O amor pode te quebrar?

13 O posterior da desilusão


Notas iniciais
Boa leitura❤️

Pedro estava se pegando com uma garota aleatória que havia acabado de conhecer. Não sabia seu nome, idade, nem se tinha ficha criminal ou era fugitiva da polícia.

Alice, a poucos metros dali, estava consolando Malu, que insistia em dizer que estava bem, xingando Enzo de todas as palavras ruins que existiam no seu vocabulário.

—Eu estou bem, só estou chateada, não, eu não vou me chatear por causa daquele cafajeste, mas ele era tão lindo, e fofo, e ainda por cima gosta mais de How I Met Your Mother do que Friends, vocês sabe como é raro achar pessoas assim? — perguntou retoricamente, voltando a chorar, e sendo abraçada pela amiga. — Ele era tão lindo.

—Sim, ele era muito gostoso. — disse, concordando e revirando os olhos.

—Mas você não conhece ele, como sabe que ele era gostoso? — perguntou se desfazendo do abraço e olhando a amiga.

—Não sei, Maria Luiza, é que você fala tanto isso que eu tenho que acreditar.

—Não vou borrar minha maquiagem por ele. Maquiagem é cara e ele não merece isso. — disse se limpando. — Olha pra minha cara Alice Carolina, me diz se eu nasci pra ficar sozinha nesse mundo? Segue o baile. Vou pegar uma bebida pra gente.

—Eu não bebo. — disse como se aquilo fosse óbvio. E realmente era.

Alice tinha nojo a bebida. Podia não ser totalmente certinha, mas se tinha algo que não fazia era beber. Sabia o mal que aquilo fazia às pessoas.

—Mas eu bebo. — falou, se levantando e indo pegar algo para beber.

—Vamos, Bianca. — Enzo disse, puxando a amiga, que estava quase se pegando com um garoto, que poderia ser uma garota. Ele não estava interessado o bastante para ver o sexo da pessoa.

—Ei, o que foi? Problemas no paraíso? — perguntou, se soltando do agarre de Enzo.

—Eu não deveria ter vindo.

—Eu não deveria ter vindo. — a garota disse, dando ênfase no “eu”. — onde já se viu, trazer a amiga para um encontro. Isso é coisa de garotinha.

—Que bom, significa que sou uma garota melhor que você. — disse rispidamente, fazendo Bianca rir.

—Acho que vou morar com Breno e Beatriz. Acha que estou ficando louca? — perguntou, assim que atravessaram a porta, para ir embora.

—Acho que quem vai ficar louca é a Beatriz, depois de passar uma semana sozinha com vocês. — respondeu.

—Pelo menos minha sanidade continuaria intacta. — comentou. — Além do mais, Beatriz já é um pouco louca.

—Na minha opinião, ela é mais normal entre vocês.

—Davi é o mais normal entre nós. — a loira, que agora estava metade morena, disse.

—Ou talvez seja Lucas. — Enzo disse, e a garota fez uma careta.

—Lucas deixou de ser normal assim que começou a namorar com aquela Clara.

—Ela não é tão ruim assim.

—Ela é uma quenga de beira de estrada. — disse. — E isso ainda é uma ofensa as quengas.

Os dois chamaram um táxi e foram até a casa de Bianca.

Enzo morava sozinho, desde que Melissa havia se mudado, mas isso é assunto para outro momento. Seus pais moravam por perto, junto com seus irmãos, Heloísa e Pietro.

—Filha, graças a Deus você chegou. — a mãe de Bianca disse, assim que viu a filha atravessar a porta, junto do melhor amigo.

—O que aconteceu, mãe? — perguntou, desviando o olhar para Beatriz e Davi, que estavam aparentemente preocupados. — Ta tudo bem?

—O Breno, Bia. — Davi começou, após alguns segundos, vendo que mais ninguém responderia. — Ele tá no meio de um tiroteio.

—Como é?

***

Ela entrou em casa dando passos lentos e silenciosos. Tudo estava escuro e aparentemente havia demorado mais que deveria. Droga, Marina!

Assim que a ruiva ligou a luz, viu dois olhares sobre ela e nesse momento pencebeu a merda que tinha feito.

—Que bonito, dona Marina. — Gustavo disse, olhando a filha, de braços cruzados.

—Gostou, comprei essa semana. — disse irônica, se referindo ao vestido que estava usando.

—Eu mandei você não sair do quarto. — o pai da garota disse, ignorando o que a filha havia dito.

—Mas pai, foi só um dia, todo mundo tava lá.

—Eu aposto que “todo mundo” não estava suspenso por causa de uma briga.

—Mas pai... — começou, sendo interrompida.

—Sem mas. — disse ríspido. — E você, Raquel, não deixe ela sair nem até o andar de baixo. Agora, me dê seu celular.

—Meu celular não.

—Seu celular sim. — disse, estendendo a mão.

—Vou te dar meu celular quando você parar de trazer essas putas pra dentro de casa. — gritou.

—Me respeita, Marina. — o homem gritou de volta, pegando a bolsa da ruiva e a devolvendo segundos depois, sem o celular. — Só vai tê-lo de volta quando aprender a se comportar.

A garota saiu correndo dali, pisando forte e se jogando na cama, assim que chegou no quarto.

—Oh, meu amor, não fica assim não. — disse Raquel, chegando no quarto da menina.

—Isso não é justo, ele tira tudo de mim.

—Você sabe que isso não é verdade. — a mulher falou se sentando ao lado de Marina, que apoiou a cabeça em seu colo, tendo seu cabelo acariciado. — Ele te dá tudo que pode, mas você sempre faz alguma coisa errada.

—A culpa não foi minha, aquela garota que chegou me batendo.

—Você sabe que não foi isso que aconteceu. — começou. — Ligaram da escola contando tudo que tinha acontecido, e eu atendi porque seu pai não estava em casa, eu estou muito desapontada com você. Nunca pensei que você fosse racista, Marina.

—Me perdoa, Raquel, eu não sou, foi só um desafio idiota que a Catarine me fez, eu juro que eu não queria. — disse abraçando a empregada e começando a chorar.

—Tudo bem, meu amor, só não faça mais isso, eu sei o quanto você é boa, não se deixe levar por essas coisas.

***

Haviam se passado horas e a mãe de Lívia não chegava, e não dava notícias. A garota estava preocupada com Karina e não conseguia dormir, mesmo sabendo que teria que acordar cedo no dia seguinte.

Estava destraida quando ouviu passos e virou o rosto para ver de quem se tratava.

—Sem sono, gata? — Breno perguntou bocejando e esfregando os olhos.

—Talvez. — respondeu simplesmente. — E você?

—Acordei agora, e vim atrás de água. — disse, pegando em um copo que achou e enchendo de água.

Quando se conheceram, Lívia estava preocupada e distraída demais para notar a beleza e o charme do rapaz, coisa que Catarine teria notado antes mesmo de olhá-lo com atenção. Com poucas horas de convivência, já haviam passado por um dos momentos mais difíceis da vida de ambos, a garota já o tinha visto pelado (mesmo que sem intenção, e por uma foto) e estavam dormindo na mesma casa.

—Ta mais calma? — o garoto perguntou.

—Um pouco, ou não, to preocupada com a minha mãe, mas pelo menos sei que o Diego tá bem. — respondeu, se levantando e ficando de frente para o loiro.

—Sua mãe vai ficar bem. — disse, tentando consolá-la. — Tem outras coisas pra você se preocupar agora.

—Tipo o que? — a morena perguntou, vendo Breno se aproximar dela cada vez mais.

—Um dia eu te conto. — respondeu rindo e selando seus lábios.

Foi um beijo intenso, e um tanto quanto inapropriado, considerando o momento. Ele a levantou, colocando-a sentada na pia e apertando suas coxas, enquanto ela puxava levemente seus cabelos.

Apenas se separaram quando ouviram uma tosse fingida vindo da porta.

—Está tudo bem aqui? — Diego perguntou, entrando na cozinha e rindo da cara da irmã, que estava totalmente constrangida.

—Mais que bem. — Breno respondeu, dando “boa noite” para os dois e seguindo para um colchão, no qual estava dormindo.

—O que foi? — o garoto perguntou ao receber um tapa no braço, vindo de Lívia, que foi para o seu quarto.

***

O dia amanheceu e o sol insistia em entrar pela janela, atrapalhando o desejo de Enzo de dormir até de tarde.

Sua cabeça doia um pouco, considerando o nível de álcool que havia tomado quando chegaram em casa. Esperem, explico o que aconteceu.

Ao descobrir o que havia acontecido com seu irmão, Bianca pediu para que Enzo dormisse em sua casa para fazer companhia a ela, e os dois acabaram bebendo um pouco (ou muito), durante a noite.

Olhou para os lados e viu que estava no chão, definitivamente.

Olhou novamente e viu que não estava sozinho. Bianca estava deitada praticamente em cima dele, e Beatriz estava a alguns centimetros de distância, deitada na cama, junto com Davi.

—O que aconteceu? — Bianca perguntou, olhando para os lados e dando pequenos tapas na cabeça, na tentativa de “se colocar no lugar”.

—Vocês beberam e vieram pro meu quarto. — respondeu Davi, empurrando Beatriz.

—Esse é meu quarto, idiota. — a irmã mais velha de Bianca afirmou, devolvendo o empurrão do irmão.

—Não é não.

—Seu quarto é rosa, Davi? — perguntou retoricamente, empurrando novamente o irmão mais novo, que dessa vez caiu no chão.

—Nenhum quarto aqui é rosa, sua louca. — disse Bianca. — seu quarto é lilás.

—Então de quem é esse quarto? — Enzo perguntou.

—O meu e do Breno. — Davi disse mostrando as fotos dos dois, o vídeo game do irmão mais velho e alguns livros seus.

—Desde quando seu quarto é rosa? — Beatriz perguntou cruzando os braços.

—Eu sei lá. — respondeu, saindo de lá logo depois pra falar com a mãe? — Mãe, por que meu quarto tá rosa?

—Eu falei que não era pra pintar. — respondeu, deixando o menino mais confuso ainda. — Foi a Bianca que inventou.

—Eu inventei o que? — a loira (ou morena, como preferir) perguntou, descendo as escadas, sendo acompanhada da irmã e do melhor amigo.

—Pintar o quarto dos meninos. — respondeu.

—Eu não pintei o quarto dos meninos.

—Pintou sim, você, a Beatriz, o Davi e o Enzo. — Lana, que estava perto da mãe, afirmou.

—Eu não me lembro de nada. — Enzo disse coçando os olhos.

—Só do fora que levou ontem. — Bianca disse rindo, é recebendo um olhar mortal do amigo. — Tá, foi mal.

—Mas por que eu dormi no quarto dos meninos? — Beatriz perguntou.

—Medo dos trovões. — Bianca respondeu ironicamente.

—Choveu ontem? — perguntou inocentemente, fazendo a irmã mais nova revirar os olhos.

—Lógico que choveu. — Davi respondeu, fazendo as duas irmãs se entreolharem confusas.

—Se não choveu por que você chegou tão molhada ontem? — Lana perguntou.

—Eu vim de táxi. — Bianca falou.

—Você não, a Beatriz. — disse, apontando para a irmã.

—Mas eu não saí ontem. — afirmou confusa. — Saí?

—Você e o Enzo saíram. — Mirandolina disse.

—Eu saí? — o garoto perguntou. — Pra onde?

—Foi atrás de uma garota. — respondeu, e Bianca começou a rir.

—Não acredito que você fez isso. — a garota disse boquiaberta, entre risadas.

—Eu não me lembro. — Enzo disse, passando a mão pelos cabelos.

—Vão tomar banho e escovar os dentes, depois desçam pra comer, que eu conto o que aconteceu. — a mãe da família disse, e todos correram para cima.

—Eu tomo banho primeiro. — Bianca disse, enquanto pegava suas roupas e Enzo corria para pegar uma roupa emprestada de Breno.

Beatriz foi a primeira a ir para o banheiro, e demorou séculos pra terminar, de acordo com Bianca. Davi, foi tomar banho no banheiro do quarto de seus pais. E Enzo e Bianca ficaram esperando eles terminarem.

—Vai logo, embuste! — Bianca gritou para a irmã, que saiu do banheiro minutos depois, de toalha. — Por que não trocou de roupa no banheiro?

—Porque eu não achei nenhuma roupa minha, vou pegar uma emprestada sua. — respondeu, e a irmã mais nova saiu correndo atrás da mais velha pra que não pegasse suas roupas.

Apenas voltou quando viu Enzo entrando no banheiro, e foi até lá, batendo na porta.

—Seu falso, a gente tinha combinado que eu ia tomar banho primeiro. — gritou. — Abre essa merda.

—O que você quer? — o loiro perguntou, abrindo a porta só de cueca. — Tomar banho comigo? Me deixa em paz.

Bianca passou alguns segundos analisando aquela possibilidade e entrou no banheiro.

—Qual é? Você é inofensivo. — disse, começando a tirar suas roupas.

Quando todos terminaram, desceram para comer, na esperança de que a mulher contasse o que havia acontecido na noite passada.