Notas iniciais
Tema: Cena do filme O Artista. Cena: os primeiros 20 segundos. (quando o cãozinho está fazendo truques)

A garota nova da igreja estava de pé, enquanto ouvia a musiquinha para os recém chegados, Viviane, era seu nome, uma jovem de pele branca, olhos verdes e cabelo ondulado. Não demorou para que todos os jovens já estivessem sondando, mas eram repelidos por Carmem, o cão de guarda, que depois fora gentilmente apresentada como sendo a mãe de Viviane, mas havia um jovem que não se interessara por Viviane, Renato não se encantou com os belos olhos verdes.

Porque o culto terminou e ele não foi falar com ela?

Renato sabia o porquê, ainda não havia conversado com ela, ele precisava dos sons das palavras que por sua vez formariam frases, que no fim, falariam bem mais do que carne, sangue e osso. Ele nunca fora comprado, já fazia um tempo que não era comprado por sorrisos, nem por frases forçadas. Assim ele observa a batalha entre seus colegas de grupo que disputavam um premio que provavelmente nem um deles conseguiria, inclusive seu melhor amigo Leonidas.

Mas Viviane não os queria.

Não só porque não queria, mas porque não se pode querer o que já se tem, Viviane era linda, e ela sabia disso, assim teria qualquer rapaz que desejasse, e sem esforços.

Um mês depois chegou o dia em que Viviane cantaria com o grupo, e já como vocalista. Ela tinha a voz perfeita. Renato, amante da música, navegava nas ondas de cada nota, naquele momento não importava a casca bela de Viviane, mas somente o doce som da voz dela. Desta forma ela se tornava cada vez mais perfeita para os que ali estavam, mas Renato passara por ela durante um mês e tudo que disse foi:

“Boa noite, a paz do senhor irmã.”

Não estava se fazendo de difícil, só não se interessava por ela, Renato tinha um gosto peculiar, ele se apaixonava por mãos, beijos e abraços que vinham da mente, enquanto Viviane nada dissesse, enquanto não estivessem frente a frente e conversassem, ela não passaria de uma garota.

Susana, uma das vocalistas e filha do pastor, sempre que terminava o culto saia em busca de informações e falar com todos, mas naquela noite ela queria falar com Renato, alguém com quem ela não conversava muito, assim o chamou para acompanhá-la até a padaria.

E na padaria, sem dinheiro, nem nada para comprar Susana disse:

— A Viviane quer namorar você!

Como Susana poderia saber daquilo tão rápido?

Na verdade não havia nada que ela não soubesse, já que era tão bem relacionada, e Susana gostava de ser amiga de qualquer um que chegasse, não para ser amiga, mas para saber tudo de todos, ela era encarada mais como uma traficante de informações entre os jovens, desta forma não era seguro contar segredos a ela.

— Eu?

— É seu besta! Você quer né?

Renato perdeu a atenção quando olhou para fora e viu um homem fazendo truques com um cãozinho e retirava aplausos dos que passavam, um dos truques era fazer o cão fingir que era assassinado, Renato deu risadas, lembrou-se de seu cão Luke, que fora tirado dele pelo pai e doado para um qualquer.

— Ei? Renato, você ouviu o que eu disse?

— Ah! Claro ouvi sim, eu não sei o que dizer agora.

— Como você não sabe? Tudo mundo quer ficar com ela!

— Olha, amanhã te falo.

— Amanhã? Você é burro?

— Relaxa, amanhã eu falo.

— Tá bom, então, vamos fazer do seu jeito.

Susana saiu resmungando alguma coisa que beirou “O que ela viu nesse cara”. Mas Renato sabia o que Viviane havia visto nele, mesmo que Renato não fizesse de propósito, aprendera a tratar uma mulher, mais especificamente... Aprendeu a tratar pessoas. Aquilo não era nem uma tática de conquistas, mas já fazia parte dele, já que buscava ser o oposto de seu pai.

Renato tinha palavra, no dia seguinte ele daria uma resposta.