Notas iniciais
Aee, bons tempos de Grease. Décimo quinto dia do desafio! Summer Nights – Grease

A primeira coisa que senti foi o cheiro do xampu dele.

Summer loving had me a blast

(Amor de verão, aconteceu como uma explosão)

Summer loving happened so fast

(Amor de verão, aconteceu tão rápido)

Abri os olhos e percebi que dormi meio que em cima dele, ambos nus e apoiados confortavelmente numa pilha de travesseiros. Senti a mão dele nas minhas costas.

Levantei o rosto para vê-lo. Ele dormia; o rosto relaxado tinha na boca entreaberta um sorriso. Sorri para a cena.

Met a boy cute as can be

(Conheci um garoto, tão fofo como se pode ser)

Depositei um beijo leve na bochecha dele e levantei com cuidado, remexendo o mínimo possível a cama. Libertei-me da colcha leve e fui para o banheiro amplo dele. Comecei o ritual de acordar, sem pressa de terminar. Tomei um, penteei os cabelos e escovei os dentes, voltando para o quarto o que me pareceu uns trinta ou quarenta minutos depois.

Ele ainda dormia o sono profundo, aconchegante.

Lembrei-me de ontem à noite; conseguia lembrar-me de tudo, de cada detalhe, apesar da bebedeira. O calor, o toque, tudo. Era nítido como olhar no espelho. Senti um frio percorrer minha barriga.

Summer days drifting away, to oh oh the summer nights

(Dias de verão se afastando, para, oh, as noites de verão)

Não me lembrava de já ter tido uma noite dessas antes. Estava sentindo toda aquela euforia, aquela ansiedade, de quando se dá o primeiro beijo, sabe? Só que mil vezes melhor. Muito mais marcante, e dava muito mais vontade de fazer de novo. Se ele não estivesse dormindo tão bem, talvez eu já o tivesse acordado.

Soltei um suspiro, finalmente lembrando-me de colocar uma roupa. Peguei uma samba canção e uma camiseta qualquer nas gavetas do armário dele, e fugi para a cozinha. Meu celular vibrou assim que abri a geladeira.

Valentina.

“O que aconteceu ontem? Sansa ficou meio preocupada. Vamos almoçar, pode ser? – Val.”

Digitei uma resposta rápida.

“Difícil explicar por mensagem. Vamos almoçar sim; tragam salame e limão. Tenho cerveja em casa. – Mika.”

Voltei a mexer na geladeira, vendo o que tinha para fazer. Resolvi que panquecas era um bom começo. Coloquei os ingredientes na pia e comecei a fazer a massa. Cacei chocolate no armário de mantimentos e achei várias barras de chocolates. Derreti todas em banho-maria.

O cheiro devia estar forte, porque cinco minutos depois de começar a cozinha, Ian apareceu no corredor, cheirando o ar.

–Acordei você? – perguntei – virando para vê-lo. Ele estava só de cueca, com um sorriso de quem dormiu bem e acordou igualmente bem, aproveitando o cheiro que inundava a cozinha.

–Você não me deixa dormir. – respondeu, o sorriso no rosto dúbio. Sorri de volta, tirando mais uma panqueca da frigideira – Não que seja algo ruim. – disse, chegando por trás de mim, envolvendo-me a cintura. Enfiou o rosto na minha nuca, observando o que eu estava fazendo.

–Bom, não posso reclamar também. – disse, e dei uma risada leve, assim como ele. A sensação no pescoço causou um pequeno arrepio. Tirei mais uma panqueca da frigideira e despejei mais massa.

–Bom, – começou ele, depositando um beijo no meu pescoço, se distanciando – já que parece que vai fazer ainda uma tonelada de panquecas, vou arrumar a sala. – caminhou para o outro cômodo lentamente. Pude ouvir o barulho de latas e garrafas, e cinco minutos depois ele passou por mim na cozinha para sair pela porta de trás e colocar o lixo lá.

Caminhou de volta para a sala, e voltou mais cinco minutos depois, com alguma coisa nas mãos. Eu colocava a comida na ilha da cozinha quando vi o que era: peças de roupa. Dei um sorriso para ele, e ele chacoalhou minha blusa em resposta. Dei um pequeno risinho.

–Vem comer, deixa isso para depois. – ele abriu um sorriso em resposta, correndo para uma porta no corredor que dava para fora, voltando rapidamente. Sentou-se do meu lado dessa vez.

–Coloquei para lavar com a minha roupa, tudo bem? – perguntou, olhando avidamente as panquecas que eu servia para ele. Dei um sorriso agradecido, depositando um beijo leve nele. Ele sorriu de volta.

Tinha feito uma pilha enorme de rodelas de massa doce macia, e tinha chocolate branco, ao leite e amargo derretidos para acompanhar. Iríamos devorar aquilo tudo em segundos.

Coloquei os chocolates na frente dele, deixando-o escolher. Impedi que continuasse quando fez menção de misturar tudo no prato. Ele me olhou confuso, e eu dei risada para ele.

–Não se mistura os chocolates. – expliquei, fazendo-o revirar os olhos, mas sorrir – Isso não te deixa sentir o sabor. Deixa-me pegar uns morangos que vi na geladeira, espera. – completei, pulando da cadeira. Abri e fechei a geladeira rapidamente, parando apenas para lavar as frutas.

Coloquei-as numa vasilha e coloquei na nossa frente. Ele já havia servido suco de melancia para nós dois, então comecei a explicar como se deve comer. Cortei alguns dos morangos em rodelas, espalhando-as por cima de duas panquecas no prato dele.

–Escolhe o primeiro chocolate. – pedi, olhando-o com expectativa. Ele sorriu e pegou o branco. Derramei em cima da panqueca, pousando a vasilha – Agora mais um. – falei. Ele pegou o amargo e me entregou – Boa escolha. – falei, fazendo-o sorrir. Agora despejei este em volta das panquecas, sem encostar no que já havia ali.

Pousei a vasilha e esperei. Ele me encarou com expectativa.

–Coma! – mandei. Ele riu; cortou um pedaço generoso e colocou na boca, mastigando de vagar. Ele fechou os olhos.

“Exatamente!”

Depois cortou mais um pedaço, agora raspando-o no chocolate amargo. Colocou na boca, e fechou os olhos de novo. Terminou de comer e então percebeu que eu ainda o encarava. Olhou-me por uns segundos antes de rir.

–O que foi? – perguntei sem entender. Ele balançou a cabeça, sorrindo.

–Está muito bom. – falou, a mão gentil no meu rosto – É só essa sua cara de expectativa. – explicou. Revirei os olhos, sorrindo. Comecei a comer.

E comemos muito. Muito mesmo. Assim, muito mesmo; pra cacete, sabe? Mas valeu a pena. Estava muito bom, modéstia a parte, e o humor estava igualmente elevado. Terminamos de comer e fomos para o quarto, ele entrando no banho e eu trocando de roupa. Coloquei apenas a calça do dia anterior, lembrando-me do que proporcionara. Decidi torna-la minha calça da sorte.

Procurei minha blusa, mas no fim só achei a jaqueta. Lembrei-me então que ele falou de lavar a roupa em algum momento. Remexi no armário dele enquanto ele se lavava. Tinha uma camisa xadrez dele de botão, verde de manga comprida, que eu gostava muito. Peguei-a e vesti-a, sem arregaçar as mangas. Desfiz o coque mal feito do cabelo e preparei uma trança lateral.

Estava arrumando a cama dele, quando Ian saiu do banheiro, parando para me encarar. Então deu aquele sorriso torto que fazia Sapulinho bater palmas e dar graças por poder vê-lo.

Caminhou lentamente até mim, enxugado o cabelo com uma toalha, com apenas outra enrolada na cintura. Parei para olhá-lo nos olhos como quem diz “Eu acabei de me vestir.”.

–Você fica bem com essa blusa, sabia? – falou ele, jogando a toalha das mãos no ombro, segurando-me pela cintura á uma certa distância, como que para me avaliar. Dei uma pequena volta afetada, fazendo-o rir – Essa calça... Você tem que parar de usá-la. – falou aproximando-se perigosamente. Mas eu andava gostando do perigo ultimamente – E aquela blusa então, nossa. Vou jogá-la fora. – adicionou, os lábios roçando os meus. Dei um sorriso para ele.

Abri dois botões da camisa, anteriormente fechada até o pescoço, e parei para encará-lo inocentemente. Ah, inocentemente não, né.

Vi-o mordendo o lábio inferior, os olhos agora mais estreitos. Gente, eu estava ficando boa nisso. “Amém!” Amém, Jusiete!

–Ian, são quase dez horas. Você ainda não foi ver sua mãe, e hoje entra no trabalho à uma hora. – falei, paradoxalmente coloquei os braços no pescoço dele. Ele soltou um suspiro copioso, fazendo-me rir. Fechou os botões da camisa, então parou para olhar-me nos olhos.

–Você aprendeu uma coisa muito feia, garota. – falou, e meu sorriso aumentou – Como vou fazer para não te atacar agora? – perguntou, fingindo uma bronca. Soltei-o e dei ombros.

–Vai ter de sofrer como eu sofro. – falei. Ele deu aquele sorriso libidinoso que me esquentava por dentro – Mas vamos logo, porque se ficarmos mais um minuto no quarto, é capaz de não sairmos.

Ian riu, mas concordou. Trocou de roupa na minha frente, com um fingido olhar inocente no rosto. Bati as pestanas para ele e peguei minha bolsa. Ele me estendeu minha jaqueta. Calcei as sapatilhas e saímos pela porta da sala.

Coloquei meu capacete habilmente, já acostumada com ele, e passei a jaqueta pelos ombros sem fechá-la. Ele não usava jaqueta hoje, só uma blusa de zíper cinza por cima da camiseta branca. Subimos na moto e partimos para minha casa.

Ele me deixou na frente do meu prédio após uma viagem ótima de moto. Tirou o capacete só para que pudesse me cumprimentar, então fiz valer o ato. Acenei enquanto ele partia com a moto.

Subi para o apartamento, sentindo meu celular vibrar. Era uma chamada de Valentina.

–Olá, garota. – cumprimentei, deixando o capacete perto da porta, assim como meus sapatos – Pode dizer.

–Então, eu e a Sansa estamos aqui no Mercado Central, – falou sem cumprimentar, curta e grossa sempre que podia – e queríamos saber se vai precisar de mais alguma coisa para o almoço. – explicou. Ouvi a voz de Sansa em algum lugar, e parei para pensar.

Salame, limão, cerveja. Parecia mais comida de bar do que um almoço. Decidi fazer um arroz para acompanhar, e talvez uma salada. Só faltavam os vegetais.

–Pode trazer alface e tomate, que eu faço arroz aqui. – pedi, ouvindo ela reproduzir a mensagem para a outra – E me liguem quando estiverem vindo. – adicionei.

–Vamos terminar aqui e ir direto para sua casa. – revirei os olhos, olhando para o relógio. Onze oras.

–Tudo bem, vou começar aqui.

–Ok então, queridinha. – falou com a voz afetada um pouco antes de desligar.

Fui para o quarto colocar um short antes de começar a cozinhar, jogando a bolsa em cima da cama.

Dessa vez arregacei as mangas, combatendo parte do calor que sempre me abatia quando começava a cozinhar.

O arroz terminava de secar quando recebi uma mensagem de Valentina dizendo que estavam virando a esquina. Revirei os olhos, pegando o interfone para avisar o porteiro. Pedi para que me avisasse quando estivesse chegando, não estacionando o carro.

Elas subiram e entraram sem bater, trazendo a pequena compra nas mãos.

–Olá! – cumprimentei, abrindo os braços. Sansa parou por um segundo, me encarando.

–Que bom humor é esse, amiga? Ontem teve, não teve? – perguntou, pondo as comprar em cima do balcão. Valentina começou a rir, e eu revirei os olhos.

–Nossa, mas eu só dei oi. – reclamei, sem realmente me incomodar.

–Teve. – concluiu Valentina, tirando uma risada agora de Sansa. Revirei os olhos de novo, sem evitar sorrir.

–Vocês duas são umas bestas! – falei, pegando os tomates – Lava essa alface para mim, por favor. – adicionei de costas para elas, já na pia.

Valentina se prontificou a fazer o que eu havia pedido, enquanto Sansa colocava as coisas no balcão.

–Mas explica pra gente, Mikaela. – pediu Sansa atrás de mim – Achei que você tinham brigado quando saímos de lá. Parece que as coisas melhoraram. – falou a última parte com um sorriso safado no rosto. Não consegui me conter.

–E como melhorou. – respondi, tirando risada das duas, agora.

–Explica, garota! – exigiu Sansa, sentando-se no balcão.

Tell me more, tell me more

(Conte-me mais, conte-me mais)

Like does he have a car?

(Tipo, ele tem um carro?)

Comecei a narrar da parte em que ela haviam deixado a casa, explicando a bronca que me dera, e como eu não estava entendendo o piti dele.

–Ah, mas não é para menos. – falou Valentina, colocando a vasilha com a salada que preparamos no balcão, juntamente com o resto da comida – Você colocou uma roupinha provocante, bebeu até não querer mais, e depois começou a dançar... – falou com um ar CÍNICO de reprovação.

–Sua cachorra! – e bati no braço dela, fazendo as duas rirem – Foi você quem pediu para que eu dançasse! E sabe muito bem o que tequila faz comigo! – me defendi.

–Tá bem, tá bem. – interrompeu Sansa, curiosa – Mas e depois? – dei de ombros, meio sem jeito.

–Bom, quando eu percebi que era um piti de meio que ciúme, meio que tesão, – falei, e as duas riram, fazendo-me rir junto ao terminar a frase – a gente meio que transou.

Foi a vez de Valentina dar uma risada escandalosa.

–Meio? Não tem como isso ser meio, garota. – falou, e eu revirei os olhos. As duas me encaravam como quem diz “Detalhes, eu quero detalhes.”.

Suspirei antes de continuar.

Summer sun, something's begun

(Sol de verão, alguma coisa começou)

But oh oh the summer nights

(Mas, oh, as noites de verão)

–Foi... muito bom. – falei, e Valentina mordeu o lábio inferior de maneira cômica, fazendo-me engasgar com o limão – Besta! – recuperei-me para continuar – Mas foi mesmo. Foi diferente, porque dessa vez, bom... Eu nunca tinha visto... – eu não encontrava as palavras certas para explicar. As duas começaram a ficar impacientes. Bufei meio frustrada – Eu nunca senti que alguém tivesse tanto tesão assim. E por mim. – falei, com um sorriso meio histérico no rosto, como se aquilo fosse a coisa mais inacreditável do mundo.

Sansa me encarou um segundo antes de começar a fazer uma dancinha da vitória na cadeira, e Valentina deu um sorriso orgulhoso para mim.

–É assim que se faz, gata. – falou, e tive de rir.

–Mas e então, o que você fez, exatamente, para que ele soltasse o animal interior? – falou com uma voz de imitação de apresentador de programa, fazendo até Valentina revirar os olhos dessa vez.

Tell me more, tell me more

(Conte-me mais, conte-me mais)

Was it love at first sight?

(Foi amor a primeira vista?)

–Eu não sei, eu não me senti como sempre. Eu sabia que o que ele mais queria naquela hora era tirar minha roupa. Então eu o fiz querer mais. – disse. As duas sorriram, aprovando a situação. Continuei respondendo as perguntas, agora de maneira mais natural e empolgada.

Conversar sobre sexo é sempre ótimo. Foi como voltar à adolescência e conversar sobre aquele garoto por quem você tem uma paixonite, ou algo do tipo. Como se fosse um primeiro encontro, um primeiro beijo...

Summer fling, don't mean a thing

(Aventura de verão não significa nada)

But oh oh the summer nights

(Mas, oh, as noites de verão)

Fazia tempo que não me divertia com um almoço, ainda mais algo tão simples e gostoso como “salame e cerveja”. A conversa se estendeu para além do almoço, conosco arrumando a cozinha e conversando. Expliquei como cada vez era diferente uma da outra, mas todas sempre boas demais. Expliquei a diferença entre nossa primeira vez e ontem a noite, e já estava toda romântica.

Tell me more, tell me more

(Conte-me mais, conte-me mais)

Cause he sounds like a drag

(Porque ele parece ser difícil)

Sentamos no balcão novamente, só para que comêssemos um restinho que eu tinha de bolo na geladeira, agora as duas me contando de suas experiências; de como Sansa e o namorado conversavam sobre isso, sempre tentando se conhecer. Como Valentina gostava de aventuras e de curtir o momento.

Todas experiências, todas as primeiras vezes.

Summer heat, boy and girl meet

(Calor de verão, garota e garota se encontram)

But oh the summer nights

(Mas, oh, as noites de verão)

É muito bom ter esse tipo de conversa. As memórias de coisas boas, algumas que a gente só experimenta uma vez ou outra.

E pensar que à apenas algumas semanas eu me lamentava de como a vida era injusta comigo. Ela me deu muito mais do que tinha percebido. Duas dessas coisas estavam ali na minha frente, dando risada de uma careta de desgosto minha.

O que mais iria querer?

Continuamos assim a tarde toda.

Summer dreams ripped at the seams

(Sonhos de verão rasgados pelas costuras)

But oh those summer nights

(Mas, oh, aquelas noites de verão)

Tell me more, tell me more

(Conte-me mais, Conte-me mais)

Notas finais
É isso por hoje, minha gente! Uma abração, e não deixem de espalhar amor! Beijos!