O Ultimo Salvador

6 Capitulo 5: A viagem parte 1


O sol mal surgiu no horizonte quando Egbert ordena que eles se levantem, ele lhes dá roupas novas, roupas de camponeses, e apesar da enorme curiosidade Michael não pergunta como ele as conseguiu, após estarem vestidos e alimentados os três homens saem do esconderijo.

O vilarejo ainda esta dormindo, apenas algumas pessoas estão na rua, o padeiro prepara os pães na rua acima, o pastor cuida de seus animais, e os três seguem caminho no meio da penumbra que resto da noite, Egbert os guia por meio de pequenas fazendas sempre evitando as estradas, o que torna o caminho mais longo e deixa Michael curioso com o destino deles.

- Exatamente onde estamos indo?

- Iremos ao vilarejo vizinho, onde tomaremos uma condução que nos levará até Jerusalém.

Essas foram as únicas palavras ditas por eles durante a manhã inteira, Alecsander permanecia pensativo, Egbert ficava sempre alguns metros a frente, fazendo o papel de batedor do grupo.

O caminho era longo, e por evitarem as estradas eles acabaram por andar por entre pântanos e campinas, até que quando o relógio de Michael marcava um pouco mais que meio dia eles avistaram o vilarejo, não era maior do que o anterior, apenas parecia mais sujo e desorganizado, Alecsander estava curioso em saber o nome do local, mais eles não ficaram muito tempo ali, a condução da qual Egbert falou era um ônibus que saia todo dia dali em direção a Jerusalém, eles chegaram e embarcaram e em alguns segundos estavam a quilômetros dali.

Egbert sentou-se próximo a porta, Michael e Alecsander foram para o fundo do ônibus onde se sentaram lado a lado, era uma viagem de alguns dias, e com paradas em vários outros vilarejos, durante esse tempo Egbert manteve-se distantes de Alecsander, já Michael aproveitou para falar sobre sua vida como estudante nos Estados Unidos, e Alecsander mostrou-se interessado, Michael contou sobre sua família, sobre seus ancestrais alemães, falou sobre seu interesse no catolicismo e suas seitas, e durante esse tempo eles se aproximaram cada vez mais.

Quando estavam na segunda noite de viagem, Alecsander resolveu falar com Egbert, foi em direção ao seu acento, e como sempre ele estava acordado, sempre alerta e vigiando algum sinal de perigo.

- Então você é um celestial?

- Nós somos celestiais.

- Como você disse? Caeslis?

- Não. Caeslestis, significa celestial em latim.

- Mais o que somos? De onde viemos?

- Diz a lenda que numa que quando o céu entrou em guerra...

- Céu? Guerra?

- Alecsander vou te contar o que meu mestre contou a mim.

Deus tinha dois preferidos, seu filho Cristo e Lucifer o arcanjo mais amado por ele, porém um dia ele resolveu conferir a Cristo seu poder, então ele reuniu todo o exército celestial para declarar que a partir daquele instante Cristo tinha o mesmo poder que ele, e portanto deveria ser respeitado e obdecido, Lúcifer ficou revoltado com Deus por ele ter preferido Cristo a ele próprio, resumindo, Lúcifer declarou guerra no céu, usando o argumento do livre arbítrio ele conquistou seguidores, mais mesmo assim perdeu a guerra e foi banido do céu junto com seus seguidores.

- Certo mais o que isso tem a ver com a ordem?

- Diz a lenda que alguns anjos não tomaram parte nessa guerra, eles amavam demais seus irmãos para poder envolver-se num massacre que destruiria metade do exército celestial, esses anjos se viram encurralados pelos os lados conflitantes então em um ato supremo eles não escolheram lado nenhum ficando neutros durante a batalha.

Quando Cristo saiu vencedor e Deus baniu Lúcifer e seus seguidores para a Terra ele condenou esses anjos também, eles ficariam exilados do céu como pena por sua eterna vergonha de não terem defendido o lado correto na guerra, mais por não terem participado da mesma eles continuariam sendo anjos, apenas perderiam suas asas e teriam como objetivo proteger a recém criada raça dos humanos de todo o mal que viesse por vier.

Esses anjos foram os nossos ancestrais, por não serem mais do exército celestial eles assumiram o nome da graça que lhes restou, eles passaram a se chamar Caeslestis, passaram a ser os Celestiais e desde então eles protegem a terra de todo o mal que a ela venha afligir.

- Ainda não entendo como chegamos a nossos tempo.

- É simples Alecsander, eles não eram mais anjos, eles tinham o espírito santo mais não tinham suas asas, perderam sua imortalidade, eles viraram mortais, e para que o objetivo que Deus lhes deu não fosse esquecido nunca eles gerarão herdeiros, e assim nossa ordem perpetuou-se pelas eras cumprindo o sagrado dever herdado de nossos ancestrais.

- Quer dizer que somos descendentes de anjos?

- Não Alecsander, nós não, você.

- Mais você também é um celestial.

- Sim eu sou, porém minha linhagem é impura, meu bisavó apaixonou-se por uma humana fora da ordem e desse amor meu pai foi gerado, e meu pai também me gerou de um amor com uma não celestial, portanto eu sou um celestial de segunda geração e de tal forma de uma classe inferior.

- Entendo.

- Não você não entende, durante todo esses tempo nossas linhagens foram misturando-se com os não celestiais, existem milhares de primeira e segunda geração, muitos sequer sabem que carregam o sangue celestial pois a tradição se perdeu em algumas famílias.

- Só não entendo porque o ancião disse que eu sou importante.

- Você não percebe Alecsander?

- Perceber o que Egbert?

- Existem duas linhagens puras ainda, a Linhagem Angelus e a Linhagem Junior, você meu caro é o único que pode nos salvar porque é o ultimo celestial puro, você é o ultimo descendente direto dos anjos exilados, você é nosso ultimo protetor, nosso ultimo salvador.

O silencio paira no ar, Alecsander está surpreso, agora ele sabe quem é, e qual é seu propósito, tudo ainda está enevoado e cada vez mais ele deseja falar com esse ancião. Mais não quer mostrar-se fraco perante Egbert então rapidamente muda de assunto.

- E sobre os Illuminati e os Cavaleiros Templários de onde eles vieram?

- Alecsander, como disse eu sou um Celestial de segunda geração, não sei responder a essas questões.

- Mais Egbert...

- Sem mais, volte para seu lugar, amanhã chegaremos ao nosso destino e você precisa estar descansado, creio que nossos inimigos já detectaram nossa posição. Descanse teremos muito tempo para conversar e quando conhecer o ancião suas dúvidas serão esclarecidas.

Alecsander se levanta e volta para o fundo do ônibus, pela primeria vez em dias ele se entrega ao sono sem medo, sua confiança em Egbert aumenta a cada dia, ele sabe que está no caminho que o levará direto ao seu passado e futuro, a estrada passa rapidamente pela janela do ônibus, ele a observa rapidamente enquanto deixa o sono tomar conta do seu corpo e adormece.

Enquanto dorme uma cena vem em sua mente, ele se encontra em uma sala enorme, uma cama ao centro , ele percebe que é um quarto, o mesmo homem que ele via em seus sonhos esta deitado, doente, há outro homem sentado na beira da cama segurando a mão do que ele julga ser seu pai.

O homem doente parece estar exausto e sem forcas para falar, mesmo assim se esforça, Alecsander não consegue ouvir o que o homem diz na primeira vez. Mais o homem repete então Alecsander entende apenas uma frase.

- Ache meu filho, ache-o. Ach.. Ache Alec.. Alec..

- Não se esforce mestre.

- Ache Alecsander, ele é noss... nossa única esperan... esperança ancião.

Alecsander percebe que ele esta na mesma cena que via em seus sonhos, só que agora ele a vê com riqueza de detalhes, e mais ele vê que o homem sentado a beira da cama é o ancião que Egbert tanto fala, mais quando o ancião ira se virar para mostrar seu rosto.

- Alecsander acorde. Chegamos a Jeursálem. Michael o chacoalha

- Egbert vamos acorde, temos de nos apressar, nosso trem só sairá amanha, temos de nos hospedar em algum hotel até. Vamos apressem se.

Alecsander se levanta, sua feição esta claramente decepcionada, ele desejava ter visto o rosto do homem conhecido por ancião, mais ele não conta sobre o sonho para ninguém.

Os três saem do ônibus e direcionam-se para o hotel mais próximo. Egbert trata de fazer o check in, enquanto isso Michael e Alecsander saem para comprar comida no mercado próximo. Ao voltarem os três sobem para o quarto, mais ao chegar na porta Egbert percebe que esqueceu-se de pegar a chave então Alec se apressa em descer para busca-la.

Na recepção ele pede ao balconista, um homem de estatura mediana muito musculoso e de feição sombria, porém muito educado ele pega a chave do quarto e a entrega para Alecsander, deixando à mostra a pequena cicatriz em seu pulso um I que mais parece uma queimadura do que uma tatuagem, Alecsander fica intrigado mais acha irrelevante, pega a chave e retorna para o quarto onde os amigos o aguardavam.

Trata-se de um quarto com três camas, uma varanda que está virada para um beco na lateral do hotel, eles estão dois andares acima do térreo e a visão da varanda da direto para a parede da construção ao lado, Alecsander se acomoda na cama mais próxima da varanda, já Egbert na próxima a porta, como sempre desejando manter a guarda caso haja algum perigo, e Michael apesar de estar insatisfeito com o lugar que lhe restou resolve não se pronunciar. Ele observa Egbert montando sua guarda próxima a porta , o homem se senta em sua cama, fica sempre com o olhar fico para a entrada como se ignorasse a presença dele e Alecsander no recinto.

- Egbert, porque você sempre fica nesse estado?

- Qual estado Michael?

- Você parece sempre estar alarmado, pronto para um ataque, como se nós estivéssemos atacados. Venho notando isso há alguns dias, no começo imaginei ser a falta de conhecimento sobre Alecsander e eu, mais agora.

- Como eu disse nós temos muitos inimigos, e nada garante que só os celestiais estejam atrás de Alec.

- Egbert, você sempre fala desses inimigos, nos fale quem são?

Egbert se ajeita na cama, seu rosto se vira na direção de Michael, mais sua atenção ainda esta na porta do quarto.

- Já disse eles são os Illuminatis e os Templários, mais creio que o incêndio em Nabi-Samwil tenha sido obra dos Illuminatis, pois eles são descuidados e não tem medo de se mostrar ao mundo.

- Michael você me disse ser um estudante de historia, me diga o que sabe sobre esses Illuminatis. Alecsander fala com curiosidade.

Mais antes que Michael pudesse falar, alguém bate na porta, Egbert se levanta rapidamente corre até a lateral da mesma e faz um sinal para que Michael abra a porta. Ele aproxima-se da mesma.

- Quem é?

- Serviço de quarto senhor?

Michael abre a porta, e é surpreendido por um homem portando uma arma e apontando-a para sua cabeça, o homem era o mesmo que Alecsander tinha visto na portaria, Michael foi afastando-se para o dentro do quarto, e quando o homem preparava-se para atirar Egbert avançou em suas costa acertando-o na cabeça com a coronha da arma que tirou de um bolso escondido em um bolso de sua calça, o homem cai desmaiado ainda sem saber o que o tinha acertado.