O Tesouro De Anubis
1 Despedidas e falsos sorrisos.
Notas iniciais
Eu acordei de repente, sem nenhum motivo. Estiquei minha mão para olhar as horas, e ainda eram quatro da manhã. O sono, o frio, e a preguiça eram grandes, mas a vontade de ir ao banheiro era maior. Deixei tudo isso de lado, e me levantei preguiçosamente da cama; Sentindo o ambiente gelado no meu corpo quente. Ai meu Deus, tenho que ir rápido ao banheiro se não eu congelo! Andei o mais rápido que pude até o banheiro. Senti-me muito aliviada quando sai de lá. Andei até o quarto, agora bem mais devagar que antes. Aconcheguei-me nas cobertas, sentindo aquele choque de temperatura. Depois de alguns segundos, me acostumei ao calor, e me ajeitei melhor na cama. Senti meus olhos pesados, e acabei por adormecer.
– Missa, Mei! Acordem filhinhas, está na hora. Se não acordarem agora perderão o café da manhã!
Escutei longe, uma voz fina e aveludada que eu tanto conhecia e gostava. Era minha mãe tentando nos acordar.
– Hhm, já acordei... Já vou levantar. — minha voz saiu falhada e mais baixa que o esperado, mas minha mãe escutou.
– Ta. Estou esperando vocês duas lá na cozinha! — Minha mãe falou docemente, e em seguida fechando a porta de nosso quarto.
– Hey, Mei! Ta acordada?! — Perguntei ainda meio sem voz.
– Uhum... — Minha irmã respondeu ainda com os olhos fechados.
Comecei a me espreguiçar na cama, e vagarosamente a me descobrir. Peguei meu celular e vi que eram nove da manhã. Tomei coragem, e comecei a levantar da cama. Quando encostei meus pés no assoalho de madeira, quase morri de frio, e olha que eu estou com meias!
– Hey, Mei é sério! Levanta que se não nós vamos nos atrasar. Eu também não to com vontade de ir, mas temos. É o último dia. — Falei chegando perto da cama de Mei, que estava coberta até a cabeça. — Hay, Mei! Vamos lá!!! Levanta! — Falei a cutucando nas costas enumeras vezes, fazendo ela se virar para mim.
– Da pra parar de me cutucar?! — Ela falou baixo e com a voz falha.
– Ok, mas levanta. Vamos nessa que é o ultimo dia!
– Me ajuda a levantar! — Mei falou puxando meu pulso.
– Ta. — Respondi segurando seus dois braços e a puxando.
Mei se espreguiçou vagarosamente, e depois se descobriu, colocando os pés descalços no chão de madeira do quarto.
– Vou ao banheiro... — Avisei por avisar, saindo do quarto e deixando a porta aberta.
Fiu ao banheiro e tomei um bom banho. Canja de galinha, como minha mãe costuma dizer. Escovei os dentes, e fui para o quarto, quase correndo, por causa do frio. Chegando lá, vi que Mei não estava. Ela deve ter ido tomar banho no banheiro da mamãe. Abri meu armário e peguei a roupa da escola. Vesti-me ainda meio lerda de sono. Depois de uma penteada no cabelo, desci para à cozinha, para tomar meu café. Senti aquele cheirinho de pão fresco que me enlouquece. Eu amo pão!
– Hmm, mãe!! Os pães dessa padaria cheiram tão bem né?!
– Também acho filha. Cadê sua irmã? — Minha mãe perguntou se virando para mim, e ajeitando seu casaco de lã verde garrafa.
– Deve ta tomando banho no seu banheiro. Depois vou lá ver.
– Vai logo lá, Missa! O pão não vai sair correndo não, relaxa. — Minha mãe brincou, mexendo as mãos para eu subir as escadas.
Então lá fui eu. Entrei no quando da minha mãe e vi que a porta do banheiro estava aberta, por tanto, minha irmã não estava lá. Resolvi dar uma olhada no meu quarto, e lá estava ela, penteando as longas e belas madeixas.
– Ah, Mei! Você está aí!
– Não, não! Fui pra casa da vovó, isso que você está vendo é um bunshin! — Mei falou sarcasticamente.
– HAHAHAHA! Ta acabando aí? — Tive um breve ataque de risos e depois fui logo ao ponto.
– Já terminei. Ta sentindo esse cheirinho de pão, Missa?
– Ah, se to! Vamos logo que eu quero devorar um pão!!! — Falei já descendo as escadas.
– Até que em fim! Comam logo se não vão se atrasar! — Minha mãe disse bebendo um gole de seu precioso vício de cada dia: café.
– Uhum! — Respondi já me sentando á mesa.
Mei fez o mesmo. Nós comemos normalmente, e quando terminamos, subimos para escovar os dentes e pegar nossas mochilas.
– Vão com Deus queridas! — Minha mãe se despediu, depositando um beijo na cabeça de cada uma.
– Tchau mãe. — Dissemos em uníssono. — Até mais tarde.
Nós andamos até o ponto de ônibus sem trocar palavras. Só bocejávamos e esfregávamos os olhos.
– Aii!! Que frio! Minha mão ta ficando dormente, Mei!
– Coloca ela no bolso do casaco.
– Mas já ta!!!
– O ônibus chegou.
De imediato olhai para frente e vi o ônibus que nós pegávamos para ir para escola. Desde o sexto ano que nós vamos para escola no transporte público. Agora nós estamos no 7º ano do fundamental. Mei, é um mês mais velha que eu. Ela nasceu em agosto e eu em setembro.
Nós pagamos ao motorista, e procuramos um lugar para nos sentar.
– Aqui tem lugar, Missa. — Mei falou puxando de leve meu casaco.
Nós nos sentamos, e Mei, por ter achado o lugar antes de mim, se sentou na janela.
– Na volta eu é que vou sentar na janela! — Reclamei cruzando os braços na frente no tórax.
– Vai nada!
– Vou sim!
– Por quê?
– Porque você já ta indo na janela. Ai na volta é a minha vez. — Respondi encostando minhas mãos gélidas nas bochechas quentinhas de Mei.
– Ai! Tira essa mão de mim! — Mei reclamou.
Eu ri. O ônibus foi bem rápido, pois não tinha muito trânsito na rua. Além de estar frio, a maioria das pessoas já tinham ido viajar.
– Chegamos. — Comentei me levantando do acento. Mei fez o mesmo.
Nós saímos do ônibus e caminhamos um período curto até chegar na escola.
– Oi tio! — Cumprimentei o "tio do portão", como costumamos o chamar. Mei fez o mesmo.
– Boa tarde. — O tio respondeu com um sorriso brincalhão.
– Vou beber água. — Mei avisou.
– Ta. To te esperando lá na quadra.
Caminhei até lá sem muito interesse em diferenciar um conhecido para cumprimentar. Cruzei a quadra e me sentei na arquibancada de dois andares.
Todas as pessoas do fundamental têm que ir à quadra para esperar o sinal bater, e depois formar fila para subir para as salas. Muito exagero, não?! Ter que fazer filinha para ir pra sala. Mais fazer o que né?!
Mei entrou na quadra alguns minutos depois de mim, e se sentou ao meu lado.
– Mei, hoje a gente vai ter aula? — Perguntei a minha irmã.
– Não sei, mas acho que não.
Conversa fiada pra cá, conversa fiada pra lá. Eu e Mei riamos atoa, e acabávamos por chamar a atenção das pessoas.
– Oiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Missa e Meiiiii!!!!!
Só de ouvir a voz irritante daquela menina....... Deus me ajuda a fingir que gosto dela, se não vou matar ela a machadadas!
– Liza! — Falei com um sorriso visivelmente fingido. Pelo menos para quem me conhece. No caso, só Mei mesmo tinha percebido.
– Oi! — Mei respondeu seguindo o lance do sorriso amarelo, só que mais natural.
– AAAAWWWNNNTTT!!!! Você é tão fofinha Missa!!! E você também Mei! — Liza falou fazendo um bico de pato.
Liza não gostava da gente, e eu e Mei sabíamos disso. Mas era um enigma para nós, o porquê daquele fingimento todo da parte dela. Nós fingíamos gostar dela por pura educação.
Eu e Mei, falávamos com todos da sala, mas nada muito "Ai como eu gosto de você amiga!" Era mais "Preciso falar com essas pessoas porque quero viver em paz!" Eu e Mei contávamos tudo uma pra outra. Sempre fomos assim, super companheiras uma da outra.
Até que em fim, o sinal bateu fazendo aquela menina estúpida ir embora.
– Ufa! Pensei que ela grudaria na gente pra fazer tortura! — Sussurrei perto de Mei.
– Hahaha! Verdade! Ô garota estranha! — Mei falou fazendo uma careta muito engraçada.
– Meninas, pra fila. — Falou o "tio" gentilmente, apontando para a fila que se formara.
Eu e Mei fomos para a fila, e ficamos jogando conversa fora, e cumprimentando algumas pessoas.
– Boa tarde a todos. Primeiramente, queria agradecer a todos os alunos e professores que vieram hoje. E parabenizar a...
A Coordenadora fez seu discurso, e depois nos liberou para as salas de aula. Subimos as escadarias, e cada turma foi para sua sala. Nós também fomos para a nossa, é claro.
– Boa tarde, alunos. Parabéns a todos que passaram de ano direto, e os que ficaram de recuperação: se esforcem bastante! — A professora de história falava gentilmente, mas poucos alunos, incluindo eu e Mei, a escutavam. O resto ficava tagarelando coisas fúteis, provavelmente.
– Professora, vou sentir saudades! — Falei manhosa para professora. Gosto muito dela!
– Eu também, professora!!! — Mei falou, balançando meio freneticamente a cabeça positivamente.
– Ah meninas, eu nem preciso falar que também vou sentir falta de vocês...!
Nós duas nos levantamos, e fomos abraçar a professora. Escutei ou longe um certo alguém, que desconfio seriamente que seja Liza, falando " La vão as duas puxa saco..." Ai que raiva!
Desvencilhamos-nos da professora, e fomos nos sentar nos nossos devidos lugares.
– Hey, Mei! Você escutou aquilo agora pouco?! — Perguntei cochichando bem perto de minha irmã
– Quando?
– Na hora que a gente tava se despedindo da professora!?
– Ata! Não, o que você ouviu? — Mei perguntou curiosa.
– Vem cá! — Falei fazendo um gesto com a mão para que ela virasse a cabeça, para eu poder cochichar em seu ouvido.
– Um certo alguém, ficou falando que a gente era puxa saco. Nada de mais, só queria saber se você tinha ouvido.
– Ah! Novidade falarem isso. Mas quem falou?
– Não sei, não identifiquei a voz. — Menti. Mei tem pavio curto, e já estava no limite com Liza. Se eu contasse a ela que foi Liza, acho que dentes iriam voar pela boca de Liza.
O sinal bateu, e já era o segundo tempo de aula. Mais um professor entrou, e se despediu de nós, deixando os alunos livres para conversar, enquanto o sinal do próximo tempo não batesse. A professora anterior, tinha feito o mesmo.
O tempo passou rápido, e já era o terceiro tempo. Outro professor entrou, mas não nos deu parabéns ou recomendações, nem cumprimentou, e muito menos se despediu da turma quando o sinal do recreio soou. Nem liguei. Continuei o papo com Mei.
– Missa, a mamãe te deu dinheiro pro lanche? — Mei perguntou para mim.
– Deu pra nós duas.
– Então me da aí a minha parte, vou comprar um salgado.
Eu a entreguei o dinheiro, e descemos as escadas, indo em direção ao pátio.
– Mei, vou te esperar aqui ta?!
– Você não vai comer nada?!
– Sim, você vai dividir o salgado comigo... né?! — Falei com cara de pidona.
– Por que não compra um pra você?! — Mei perguntou indignada.
– Porque eu não aguento um inteiro!
– Ah! Chata!
Então eu e Mei lanchamos. Depois conversamos um pouco e logo o sinal bateu. Assim, nos restara mais duas despedidas de professores, e tchau escola!
As duas últimas aulas, foram exatamente iguais as anteriores. Só o que mudava, eram os professores e as diferentes saudações, mas todas mal respondidas.
Quando o sinal do último tempo bateu, não aguentei e dei um gritinho de felicidade.
– Ahhhê! Finalmente! Né Mei?! — Falei dando um "leve" soco em seu braço.
– Ah!- Mei revidou o soco, só que muito mais "leve".
– Estão liberados. — O professor falou, já abrindo a porta da sala de aula, e indo embora.
Pus minha mochila nas costas, e Mei fez o mesmo. Descemos as escadarias, Nos despedindo de praticamente todos os funcionários. Sim, simpatizamos mais com os "tios" e "tias", do que com os alunos. Lembrando: todos que tínhamos intimidade, estavam no turno da manhã.
Já estávamos em frente ou portão branco e grande da escola, prontas para ir embora, quando uma voz chama nossos nomes.
– Miiiissaaa!!! Meeeeiii!!!
Liza! Ai que garota chata. Nos deixar em paz não é possível na mente dela?
– Vocês já estão indo embora?
Não, não. Estamos na frente do portão porque o achamos atraente! Mas que pergunta besta!
– Sim. Boas férias. — Falei fria me virando e puxando o pulso de Mei.
– Esperem! Tenho uma última coisa a falar!
– Fala. Mas fala rápido, porque nossa mãe nos espera. — Mei falou mais ríspida que eu.
– Prestem atenção. — Liza fez uma pausa dramática e nos encarou com seus olhos azuis. ( Cá entre nós, Liza tinha tudo pra ser bonita. Mas era horrível por dentro, e para mim e Mei, aquele ditado "por fora: bela viola, por dentro: pão bolorento", se encaixava perfeitamente em Liza. — Eu odeio vocês duas, e tornarei a vida de vocês um inferno, se continuarem assim.
Mas o que? Não aguentei e cai na gargalhada.
– Até que em fim você confessou que nos odiava! Já não aguentava mais fingir de boa moça. — Falei com muito gosto.
– Também não. Meu estoque de sorrisos já estava se esgotando. — Mei brincou.
Eu e Mei somos boas garotas, mas vem tentar nos ameaçar, ofender ou pisar nos nossos calos pra ver se não sente o veneno!
– Mas deixando confissões de lado, continuar assim como? — Perguntei com um sorriso sarcástico.
– Vocês duas querem sempre a atenção toda pra vocês! Não basta serem as queridinhas dos professores, ainda tem que roubar a atenção dos MEUS amigos.
– Não, não fazemos questão da atenção dos SEUS amigos, relaxa. Se fizéssemos... Ai sim você podia se preocupar. — Mei falou macabramente. Até eu me assustei.
– Suas...
– Thau, fofa. — A cotei de imediato. Como disse antes, Mei tem pavio curto, e não seria bom, no último dia de aula, ver Liza sem os dentes. Cena muito forte para meus neurônios! Puchei Mei que serrava os dentes, para fora da escola. Quando já estávamos em uma distância segura, puxei assunto.
– E ai Mei, animada pra visitar a vovó?!
– Aham! E tu?! — Ela brincou.
– Claro!
Meu telefone começa a vibrar no bolso do meu casaco. O atendo meio desengonçada.
– Alô?!
– Filha?! Oi, é a mamãe. Já saiu da escola?
– Ah, oi mãe! Sim, já estamos indo para o ponto de ônibus.
– Filha, passa lá no shopping pra comprar um ingresso daquele filme que eu quero ver?! Como é o nome... — Mamãe pensou alto.
– Sei qual é! — Falei normalmente.
– Ah, então. É que vocês vão passar as férias lá na sua avó, ai eu não queria ficar sem nada pra fazer...
– Ok. Pra que dia você quer que eu compre?
– Compra para sexta que vem.
– Ok. Quer falar com a Mei?
– Sim, passa pra ela.
– Oi Mãe! — Mei a cumprimentou sorrindo.
As duas falaram algo que eu não sei, porque eu não estava escutando o que minha mãe falava, só as respostas de Mei.
– Tchau mãe, até depois. — Mei falou desligando o celular, e me devolvendo. Eu o guardei novamente no bolso do casaco.
– Vamos para o shopping?! — Falei à Mei, que balançou a cabeça positivamente.
– Hein, Mei. O que você achou daquilo que a Liza falou? Você entendeu o que ela quis dizer com " MEUS amigos", e por quê ela acha que nós estamos roubando eles dela? — Perguntei confusa, e olhando meus próprios pés. Não gostava quando isso acontecia. Não sei por que, eu e Mei sempre chamamos atenção das pessoas. Acho que é por causa da nossa insanidade ou algo parecido.
– Sabe Missa, acho que nós realmente somos diferentes. Já reparou que sempre, mesmo não querendo, acabamos chamando atenção?!
– Sim.
– É, eu acho que é por isso. Talvez ela esteja insegura com a nossa insanidade. De certo modo, acho que isso é que faz nossas vidas tão felizes.
A Mei é meio imatura, mas tem vezes que parece ser mais sábia que certos velhinhos.
– Acho que entendi. Sabe Mei, ainda bem que nós somos irmãs! Não sei o que eu faria sem você! — Falei a abraçando de lado.
Nós andamos um pouco, e chegamos ao shopping. Não era muito longe da escola. Apenas dois quarteirões.
Ao entrar, sentimos aquele vento gelado transpassar pelas portas mecânicas da entrada do shopping.
Não enrolamos muito, pois o ar condicionado estava forte, e queríamos sair dali o mais rápido possível.
Fomos até a bilheteria, e compramos o ingresso do filme na data em que nossa mãe nos pediu. Em seguida, fomos até a saída, e novamente, aquele vendo gelado nos bagunçou os cabelos. Saímos do shopping, e fomos para o ponto de ônibus. Ele não demorou muito a chegar.
Quando chegamos em casa, entregamos os ingressos a minha mãe, e fomos tomar um banho.
– Ai, ai! To cansada! — Recamei com Mei, que já estava se aconchegando nos cobertores.
– É, eu também! Liga aí o computador.
Eu o liguei, e ficamos mexendo nele, até dar umas dez horas da noite.
– Meninas, mamãe vai dormir. Não durmam muito tarde por que amanhã as levarei bem cedo para a casa da vovó. Durmam com Deus.
– Tchau mãe! — Mei falou a abraçando.
– Até amanhã. — Falei, fazendo o mesmo.
– Hey Mei, a Iris e o Frederico então aqui no quarto? — Pergunto olhando para os lados.
– O Frederico ta aqui. — Mei falou apontando para seus pés. Federico estava dormindo em um pedacinho de cobertor que caia no chão.
– Ah! Achei a Iris! — Falei apontando para a janela. Ela estava deitada no para-peito da janela, apreciando o luar, mas se deixando entregue ao sono.
Sempre foi assim. Frederico é mais carinhoso e manhoso ( principalmente com Mei ), e Iris, mais arisca. ( Menos comigo. Tínhamos momentos juntas, em que ela deitava no meu colo ou dormia aos meu pés.)
– Mei!
– Que?
– Achei bem uma creepypasta. Quer que eu leia? — Perguntei receosa, por já está de noite.
– Fala sobre o que? — Ela perguntou no mesmo tom que eu.
– Sobre...- Fiz uma pausa, pois era meu ponto fraco. Eu não era super corajosa, mas na hora do vamos ver, eu é que sempre ficava com o "papel" de corajosa. Mas eu sou humana, e tenho ponto fraco, que é : — Fala sobre Lobo Mau. — Ok, podem rir, mas é sério, e Mei sabe disso. Quando eu era mais nova, eu e Mei, estávamos sozinhas em casa. Eu e ela estávamos na sala assistindo TV, até que Mei saiu um estante para ir ao banheiro, e eu fiquei na sala sozinha. Estava calor, por isso a cortina da janela estava aberta. De repente, eu tive a impressão de ver algo passar por ela, mas era impossível porque era um beco sem saída. Quando olhei, me deparei com a figura sombria do lobo mau, sorridente, me olhando fixamente. Eu era apenas uma criança! Fiquei lá estática, até Mei me tirar do transe. É claro que eu fiquei traumatizada! Quem não ficaria? E não, eu não sou nem era maluca! Tenho certeza do que vi naquele entardecer.
– Você é quem decide, Missa. — Mei falou, deixando por mim a decisão de ler ou não.
– Tive uma idéia! Vou imprimir, ai a gente leva pra casa da vovó e lê lá, o que acha? — Falei meio empolgada.
– Ok! — Mei respondeu sorrindo de leve.
– Hey, Mei!
– O que?
– Vou dormir, estou com sono!
– É eu também!
Nós duas nos ajeitamos para dormir, e logo caímos no sono.
– Missa, Mei! Acordem, ta na hora de ir para casa da vovó! — Escutei de longe a voz fraca e sonolenta de minha mãe.
– Mãe? — Perguntei confusa.
– Sim?
– A gente pode ir dormindo no carro?
– É claro que podem! Coloquem uma roupa bem quentinha, peguem suas malas, tomem um banho bem rapidinho, ai vocês voltam a dormir, ta bom?!
– Mei, filha acorda! — Minha mãe a chacoalhou um pouco e Mei acordou.
Nós duas tomamos uma banho rápido, e fomos nos trocar. Nós já havíamos deixado as malas prontas alguns dias atrás. Duas malas gigantes, uma pra cada uma.
Desci as escadas e vi minha mãe tomando um gole de seu café, e colocando alguns alimentos dentro de uma bolsa térmica.
– Mãe, onde estão as caixas de transporte dos gatos?
– Ali na lavanderia.
– Brigada.
Fui até lá, e peguei as duas caixas de transporte. Uma azul ( de Frederico ), e outra verde garrafa ( a de Iris ).
Subi as escadas, e entrei no meu quarto. Mei já estava pronta, mas com os cabelos todos bagunçados. Eu coloquei a caixa de frederico no colo dela, e fui com até Iris para colocá-la dentro dela. Mei fez o mesmo com Frederico. Depois disso, comecei a pentear o cabelo, mas desisti. Estava com muita preguiça.
– Quase me esqueci de colocar na mala a creepypasta! — Falei a colocando em um compartimento da enorme mala verde garrafa, minha mala.
Peguei meu celular e os fones de ouvido, e me dirigi para a sala. Mei fez o mesmo, mas já estava com seu celular e fones nas mãos.
– Mãe, estamos prontas. Vamos?! — Perguntei colocando um gorro e uma luva.
– Sim. Já foram ao banheiro? — Ela perguntou com aquela voz de mãe, sabe aquela que elas faz emquando te perguntam esse tipo de coisa?! Como " Você secou bem as orelhas?" HAHAH nossa mãe é desse tipo.
– Sim. — Nós respondemos em unisom.
– As vezes u acho que vocês são gêmeas, sabia?! — Minha mãe brincou. Mas realmente, nós éramos bem parecida. Tanto na personalidade quanto na aparência. Ta, na aparência não muito, mas mesmo assim! Mei tinha cabelos longos, não sei explicar, mas é um ondulado bem liso. O meu é uma pouco mais curto e mais escuro e é meio enrolado a partir do meio da nuca. O dela vai de um dourado opaco para um castanho claro no topo. O Meu é castanho escuro, que vai clareando em baixo, e alguns mínimos fios dourados. E eu sou branca que nem papel, e ela uma pessoa que parece que vai a praia e pega aquele bronzeado sutil. Nossos olhos são da mesma cor, mas envolta, não sei explicar muito bem o porquê disso, mas nós duas temos uma fina linha de cor extravagante envolta da íris. O meu era um azul turquesa, e o de Mei um verde água. Era imperceptível se você não focasse bem seus olhos nas nossas íris.
Nós entramos no carro, então eu tirei os chinelos e coloquei meias. Minha preção é baixa, então minhas mãos e pés sempre estão geladas, até quando eu não estou com frio.
Peguei meu celular, e coloquei os fones de ouvido, mas antes de dar play na música, olhei para Mei, que já estava no quinquagésimo sono. Segui o exemplo de Mei, e me pus a dormir. A viagem da minha casa até a casa da minha avó é longa.
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