O amor pode te quebrar?

12 Quando a sua cor passa a te definir


Notas iniciais
Primeiramente, não ao preconceito. Somos todos iguais, a nossa cor não define quem somos. Segundo, boa leitura❤️

—Ta tudo bem? — Marina perguntou, chegando perto de Lívia e a assustando.

—Sim, só que eu preciso ir pra casa. — respondeu. — Se alguém perguntar, fala que eu tive um problema e fui embora.

A garota seguiu seu caminho, correndo até uma estação de metrô, na qual sempre passava para vir à escola, mas nunca tinha tido tanta pressa em chegar.

Seu irmão nunca demorava tanto pra chegar em casa, e quando o fazia, sempre avisava ela ou sua avó. Mil coisas passavam pela sua cabeça, uma pior que a outra, ela não era ingênua, sabia do preconceito que seu Diego passava na escola e sabia de como as pessoas do seu bairro eram cruéis.

Ela não viu ao certo quando a chuva começou a engrossar, não tinha nem notado que estava chovendo, quando saiu. Continuava a correr, passando pelos carros e ouvindo as buzinas, por onde passava.

Estava destraida demais, para perceber quando um carro veio em sua direção, e o motorista mais ainda. Talvez fosse um milagre que o fez ver a garota e frear a tempo.

—Você tá bem? Se machucou? — o homem perguntou, saindo do carro para ver se ela estava bem. — Precisa de alguma coisa?

—Não, eu to bem, eu acho. — ela disse, tentando se levantar. Não tinha acontecido nada de grave com ela, apenas caiu e ralou o joelho.

—Graças a Deus. — o homem disse, nervoso, ajudando Lívia a levantar. — Pra onde você tava indo com tanta pressa?

—Pra estação. Preciso pegar um metrô. — respondeu.

—Onde você mora? Eu posso te levar se você quiser.

—Não vou entrar no carro de um desconhecido. Eu sou louca mas nem tanto. — disse, fazendo o rapaz rir, se não estivesse com a cabeça em outro lugar, teria se derretido inteira com aquele sorriso.

—Então você vai ter que ir andando com o pé machucado até a estação. — disse. — Eu não sou um assassino, só quero te ajudar, mas você quem sabe.

—Não vou entrar nesse carro nem a pau. — disse ríspida. — Eu vou pra aquela estação, nem que eu tenha que ir me arrastando.

Lívia se soltou dele e no mesmo momento se desequilibrou, sendo segurada novamente pelo rapaz.

—Eu posso ligar pra alguém vir te buscar. — sugeriu.

—Minha mãe está em um encontro, e ela sempre deixa o celular em casa quando sai com alguém.

—Seu pai?

—Meu pai morreu. — a garota disse, tentando disfarçar a tristeza em dizer aquilo, não era algo que gostava de falar.

—Sinto muito. — disse. — Então, vamos fazer assim, eu te dou meu celular, se eu tentar alguma coisa com você, pode tacar na minha cabeça.

—E se eu roubar seu celular?

—Acho difícil, já que você não consegue nem ficar de pé.

—Você não deveria confiar tanto nas pessoas.

—Um dia eu aprendo. — disse, pegando ela no colo e a colocando no carro.

—Quem é essa? — Lívia perguntou, quando pegou o celular dele, e viu uma garotinha na tela.

—Minha irmã. — respondeu, rindo lembrando do motivo da foto. — Antes a capa era de uma foto minha com a minha namorada, aí ela ficou com ciúmes e mandou eu trocar.

—Vocês namoram a quanto tempo? — perguntou, tentando puxar assunto enquanto ele ligava o carro.

—Terminamos. — disse com uma tranquilidade que fez a garota rir. — ela era muito grudenta, sabe? Eu não o tipo de homem que quer passar o resto da vida com uma mulher só.

—Quer dizer que vocês terminaram por que ela era boa demais pra você. — disse, o fazendo revirar os olhos, enquanto começava a dirigir.

—Onde fica sua casa? — perguntou, e a garota o respondeu, enquanto começava a mexer no celular dele. — Ei, eu disse que podia segurar meu celular, não mexer nele.

—O que foi? Tá escondendo algo? — perguntou, abrindo a galeria e vendo varios nudes dele. — Uou.

—Ei, tira disso. — disse tentando pegar o celular da mão dela.

—Olha pra frente! Se eu morrer aqui, acabo com você.

—Como, se já vai estar morta?

—Quem é essa? Sua ex-namorada? — perguntou, mostrando uma foto dele com uma garota.

—Não, credo. — disse, fazendo uma cara de nojo. — É minha irmã.

—Quantas irmãs você tem?

—Quatro. — respondeu. — E dois irmãos.

—Você é o mais velho?

—Não. Sou o terceiro. — disse. — O primeiro é o Lucas, depois a Bárbara, eu, Beatriz, que é a que tá comigo na foto, Bianca, Davi, e Lana, a menina da capa.

—Eu tenho um irmão, meio-irmão. — comentou, voltando a se preocupar. — Diego, e eu não sei onde ele está, por isso eu tava com tanta pressa.

—Ele pode estar em uma festa, ou com alguma garota.

—Não, ele não é de sair sem avisar. — falou. — As pessoas de lá são cruéis, tenho medo do que possam fazer com ele.

—Espero que ele esteja bem. — disse dando um leve sorriso. — Mas e você, qual é o seu nome?

—Não vou te dizer meu nome. — respondeu.

—Por que não? É um nome muito feio? — perguntou rindo. — Não precisa ter vergonha, o nome da minha mãe é Mirandolina, não tem como ser pior que isso.

—Lívia. — disse ainda rindo do nome da mãe do rapaz ao seu lado. — Meu nome é Lívia.

—Prazer Lívia. — disse.

—E o seu?

—Breno. — respondeu. — Não é o nome mais bonito do mundo, mas eu garanto que não é pior que o da minha mãe.

Os dois continuaram conversando sobre assuntos banais, que ajudaram muito Lívia a relaxar mais, até chegarem na casa dela.

A garota precisou chamar sua avó apenas uma vez para que ela viesse atender a porta.

—Lívia, por que demorou tanto? — perguntou abrindo o portão e dando passagem para a neta entrar, antes de reparar no homem que estava com ela. — Quem é esse?

—Breno, prazer. — disse cumprimentando a senhora.

—Eu me machuquei e ele me ajudou. — comentou.

—Você sabe que não deve entrar em carro de estanhos.

—Ele não é estranho, é irmão de uma amiga minha. — mentiu, olhando para ele como se dissesse para ele concordar.

—Sim, ela e a minha irmã vivem juntas. — disse.

—Sendo assim, por que não entra para tomar um café? — convidou.

—Não precisa, ele já tava de saída. — falou, sendo interrompida pelo loiro.

—Eu aceito sim.

—Quem é a sua irmã? — dona Eva perguntou, quando eles já estavam na cozinha.

—A Catarine. — Lívia respondeu, sendo o primeiro nome que passou por sua cabeça.

—Catarine é ruivinha? — perguntou, se referindo à Marina.

—Não, é a morena, do cabelão. — disse, tentando ligar para Diego.

—Tem certeza que o seu irmão não saiu pra alguma festa ou ficou preso no trânsito? — Breno perguntou, tomando um gole do café.

—Ah, meu querido, ele não é de fazer isso. — a avó de Lívia começou. — Aqui as pessoas são muito agressivas, sabe? Expecialmente na escola dele. E tem muito preconceito, por ele ser negro, a última vez que ele demorou tanto assim pra chegar foi quando...

—Vó, chega. — interrompeu, saindo de lá, para ver trocar suas roupas, que estavam molhadas, por causa da chuva.

—Foi quando o pai deles morreu. — disse. — Faz um ano, alguns meninos estavam batendo no irmão dela, e ele foi tentar impedir.

A mulher respirou fundo, antes de continuar. Doia falar da morte de seu genro, viu o mundo da filha e da neta desmoronar e aquilo a quebrou completamente.

—Foi aí que um deles atirou.

—Meu Deus. — disse.

—Por isso temos tanto medo quando alguém demora a chegar em casa.

Lívia chegou na cozinha novamente, vestindo outras roupas e com os olhos vermelhos e inchados.

—É melhor você ir embora. — disse friamente para Breno.

—Que educação é essa? — a mulher perguntou para a neta. — Você pode dormir aqui, querido, está chovendo muito e é perigoso por aqui a noite, você pode dormir aqui e eu te empresto algumas roupas do Diego.

—Não precisa, é melhor eu ir mesmo. — disse se levantando.

—Por favor, você foi muito gentil com a minha neta, não posso deixar você simplesmente ir embora assim.

Foi aí que ouviram um barulho vindo do portão. Alguém batia no portão e gritava, tentando chamar alguém.

—Socorro. — o homem gritava.

Lívia correu até a porta para abri-la, sabendo de quem se tratava.

No momento em que abriu, e ela e Diego entraram, os dois correram para dentro, e começaram a ouvir barulhos de tiros.

Eva correu para fechar toda a casa o mais rápido que pode.

—Vó, a minha mãe, ela não chegou, e se tiver acontecido alguma coisa com ela? — Lívia gritou, começando a chorar.

—O que tá acontecendo? — Breno perguntou desesperado.

—Tiroteio. — Diego respondeu.

—Meu querido, o que aconteceu com você? — Eva perguntou notando os machucados em Diego.

—Me atacaram, dona Eva, bateram em mim com um pedaço de ferro. — respaondeu.

Breno olhou para a janela e viu o seu carro, ou melhor, o carro de seu pai sendo roubado. Os homens quebraram o vidro e pegaram tudo de valioso que tinha lá.

—Meu pai vai me matar.

Ficaram assim por muito tempo. Breno tentava ligar para alguém de sua família, mas ninguém atendia.

Ligou para sua mãe, seu pai, o telefone de sua casa, Beatriz, Bianca, Lucas, Jéssica e Davi, tentou ligar até para Enzo, que provavelmente estaria com sua irmã mais nova.

—Acho que acabou. — Lívia comentou, depois de um tempo.

—Vão tomar um banho, eu vou fazer uma sopa para vocês comerem.

—E a minha mãe? — a garota perguntou preocupada.

—Vou orar para que ela esteja bem. — a mulher disse.

—Eu posso rezar, se vocês quiserem . — o loiro disse. — A minha família é católica, me ensinaram essas coisas.

—Reza, Breno, por favor. — Lívia pediu, olhando para ele com lágrimas descendo nos olhos.

Os três foram tomar banho. Breno usou uma roupa de Diego, que teve uma certa dificuldade em ficar em pé, mas com a ajuda da irmã conseguiu.

Foram comer a sopa, e ainda estavam preocupados com Karina, que ainda não tinha chegado.

—Mãe, eu to bem, só que eu vou ter que passar a noite aqui, e o carro do pai tá todo quebrado. — Breno dizia no telefone.

—Meu amor, o carro é o de menos, você tá bem mesmo?

—To sim.

—É o Breno? — Beatriz perguntou olhando a mãe falar no telefone com alguém. — Deixa eu falar com ele?

A mãe deles, passou o celular para a morena, que o pegou.

—Oi, então, eu pensei sobre o assunto. — começou. — E eu aceito morar com você e a Bianca.