Acordei no dia seguinte com o som do sino da igreja batendo, sinal que já era meio dia. Percebi que eu estava sozinha em casa, afinal minha mãe já teria me acordado antes disso. Peguei meu celular na mesinha de cabeceira, tinha uma(s) mensagem de Julieta há três horas me chamando para ir para praia:

Julie para @Carol:

— Ei! To indo para a praia, eu sei que você não gosta, mas ta um dia lindo! Vamo!

— OOOOOIIIII! Me responde!! To saindo da casa do Guga 10h30.

— Você não vem mesmo né?? Deve estar dormindo sua preguiçosa!

Eu ri, Julieta tentava me arrastar para praia sempre, mas dificilmente eu cedia. Resolvi responder pra ver se ela ficava um pouco menos bolada comigo!

Carol para @Julie:

— MAL! Acordei agora, juro. Preciso contar sobre ontem! Você não sabe quem eu encontrei!

Larguei o celular de lado, Julieta nunca respondia na hora mesmo. Resolvi sair de casa para comer uma tapioca na feira, não tinha nada para comer de café da manhã. Liguei para os meus pais e marquei de encontrá-los lá. Vesti um short jeans, all star azul e uma blusa branca, também conhecida como a primeira roupa que eu vi no armário.

Fui descendo a rua das Laranjeiras prestando atenção. Na mesma hora Tomás veio a minha cabeça. Impossível que eu nunca tenha cruzado com ele pelo caminho. No meio desse pensamento meu celular começa a tocar, era minha mãe:

— To chegando na feira! — Falei

— Oi compra a sua tapioca e espera a gente ali na esquina dá Cardoso Júnior. Seu pai tinha esquecido que hoje tem almoço na casa do seu avô lá na Barra. Acabamos de chegar em casa, vamos só trocar de roupa. — Falou cuspindo todas as informações

—Tá bom. Beijo. — Respondi

Cheguei na feira e comprei a minha tradicional tapioca de queijo coalho com manteiga. Sentei numa pracinha que tinha perto da Cardoso Junior para comer. Fiquei olhando para duas crianças brincando de pique e lembrei de novo de Tomás, achei engraçado. Eu nem tinha conversado com ele tanto assim. Meu celular vibrou e achei que eram meus pais, mas na verdade era Julieta.

Julie para @Carol:

— Quem???????????? Tô curiosa! Me diz que foi o Joaquim! Por favor!!!

Aposto que não… Pelo jeito que você falou foi o Léo gracinha. Beijou??

Carol para @Julie:

— Não foi o Joaquim! Que mania Julieta, SUPERA!

— Também não foi o Léo, quem dera. Foi o Almeida, aquele amigo da Tati que estava no seu aniversário do ano passado, lembra?

Julie para @Carol:

— Jamais vou superar o Joaquim! Esquece.

— Lembro! Encontrou ele como?? Beijou??????

Julieta tinha essa fantasia que um dia eu iria dar certo com o Joaquim. Isso me e enchia a paciência, mas eu caía na pilha dela de vez em quando. Eu conheci o Joaquim ainda na escola, ele era um ano acima de mim. Fazíamos parte do grupo de simulações da ONU, também conhecido como uma reunião de nerds de humanas que brincavam de ser diplomatas e debater assuntos de relações internacionais durante conferências em fins de semanas e feriados. Enfim, conheci o Joaquim e não dava a menor bola para ele, até passar a dar, bastante bola. Ficamos numa festa depois de uma das conferência (a gente era nerd, mas se divertia também) e ali começou uma saga que durou dois anos da minha vida. Durante dois anos eu só conseguia pensar e ficar com o Joaquim. Maaaaas isso não era tão recíproco assim. Ficávamos em festas, sociais, churrascos, reuniões qualquer lugar que tínhamos uma chance. Mas se você perguntasse se estávamos juntos, a resposta era sempre a mesma “nossa, não, nada a ver”. Ouvi tanto das pessoas que a gente era perfeito um para o outro que acabei acreditando. Achei que era questão de tempo a gente começar a realmente se envolver. No entanto, foi um pouco diferente. Viajamos juntos para Brasília, ano passado, para uma conferência de simulações. No fim dessa viagem sentamos para conversar, ou naquele momento a gente marcava um primeiro encontro, depois de dois anos, ou a gente decidia que definitivamente não era para ser. Obviamente a segunda opção aconteceu. Joaquim fez um discurso lindo dizendo como ele gostava de mim, mas que nunca daríamos certo, que precisávamos deixar o outro ir. Aquilo doeu, muito. Mas eu precisava de um ponto final, acho que ele também. Dois meses depois, Joaquim apareceu namorando. Doeu, ainda mais. Mas foi melhor assim. Julieta tinha essa grande fantasia porque, além dela ter visto nascer essa história toda, Joaquim e o Guga, o namorado dela, eram melhores amigos e o sonho dela era sair de casal.

Carol para @Julie:

— Não beijei sua doida! Para de querer me arranjar para todo mundo!

— Sei lá, foi muito doido ontem, mas encurtando a história, eu acabei encontrando o Dimitri e ele estava junto.

Julie para @Carol:

— Eita! Você vai me contar essa história direito essa noite!

— Combinei de ir no Baixo Botafogo com a Ana, que acabou de terminar.

— Vamo?????????? Você já está me devendo a praia hoje.

Carol para @Julie:

— Vamo! Eu não nego Baixo Botafogo, você sabe disso.

— Tô indo pra Barra agora, no meu avô, devo sair de lá umas sete.

— A gente se encontra que horas para ir?

Julie para @Carol:

— Nove lá em casa. Ok?

Carol para @Julie:

— Fechou! Te amo!

Julie para @Carol:

— Te amo também!

Os almoços na casa do meu avô demoravam horas. E não adiantava a gente chegar meio dia ou três da tarde, o almoço sempre saía pelo menos às cinco. A minha família era papo de 20 cabeças sentadas na sala reunidas e brigando, mas era a única que eu tinha.

No trânsito voltando da Barra tirei uma soneca. Dormir é a minha religião. Cheguei em casa e só dava tempo de trocar de roupa. Botei uma calça jeans, uma blusa preta e o vans branco com uns desenhos de robôzinho. Aquele era um dos meus tênis favoritos. Aliás, eu sempre estou de tênis.

Cheguei na casa de Julieta e ela obviamente não estava pronta. Se a Julie marcar com você as nove, chega nove e vinte que ela vai estar procurando o sapato que ela quer usar. Esperei ela sentada na portaria, queria logo falar todos os detalhes da noite anterior. Só que antes que ela chegasse, vi Ana se aproximando para nos encontrar.

Eu não era próxima da Ana. Fomos da mesma turma por alguns anos na escola, mas nunca amigas. Não que eu não goste dela, de jeito nenhum, mas sei lá, éramos colegas. Só que a Julieta tem a capacidade de fazer todas as pessoas adorarem ela. Ela é amiga de todo mundo e consegue juntar os grupos mais aleatórios possíveis. "Quanto mais gente melhor" é o lema quando Julieta sai de casa.

Cumprimentei Ana e ficamos falando as banalidades de sempre. Tadinha, ela tinha acabado de terminar e dava pra ver que ela estava arrasada. Julieta chegou na portaria ainda colocando o brinco na orelha.

— Cheguei!!! — disse berrando

— Finalmente, né bonita? — falei enquanto dava um abraço!

— Foi mal, eu nunca chego na hora! — Disse Julieta

— A gente sabe! — riu Ana!

— Vamo logo que a Tati já está lá esperando a gente! — Julieta falou enquanto pedia um Uber no celular.

— Ué, a Tati vai? — disse um pouco surpresa

— Uhum! — respondeu Julieta — Chamei uma galerinha! Quanto mais gente melhor!!!

Eu ri. A Julie sempre fazia isso. Se a mesa não terminasse no fim da noite com pelo menos dez pessoas, eu ficaria surpresa. Ana e Julieta não pararam um segundo de conversar no carro. Nem consegui falar com a doida da minha melhor amiga sobre o dia anterior. O pior que era importante, ainda mais com a Tati indo.

Chegamos ao Baixo Botafogo e estava lotado. Muito mais lotado que na noite anterior. Olhei para Julieta e falei:

— Você falou que a Tati já chegou, ela pegou uma mesa?

— Não! Aliás, temos que achar ela!

Nesse momento eu virei de costas para começar a procurar. Eis que eu dou de cara com o Almeida, olhei pro lado e estava o Tomás:

— Aí caralho! Que susto! — Falei no instinto

— Desculpa! Não queria te assustar! — disse Almeida rindo

— Desculpa, eu que reagi mal. — falei com vergonha — Mas que surpresa vocês por aqui!

Confesso que nessa hora meu coração estava meio acelerado. Eu não sabia se era por causa do susto, da presença deles ou de qualquer outra coisa.

— A gente veio com a Tati, encontrar umas amigas — falou Tomás

— Ué? Mas eu tô procurando a Tati. Eu e Julieta vamos encontrar com ela — falei muito perplexa.

Foi nesse momento enquanto eu encarava Almeida e Tomás, com uma cara de bunda provavelmente, que eu me toquei. Era o mesmo rolê.

— Vocês se já conhecem? — disse Tati chegando por trás de mim com Julieta do lado.

— Sim! Quer dizer mais ou menos — falei atrapalhada

— A gente conheceu ela ontem com o Dimitri. Quer dizer, eu conheci, o Almeida já conhecia né? — disse Tomás mais atrapalhado que eu.

— Nossa, que coincidência! Achei que eu ia ser super original apresentando vocês dois! Mas tudo bem, depois eu converso com o Dimitri sobre isso — Disse Tati com um enorme sorriso no rosto.

Tati era linda. Tinha um cabelão preto levemente ondulado e um nariz fininho. Ela estava com um batom vermelho que contrastava bastante com o tom de pele branquinho dela. Eu conhecia a Tati desde de a pré escola. Quando fomos para o fundamental ela foi pra turma de Julieta e eu para outra. As duas ficaram muito próximas e só nos reencontramos no sétimo ano. Tati começou a namorar o Dimitri no ano seguinte e mudou de escola, foi pro Santo Agostinho, onde conheceu Almeida e Tomás.

— Cara, não tem uma mesa aqui hoje, ainda mais pra tanta gente — Disse Almeida

— Porra, hoje vai ser foda mesmo! Não tem mesa nem do outro lado do viaduto — completou Tomás

Se tem uma coisa que eu posso me orgulhar na vida é que eu sempre acho mesas em bares, mesmo que eles estejam lotados. Comecei a olhar em volta e do outro lado da rua estava lá uma mesinha linda, perfeita e vazia de seis lugares na frente do Praia Sucos. Sim, é assim que funciona no Baixo Botafogo. De dia é praia sucos com salgados e açaí, de noite muda pra cerveja, drinks e batata frita, não tente entender.

— Ali ó! — disse apontando para a direção da mesa vazia

— COMO QUE VOCÊ CONSEGUIU ISSO? — Disse Almeida

— Eu não sei, eu só consigo, sempre. — falei rindo

— Excelente qualidade — respondeu Tomás

Atravessamos a rua, sentamos na mesa e pedimos as bebidas. Eu queria sentar do lado de Almeida, mas acabei do lado do Tomás. Tudo bem, o Almeida tava na minha frente, mas sei lá.

Ficamos conversando a noite inteira, descobri que os dois eram melhores amigos, quase irmãos. Achei fofa a amizade que eles mantinham. Eis que o assunto chegou em cinema:

— Top 3 filmes favoritos — perguntou Almeida

— Todos os Homens do Presidente, Space Jam e Adeus Lenin. — respondi rápido — Ah e menção honrosa pra Toy Story.

— Justificativa? — perguntou Tomás.

— Jornalista gostando de filme de jornalista, fã de basquete sendo fã do filme do Jordan e eu tive minha fase comunista pra amar Adeus Lenin — Tomás riu, ele tinha um sorriso bonito.

— Você faz jornalismo né? — perguntou Almeida

— Uhum! Na Pussy Rio infelizmente — respondi

— Ué? Cê queria ir para onde? — Ele perguntou

— Pra UERJ, desde criança. Mas teve a questão da greve ano passado e eu acabei indo pra PUC. — respondi

— Ué, UFRJ não? Você ia estudar na PV, melhor coisa — cortou Tomás

— Eu nunca quis ir pra UFRJ, não sei porque. E o Palácio da PV me dá um leve nervoso.

— Ih! Falou mal do Palácio! Vai deixar Tom? — provocou Almeida

— O palácio é a melhor coisa! — Tomás respondeu — Eu faço economia lá na UFRJ. Você ia ser minha vizinha de prédio. — Disse sorrindo

Ui, economia me dá um frio na espinha. Me lembra um certo alguém… Afastei o pensamento quando Almeida se meteu na conversa:

— Olha a vantagem Tomás. Se ela fosse da UFRJ era você que ela ia ignorar na faculdade. E não eu. — disse provocando

— Eu já falei que eu não te ignorei, menino! — falei um pouco irritada.

— Mas enfim, todos os filmes que falou são do caralho! — Disse Tomás

— Obrigada! — ri, eu amo pessoas que falam 3 palavrões a cada 4 palavras — mas e os seus?

— Poderoso Chefão, Pulp Fiction e Trainspotting. Menção honrosa pra Star Wars IV. — Respondeu Tomás

— Nossa, eu tenho trauma de Trainspotting — Falei rindo

— É por causa da cena da privada? — perguntou Tomás

— Também — falei rindo — Mas é porque eu fui ver com uns amigos, todo mundo se pegou e eu fiquei assistindo o filme sozinha. — Ele riu.

— Eu nunca vi todos os homens do presidente — Disse Almeida

— Tudo bem, eu nunca vi Poderoso Chefão. — Falei

— Como não? — falaram os dois em uníssono.

— A gente tem que fazer pra ela — disse Almeida

— Será? — Falou Tomás — Será que ela merece?

— Mereçoo que? Acho que vocês dois já beberam demais! — respondi rindo

— A senhorita, ou seria senhora? Gostaria de ver uma performance ao vivo da cena inicial de Poderoso Chefão?

— Senhorita mesmo — não sei se isso foi uma indireta pra saber se eu tava solteira, mas não custa confirmar né? — Eu aceito a performance.

Os dois começaram a encenar Poderoso Chefão, em inglês com um sotaque italiano tosco. Eu só sabia rir!

Pouco tempo depois mais gente se juntou à mesa, Lili chegou com um pessoal do coral, Guga, o namorado de Julieta também chegou. Com isso o espaço foi ficando bem mais apertado. Mais uma pessoa e eu ia ter que dividir cadeira com o Tomás.

Obviamente o assunto voltou para futebol. Se um dia eu já consegui manter uma conversa de mais de 20 minutos sem falar nada sobre futebol, eu não me lembro:

— Eu sei que você gosta de futebol. E eu particularmente admiro muito isso. Mas você joga futebol? — perguntou Almeida

— Eu? Hahaha nunca! Sou um lixo jogando futebol. Sempre joguei basquete. — respondi

— Sorte sua, o futebol deixa marcas permanentes. — Respondeu Almeida.

— Ah não Antônio, a história da lesão não! — Respondeu Tomás

Isso eu achava bonitinho. Tomás chamava Almeida de Antônio. Eu chamava de Almeida mesmo porque era o jeito que Tati e Dimitri chamavam ele. Quem sou eu na fila do pão pra falar com o menino tem dois dias e chamar ele de Antônio.

— Que lesão? — Perguntei para Almeida

Eis que Almeida começa a saga de como rompeu o ligamento cruzado do joelho. Em uma pelada de futebol, completamente sozinho e sem a bola. Mas como ele disse, lesão de craque. Almeida era Lateral direito e Tomás zagueiro. Eis que a minha mente levemente alcoolizada resolveu me fazer passar vergonha:

— Eu sempre gostei mais dos jogadores de defesa, sabia? — Cala a boca Carolina!

Os dois riram. Eu não estava tentando dar em cima de ninguém. Mas nenhum dos dois era de se jogar fora. Eles eram muito diferentes, no entanto.

Almeida era alegre, extrovertido, gostava da atenção toda pra ele. Sabia ser o estilo galanteador barato com piadas de tiozão. Ao mesmo tempo fazia pose de inteligente e citava Schopenhauer e Machado de Assis na mesma conversa.

Tomás era mais na dele. Fazia comentários pontuais sempre engraçados e sarcásticos. Trocava palavras por palavrões, claramente deixava a atenção voltada para Almeida. Tinha uma cara de menino perdido.

Literalmente no meio do meu pensamento comparativo o meu pior pesadelo aconteceu: surgiu uma barata. Levantei correndo para rua gritando, não sei como me comportar numa situação dessas. Eu tenho PÂNICO de barata.

Almeida veio na minha direção para tentar me acalmar, enquanto Tomás foi matar a barata. Quando eu estava quase sentando de volta na mesa apareceu outra, e outra, e outra, e mais uma. Quando eu vi eu estava chorando em pleno Baixo Botafogo com um menino que eu tinha conhecido praticamente na noite anterior cercada por dez baratas querendo morrer.

Percebemos que elas estavam saindo de um canteiro perto da nossa mesa. Alguém devia ter deixado algum lixo ali. Eu estava desesperada, se eu pudesse tinha corrido até em casa.

Enquanto Tomás tentava controlar todas as baratas, eu paguei a conta, pedi um Uber e puxei Julieta, Ana e Guga pelo braço. A noite tinha acabado ali para mim.

Dei tchau para os meninos de longe e entrei no Uber. Três segundos depois do motorista andar com o carro, Julieta mandou:

— E você e o Almeida, hein?

— O que que tem? — perguntei

— Ficaram conversando a noite toda... — ela falou

— Ué com o Tomás também! Não começa Julieta!

— Não começa Julieta nada! Começo sim! Eu fiquei prestando atenção! Tomás tava de figurante ali, tadinho! — ela falou

— Não tava nada! Para de inventar. — falei brava

— Eu não tô inventando, juro. — ela falou séria, eu odiava quando a Julieta falava sério- Eu tô te contando o que eu vi. E o que eu vi foi Antônio Almeida dando em cima da minha melhor amiga.

— Nada a ver Ju!

— Tudo a ver Carol! Eu não erro! Quem que foi a primeira pessoa a falar do Joaquim pra você? — disse ela com um sorriso no rosto!

— Para de falar do Joaquim! Inferno! — falei bem brava.

Julieta ficou quieta e olhou para a janela. Eu sabia que só tinha um jeito de consertar aquilo:

— Você achou mesmo? — falei

— Achei! Achei mesmo! — disse ela com um sorriso de orelha a orelha — e se eu me lembro bem, você achou ele uma gracinha no meu aniversário ano passado.

— Uhum — respondi

— E se eu te conheço bem, ele é bem seu estilinho de garoto!

— Uhum — isso eu realmente não podia negar

— Eu sabia! Vou falar com a Tati! Ain! Eu amo ser cupida! — disse batendo palminhas

— Ouououou! Julieta, sossega o facho. Não vai falar com a Tati porcaria nenhuma, deixa quieto.

Pouco tempo depois o Uber chegou na casa de Julieta. Ela Ana, e Guga se despediram e saltaram do carro. Segui sozinha o caminho de dois minutos até a minha casa. Eu sabia que Julieta não ia sossegar o facho. Eu sabia que ela iria armar um plano pra tentar me juntar com o Almeida, eu incentivando ou não.

Subi no elevador, troquei de roupa e deitei na cama. Mas será que seria tão ruim assim tentar um plano pra ficar com o Almeida? Um beijo não faz mal a ninguém e ele é legal, simpático, bonito. Peguei meu celular:

Carol para @Julie:

— Quer saber: foda-se. Faz o que você quiser! Tô precisando beijar na boca mesmo.

Coloquei o celular na mesinha de cabeceira e fechei o olho para dormir. Eu não sabia a dimensão que aquela mensagem para a Julieta tomaria, mas era um risco. Um risco que eu tinha decidido tomar.

Chega de se prender no passado ou no mesmo de sempre. Inova Carolina, inova!