A vida é algo interessante. Ela te leva por caminhos inimagináveis, os quais você nunca havia imaginado que trilharia. Parece até que alguma divindade ficou entediada e resolveu brincar com o destino das pessoas.

Um bom exemplo disso é a interessante história de três pessoas, que viveram em uma era e lugar há muito esquecidos pelos homens. Elas não tinham conhecimento da existência umas das outras, mas o destino tratou de uni-las para algo maior.

Vamos começar com a história de Eduardo.

A história começa no continente de Dalek, em uma estrada que ligava a cidade de Null à cidade de Irandir, onde era o porto.

Já escurecia, e uma carroça passava por essa estrada. Era uma carroça simples, puxada por dois cavalos. Na parte de trás havia uma jaula, onde estavam cerca de dez pessoas, espremidas para caber num espaço onde só caberia metade delas.

Na frente havia o assento do condutor e outro, onde um homem gordo e corpulento se acomodava. O homem gordo reclamava.

− Ande mais rápido, seu inútil! Não quero passar a noite na
estrada...

− Mas, senhor, faltam quase cinco horas até Irandir. E os cavalos estão ficando cansados. Sinto muito, mas eu o avisei antes de partirmos.

− Não me repreenda, seu insolente! Se algo acontecer a mim, você será executado, está ouvindo?

O condutor não respondeu, mas se insultava por dentro por ter aceito aquele serviço. Ele sabia que as estradas de Dalek eram

perigosas à noite, sabia que eles não chegariam a Irandir antes do amanhecer, mas a ganância falou mais alto ele acabou aceitando o serviço.

Agora, andando no breu com aquele mercador de escravos gordo, orgulhoso e sem educação, correndo o risco de ser assaltado ou assassinado, o homem se arrependia.

A um certo ponto do caminho, olhando para mais à frente, o condutor percebeu algumas luzes flutuando. Ele olhava desconfiado para aquilo, quando o mercador ao seu lado tirou sua atenção.

− O que é aquilo?

− Não sei, senhor.

− Hum, era de se esperar. Prossiga, não deve ser nada
demais.

− Acho melhor pararmos, senhor, e nos escondermos. Pode ser perigoso.

− Há! Deixe de ser frouxo, homem! Já lhe disse que não quero passar a noite toda na estrada.

− Mas, senhor...

− Não me questione! Vamos, continue andando!

E eles continuaram andando, até que descobriram o que eram as luzes. Tochas. De um bando de ladrões.

Eles vinham a cavalos, vinte deles. Pararam de frente para a carroça, impedindo sua passagem, desceram das montarias, sacaram suas espadas e foram em direção aos dois desafortunados, cercando a carroça.

O mercador os olhava apavorado, mas tentou manter o tom autoritário de sempre ao falar.

− O — o que vocês querem?

Os ladrões riram, enquanto se aproximavam. Sem nada dizer, um deles atacou o mercador, enfiando sua espada na barriga. O ataque foi tão inesperado que a vítima não teve tempo de fazer nada, somente tampar o rosto e gritar. O grito foi interrompido por um gemido e o mercador começou a engasgar com o sangue.

Quando viu o que aconteceu, o condutor soltou um grito de pavor. Ele começou a implorar por sua vida.

− Por favor, não! Eu tenho mulher e filhos! Leve tudo, mas não... Argh!

Ele nem sequer terminou, pois o homem que matara o outro acertou-lhe a espada na cabeça, partindo-a em duas. O corpo caiu da carroça, no chão arenoso da estrada.

Atrás, onde se encontravam os outros bandidos, uma voz fez-se ouvir.

− Peguem os cavalos e tudo mais que seja de valor que encontrarem. Matem os escravos também.

Os homens foram em direção à jaula. Os escravos gritavam por misericórdia, mas eram puxados para fora e forçados a se ajoelharem na estrada. Alguns tentaram correr, mas foram pegos e assassinados.

Então os ladrões começaram a matar, perfurando e cortando, enquanto os escravos gritavam.

Aconteceu que, enquanto os ladrões se distraíam na chacina, houve um farfalhar no mato. Da floresta ao lado da estrada, saiu um homem.

Ele tinha cabelos longos e ruivos, presos num rabo de cavalo, pele clara e olhos azuis. Usava calças largas, de linho azul e uma camisa vinho de manga longa. Calçava simples sandálias, comum entre camponeses. Seu porte físico não era de se intimidar, pois era magro e baixo. Com uma aparência jovem e inocente, passaria facilmente por uma mulher.

O homem tinha uma espada presa na cintura. Ele carregava uma cesta em uma das mãos, cheia de frutas, e na outra, alguns peixes, amarrados por uma corda fina.

Ao ver o que acontecia, o homem largou seus pertences num canto, perto da árvore mais próxima, e foi para o local da chacina.

Quando os bandidos o notaram, parou de frente para eles, mas nada fez. Os bandidos o notaram. O líder deles falou:

− O que foi? Perdeu alguma coisa aqui?

O homem os observava com uma feição tranquila. Ele levantou um sorriso.

− Eu gostaria que vocês parassem o que estão fazendo e se retirassem.

Os ladrões olharam uns para os outros e riram. Um deles
disse:

− Esse aí é maluco, chefe!

− É o que parece. Rapaz, se não quiser morrer, deixa essa espada aí e volta por onde você veio.

O homem suspirou e sacou a espada. O líder dos bandidos riu.

− O que foi, prefere morrer? Pois bem. Alguém dá um jeito nesse cara.

Outro ladrão se adiantou, com a espada empunhada.

− Pode deixar comigo.

Ele avançou no estranho com tudo. O estranho avançou também, segurando o punho da espada sem sacá-la.

O estranho desviou do ataque do ladrão e sacou sua espada com muita velocidade, já atacando com esse movimento.

A espada acertou o ladrão no pescoço, cortando-o. O ladrão largou a espada e segurou com ambas as mãos a garganta, que jorrava sangue. Ele caiu no chão e o sangue jorrando formou uma poça.

Com um rápido movimento ele sacudiu a espada, tirando o excesso de sangue da lâmina.

− Quem será o próximo? − ele perguntou, olhando para os bandidos. Seus olhos ardiam de ira.

. . .

Alguns minutos depois, o estranho estava limpando a lâmina da espada com a roupa de um dos bandidos, cujos corpos estavam espalhados pela estrada.

Ele soltou os cavalos da carroça e os espantou para longe. Os animais correram floresta adentro.

Quando o homem estava se preparando para ir embora, notou um leve movimento vindo da pilha de escravos mortos. Ele se aproximou e retirou alguns corpos de cima. Notou que um dos que estavam no fundo se mexia. Depois de retirar mais alguns ele achou duas mulheres, mortas, abraçando uma criança. Um menino, de cerca de oito anos, seu corpo magro e todo sujo de sangue. Tinha cabelos negros e curtos, colados ao couro pelo sangue. Seus olhos negros estavam vidrados.

O homem, então, pegou o garoto e o puxou para fora. Só que a criança começou a se debater, gritando, arranhando e chutando o homem.

− Fique calmo, garoto! Estou te salvando, se não percebeu!

O garoto acertou um soco na cara do homem, que acabou largando-o.

− Mas que coisa! Eu tento ajudar e ainda apanho...

O garoto começou a correr para longe, mas alguns segundos depois ele caiu pela estrada, desmaiado.

. . .

Ele acordou com uma confortante sensação de calor no rosto. Estava de frente para uma fogueira, deitado em um amontoado de peles e tecidos. Notou que ao seu lado havia outro monte de tecidos.

Olhou para os lados e viu as árvores que o cercavam, altas e cheias. Acima delas o céu estrelado os cobria. Uma brisa fraca fazia os galhos balançarem e algumas folhas caírem.

− Pensei que não fosse mais acordar − disse alguém atrás dele. Olhando para trás, ele viu um homem baixo e magro de cabelos ruivos.

Ele se levantou às pressas e já ia correr, mas o homem agiu primeiro.

Levantando as mãos e se encurvando um pouco para frente lentamente, como se estivesse tentando se aproximar de um animal, o homem disse:

− Calma, calma... eu só quero lhe dar um pouco de comida. Você dormiu um dia inteiro. Deve estar com fome agora, não?

O garoto o encarou, desconfiado, mas realmente estava com
fome.

− Aqui, coma algumas isso − o homem lhe passou algumas frutas − enquanto eu asso uns esquilos.

O garoto pegou as frutas e, quando começou a comer, percebeu como estava faminto. Havia dias que não comia, pois aquele mercador não os alimentava ou lhes dava de beber com frequência. O cheiro da carne assando lhe abria o apetite.

Algum tempo depois, os dois estavam sentados, comendo os esquilos. O garoto parecia mais receptivo depois de alimentado.

− Meu nome é Claudio − disse o homem − qual é o seu? O garoto não respondeu. Claudio continuou.

− Você tem um nome?

Nenhuma resposta.

− Ah, por favor! − O homem explodiu − Eu te salvei, te dei comida e você ainda me ignora?

O garoto, acanhado pela repreensão, olhou para baixo e se encolheu.

− Eduardo − ele disse, quase inaudível.

− Já estamos progredindo, hein? Hum.... É um bom nome. Não é um nome que eu daria a um filho meu, prefiro nomes mais heroicos, sabe? Como Aiolia, Dante, Leon... Mas Eduardo é um bom nome.

Claudio riu, mas Eduardo continuou sério.

− Não é muito de brincadeiras... tudo bem, vamos continuar comendo. Pode se servir à vontade, eu não me importo.

Depois que eles terminaram, Eduardo ficou calado, olhando para as estrelas. Claudio o observava.

O clima ruim já desaparecera e o garoto já parecia mais à vontade.

− Garoto, você já pensou no que vai fazer daqui para frente?

Eduardo voltou o rosto para Claudio e depois abaixou novamente a cabeça.

− Agora que seus pais se foram, você tem alguém para te
criar?

− Eles não eram meus pais. Meus pais morreram por doença há muito tempo e eu fui criado por escravos. Não tenho ninguém.

Claudio ficou um tempo calado, olhando para o garoto.

− O que foi? − Eduardo perguntou, desconfiado.

Claudio riu. Eduardo o encarou, sem entender. Depois deu de ombros e voltou a olhar para o céu.

− Está decidido − declarou Claudio. Eduardo, ainda distraído com as estrelas, olha para o homem. Claudio continuou:

− A partir de amanhã eu irei te treinar.

Eduardo se espanta.

− O quê?!

− Eu vou fazer de você meu discípulo. Te garanto que, em dez anos, nem vai se reconhecer. Você será um homem forte, capaz de lutar por seu próprio futuro.

− Não... − Eduardo ia replicar, mas parou. Era verdade, ele não tinha nada. Era uma criança sem pais e sem lar. Provavelmente ele acabaria voltando à escravidão.

− Ótimo − disse Claudio, ao ver a reação do garoto − Agora vamos dormir. Não se preocupe, sua vida vai melhorar daqui para frente.

Eduardo se calou e foi dormir, pensando em tudo aquilo. Talvez a vida de guerreiro realmente seja melhor. Talvez ele devesse dar uma chance para aquele homem que parece uma mulher., que tanto lhe ajudara até ali.

. . .

O tempo passou e Eduardo cresceu. Se manteve ao lado de Claudio por dez anos, e pode aprender com ele tudo sobre espadas, lutas corpo-a-corpo e a vida de um guerreiro. Aprendeu a caçar e eles passaram por várias coisas juntos, onde o garoto – agora um jovem – obteve experiência para o futuro.

Com dezoito anos, Eduardo estava irreconhecível. Se tornara um jovem forte, alto, de corpo largo e musculoso. Seu cabelo negro e curto combinava com a pele bronzeada e os olhos negros e selvagens.

Eduardo se tornara um ótimo guerreiro e Claudio o criara como se fosse seu filho. Mas sempre chega um momento em que os filhos se despedem dos pais e partem para trilhar seu próprio caminho.

Com Eduardo não foi diferente.

Passaremos a acompanhar a história dele um pouco mais a frente, a partir de uma certa noite, após um dia inteiro de treinos de luta e de espadas, em que Eduardo estava caçando. O animal da vez era um javali.

Naquela época, os javalis, como todos os animais, eram bem maiores do que estamos acostumados hoje em dia. Eles tinham mais de um metro e meio de altura e suas presas eram do tamanho dos

braços de um homem adulto. Eram criaturas muito difíceis de se caçar, mas Claudio fez questão.

Eduardo corria pela floresta nos arredores de Heimdal, desviando de árvores e de outros obstáculos naturais, enquanto pensava no quanto odiava aquele treinamento. Atrás dele, ouvia -se grunhidos de fúria. O javali o perseguia. Suas enormes presas apontadas para o rapaz.

Há algumas horas atrás, ele foi até o ninho do javali, que estava dormindo. Com uma tora de madeira, ele acertou a cabeça do animal, que grunhiu, mais pelo susto do que pela dor.

Ao ver o rapaz, o javali não hesitou em ataca -lo, e os dois começaram a correr.

Correr de um javali não era o pior que Eduardo já teve que fazer. Já enfrentara bandos inteiros de bandidos de estrada, lobos, ogros e outros desafios que passassem pela cabeça de Claudio. E isso era o complemento para os outros treinos diários.

O objetivo daquilo era, se Eduardo não morresse, melhorar seu condicionamento físico e conseguir alimento. Ele deveria abater o animal sem usar armas.

O javali seria seu jantar — o que significava que, se ele saísse vivo, mas sem o animal, passaria a noite com fome.

Além de ter de desviar das árvores e pedras, ainda tinha que pensar em como acabar com a quilo. O javali estava se aproximando. Ele estava ficando sem saída.

Eduardo começou a pensar em tudo que Claudio havia lhe ensinado, todas as experiências pelas quais os dois passaram. E foi então que ele teve uma ideia.

Crescera com Claudio o ensinando a aproveitar o ambiente ao redor, procurar uma estratégia quando só a força física não basta.

Claudio sempre lhe disse para encontrar o equilíbrio entre mente e corpo e confiar mais no próprio potencial, pois Eduardo sempre foi muito inseguro.

Graças a isso ele pôde pensar em algo, mas o problema era fazer com que funcionasse.

Virando para o sul, ele continuou a correr, ainda perseguido

pelo javali. “Ótimo”, ele pensou. Alguns metros à frente, Eduardo viu o que buscava ao seguir naquela direção.

Uma descida muito íngreme que levava ao lago Valtios. Eduardo caíra dali várias vezes quando era mais novo, pois ela tinha muitas pedras pequenas, que escorregavam muito. Seria o local perfeito para executar seu plano. Depois do que faria iria gastar o que lhe restara de forças. Aquilo tinha que funcionar.

Ele parou em frente à descida e aguardou até o javali se aproximar mais. Quando o animal já estava bem perto, de frente para ele, Eduardo desceu pelo declive, escorregando e tentado se equilibrar. O javali, ensandecido, partiu atrás dele.

Chegando ao fim da descida, Eduardo se levantou às pressas e se preparou. O javali vinha à toda, descendo aos tropeços.

No instante em que o javali se aproximou, Eduardo o agarrou pelas presas e jogou o corpo para trás, impulsionando o animal para cima. Graças à superfície íngreme, o esforço foi reduzido, mas ainda assim foi necessário o uso de grande força.

Ele suspendeu o animal e, ao cair de costas, usou a força que lhe restava para impulsionar o javali contra o chão, dando até um urro.

O animal caiu violentamente, suas costas de encontro ao chão cheio de pedras. Um estalo foi ouvido, junto com um ganido. Era a coluna do javali se quebrando.

Caído ao lado do animal, Eduardo estava arfando. Seu corpo todo doía. Finalmente entendera o tal equilíbrio do qual Claudio sempre falava.

Eduardo acabou ficando por ali mesmo. Ele se arrastou até o lago para beber um pouco de água, depois foi até um pequeno gramado e lá se deitou. Ele fechou os olhos para descansar um pouco e acabou pegando no sono.

Quando acordou já pela manhã, Eduardo improvisou uma jangada com a madeira das árvores dali e colocou o javali sobre ela. Puxou a jangada até a o rio que passava por ali, rio esse que cortava o continente em direção ao nordeste até chegar no oceano, onde desaguava.

Seguiu subindo o rio até os arredores da cidade de Ophir, onde atracou. Eduardo seguiu para o leste da cidade, puxando arduamente o lobo até a floresta onde Claudio vivia. Ele nunca descobriu porque seu mestre vivia na floresta, pois Claudio nunca falava sobre ele mesmo. Nunca. Eduardo tentou por diversas vezes descobrir alguma coisa, mas sem resultados. E as pessoas das cidades não sabiam mais que ele.

Ao chegar, encontrou seu mestre sentado de frente para uma fogueira. Devia ser hora do almoço.

− Levou quase um dia inteiro para chegar! − Exclamou seu mestre quando o viu. Ele olhou para o animal que Eduardo arrastava.

− Parece que mesmo demorando, você conseguiu, hein? Eduardo bufou.
− Mas quase morri.

− Faz parte. Mas você demorou tanto que eu tive que caçar coelhos para o jantar. Agora vamos separar esse lobo para preparar o almoço.

Eduardo só então percebeu que ainda estava com fome.

Depois do almoço, Claudio chamou Eduardo para o rotineiro treino de espadas deles. Só que, diferente das outras vezes, Eduardo estava mais confiante. A experiência com o lobo o ensinara bastante e agora ele confiava em suas próprias habilidades e em si mesmo.

Claudio percebeu a diferença de seu discípulo, que defendia e atacava com eficácia. Em sua mente, Claudio sabia que m momento triste havia chegado.

Depois do treino, que pela primeira vez acabara empatado, Eduardo estava sentado, descansando. Claudio, ao seu lado, o observava calado.

− Eduardo, eu preciso conversar com você.

− O que foi?

− Acho que chegou a hora de você partir. Eduardo o olhou, sem entender.

− Como assim?

− Eu já lhe ensinei tudo que podia. Agora você deve buscar suas próprias experiências e crescer sozinho.

Eduardo abaixou a cabeça, quieto. Ele sabia que era verdade, mas já havia se acostumado à vida que levara nos últimos anos. Agora chegara o momento de viajar e ter suas próprias aventuras.

Ele, então, se levantou e encarou Claudio.

− Eu sei, mestre, e estou pronto para isso. Claudio soltou um sorriso e disse:

− Você cresceu bastante, e estou orgulhoso de você, Eduardo. Agora vamos comer, para comemorar o término do seu treino. Amanhã você já pode partir.

E eles comeram até não aguentarem mais. Ficaram até tarde conversando não mais como mestre e discípulo, mas como dois amigos. Talvez até algo mais próximo, como pai e filho.

Na manhã do dia seguinte, Eduardo e Claudio foram até o porto de Irandir.

Claudio pagou ao capitão de um navio que ia para Corindor e Eduardo pôde embarcar. O navio não tinha muitos luxos, mas Eduardo estava acostumado à simplicidade.

Ao se despedir, Claudio deu a Eduardo algumas moedas e um pouco de suprimento para a viagem de navio.

. . .

A viagem durou quase um mês, mas Eduardo finalmente chegara em terra firme. Ele não teve muitos problemas a bordo, pois o primeiro que tentou se engraçar com ele acabou sem os dentes e jogado para fora do navio num piscar de olhos. Foi justamente com esse que Eduardo conseguiu uma cimitarra e mais algumas moedas de ouro.

Pouco depois de descer no porto de Corindor, em Fturi, Eduardo seguiu para a cidade mais próxima, Taramir.

Com alguns dias de caminhada, Eduardo chegara à cidade. Usando o ouro que trouxera consigo, comera e bebera como nunca havia feito. Comprara roupas novas, uma camisa branca larga, uma calça preta e um par de botas petas, e alugara um quarto numa

pensão. Depois de um sono merecido, ele resolvera ir embora dali. Ainda não sabia o que iria fazer da sua vida, mas resolvera passar um tempo viajando, conhecendo o continente.

Quando estava saindo da pensão, viu algo que lhe chamou a atenção. Um grupo de guerreiros arrastava uma garota de cabelos cor de fogo para fora da cidade. Achou estranho que ninguém da cidade tentou intervir por ela. Quem eram aqueles homens, que amedrontaram tanto os moradores?

− Droga − ele disse para si mesmo, se adiantando para os portões da cidade.

Notas finais
Por favor, me digam o que acharam. Sua opinião é de grande valor.