Era a prisioneira mais feliz, também com um carcereiro desses que mulher não gostaria de ser sua prisioneira e ficar escrava de seus desejos para os restos dos seus dias. Um carcereiro que beijava tão bem, além de que tínhamos passado uma noite incrivelmente maravilhosa.

Não pude evitar sorrir. Já estava decidido, ia arriscar com Victor, não importa se ele é meu inimigo, iríamos encontrar um jeito de fazer as coisas funcionarem. Não há mais dúvida, eu amo Victor Grendel com todo meu coração e estou disposta a lutar por ele. Ele sentia algo por mim, eu sentia isto, também ninguém dava seu sangue a alguém que não seja realmente importante e especial.

Despi a roupa, que era o vestido de ontem só que agora estava todo amassado. Entrei no chuveiro e deixei-me relaxar. A água estava uma delícia, tocava meu corpo sensível provocatoriamente, imaginei que cada gota de água fosse às mãos de Victor passeado pelo meu corpo. Isto me levou a loucura. Mas água quente sobre meu corpo também me trouxe más lembranças.

Jennifer. Argh. Estraga prazer. Despachei o banho, enrolei-me na toalha e saí. Eu queria que Victor me visse assim sexy, para minha infelicidade ele já não estava mais no quarto, tinha ido embora, mas deixou um vestido de primavera sobre a cama com cores marinhas e lingerie! Vermelha! Malandro. E não acabava por aí, ele havia pensando em tudo até nos sapatos que eram uns rasos chinelos de fitas brancas. Realmente ele era um homem de palavra e bom anfitrião quando queria. Ao lado do vestido estava uma nota.

“Minha pequena loba, vista e desça. Espero-te na sala de jantar de ontem para tomarmos o desjejum, precisamos conversar.”

Minha pequena loba. Já estava me habituando com isto, já não achava mais feio, mas sim carinhoso. Só se viesse de Victor. Vesti e desci como ele pediu. A mesa estava vazia só se encontrava Victor, mas recheada com comida, havia diversas guloseimas.

Rodolfo acompanhou-me ao meu lugar, serviu-me e depois se retirou deixando eu e Victor sozinhos. Pela cara dele nós íamos ter uma longa conversa. Ele primeiro deixou-me comer mantendo a conversa casual, tentando comer alguma coisa do meu tipo de comida, mas ele não me aldrabava, só estava esperando eu acabar para a conversa séria realmente começar. Acho que é por isto que estava comendo lentamente, no fundo sabia que esta conversa não seria agradável.

– Obrigada. A refeição estava óptima e obrigada também pelas roupas são lindas. Bem vamos a conversa. Já estou pronta.

Não poderia fugir para sempre, era melhor colocar tudo em pratos limpos agora. Nenhuma relação resistia a mentiras e se eu queria que isto desse certo, minha melhor aliada seria a verdade.

– Eu quero dizer primeiramente que Jennifer terá o que merece, não vai sair impune.

Jennifer, ela não poderia pagar o pacto sozinha, William era tão culpado quanto ela, talvez mais. Talvez Jennifer fosse só um peão que William estava usando para chegar a rainha.

– Vai parecer estranho, mas eu já não quero que faças mal a Jennifer.

– Como assim?

– Olha Jennifer realmente agiu muito mal, mas mal mesmo. Mas eu acho que ela não foi culpada. Não tiro a culpa dos seus actos, mas as pessoas podem ser manipuladas.

– O que estás querendo dizer? Alguém utilizou Jennifer para te atingir?

Dei um longo suspiro, cá vamos nós.

– Victor, eu acho que William não é quem tu pensas. Eu o vi ontem depois que eu saí do jardim, ele estava com Jennifer e… estavam se amassado contra parede.

– Mentira! — Victor gritou sua voz pouco alterada, mas não fiz caso, continuei a falar, era melhor eu dizer a verdade agora. Sabia que não seria fácil, mas para bem dele, eu tinha o dever de lhe alertar.

– E não é tudo. William falava de você e mal por sinal, que você não estava apto para governar seu clã, que você não tinha força suficiente para comandar seu clã, que ele que deveria ser o ómega do clã Grendel e que eu deveria estar morta se não fosse por você. Foi ali que eles me viram, William e Jennifer não queriam que você soubesse deles, William persuadiu Jennifer a me matar.

– Chega! Bem que William avisou-me que você ia tentar-me por contra ele. Você tem ideia do que está falando? Do que você esta acusando William? Você não conhece William. Você não conhece nossa História. William é meu irmão. Meu único irmão. Minha única verdadeira família e você acha que eu simplesmente vou acreditar em você assim do nada. Isto que da confiar no inimigo. Fui estúpido em acreditar que poderia confiar em você.

Suas palavras criavam rachas no meu coração, mas eu tinha que lhe compreender. William era seu irmão e ele o conhecia muito mais bem que eu, tinha que admitir ele tinha feito um óptimo serviço na mente de seu irmão. Tentei pacientemente outra vez abri-lhe os olhos.

– Victor, eu sei que está sendo difícil, mas tens que acreditar em mim eu nunca mentiria para você. Não depois de tudo que vivemos. Eu não posso mentir para você. Você é meu companheiro, eu marquei você, para um lobisomem isto significa que ele apanhou seu companheiro de vida. Seu verdadeiro companheiro, sua outra metade da alma. Da para entender o que significa isto? É uma coisa rara de acontecer e quando acontece não há forma de trair seu companheiro, só vais querer lhe proteger contra todo mal e é isto que eu estou fazendo.

– Só me faltava esta. Realmente és uma óptima actriz, digna de Óscar. Agora eu já entendo tudo, você lançou um feitiço qualquer em mim para me fazer sentir assim.

– Estás a me chamar de bruxa?

– Estou. E muito mais coisas, como: mentirosa, falsa, também queria ver, o clã Lucan, logo o clã Lucan deixar a protegida filinha do chefe assim sem protecção nenhuma! Diz-me quando eles virão atacar? Durante a noite, enquanto me entretenho nos seus braços? Não és diferente das outras. És igual a todas elas, uma meretriz, mas espera, és diferente não és? Tudo pelo bem-estar do clã sim? Pode um cão e um gato se apaixonar? Mais são duas criaturas diferentes, nunca destinadas a compartilhar mais do que uma ténue amizade. Mas nem isto preservaste.

– Chega! — Lágrimas rolavam abundantemente e tragicamente no meu rosto. Ele acabava de destruir todos os meus sonhos num piscar de olhos, como eu fui me apaixonar por ele? Ele não merecia meu amor. Diziam que era impossível esquecer seu companheiro, mas eu iria ser a primeira, nem que para isto eu tivesse que arrancar meu coração do meu peito!

– Parar? Porquê, a verdade dói, nem? Também, vamos supor, supor, que eu exija uma prova do que estás dizendo. Deixei-me ler sua mente, eu quero ver o que você viu!

– Eu quero ir para casa! Já.

– Foi o que eu pensei. Não tem provas. Não se preocupe, ao contrário de você eu cumpro as minhas promessas, tenho palavra. Rodolfo vai te ajudar a arrumar suas coisas. Daqui a 30 minutos um carro estará pronto para te levar onde você quiser.

Ele saiu da sala deixando-me sozinha ali, como uma menina corri ao meu quarto onde encontrei Rodolfo que arrumava minha mala. Nem lhe liguei, saltei em minha cama, abracei minha almofada como se fosse a ultima bóia no meio de um náufrago e deixei minhas lágrimas afogarem, fazendo um oceano na almofada.

Rodolfo parou o que estava fazendo e veio oferecer consolo e eu aceitei chorando no seu ombro. Depois de algum tempo Rodolfo finalmente falou. — Senhorita Lucan, o carro já esta pronto para levar a senhorita,

Isso só aumentou minha tristeza, comecei a soluçar.

– Por favor, senhorita Lucan não fique assim, vai passar. Senhor Grendel vai ver que não tem culpa de nada.

– Rodolfo, eu juro que sou inocente, eu juro!

– Eu sei. Eu sei. Tudo vai se esclarecer, confie em mim, tudo vai ficar bem. Agora enxugue essas lágrimas, não vais dar aos seus inimigos o prazer de te verem derrotada. Não! Vais sair daqui altiva, pela porta da frente com cabeça erguida. Afinal de contas não fizeste nada de errado. Não tema ou sinta vergonha de nada.

– Isto é o que o bom samaritano ganha?

– Nós os dois soubemos que esta história não acaba aqui, ainda vão nadar muitos peixes por este mar e a verdade sempre se revela, independentemente de quão boa é a mentira. Confie no poder da luz, da verdade.

– Pois eu já não quero mais mergulhar neste mar. Para mim chega.

– Está bem menina, agora vá e trate de limpar estas lágrimas no quarto de banho.

Fiz o que Rodolfo mandou-me, em minutos já estávamos no pátio de fora, tive a oportunidade de contemplar pela primeira e última vez o formoso gótico castelo. Vi Jennifer numa das janelas olhando-me alegremente. Triunfante. Realmente ganhaste. Todo seu.

Noutra estava William que me lançava um olhar de assassino, desvie o olhar. Tentei procurar Victor para ver seu rosto uma última vez, mas não achei. Suspirei. Voltei a olhar Rodolfo que estava na minha frente. Estava na hora de ir embora. Abracei-lhe durante uns minutos.

– Se cuida, não se esqueça de me telefonar para dar notícias.

– Você também Rodolfo, pode deixar que me cuidarei e vou ti ligar sempre que for possível. Adeus.

– Adeus.

Despedi Rodolfo e entrei no carro sem força de vontade, levando horas a fazer uma simples tarefa, ainda tinha esperança de ver Victor uma última vez, mas ele não veio. Finalmente entrei no carro e o Rodolfo fechou a porta, o motorista pôs a andar o carro. Eu olhava somente para trás registrando cada pedaço da minha doce e amarga aventura que ficava para trás.

Quando já íamos virar, fazendo com que castelo Grendel ficasse para trás Victor apareceu ao lado de Rodolfo. Meu coração parou. Por pouco eu não dizia para o motorista parar e eu sair correndo para ele, mas consegui me controlar.

Respirei fundo, fechei os olhos impedindo que as lágrimas saíssem. Afundei na cadeira do carro com as mãos fechadas, tentando dominar meus sentimentos. Seria quase impossível esquecer Victor. Ele era meu imortal. Para sempre.