veículo estacionado em frente à casa, então deixei ir embora minha pergunta idiota.

–Pode chamá-lo?

–Quem são?

Um garoto alto de cabelos pretos e olhos verdes aparece atrás da mulher, um verdadeiro galã de filmes.

–Mike? –Questiono.

–Eu? – Ele inclina a cabeça com dúvida.

–Podemos fazer algumas perguntas?

Já sentados no sofá, tomando um café estranhamente doce que sua mãe havia preparado, começamos com o questionário já decorado por Sr. Philip a anos.

–Trabalha a muito tempo com seus pais?

–Desde que fui reprovado ano passado.

–Qual foi a última vez que viu Hanna William?

–Não sei exatamente, acho que às 12:45 antes de irmos à aula, ela e a Beatrice deram uma passada na loja.

–De que dia?

–Em uma quinta, eu acho.

–Foram encontrados resíduos da cola que você usa para colar os sapatos no moletom que ela estava usando no dia.

Mostro uma foto do moletom listrado roxo que Hanna possuía.

–Ela ficou brincando com a cola que estava na prateleira e acabou caindo no chão e na roupa dela. Mas, por que? Você está insinuando que sou suspeito de matar uma de minhas melhores amigas?

–Nessa vida fazemos coisas que nem passam pela nossa cabeça, e quando você vê, boom, vai lá e faz. Matar uma garota que você supostamente considerava muito poderia muito bem fazer parte dos seus momentos de insanidade. – Sr. Philip diz, fico um pouco espantado, pela frase inteligente que disse. Não o imaginava dizendo esse tipo de coisa.

–Bom, mas acontece que estou totalmente lucido de minhas ações, e eu nunca mataria a Hanna, eu não a matei!

–Calma rapaz, só estamos cumprindo nosso trabalho.

Conversamos por mais algum tempo e fomos embora. Nosso próximo passo seria achar outra pessoa que fosse muito ligada a Hanna. Sugeri ao Philip falarmos com os pais dela, mas por incrível que pareça, ele não concordou, porque disse que adolescentes como a Hanna não contavam as coisas de sua via aos pais, e adolescentes como Hanna, confiavam mais dizer tudo sobre tudo ao seu melhor amigo. Então foi isso que nos levou novamente a casa da Beatrice, fiquei animado em vê-la novamente, queria ver novamente aqueles olhos azuis que me fizeram perder sono.

Dessa vez não foi a própria Beatrice que atendeu a porta, um homem alto vestindo roupa social e com cabelo para o lado nos atendeu.

–Podemos falar com a Beatrice? – Pergunto.

–É sobre a Hanna? Podem entrar, eu vou chama-la. E eu sou o Adam Bruce, pai da Beatrice.

–Sou o Bem, e ele é o Sr. Philip.

Ele deu um sorriso simpático e subiu as escadas para buscar Beatrice. Ela deveria ter acabado de acordar, pelo seu cabelo desarrumado e suas roupas largas.

–Poderia nos responder mais algumas outras perguntas?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.