O amor pode vencer?!
18 Jantar em família
Notas iniciais
A lua já reinava no céu lá fora mas não passava das 20 horas, Olívia se livrou dos testes e fez o caminho de volta a fazenda, durante todo o percurso ela deixou que as lagrimas banhassem seu rosto vez ou outra quando elas lhe impediam de enxergar a estrada ela as limpava, ela ainda não podia acreditar no que lhe estava acontecendo isso era pior que um pesadelo. Assim que chegou a fazenda ela tentou se livrar de qualquer vestígio em sua expressão que a denunciasse mas era claro em seu olhar a dor que lhe afligia, então no retrovisor do carro ela treinou seu sorriso mais falso e adentrou a casa.
Olívia sabia que seria difícil encarar a todos após o que descobriu mas assim que chegou e encontrou todos ali teve de se manter forte para não desabar, Miguel e Santo falavam animados de como o projeto vinha crescendo e como a Cooperativa vinha caminhando bem mas ela não se sentia animada com a conversa, sua mãe e vó preparavam uma deliciosa janta a qual ela não sentia apetite nenhum para comer a verdade era que sua única vontade era de se esconder em baixo de sua coberta e ficar ali fugindo dos problemas que a cercava.
-Oxi menina tu ta abestada?- Ao ouvir o tio ela não pode deixar de levar um susto.
— Eita cheguei e tu nem viu.- Bento falou beijando a testa da sobrinha.
—Perdoe tio to meio ariada.- Falou tentando parecer o mais natural possível
— Isso eu notei.- Falou o tio rindo da menina que mal conseguia devolver o gesto.
—Mas o que tanto te apoquenta?- Ela teve de engolir em seco após a pergunta do tio, ela não podia lhe contar a verdade...
— O projeto tio, os cooperados, tudo tio, visse?- Disse balançando a cabeça decidida a apagar a lembrança dos testes da mente.
— Não te careia preocupar assim não menina se aquiete visse, ta tudo nos conformes.- Com a mão no ombro da menina Bento disse isso e se foi a deixando sozinha novamente com suas preocupações e medos.
Por fim todos se sentaram a mesa prontos para mais uma refeição em família, sentados a mesa Dona Piedade abriu as panelas uma na qual tinha carne de panela que exalava um aroma delicioso, quando o cheiro chegou a Olívia sentada em frente ao prato ela sentiu a cabeça girar na hora e o estômago se revirar, mais do que depressa se levantou correndo da mesa em direção ao banheiro na mesa a família ficou inquieta e ninguém falava nada quando por fim Isabel falou:
— Olívia ta ruim da peste! Toda hora cum esses enjoo.- Falou se levantando indo em direção ao banheiro atrás da irmã.- Olívia?- Perguntou abrindo uma fresta da porta.
— Me deixe Bel.- Foi só oque Olívia conseguiu falar antes de voltar a se curvar sobre o vaso.
Isabel adentrou o banheiro e se pós ao lado da irmã segurando seu corpo e mantendo seus cabelos que agora batiam no ombro afastados do rosto, assim que conseguiu Olívia se levantou apoiando na irmã e juntas foram para o quarto onde ela não parava de pensar no resultado dos testes e segurando para não chorar em frente a Bel.
— Maninha tu sabe que pode conta comigo num é?-Isabel disse se sentando ao lado da irmã na cama.
— Se sei Bel, mas não carece não, só to um tiquim enjoada pode volta pra mesa.- Disse segurando a mão da outra.
—Tá bom.- Bel disse e se foi deixando Olívia sozinha no quarto.
Olívia se virou de bruços na cama e se pós a chorar com a cara no travesseiro ela não acreditava que isto acontecia justo com ela, com sua família, logo agora que as coisas pareciam estar indo bem ela arrumava uma coisa dessas, como iria jogar essa bomba em cima de todos assim?! Tão concentrada em seu choro abafado Olívia mal conseguiu ouvir quando alguém entrou em seu quarto e se ajoelhou ao lado de sua cama, quando então sentiu uma mão acariciar suas costas virou-se assustada para encontrar o olhar penetrante de Miguel.
— Que susto, que tu quer Miguel?- Ela tentava não parecer alarmada, mas seu olhar desviava a todo canto do quarto enquanto se sentava.
—Oxi vim ver como tu tá mulhe- Disse sorrindo.
— Num carece de preocupa não, eu tó bem.- Disse sentindo um aperto no peito, sua vontade era se jogar em seus braços e contar oque lhe acontecia.
— Porque tu passou mal então?- Miguel estava preocupado com a garota isso era visível em seu olhar, ele se sentou na cama com ela e com delicadeza acariciou o rosto da menina com as costas da mão.
Olívia respirou fundo, a proximidade dele sempre a afetava mesmo com o tempo sempre que ficavam sozinhos podiam sentir o clima se instalar entre eles, mas eles logo o quebravam e um dos dois saia constrangido para bem longe, mas eventualmente voltavam era assim que as coisas iam. Ela quis contar a ele, afinal ele também fazia parte disso mas se conteve quando ouviu a porta do quarto ser aberta revelando Luzia ali parada atrás dela.
— Posso fala com tu Olívia?- Disse a mulher entrando devagar no quarto da filha.
—Tó indo qualque coisa me chama neguinha.- Miguel deu um beijo na testa da irmã e se foi.
— Que foi menina?- Luzia disse postando-se ao lado da filha.
— Oxi nada mainha.- A moça não pode evitar ficar nervosa com a presença da mãe.- Já to bem.
— Eita menina precisa vir tenta me engabelar não visse.- Disse se sentando junto a filha.- Que ta te acontecendo?
Olívia engoliu em seco, não podia se abrir com a mãe afinal já imaginava a reação dela e então logo todos saberiam e ela não queria isso pelo menos agora.
— Num sei mainha, eu só não to bem.- Disse cabisbaixa.
—Isso vai passar filha, vai passar- Luzia disse acariciando os cabelos da filha.- Vou te deixa então, descansa.
Olívia por um momento quis que tudo não passasse de um pesadelo, que a sua vida não tivesse virado do avesso como ela estava, e com a cabeça cheia se deixou cair na cama tentando não pensar no que estava acontecendo e com isso lhe veio a mente aquela noite que havia sido a melhor de sua vida com culpa, como podia achar isso sendo que passou a noite com seu irmão, era tudo tão confuso tão revoltante. Por fim pousou a mão sobre a própria barriga e disse:
— Que bagunça nós fizemos.- Disse acariciando o ventre ainda liso, ela não pode deixar de se surpreender com o próprio ato, ela não sabia oque sentir sobre a pequena vida que agora crescia nela.
Olívia por fim adormeceu, depois de tudo que passou aquele dia estava exausta Isabel deitou-se logo após preocupada com a irmã que dormiu sem se alimentar. Mas não era só ela, depois do acontecido na janta todos se preocupavam com a menina, ela não vinha estando bem a tempos e todo mundo imaginava o porque disso, estavam errados oque diriam se soubessem o verdadeiro motivo?!
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