O amor pode vencer?!

13 O destino é o culpado


Notas iniciais
Oie gente, obrigado por estarem acompanhando, e espero continuar agradando, nesse capítulo tem fortes emoções, mas logo vem mais em.

Tinha uma tempestade caindo e ninguém via, mas todos ao redor podiam sentir, podiam ver o estrago que ela trazia consigo, os destroços atingiram tanto os dos Anjos quando os de Sá Ribeiro e tinha mais ninguém que sentisse seus efeitos do que Olívia e Miguel.

Ela ainda não conseguia acreditar, ou melhor não queria, aceitar como verdade oque o pai lhe havia tido era por consequência aceitar que o seu amor por Miguel era proibido e abominável tanto aos olhos do homem quando aos olhos de Deus. Depois de ser devastada pela notícia que veio como um furação em sua vida, Olívia não sabia nem o que fazer e inconscientemente seus pés tomaram direção ao lugar mais próximo da paz que ela poderia chegar, ir para casa não era uma opção não com toda essa reviravolta, até porque a notícia chegaria lá logo, e mesmo que quisesse Miguel naquele momento ela ainda não estava pronta para encara-lo depois do que descobriu, então seus pés a guiaram até um refúgio ali na beira do São Francisco, assim que chegou a pequena prainha ela retirou os sapatos e continuou até a água alcançar seus joelhos e foi ali que desabou. O pranto veio novamente e se possível tão forte como antes suas lagrimas se juntavam ao rio que corria calmamente enquanto tudo dentro dela parecia pronto para explodir.

Já Miguel não sabia qual direção seus pés tomavam mais, ele não enxergava realmente, tudo oque via eram lembranças de seu passado, momentos em que viu pela fina brecha do véu de mentiras que os de Sá Ribeiro teceram sobre sua vida que havia algo errado, que lhe escondiam algo, que por fim veio á tona, ele nem sabia mais se queria ter descoberto ou se preferia antes quando mentiras o rodeavam porque flashbacks de Olívia constantemente lhe vinham a mente.

. Lembrar dela só o fazia quere-la consigo ainda mais, mas então as palavras de sua mãe ecoavam na sua cabeça dizendo que ele era filho de Santo, e ele gritava com raiva de sua mãe que lhe escondeu isso a vida toda, com raiva de Carlos Eduardo por ter tomado um papel que não lhe cabia e principalmente do destino que zombara dele ao permiti-lo se apaixonar justo pela garota com quem dividia um pai, com quem compartilhava o mesmo sangue. Ainda era difícil associar a ideia de que eram irmãos, parecia até um absurdo pensar nisso após o amor, os planos os sonhos que compartilharam juntos como casal, como dois amantes.

Por um momento se deu conta de pra onde se dirigia, dentro dos limites da fazenda Piatã as margens Velho Chico, no mesmo lugar onde batizou seu inicio pela busca de sua própria felicidade, lugar onde teve Olívia pela primeira vez. Parado ali perto da praia pela primeira vez notara que não estava sozinho no local, foi quando avistou alguém de costas ajoelhado na beira do rio, ele sabia bem quem era, ali estava Olívia, ele pensou em dar meia volta e ir embora não sabia se estava pronto para vê-la depois do que lhe foi revelado, já imaginava que ela deveria saber também afinal Santo deveria ter contado pra ela após afastar os dois e leva-la para longe. Se virou para ir embora, mas então algo gritou dentro dele, ele precisava dela agora mais do que nunca, se sentia perdido e só com ela poderia se sentir inteiro mesmo com tantas complicações.

Ele entrou no rio, nem se importou em tirar os sapatos, logo a moça sentiu a agitação e o barulho de alguém entrando e se virou, assim que seus olhos se encontraram foi evidente, era possível sentir a dor que emanava do outro. Olívia que tanto queria evitar a presença do rapaz não pode deixar de negar que precisava dele naquele momento, se levantou rapidamente e foi até Miguel que só conseguia encara-la, assim que se abraçaram caíram na água e mesmo já tento chorado tudo que tinha pra chorar, ainda tinham lagrimas e os dois as derramaram juntos ali um no braço do outro. Miguel não sabia oque falar, oque fazer, os braços dela ao seu redor era a única coisa que conseguia sentir e ter certeza. Olívia procurava palavras para dizer, e não as encontrava.

—Miguel... eu não... nós somos.- Ela estava para afirmar pela primeira vez o fato que mudou o rumo de sua vida quando Miguel pois um dedo sobre seus lábios a impedindo de falar.

—Num diz nada Neguinha, não agora.- A voz de Miguel falhava mas ele conseguiu dizer , então voltou a enterrar seu rosto no pescoço de Olívia querendo sumir dentro daquele abraço.

Era doloroso demais imaginar ouvir essas palavras vindo dela, ela parecia tão perfeitamente encaixada em seus braços assim, pareciam ser um só e não dois. Isso só tornava mais difícil enxergar que era errado oque havia entre eles. Por um bom tempo ficaram assim juntos num abraçado forte, até se deitarem juntos ali nas margens do rio que foi testemunha do amor que compartilharam e agora da dor que dividiam, finalmente Miguel sentiu que era capaz de falar e começou a se sentar, Olívia percebeu e se sentou também afinal ela sabia que teriam que ter essa conversa uma hora ou outra.

—Neguinha, tu já sabe neh.- Até tentou soar mais firme, mas tudo que saiu foi um fiavo de voz.

—Painho me conto.- Ela não pode deixar de se sentir desconfortável, afinal agora não se tratava apenas do pai dela e de Bel, mas dele também.

—Tu falo..- Miguel estava prestes a perguntar oque ela disse a ele sobre os dois mas ela o cortou.

—Não, ele tava tão agoniado num tive coragem, fiquei com medo.- Agora Olívia tinha certeza de ter feito a coisa certa, se tivesse contado oque aconteceu com ela e Miguel, bem nem tinha ideia do que poderia acontecer, do que o pai faria ou diria.

—Da pra acredita?- Miguel precisava saber se era só ele que ainda não conseguia ver ela como irmã ou se ela tinha a mesma dificuldade.

—Não- Olívia compartilhava a mesma dificuldade que ele.- Parece um pesadelo.

—Desse num dá pra gente acordá.- Foi tudo que ele foi capaz de dizer.

Era difícil para os dois agir normalmente um em frente ao outro depois do que viveram, agora com essa bomba que explodiu entre eles, os dois estavam em cacos e só quem poderia junta-los era um ao outro, mas não podiam não como antes.

—Oque nois faz agora?-Perguntou Olívia que por mais que quisesse chorar já não conseguia mais.

—Segue nossa vida, cada um teu rumo.- Era só isso que ele achava ser o certo.

—E tu consegue?- Olívia sentia saber a resposta mas precisava ouvir dele.

—Não, mas temos que tentar.- Miguel sentia que por dentro era como se seu coração sangrasse e grita-se tentado mostrar o quanto aquilo era injusto, mas não cabia a ele decidir, nem a eles coube. Miguel fez questão de pegar as mãos de Olívia e olhar dentro de seus olhos, que já não tinham mais o brilho de antes, apenas uma grande dor e disse:

—Vamo tenta junto, nois ainda temos um ao outro, agora oque nos liga é o sangue de Santo dos Anjos, to contigo maninha.- Só ele sabe o quanto doeu pronunciar cada uma daquelas palavras, mas guardou pra si.

Naquele momento teve uma certeza, o grande culpado era o destino, que lhe deu um grande amor mas o impediu de vive-lo.

Notas finais
Beijooos pessoal de agora em diante os dois vão passar por muitas dificuldades, vamos ver como eles passaram por isso juntos. Bye