O amor pode vencer?!
14 O sangue prevalece
Notas iniciais
Por um tempo eles ficaram ali, perdidos em seu sofrimento e dor, Miguel nunca quis tanto ser filho de Carlos Eduardo quanto quis naquele momento era como se a vida lhe desse algo capaz de se sentir tão vivo e logo após toma-la, e foi isso que aconteceu.
-Eu num tenho pra onde ir- Miguel disse aquilo como um fato, e bem, era.
—Oxi tu tem sim visse.- Olívia disse tentando soar forte, mas sua voz a traía.- Painho nunca que ia nega teto pra tu, filho dele.
—E como eu encaro teu pai, nosso pai, depois do que tu e eu fizemo, de mentir pra ele?!- Miguel poderia dizer que era isso, mas o grande motivo estava a sua frente, e perambulava por sua mente, como ver Olívia todo dia, lembrar do amor que tiveram e continuar, como se nada houvesse acontecido?!
—Nois vamos conseguir, os dois juntos, viu Miguel?- Olívia sabia bem oque realmente era o problema, pois era o mesmo com ele, mas agora já não tinham muita opção eles eram irmãos, juntos tinham um projeto, eles continuariam a se ver, continuariam a sofrer com a proximidade e também a distância do outro.
Enquanto os dois voltavam para a fazenda Piatã, a notícia já havia sido espalhada por lá, Santo achou que seria melhor dar a notícia o quanto antes e preparar todos pelo que se seguia depois.
Sua cabeça girava, era como se o tempo tivesse girando num ritmo diferente aquele dia, acrescentando 24 horas a mais. Descobrir que tinha um filho foi um choque, descobrir que esse filho era um rapaz que ele ainda estava conhecendo e que pensou um dia que seria seu genro era um choque ainda maior, e pensar que perdeu anos e anos de sua vida, pensar que ele era seu sangue e que ele mal o conhecia tornava tudo mais complicado e confuso.
-Filhote, tu ainda tá aí matutando?- Dona Piedade disse ficando em frente a rede onde Santo permanecia.
-Eu tenho um filho.- Foi tudo oque disse.
—Sabe filho eu sentia uma coisa boa vindo do menino.- Enquanto falava ela lembrava da primeira vez que o viu na igreja.- Só hoje sei porque, ele tem o sangue de Belmiro dos Anjos nele. Não te apoquente por causa de Luzia, te preocupa em conhecer esse filho que tu agora tem por perto.
As palavras de Dona Piedade despertaram dentro dele um sentimento forte, Santo sempre agradeceu a Deus por suas meninas, Isabel doce gentil mas forte, Olívia determinada arretada e firme nos seus ideais, mas ele quis um filho, um cabra macho que pudesse como ele seguir o exemplo deixado por Capitão Rosa e Belmiro. Ele não conhecia muito de Miguel, mas desde a primeira vez que o viu ele sempre tentou provar que não era um Saruê e se mostrou um bom garoto com seus sonhos que ele lutava a finco pra realizar, um cabra arretado que só e ótimo em mostrar pra esse povo que existe outro caminho além de se curvar a um Coronel, do mesmo jeito que um dia Capitão Rosa fez como Belmiro dos Anjos fez depois e como ele mesmo vinha fazendo, o garoto podia ter o sangue dos de Sá Ribeiro mas ele não era um Saruê, em seu sangue corria também a força e persistência dos Anjos e Santo queria mais que tudo naquele momento descobrir quanto mais ele tinha disso dentro de si.
-Mano Véi, a mãe disse que tu tava aqui.- Santo despertou de seus pensamentos ao ouvir a voz do irmão.
—Mano, nois precisa conversa.- Santo não sabia como revelar a notícia a Bento, ele conhecia sua raiva dos Saruê.
—Tu me disse isso no telefone mano véi, pare de se apoquenta e conte logo visse.- Bento queria saber o que era tão sério a ponto de ser preciso contar pessoalmente.
—Quando fiquei com Maria Tereza eu não sabia das consequências mano, num imaginava que painho ia paga, nem tudo de ruim que nois tivemo que passa.- Ele disse se levantando e pondo a mão no ombro do irmão que não entendia aonde ele queria chegar.- Mas Deus também me deu um presente, esconderam ele de mim mano, muitos anos, os Saruê esconderam meu filho de mim.
—Du que tu ta falando mano? Tu e Maria Tereza...- Bento tinha compreendido mas foi cortado por Santo que confirmou suas suspeitas.
—Miguel é meu filho Bento, eu tenho um filho mano.- Se não fosse a mão firme de Santo no ombro do irmão ele teria se ido.
—Tu ta me dizendo que aquele Saruêzinho tem teu sangue? TEM O SANGUE DE PAINHO?!- Bento sentia a raiva dominando seu ser.
—O menino é meu filho e não é nenhum Saruê.- Disse Santo firme encarando os olhos transtornados do irmão.
—Santo, tu não pode tá dizendo a verdade.- Sua raiva era palpável no ar.-TU MISTURO O SANGUE DE BELMIRO DOS ANJOS COM O DOS SARUÊ?!
—IRMÃO!! TE ACALME.- Santo previra a reação do irmão.
—Não posso mano, NÃO POSSO!! Ele tem o sangue nas mãos, foi criado por aqueles lá ele num é um de nois.- Bento não podia aceitar isso assim.
—Meu filho, num cabe a nois julga, o menino Miguel num tem culpa de ter nascido no meio dessa guerra, num tem culpa de te sangue Saruê como não tem de ter o sangue de meu Belmiro, mas é, e é menino bom eu posso ver, ele tem o espirito de meu marido e meu filho e a mesma força que ses tudo tem de lutar pelo bem, Miguel também é dos anjos filho como teu irmão e como tu, como Olívia e Isabel.- Dona Piedade que ouvia a conversa da cozinha não pode deixar de aparecer para mostrar a verdade aos olhos do filho.
— E se eu aceita isso mano, se ele vinhe fazer parte da família dos Anjos, cume que vai sé?- Perguntou Bento se acalmando.
—Isso mano, só o tempo vai dize.- Santo disse olhando a frente onde via vindo Olívia e Miguel juntos em direção a casa da família dos Santos.
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