O Viajante
4 o enviado de Khan
Notas iniciais
A próxima aula era História, eu basicamente dormi na aula, sei que isso não foi legal da minha parte, e enquanto não dormia, olhava o relógio em cima da porta da sala, à hora parecia não passar, a aula durou uma eternidade, até que finalmente o sinal para o intervalo tocou, aquilo era música para meus ouvidos, tinha comentado com John que o encontraria quando o sinal tocasse, então desci as escadas e fiquei esperando ele aparecer, mas ele não apareceu, achei estranho, então subi as escadas a sua procura, fiquei cerca de cinco minutos andando, ate que ouvi vozes vindas de um lugar da escola que não conhecia, cheguei lá e vi John caído no meio de uns quatro meninos, ele estava machucado, aqueles jogadores de futebol estavam batendo em John, eu tinha que ajudar meu amigo.
– Ei!!! — disse com raiva- saiam de perto dele — disse me aproximando.
– Vai embora novato, isso é assunto pessoal- disse um cara loiro e forte, parecia ser o capitão.
– Não vou embora até vocês deixarem ele em paz.
– Então vai apanhar junto com ele — disse o cara loiro- peguem-no rapazes.
Vieram em minha direção dois caras, eram fortes, tinha o físico de jogadores de futebol americano, um veio logo me dando um soco, do qual desviei e o acertei com um soco de direita na boca do estômago, que imediatamente caiu no chão com dor, o outro recuou um pouco, mas veio correndo em direção a mim, ele não era muito rápido, mas era grande, isso intimidava um pouco, mas não a mim, quando chegou perto e me abaixei, agarrei suas pernas e joguei-o no chão, subi em cima dele e o desferi com um golpe no olho, ele ficou no chão deitado com a mão no olho, levantei-me e fui em direção a John, o cara loiro e seu amigo recuaram, e saíram correndo, corri até John que ainda estava consciente, um de seus olhos estava roxo, ele mal conseguia o abrir, seu nariz sangrava, sua camisa estava rasgada, ele olhou pra mim e só disse uma coisa:
– como você fez isso?
Eu ri, ele estava bem, considerando seu estado físico, fiquei aliviado.
– Depois eu te conto, vou te levar pra enfermaria — coloquei-o nas minhas costas e comecei a andar, ele era leve, muito leve, era magro, seus cabelos castanhos estavam bagunçados, como se ele acabasse de fazer uma experiência que explodisse na sua cara...
Chegamos à enfermaria, coloquei-o na cama, a enfermeira fez os curativos e ficou olhando pra mim, mas logo voltou sua atenção a ele.
– Quem foi dessa vez John? – perguntou a enfermeira
Dessa vez? Fiquei me perguntando, quer dizer que isso acontecia com frequência? Como ele agüentava isso? Por que ninguém o ajudava? Essas perguntas não saiam da minha cabeça.
– Foi o Nick- disse John, a enfermeira começou a passar algum liquido em seu rosto – Ai- gritou John- isso arde.
– Você já aguentou coisas piores- disse a enfermeira- Não reclame – ela acabou de fazer o curativo no seu rosto e entregou-nos um papel- vocês podem ficar a quarta aula aqui, é só apresentarem isso ao professor depois.
– Obrigado- disse
Ela saiu da sala, deixando-nos a sós, John ficou olhando pra mim, esperando que eu falasse alguma coisa.
– Ok, agora me explique como você fez aquilo? Derrubou dois zagueiros como se não fosse nada — disse John.
– E que eu treinava artes marciais- menti- e tenho um pouco mais de agilidade, só isso- John olhou pra mim como se não acreditasse, mas não fez mais perguntas.
– Por eles estavam te batendo? – perguntei.
– Foi por que eu hackei o computador do Nick, ele descobriu e aconteceu o que você viu.
O sinal tocou, e nós ficamos ali ate o sinal da quinta aula tocar, então cada um foi pra sua sala, era aula de matemática agora, a aula ate que passou rápido, nada de importante, apenas revisão de matéria pra prova da semana que vem, então o sinal tocou, a ultima aula era biologia, e o garoto loiro estava la (Nick), ele olhou pra mim, sua expressão de feliz mudou para assustado, então ele baixou a cabeça e ficou quieto, seus amigos que estavam corredor naquela hora, estavam com o olho roxo, mal o conseguia abrir.
Isso me lembrou os treinamentos em Irion, aquela sensação de adrenalina, eu sentia falta, queria voltar aos campos de guerra, lutar pela sem saber se vai vencer ou morrer, depois voltava aplaudido pelo seu povo, mas sentia remorso pelas vidas que tirava, pensava na dor que a família sentia, mas se eles estavam em guerra, era morrer ou ser morto, por isso não queria ser rei, pois teria que tomar decisões guerra, eu não gostava disso...
O sinal me surpreendeu, eu nem havia prestado atenção em nada, eu literalmente em outro planeta, na saída encontrei John.
– Eii, John- ele olhou pra trás- será que você poderia me dar algumas aulas de biologia? E que não consegui pegar muito bem a matéria- não queria dizer que tinha praticamente dormido na aula
– Sim, claro, você pode ir la em casa agora?
– Posso sim.
Então fomos em direção a sua casa, o caminho foi silencioso, algo me incomodava, sentia que estava sendo seguido desde que havia saído da escola, olhei para trás e vi uma sombra de alguém atrás do poste.
– John, podemos deixar isso pra amanha?
– Por quê? Já estamos quase chegando.
– E que me lembrei que tenho uma coisa a fazer- ele olhou para mim como se não estivesse entendendo nada.
– Tudo bem então
– Vá direto pra casa, o mais rápido possível
– O que esta acon...
– Outra hora eu explico, agora vá- e comecei a correr, lembrei-me que havia passado por um campo de futebol ali por perto, eu era melhor em lutas abertas, suspeitava que Khan havia mandado algum de seus soldados, cheguei ao campo de futebol.
–Apareça- gritei- eu sei que você esta ai
No mesmo instante surgiu em minha frente, um cara alto, usando uma armadura, seu cabelo era curto, um castanho médio, era maior do que eu, seus olhos era um castanho escuro, sua pele era bronzeada, como se passasse tempo demais nos campos de treinamentos.
– Ola príncipe, meu nome é Matt, fui mandado pelo seu irmão, para levá-lo de volta, seja por bem ou por mal.
– Esta perdendo seu tempo, eu não vou voltar
– Eu temia que você dissesse isso, então o terei que levá-lo a força, caso contrario não serei digno de ser o braço direito de seu irmão.
Isso me surpreendeu, o poder de meu irmão se igualava ao meu, sem eu usar a divindade, mas para um guerreiro se igualar a um divino, isso era praticamente impossível, tinha ouvido comentários do meu irmão, que seu maior guerreiro, tinha um poder que quase se igualava ao dele, e esse guerreiro estava na minha frente agora, será que terei que usar meu poder divino? Eu nunca havia contado a ninguém sobre meu poder, não queria ter que usá-lo agora, terei que contar apenas com minha força e resistência, mas não sabia qual seria a arma que ele invocaria (os guerreiros tem poder de invocar armas com qual mais se identificam), ele tinha essa vantagem contra mim, e também, se o que meu irmão dizia for verdade, ele podia invocar mais de uma arma.
– Meu irmão comentou sobre você- a sensação de perigo voltou, a adrenalina que eu tanto sentia falta, meu sangue estava quente, eu esperava que aquilo ia acontecer, ou melhor, eu queria que acontecesse- me de uma batalha interessante.
– Não sei se será interessante quando você for derrotado, mas farei o melhor para não matá-lo- então ele invocou dois machados de duas laminas, eram gigantes, e pareciam afiados, estava começando a me animar.
Corremos em direção um ao outro, ele era rápido para seu tamanho, ele usava as armas como se não tivesse peso algum, isso começou a ficar interessante, a sensação de perigo que eu tanto sentia falta, estava de volta
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