O Trono de Uthar

2 Amélia Lancaster


Notas iniciais
Eh, capitulo novo :v Espero q gostem :3

Eu estava prestes a entrar no lugar mais evitado do reino. Um único homem guardava a porta, e eu percebi que já o encontrara varias outras vezes, em situações onde você não quer encontrar um guarda.

Sai das sombras parcialmente, permitindo que ele visse meu corpo coberto pelo manto e sussurrei alguma coisa. A essa hora da noite, o guarda não deveria sentir algo alem de tédio.

Ele se virou para mim e eu percebi, pela expressão em seu rosto, que não havia entendido oque eu sussurrara.

Continuei a falar, tossindo, e me aproximando. Pelo tom da minha voz, era algo importante. Ele começou a se interessar, e se aproximava lentamente, com uma expressão de duvida e pedindo que eu falasse mais alto.

Quando me aproximei o suficiente para que ele me ouvisse perfeitamente, disse em voz alta:

–Perdão, preciso passar.

Ele reconheceu minha voz, mas antes de poder reagir, minha adaga envenenada estava em sua perna. Assim que a dor causada pelo veneno começou a agir, atei sua boca com uma faixa e retirei minha faca. O veneno era conhecido como Primeiro Beijo, e deixaria o pobre infeliz paralisado e agonizando por uma hora antes de ele apagar. Tudo que ele se lembraria quando acordasse era que sentia uma injustificavel dor na perna, e um pouco de ressaca.

Joguei seu corpo atrás de um arbusto, e guardei minha faca.

Voltei a encarar a entrada da masmorra. Parecia uma entrada de tumulo, no jardim do palacio real. Um quadrado (Com pouco mais de três metros de altura e cinco de largura) de tijolos cinzentos, com um portão pouco maior que eu feito de barras de aço enegrecidas. Dentro dele, iluminada pela fraca luz de uma única tocha, existia uma escada feita do mesmo aço do portão, que parecia levar para o próprio inferno. Essa impressão era acentuada pelos sons distantes dos presos abaixo, em punição eterna. Quem colocou eles lá? Meu pai, obviamente.

Comecei a descer a escada, tomando cuidado para que os meus passos não ecoassem e fossem ouvidos pelos guardas abaixo.

Após descer três andares da escada em caracol, cheguei no andar 4.

Abri o pesado portão, que apesar de me impedir de ver a aproximação de algum hostil, havia impedido os guardas nos pisos 1, 2 e 3 de me verem.

Rangi os dentes, com o som estridente causado pela abertura. Felizmente, o som se misturou com os lamentos e gritos que se intensificavam a cada andar que eu descia.

Cada um dos andares era um labirinto diferente (Formado por series de tuneis de cimento cercados de celas em ambos os lados), por isso, cada andar tinha uma serie de guardas especiais que eram designados para ficar apenas nele. Estes eram soldados de elite, que conheciam a prisão tão bem quanto a própria casa, resistiam a qualquer suborno e seriam rigidamente punidos se contassem qualquer informação sobre seu andar para qualquer pessoa.

Por isso, passei uma infinidade de tempo procurando, até encontrar a cela. Infelizmente, os nomes das celas eram escolhidos ao acaso, uma vez que a primeira cela que me deparei no labirinto se chamava “B” e a segunda era a cela “14”.

Possivelmente isso era um código interno, mas eu não tinha tempo para isso, então só me movimentei da maneira mais rápida e silenciosa que pude, e olhei os nomes de todas as celas até encontrar a D.

No caminho, encontrei amigos que clamavam ajuda, inimigos que se levantaram e tentaram arrancar as grades para me estripar, e até um guarda — que se perguntará por que adormeceu no chão da masmorra em algumas horas — mas nenhum problema realmente preocupante. O processo todo levou uma hora e meia.

Me aproximei então de meu destino, e pude ver a pessoa que fui orientado a pedir ajuda, que iria me ajudar em minha campanha para libertar o reino do governo de meu pai.

Ela era linda. Tinha mais ou menos o meu tamanho, cabelos negros como as asas de um corvo (que ameaçavam atingir sua cintura), sua pele era branca e bela — como a propria neve. E seus olhos… Como se não bastassem eles serem verdes, eles ainda eram inteligentes e curiosos, eu poderia passar uma vida toda olhando para esses olhos. Mas assim que o olhar dela caiu sobre mim, percebi outra coisa.

Seu olhar não exprimia curiosidade, ou qualquer coisa. Ela estava nas masmorras do rei.

Seu olhar exprimia odio, dor. Quando esses olhos se viraram para mim, senti como se ela estivesse prestes a se levantar e rasgar minha barriga com seus dentes, para arrancar minha alma pelo buraco. Suas mãos estavam sangrando, e percebi que a parede estava um pouco rachada.

Confesso que foi por pouco que não cai no chão, mas consegui me recompor a tempo.

–Amélia Lancaster?

–Quem é você?

–Sua unica esperança, a menos que queira apodrecer aqui dentro — conclui, com um sorriso.

–Por que deveria acreditar em você? — ela desviou o olhar para o chão.

Abro a fechadura do portão, como se ela nem estivesse lá.

–Por que temos inimigos em comum. Eu sou Bast, Bastardo do rei. Não olhe para mim assim, não faço ideia de quem é você, fui mandado para cá pois fui avisado que você é uma inimiga importante para a familia de Boric.

Estendi a mão para ela.

–Vou te levar para um lugar mais confortável.

Notas finais
Adoro o Bast N sei pq :v