– Bem Leila, nós podemos fazer isto pelo método difícil ou fácil. Você escolhe.

Se Jennifer pensava que eu ia ficar morrendo de medo dela estava enganada.

– Eu acho que você se esqueceu quem sou. Eu sou Leila Lucan, filha do clã Lucan e por ventura é dos clãs mais poderosos de lobisomens, além de que sou a princesa dos Lucan, fui bem treinada para situações como estas. Então eu que te pergunto: nós podemos fazer isto pelo método difícil ou fácil. Você escolhe.

Falei com toda determinação possível, não podia mostrar a Jennifer que ela me dava medo de certa forma. Sua aura de poder era grandiosa, dava para sentir que ela era uma vampira de muitos séculos. Apesar de eu ser bem treinada, Jennifer com certeza seria uma boa lutadora, uma boa adversária de luta.

– Uau. Estou impressionada! Você até que têm bola, corajosa hein? Gostei de você, é uma pena que não vou gostar por muito tempo, porque vais morrer. Pelo menos nossa luta não vai ser monótona, vencerei com muito gosto.

Já estava em posição de defesa, Jennifer cercando-me, aproximando-se com suas presas a mostra, de repente ela parou. Suas narinas dilataram-se sentindo meu cheiro, olhou para meus lábios que estavam inchados e vermelhos devido ao beijo.

– Sua meretriz! Você beijou Victor! O beijaste? Porquê fizeste isto? Me fala porquê? Você não pode fazer isto, ele. É. Meu!

– O QUE?! Você ficou louca? Como ele pode ser seu? Eu pensei que você tinha algo com William! Pelo menos deu a entender isto, que tipo de mulher é você que beija outro e gosta de outro, ou vice-versa. Você não passa de uma bola no qual eles fazem passa, passa. São mulheres como você que denigrem a imagem de mulheres, somos dadas nomes feios por culpa de mulheres como você, fazem com que todas as mulheres sejam chamadas de vadias.

Mal acabei de falar a mão de Jennifer já estava na minha cara, me esbofeteando com uma força incrível. Doeu. O impacto da bofetada fez com que minha cabeça girasse para lado. Pisquei os olhos não acreditando no que acabava de acontecer. Ela me apanhou desprevenida, mas não teria outra oportunidade.

Agarrei seu cabelo a fazendo perder equilíbrio tentando se soltar, aproveitei sua distracção e dei uma joelhada carregada de força na sua barriga que a fez grunhir de dor, mas ela se recompôs rápido, deu um jeito de se soltar do meu agarro girando seu corpo em torno da minha mão que segurava seu cabelo fazendo-me soltar, num movimento rápido lançou um murro que não tive como desviar, acertou-me em cheio, devolvi o favor, mas com um pontapé directo no seu peito fazendo ela cair de barriga virada para cima, sentei-me na sua cintura lhe prendendo com meu corpo e comecei a dar bofetadas seguidas de bofetadas, Jennifer estava ofegando.

De repente meu corpo experimentou uma dor terrível. Ardia, mas eu não via as chamas, sentia ele queimando em cada polegada da minha pele a 180 graus, por instinto pus minhas mãos na cabeça com intuito de afastar a dor, mas não ia embora, me dei conta que gritava desesperadamente, senti Jennifer se libertando da minha prisão, ela me empurrou fazendo-me cair no chão, levantou, olhou-me intensamente para depois agarrar-me pelos ombros, fazendo-me erguer bruscamente ao seu nível. Mesmo com meus olhos nublados pelas lágrimas que teimavam cair, não chorei, vi seus olhos sedentos de sangue e seu sorriso maléfico.

– Eu disse que íamos nos divertir, sinta meu poder loba. Que isto sirva de lição carinho, você ainda é uma criança para mim, se afaste de tudo que me pertence. Principalmente Victor, porque isto, minha filha é só um petisco da dor verdadeira. Agora saboreie a refeição juntamente com a sobremesa.

A dor intensificou, mais não conseguia pensar em nada que pudesse me salvar dessa. A dor consumia minha alma, como se estivesse a arder no mármore do inferno. Era insuportável, nunca tinha experimentando algo tão doloroso, Jennifer tinha razão eu iria morrer esta noite. No meio do caos que estava a minha mente a imagem de Victor apareceu, não, eu não podia deixa-lo sozinho, não tive nem a oportunidade de dizer adeus. De onde veio à força não sei. Só sei que consegui reunir o suficiente para gritar seu nome bem alto.

– Victor!

Como a dor veio a dor se foi.

– Jennifer, pare! — Victor? Por fim salvação.

Jennifer largou-me. Se não fosse pelo Victor estaria no chão, mas ele me encaixou segurando-me nos seus braços, estava tão fraca.

– Jennifer, o que você fez? Ficou louca! Eu vou te castigar da maneira mais vil possível, olha o que fizeste com ela, dessa vez não escapas, ah não escapas mesmo! Não tem perdão.

Só me dei conta do que Victor realmente dizia porque outra dor cobrava minha atenção, reparei a minha pela e estava totalmente destruída. Minha pele uma vez linda estava cheia de manchas negras e de queimaduras de feridas abertas, estava horrível.

– Victor … eu, por favor. — Isto foi tudo que eu consegui dizer

Pela primeira vez vi medo nos olhos de Jennifer, verdadeiramente medo. Acho que Victor não brincava quando se tratava de dar castigos, mas por hoje já tinha havido sangue demais, então segurei seu braço lhe fazendo olhar para mim, implorei com os olhos que deixasse para resolver este assunto depois, ele entendeu. Levantou-me colocando-me no seu colo, antes de irmos disse a Jennifer.

– Em consideração a Leila não te castigarei agora, mas não fique satisfeita porque isto ainda não acabou. Eu e tu ainda temos muitos assuntos a resolverem-se. Você vai pedir desculpas a Leila quando ela melhorar. Agora vá e não saía do seu quarto até segunda ordem. Entendeu?

Aconcheguei-me mais no colo de Victor, Jennifer estava aterrorizada por Victor, mas não deixou de me olhar com ódio então eu grudei mais a ele, este por hoje seria o melhor castigo dela. Me ver assim com Victor. Com certeza estava borbulhando por dentro.

Victor levou-me ao quarto carregando-me no seu colo no estilo nupcial. Com cuidado me pôs na cama. Não deu mais para segurar, Jennifer já não estava aqui para presenciar minha vergonha e Victor já me tinha visto chorar. Lágrimas de dor rolaram na minha pele danificada, o que seria de mim agora? Com estas manchas horríveis. Será que a magia dos lobisomens de sarar rápido resultaria? Visto que isto foi causado por uma força sobrenatural. Victor sentiu minha angústia, sentou-se ao meu lado na cama examinando meus ferimentos.

– Leila, eu vou ser sincero consigo. Jennifer tem o poder de queimar as pessoas utilizando a força da mente e transmite fogo pelas suas mãos, você sabe tão bem quanto eu que o facto de os lobisomens curar rápido não inclui feridas provocadas por forças sobrenaturais. Você vai melhor, mas não garanto que as manchas vão desaparecer. Eu posso fazer tudo desaparecer, é um dos meus dons, meu sangue têm a mesma magia que dos lobisomens, só que mais poderosa. Se eu te der um pouco você vai melhorar Leila. Eu sei que você me considera o inimigo, mas confie em mim. Eu só quero seu bem.

Ele estava oferecendo seu sangue! Seu sangue. Eu ia ter uma parte dele em mim. Esta era a prova de que ele realmente se importava comigo. Apesar de toda dor, alegria preencheu-me. Mas havia um detalhe, se nossos sangues se mesclassem íamos estar ligados e não estava certa se isto seria algo bom ou não — Victor poderia ouvir meus pensamentos, mas eu poderia criar barreiras, poderia me localizar em qualquer lugar, mas também tinha vantagens, poderíamos conversar telepaticamente, poderia sondar a mente de Victor — além de que nossos sangues poderiam ser incompatíveis e causarem graves problemas.

E não estaríamos marcando um ao outro, porque ele não iria beber meu sangue, então…

– Leila, eu sei que deves estar confusa, mas tente ver o lado lógico das coisas, eu também tenho muito a perder neste pacto. Mas estou mesmo assim oferecendo meu sangue, minha vida, minha privacidade, todo meu ser.

– Victor não precisa dizer mais nada. Eu aceito.

Não sei se foi loucura da minha parte mas, a tentação de ter seu sangue dentro de mim, algo tão essencial correndo nas minhas veias fez-me aceitar o pacto.

Ele tirou uma adaga que estava no seu bolso de calças cortou sua mão direita no pulso e depositou na minha boca, sem hesitar abri a boca e chupei seu sangue, intrigante, sua pele era fria, mas seu sangue era quente, doce, viciador.

Há anos que não tomava sangue humano e hoje estava tomando sangue de vampiro. A vida realmente dava voltas. Com muito esforço parei de chupa-lo já podia sentir a magia do seu sangue restaurando minhas células. Incrível como minha força tinha voltado ao normal em questão de segundos, dei uma vista de olhos na minha pele e… os hematomas juntos com as feridas tinham desaparecidos. Céus, não podia acreditar. Por reflexo abracei Victor e este devolveu o abraço. Mas claro que todo momento perfeito tem que ser estragado por algo, Victor desprendeu o abraço e olhou-me seriamente.

– Leila, agora que você já está bem temos que conversar e seriamente. Em primeiro lugar, quero saber porquê estavas lutando com Jennifer? Em segundo, temos que falar do que aconteceu hoje no jardim, e em terceiro temos que falar da conexão que partilhamos agora, a regras a serem estabelecidas para o bem de nós os dois. Comece a falar.

O que eu podia e não podia dizer? Se falasse de seu irmão, será que ele iria acreditar? Eu não sabia nada do seu clã, como era seu relacionamento com William? Poderia dizer para ele ler minha mente e ver a verdade, mas neste processo minha vida seria um livro aberto para ele e ainda não estava disposta e lhe entregar tudo.

Primeiro ia tratar de levantar a barreira da minha mente, os lobisomens eram especialistas nisto, também se todo mundo poderia espiar na sua mente quando você se encontrava na forma lupina, ficaríamos loucos se não conseguíssemos controlar os intrusos nas suas mentes.

– Bem Victor, você viu como Jennifer se comportou no jantar. O que você esperava só poderia acabar assim, eu disse que ela era muito explosiva. E sobre o que aconteceu no jardim… nós dois somos adultos e soubemos exactamente o que aconteceu. Foi algo… passageiro.

– Passageiro!?

Argh Leila, as vezes consegues ser tão estúpida, como eu fui dizer isto! Não foi minha intenção, mas não sei porquê não abria de uma vez por todas meu coração ao Victor, Victor levantou da cama e caminhava para porta, engoli meu orgulho e sai da cama voando para ele. Lhe alcancei, peguei seu braço, girei-lhe fazendo lhe encarar-me.

– Victor por favor, não vá. Eu preciso de você hoje, fique comigo. Eu sei que as vezes, sou estúpida. Me perdoe. Nem te agradeci por teres salvado minha vida. Obrigada.

Aquelas palavras saíram do fundo do meu coração, era uma súplica. Victor não respondeu simplesmente voltou comigo para cama. Deite-me e ele deitou-se ao meu lado, me deu um beijo na testa e disse, — te prometo isto, enquanto precisares de mim, estarei sempre lá, é só chamares que virei. Me perdoe Leila. Falhei consigo hoje, te deixei sozinha enquanto prometi proteger-te, e não sei como…

Pôs meu dedo na sua boca fazendo lhe calar. Por mais inocente que o toque fosse, provocou arrepios.

– Por favor não fale mais nada, você não falhou comigo. O que aconteceu entre eu e Jennifer não foi sua culpa, aconteceu! Eu é que tinha que ter me controlado.

– Por favor digo eu, nós dois soubemos que simplesmente não aconteceu. Mas depois vamos falar disto, agora você vai dormir, você precisa descansar.

Ele voltou a me beijar na testa de novo, mas este dizia boa-noite, como magia adormeci no mesmo instante. Pela primeira vez eu realmente dormi, mas dormir de verdade. Sossegada. Segura. Sabendo que alguém muito especial zelava por meus sonhos e não iria deixar ninguém, ninguém estragar eles.

Acordei e deparei com Victor dormindo ao meu lado, nossos corpos estavam entrelaçados um noutro, ele estava abraçando-me. Calor e frio misturavam-se numa deliciosa fusão. Senti sua leve respiração na minha testa, era uma sensação saborosa e reconfortante acordar assim nos braços dele. Poderia ser assim para sempre. O único som que se ouvia era do meu coração que bombeavam a mil por hora.

Só poderia ser brincadeira! Tinha que estar aflita neste exacto momento? Definitivamente precisava de ir ao banheiro. Queria sair sem acordar Victor que estava dormindo tão bem, relaxado, lindo… neste momento ele parecia mais um anjo que vampiro, ninguém poderia dizer que ele era um vampiro.

Num movimento impulsivo mergulhei meus dedos nos sedosos negros cabelos acariciando sua cabeça, infelizmente isto o acordou levando consigo a magia angelical e deixando a intrigante sexy aura vampirina.

Olhamo-nos intensamente, acho que ele estava procurando palavras como eu, decide quebrar o gelo. — Bom dia. — Disse num tom meigo.

– Bom dia para você também. — Respondeu ele no mesmo tom carinhoso e sonolento.

– Hum… Victor, eu preciso ir ao quarto de banho, por favor.

– Oh. — Ele deu-se conta do que eu estava falando, viu como nossos corpos estavam entrelaçados feito um casal e imediatamente se afastou. Levantei-me e dirige ao quarto de banho, chegando lá e fechei a porta, apoiei-me de costas nela. Suspirei profundamente fechando os olhos. Este vampiro ainda me põe louca. Olhei para meu reflexo no espelho e notei um brilho nos meus olhos que não deveriam estar lá, aproximei-me mais para ver se era verdade mesmo, sim era verdade o que diziam sobre pessoas apaixonadas, realmente a paixão dava brilho nos olhos.