O amor pode vencer?!
15 Um lugar pra chamar de lar
Notas iniciais
A medida que Miguel se aproximava da casa, da família da qual descobriu fazer parte, mais a apreensão o tomava, ele não sabia como seria encarar Santo agora sabendo que era seu filho e ainda mais com uma mentira a lhe esconder como aquela. Ele e Olívia decidiram que o melhor era esquecer, esquecer oque aconteceu e seguir em frente, mas ele ainda não sabia como faria isso, só sabia que era preciso. Eles seguiam juntos lado a lado, sem trocar uma palavra, e era até melhor assim afinal a cabeça dos dois fervilhavam com a descoberta e tudo ainda era muito confuso, quando já estavam próximos da casa avistaram Santo que sentado numa cadeira fumava um cigarro, Miguel ainda não sabia como encara-lo mesmo que feliz por ser filho de um homem como ele receber uma noticia dessa aquela altura, passar a vê-lo como um pai era um pouco mais complicado.
Ele parou automaticamente enquanto sua mente pensava em como lidar com a situação Olívia logo notou que ele ficava pra trás, se virou e voltou, ela não disse nada mas Miguel foi capaz de sentir a força que ela lhe transmitia com o olhar o incentivando a avançar. Assim que eles chegaram ao alpendre Santo se levantou.
— Olívia entra, favor explica tudo pra tua irmã, tua mãe num tá bem.- Disse Santo acariciando o rosto da filha.
—Claro painho.- Olívia falou e entrou logo depois de receber um beijo no topo da cabeça do pai, deu um olhar cumplice a Miguel e se foi.
— Acho que nois tem uma prosa pra ter.- Santo falou descendo ao encontro de Miguel e pondo sua mão no ombro do garoto.
— Temo sim Santo.- Miguel não sabia como se referir ao homem a sua frente, seria estranho demais o chamar de pai.
— Tu falo com tua mãe?- Santo também não sabia como dar inicio aquela conversa.
— Sim Tereza me conto.- Ele ainda não conseguia chama-la de mãe depois do que ela lhe fez.
— Tu entende porque fiz aquilo hoje, eu num podia permiti...-Santo não conseguiu pronunciar oque pensava.
—Claro, intendo.- Miguel não queria que o assunto seguisse por esse caminho, doía tocar nesse ponto.
— Eu num sabia, num pude nem imagina, ela dize que mando carta, mas nunca recebi uma si que.- Eles andavam e Miguel não pode deixar de notar o sol quase se pondo, era incrível como aquele dia parece ter passado tão lentamente.
—Ela pudia te me falado Santo, ela mentiu pra mim.- Miguel estava guardando aquilo dentro dele até agora, mas precisava desabafar.- Ela preferiu me iludi, me afasta dessa terra, pra esconde o segredinho sujo dela, ela era minha mãe, ELA MENTIU PRA MIM!!- Ele berrou e caiu de joelhos ali olhando o por do sol. Santo logo se ajoelhou a sua frente, o encarando olho a olho, pai e filho.
— Tu acha que ela pensa assim?! Ela é TUA MÃE, ela teve tu mas quem decidiu tudo foi Coronel Saruê, tua acha que ela teve escolha?!- Miguel não podia acredita que ele defendia ela.
—E num teve?! Ela teve Santo, teve de me conta, de me fala assim que descobriu que eu...- Ele não ousou mencionar seu caso com Olívia.-Mas ela quis eu só pra ela, escondeu de mim minha família, escondeu tu de mim e tudo isso.- Disse gesticulando a casa a fazenda e tudo que ele deixou de fazer parte.
— Sim escondeu, e tu vai perde tempo brigando cum passado?! Invés de aproveita oque a vida te deu muleque?! Tu é um dos Anjos, é melhô du que isso.- Santo falou pegando o rosto de Miguel entre as mãos.
— Tu é um de nois, tu é melhô que esses Saruê, é cabra dos Anjos, tu é meu filho, meu filho.- Santo nem tentou lutar contra as lagrimas que vinham, Miguel não pode deixar de se emocionar também e se jogou nos braços do Santo, um pai como sempre quis.
— Tu faz parte da nossa família agora, tu tem irmãs, tu tem um pai, uma vô que querem te conhece, e tu tem nosso nome, nois pode num te o prestigio de um de Sá Ribeiro, mas nos temos garra, temos força e temos uns aos outros viu.- Santo falou com os braços ao redor do filho que há pouco descobriu ter.
— Ses tem demais viu, ses tem dignidade e respeito, e são uma família num tem oque eu pedi de melhor.- Miguel não tinha como comparar a família que agora faria parte, com a que deixava para trás, a união a força e o respeito que eles tinham, não achava nem vestígio na família de Sá Ribeiro.
— Tu tem o sangue de meu Miro, que pode te se ter ido, mas deixo um pedacinho dele pra gente, aqui ô no coração de cada um de nois, e tu também tem menino, e vai ser recebido de braços abertos por essa vô já quase caduca.- Disse Dona Piedade que não resistiu a vim recepcionar o garoto que agora era seu neto.
— Caduca, e mainha o dia que tu tive caduca eu já num vó nem tá aqui pra vê.- Disse Santo se levantando e oferecendo a mão a Miguel.
Assim que se levantou ele beijou a mão de Dona Piedade aquela mulher forte que era o pilar daquela família, a quem teria orgulho de chamar de vó.
—Vamos entrar, as panela tá no fogo e hoje a família dos Anjos tem motivo pra cumemora kkkk- Não teve como não rir da senhora que seguiu deixando filho e pai pra trás, e que juntos seguiram pra casa que agora Miguel podia chamar de lar.
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