Quando o casal estava passando por um andar pouco antes do topo, pois o som vozes dos sacerdotes estava tão alto que não poderia ser muito longe, Diana sentiu algo. Era como se algo a puxasse para aquele andar. Sentia que algo a chamava a entrar em uma sala daquele andar. Uma sala sem porta, mas com um portal feito dos mesmos tijolos do templo, mas menores. Olhando para Eduardo, ela viu que ele também estava interessado naquela sala, pois olhava fixamente para ela.

Guiados pela estranha força, os dois foram em direção à sala, feita toda dos mesmos tijolos esmeralda do portal. No centro da sala havia um púlpito cilíndrico, com uma espada fincada em cima. Pelo púlpito, haviam vários símbolos, que nenhum dos dois conhecia, mas pareciam antigos.

A espada fincada no púlpito era uma cimitarra, como a de Eduardo, mas essa tinha a lâmina negra com pequenos vincos, como veias vermelhas, espalhados por ela e o cabo, igualmente negro, tinha a forma de um dragão. O punho era o pescoço, com cada escama esmeradamente trabalhada, e o pomo era a cabeça, que tinha olhos feitos de pequenos rubis e a boca escancarada mostrava duas fileiras de dentes nos mínimos detalhes. Diana sentiu que algo estranho emanava daquela espada, algo ruim, mas ainda assim ela estava tentada a tocar na arma, como se a espada a estivesse chamando. A garota chegou a esticar a mão, mas foi interrompida por Eduardo, também olhando para a espada, que disse:

− Vamos sair logo daqui. Não devemos ter muito tempo.

Lutando contra a estranha e forte vontade de pegar a espada, o casal deixou a sala e continuaram a subir. Quando já estavam longe da sala, a estranha sensação que dominava Diana passou. Diana ficou em dúvida se era a sala ou a espada que estava mexendo com sua cabeça.

O som dos sacerdotes ficou mais alto conforme eles subiam as escadas, até que Eduardo, que estava à frente, parou. Se virando para Diana e se aproximando do lado esquerdo de seu rosto, ele sussurrou:

− Mantenha a calma. Mexa a boca com se estivesse cantando como eles e se aproxime devagar.

Diana só foi entender o que o guerreiro quis dizer quando eles terminaram de subir as escadas e chegaram ao último andar, que, diferente dos outros andares, dava para a entrada de um salão. Eduardo puxou seu capuz para cobrir o rosto e Diana o imitou.

Entrando no salão eles viram como aquele era diferente dos outros. O lugar, feito somente com esmeraldas, era mais amplo que os outros andares da torre e tinha várias tochas espalhadas, de modo que iluminava todo o local por completo, em um tom esverdeado causado pelas pedras. Sombras dos vários sacerdotes dançavam nas paredes conforme as chamas tremulavam.

Os sacerdotes estavam formando um círculo ao redor do buraco no chão. O mesmo que havia em todos os andares da torre, mas esse era um pouco menor. Eles tinham as mãos e os rostos levantados para cima enquanto continuavam a entoar seu misterioso cântico.

Eduardo puxou Diana para um canto oculto dos sacerdotes, de volta para trás da parede da entrada e olhou para o alto, para a mesma direção que eles, e viu que a lua, cheia, já estava quase no centro do enorme buraco.

Os sacerdotes continuavam o cântico, que para o casal parecia interminável. Eduardo e Diana olhavam ao redor, quando viram que haviam jaulas feita na parede oposta a onde eles estavam. Dentro delas haviam várias jovens, algumas em pé perto das grades, mas Eduardo acreditava que haviam mais, vestidas com o mesmo modelo de roupas: um vestido branco que parecia ser de seda sem

muitos detalhes. As jovens pareciam estar em transe, pois tinham os olhos esbugalhados e não falavam nada, só se moviam para um lado e para o outro ao ritmo do cântico.

Diana olhou para Eduardo com seus olhos brilhando de esperança, pois Raquel com certeza estava ali. O guerreiro, por sua vez, fez um sinal para que ela se acalmasse.

Naquele instante, eles ouviram um chiado, que não reconheceram de onde vinha. Os sacerdotes pareceram eufóricos ao ouvir aquilo, mas continuavam o cântico.

O chiado aumentou ainda mais, até que Diana e Eduardo ver, embora não tão felizes quanto os sacerdotes, de onde vinha o som.

Uma enorme criatura, com cabeça de uma serpente Naja e seios e membros superiores de mulher, com uma enorme cauda, apareceu do buraco da torre, se erguendo aos poucos. Seu corpo era coberto por escamas, verdes como o resto da torre.

O casal, que temia ser notado pela criatura, teve que se ocultar por completo atrás da parede. Os olhos de Diana estavam arregalados e sua respiração acelerada. Sua voz falhava ao tentar sussurrar para Eduardo.

− O — o que é aquilo?

Eduardo balançou a cabeça negativamente.

“Aquela deve ser a tal Ouja, deusa dos sacerdotes. Mas aquilo é realmente uma deusa? Por que emana uma energia tão macabra? ”, pensou o guerreiro. Nem mesmo todos seus anos de treinamento o prepararam para aquilo, mas não podia ficar parado.

− Se acalme. Vamos salvar logo sua irmã e sair daqui. Eu
tenho um plano...