O Templo Esmeralda
2 Capítulo 2
Quem era aquela garota de cabelos ruivos? O que os guerreiros queriam com ela? Para descobrirmos isso temos que voltar um pouco na história, para uma cidade um pouco longe de onde Eduardo se encontrava, onde aconteceu algo bem ruim.
A cidade de Orilis estava em chamas.
Gritos de dor e horror se espalhavam por todos os cantos, misturados ao som das espadas e do fogo, que destruía as construções, banhados por uma enorme lua de sangue.
Algumas horas antes, os moradores de Orilis haviam se recolhido mais cedo, pois aquele globo vermelho-sangue estampado no céu sem nuvens era sinistro, e muitos acreditaram ser um sinal de azar. Essa superstição se provou verdadeira.
Orilis era uma cidade que ficava entre dois reinos, Oheim, ao norte e Gurst, ao sul, que recentemente entraram em guerra. Como Orilis era uma cidade agrícola, acabava fornecendo alimento para ambos os reinos, mas depois que a guerra começou, Orilis passou a ser considerada um ponto estratégico.
Temendo que o inimigo obtivesse tais vantagens, o reino de Oheim resolveu agir primeiro e tomar a cidade. À meia-noite, quando todos os moradores estavam dormindo, o exército atacou. Eles chegaram aos berros, seus cavalos trotando com rapidez.
Os cidadãos saíram de suas casas, assustados, e se reuniram no centro da cidade. Queriam saber o que estava acontecendo. Os que estavam mais próximos da entrada principal não tiveram tempo de fugir, pois os soldados invadiram com tudo, ateando fogo nas construções e matando as pessoas pelo caminho, que corriam desesperadas.
Quem não morria pelo aço das espadas eram pisoteados elos cavalos, arrastadas por cordas, esmagados pelas construções que ruíam, ou eram queimadas vivas.
Diana e Raquel eram duas irmãs, que moravam com seus pais em Orilis. A casa delas ficava próxima à saída principal da cidade, que levava à estrada.
Enquanto na cidade as pessoas morriam, os pais das duas irmãs tentavam salvá-las. O pai segurava a porta, que era forçada de fora para dentro por um grupo de soldados.
− Rápido! − gritou o pai.
A mãe ajudava as duas a arrancar as grades da janela dos fundos. Pedras e tochas atravessavam as janelas da casa, ateando fogo em seu interior. Quando as grades finalmente cederam, Diana ajudou Raquel a passar pela abertura e passou em seguida.
Quando viu que o marido não conseguiria segurar a porta por muito tempo sozinho, a mãe das duas as disse:
− Corram para a estrada, atravessem o rio e continuem correndo. Não parem até que não consigam mais ver ou ouvir a cidade.
− Não se preocupem conosco − disse a mãe − só fiquem
vivas!
Diana nada disse. Mesmo sendo a mais nova, sempre foi mais madura que a irmã. Mesmo que lhe doesse, ela sabia que não havia outra maneira.
Ela puxou a irmã pelo braço.
− Vamos, Raquel.
− Mas Diana! Nosso pais!
− Eu sei − seus olhos estavam cheios de lágrimas − mas não podemos fazer nada. Só vamos embora!
− Não! − Raquel gritava, enquanto as duas se afastavam,
correndo.
Elas alcançaram a estrada e correram até rio. O atravessaram e continuaram a correr, por uma estrada em direção ao Oeste. Estavam exaustas e tristes.
Seus cabelos ruivos e lisos — os de Diana iam até a cintura, e ela os usava soltos. Já os de Raquel eram curtos, cortados um pouco abaixo dos ombros — estavam molhados de suor. Suas roupas estavam sujas e rasgadas.
No começo da manhã elas chegaram a um vilarejo. Haviam percorrido pela estrada durante cinco horas seguidas e entraram no vilarejo quase desmaiando de exaustão. Elas pediram ajuda a várias pessoas, mas ninguém as amparou, exceto uma senhora idosa, que lhes ofereceu cama, comida, banho e as levou para comprar roupas novas.
Diana escolheu uma camisa preta larga de ceda, calças justas de couro marrom e botas de cano curto. Raquel ficou com vestido amarelo estampado com flores e uma sandália.
Ficaram ali por três dias, se recuperando. O primeiro deles fora gasto praticamente todo dormindo.
A senhora lhes disse que elas poderiam continuar em sua casa pelo tempo que elas achassem necessário, mas as duas resolveram viajar até outro continente, Corindor, onde se estabeleceriam na capital.
A senhora, então, lhes preparou uma cesta com água e frutas e lhes deu moedas para pagar uma embarcação.
Andaram por pântanos e campos, atravessaram outros dois rios, passaram por outras duas cidades e chegaram ao porto de Iknor. Conseguiram uma embarcação barata e iniciaram a viagem pelo mar.
A viagem de barco durou vinte dias. Os homens do navio não deixavam de olhar para as duas, cobiçando-as.
Diana tinha olhos azuis e um longo cabelo ruivo e liso, brilhante como o fogo, que caia até a cintura. Embora só tivesse dezessete anos, tinha um corpo bem desenhado e um busto definido, que sempre arrancava suspiros dos homens por onde passava. Esses suspiros nunca foram correspondidos, pois ela dizia ser muito nova para se preocupar com amores. Era séria e cabeça-dura. A única pessoa que a dobrava ou a fazia rir era Raquel.
Embora tivesse uma vantagem de dois anos para a irmã, Raquel era menor, menos definida e menos madura.
Raquel também herdara da mãe os cabelos ruivos, mas sempre os cortava à altura dos ombros. Como usava um vestido, uma roupa mais formal e cômoda que a da irmã, chamava menos atenção, mas sua beleza também era estonteante. Seu corpo se desenvolvera menos, o que lhe rendera o apelido de “tábua” ou qualquer outro em que Diana pensasse, mas ainda assim o seu jeito inocente e seus olhos azuis também arrancavam suspiros. Era bem mais calma que a irmã e bem mais inocente. Tinha o costume de acreditar em quase tudo que lhe contavam.
Mas, mesmo com todas as diferenças, as duas eram inseparáveis.
Chegaram à zona portuária de Corindor, em Fturi, na manhã do vigésimo dia. Renovaram o estoque de comida e água com o restante do dinheiro e seguiram viagem, rumo à capital, Kiroe. Durante a viagem, as duas conseguiram criar metas para suas
vidas. Conseguiriam um emprego e moradia. Com o tempo, talvez conseguissem uma casa própria. Viveriam em paz, finalmente.
As coisas estavam indo bem para as duas, mas se elas soubessem o que lhes aconteceria mais a frente, teriam ficado pela zona portuária por mais alguns dias.
Diana e Raquel haviam caminhado o dia inteiro e já escurecia quando elas avistaram, por cima das árvores, as muralhas de uma cidade. Elas tinham a intenção de passar a noite lá.
Aconteceu que, em certo momento da caminhada, elas foram surpreendidas por um grupo de guerreiros, trajando armaduras de couro. Eles usavam diversas armas. Um usava uma espada longa, o outro uma lança, outros usavam espadas curtas, e outras armas.
Diana se pôs entre a irmã e eles.
− Então são essas duas... − disse um dos guerreiros.
− Os sacerdotes sempre encontram as mais belas − disse
outro.
− Vamos logo com isso! − um deles gritou, de trás do grupo. Os outros pareciam ter medo do que gritou, pois alguns deles se encolheram.
Eles abriram caminho para um homem passar. Ele usava um manto negro com capuz, que lhe cobria o rosto.
− O — o que vocês querem? − Diana disse, tentando se mostrar corajosa.
O homem com o manto negro emitiu uma risada.
− Sim, elas são perfeitas. Elas são justamente o que precisávamos − ele aspirou o ar − Virgens, dezessete e dezoito
anos... essas são raras hoje em dia. E nem precisamos invadir a cidade! Parece que Ouja está nos abençoando hoje.
Ele riu mais um pouco.
− Rápido, peguem-nas e voltemos logo à torre. A viagem é longa e quanto antes voltarmos, melhor.
− Diana... − disse Raquel, atrás da irmã − O que a gente vai
fazer?
− Correr − Diana respondeu − O mais rápido que a gente puder, até a cidade. Lá alguém deve nos ajudar.
− Quando?
−Agora!
As duas correram em direção aos muros da cidade. Elas ainda estavam bem longe, mas não tinham muito o que fazer.
Os guerreiros corriam atrás delas. Eles já as alcançavam, pois eram notoriamente mais rápidos.
Na corrida, Raquel tropeçou e caiu. Diana voltou para ajudá-la, mas ela gritou:
− Não, Vai! Continue e peça ajuda!
Dina hesitou. Os perseguidores em breve apareceriam.
− Anda logo! − gritou Raquel − Ou eles vão pegar nós duas!
− Eu vou voltar com ajuda! − Diana gritou, e voltou a correr. Ela sabia que essa era a melhor escolha.
Os mercenários chegaram. Dois deles agarraram Raquel e os outros continuaram atrás de Diana.
Ela conseguiu chegar aos portões da cidade e entrou apressada. Estava na praça da cidade.
− Socorro! − ela gritou − Alguém, por favor, me ajude! Algumas pessoas se aproximaram dela.
− O que aconteceu, jovem? − perguntou um senhor.
− Eu e minha irmã fomos atacadas por bandidos. Eu consegui fugir, mas minha irmã não. Por favor, salve minha irmã!
− Calma, calma, aonde estão esses bandidos?
− Bem aqui! − disse uma voz, vinda dos portões.
Um dos bandidos entrou na cidade, seguido por mais oito.
− É melhor vocês não se meterem. Estamos a serviço dos Sacerdotes.
Quando ele disse isso, uma atmosfera estranha, funesta, se apoderou do lugar. As pessoas cochicham coisas entre elas e o homem que falava com Diana tremia, como se estivesse abalado por ter ouvido aquilo.
Diana olhava para os cidadãos sem entender o porquê daquela reação.
− Senhor... Ela começou a dizer.
O homem a olhou. O pavor estava estampado em seu rosto.
− Eu... eu sinto muito − ele começou a dizer, se afastando de Diana − mas não vamos poder te ajudar.
− Mas por quê? − a garota perguntou, aflita, mas o homem não respondeu. Ele se afastou, encolhido, e se juntou aos outros moradores. Todos eles visivelmente apavorados.
− Muito bem, sábia escolha − disse o líder dos mercenários. Ele pegou Diana pelo braço e a puxou. Ela gritava e tentava se soltar, mas o homem deu um tapa em seu rosto, tão forte que o som ecoou pela cidade.
− Quieta! − ele bufou − mais um pio e eu juro que o próximo tapa vai quebrar seu pescoço!
Diana acabou parando.
Ela continuou sendo arrastada para fora da cidade. Sua mente era um turbilhão de pensamentos e sentimentos. Não conseguira proteger sua irmã e agora ela também fora capturada, sem a chance de salvar Raquel.
Ela começava a achar que a tragédia fazia parte de sua vida.
Seus pensamentos a fizeram perder o foco por um momento e, quando ela percebeu, os bandidos haviam parado.
Uma voz fez-se ouvir.
− Desculpe atrapalhar vocês, nobres guerreiros, mas eu gostaria que soltassem a garota.
Ela olhou para frente e viu um rapaz no meio do caminho, de braços cruzados, encarando os soldados. Ele era forte, tinha os ombros largos, cabelos negros curtos, pele bronzeada e olhos negros. Usava uma camisa larga branca de manga longa, calças e botas pretas.
Na sua cintura era visível uma cimitarra embainhada.
Ele devia ter quase a mesma idade que Diana, mas seu corpo era bem desenvolvido para a pouca idade e ele passava imponência.
− E quem é você, para querer algo de nós? − indagou um dos guerreiros.
− Eu − o rapaz olhou sério para os homens e apontou o polegar para si mesmo − sou Eduardo.
Houve um pequeno momento de silêncio e então os guerreiros começaram a rir.
− Ai, ai, é cada um que me aparece... − disse o líder dos bandidos.
Ele apontou para seus homens e disse:
− Matem-no.
Os oito mercenários estamparam sorrisos nos rostos e sacaram suas espadas, andando lentamente em direção ao guerreiro.
− É sempre pelo jeito mais difícil... − lamentou Eduardo. Ele sacou sua cimitarra e se pôs em posição de combate, agachando um pouco e separando os pés, usando o direito para apoiar o peso do corpo e, flexionando, segurou o cabo da cimitarra com a mão direita, apontando a espada, por cima da cabeça e levemente inclinada para baixo, para os inimigos, apoiando a lâmina com a mão esquerda.
O primeiro dos mercenários o alcançou. Ele avançou em Eduardo em uma estocada com uma espada curta, mirando a barriga.
Eduardo bloqueou o ataque com força, num golpe em diagonal que fez o mercenário se desequilibrar.
Não houve tempo para que o homem se recuperasse, pois Eduardo voltou com a cimitarra, de baixo para cima em diagonal, cortando seu pescoço.
Imediatamente após o homem cair no chão, uma poça de sangue começou a se formar próxima à área do corte, que jorrava o líquido escarlate.
O segundo a se aproximar de Eduardo era um homem esguio, alto e de cabelos loiros longos, presos num rabo de cavalo. Ele usava uma lança de quase dois metros de comprimento. Na ponta da lança, um triangulo prateado e afiado, do tamanho de uma mão aberta, refletia a luz do sol.
O homem apontou a ponta da lança para Eduardo, flexionou a perna esquerda para dar impulso e avançou. Sua investida fez Eduardo recuar enquanto desviava e defendia os sucessivos ataques do lanceiro. Sua cimitarra descrevia longos arcos no ar, se chocando contra a ponta de metal da lança.
− Sim, muito bom − comentou Eduardo, com um sorriso no rosto − Finalmente um bom desafio.
A velocidade do lanceiro era impressionante, os golpes iam a vários pontos diferentes, buscando um descuido de Eduardo. Uma dança mortal se iniciou, onde quem errasse o passo morreria. A tensão fazia a luta parecer durar uma eternidade.
− Estou impressionado com sua habilidade. Nunca vi um lanceiro lutar em curta distância − Eduardo disse, e o lanceiro lhe respondeu com um meio sorriso.
− Infelizmente − o guerreiro continuou − eu não posso continuar isso por muito tempo.
Quando a ponta da lança se aproximou dele, ao invés de aparar com a espada, Eduardo desviou para o lado. Antes que a lança retornasse, o guerreiro a segurou firme e a cortou no meio com a cimitarra.
O lanceiro, estupefato, titubeou. Eduardo aproveitou o momento e atacou numa estocada.
A cimitarra perfurou o peito do lanceiro, como se a armadura dele fosse de papel, e a ponta da espada brotou nas costas do homem.
− Você lutou bem, − disse Eduardo, enquanto o homem desfalecia − mas não pôde me superar.
O homem tombou de costas. Eduardo puxou a cimitarra do peito homem, a sacudiu para tirar o excesso de sangue e olhou para os mercenários que restaram, dando alguns passos para frente.
− Algum de vocês é melhor que esse homem? − ele disse, apontando para o corpo ao seu lado − Por que, se não forem, é melhor irem embora.
Os homens restantes estavam amedrontados e nada fizeram. O líder, segurando a garota, trincava os dentes de tanta raiva. Aquele guerreiro já provou não ser comum. Derrotara dois de seus melhores homens e deixara os outros amedrontados.
Então uma ideia surgiu em sua mente. Seria seu trunfo, sua única cartada. Ele forçou a garota a se ajoelhar e apontou a espada para o pescoço dela. A lâmina roçou levemente na pele dela e um filete de sangue escorreu.
− Muito bem, guerreiro! − ele gritou, e Eduardo parou − Você se mostrou melhor que meus homens e eu o parabenizo por isso. Mas o mundo é dos mais espertos, ou seja, nem só do aço viverá o homem. E a prova disso é que, agora, a vida dessa garota vai depender não de sua força, mas de sua sabedoria. Se você se render agora, eu lhe ofereço uma vaga entre os meus homens. Lhe garantirei as melhores mulheres e muitas riquezas. Porém, se continuar com seus atos insensatos, serei obrigado a tirar a vida dessa bela donzela! − sua voz expressava o mais vil tom de deboche.
Eduardo tinha ira estampada nos olhos, mas ele acabou por abaixar a cimitarra e a cabeça. Ele relaxou os ombros e começou a
fazer alguns movimentos curtos com o corpo, como se estivesse em prantos, porém, não tinha como confirmar com a cabeça dele abaixada.
Vendo aquela cena, o líder dos mercenários sorriu. “Ele mordeu a isca”, pensou.
Chamou três de seus homens, ambos usando espadas longas, e os mandou até o guerreiro.
− Acabem logo com isso − ele disse.
Os três riram e avançaram. Aparentemente, ver seu inimigo se acabar com tanta facilidade lhes renovara os ânimos. Eles atacaram juntos, mas algo diferente do planejado aconteceu.
Eduardo levantou a cabeça e olhou ferozmente para os três bandidos. Avançando como um leão enfurecido. Passou pelo meio dos três, acertando um deles no estômago, com um golpe de espada. O impacto foi tanto que o mercenário que levou o golpe caiu para trás. Antes que os outros dois reagissem, Eduardo girou o corpo, dando um impulso maior para o segundo golpe, que acertou o segundo oponente nas costas, cortando a armadura e a carne. Uma névoa vermelha subiu e o homem caiu.
O terceiro bandido se afastou num pulo e se preparou. Eduardo avançou nele e os dois começaram a troca de golpes.
Apesar do esforço do mercenário, a diferença de força era óbvia. Ele continuava a defender os ataques do rapaz, mas sabia que era inútil. E foi mesmo. Eduardo acertou um golpe na folha da espada do mercenário, que acabou deixando-a cair.
Aproveitando a força do impacto, Eduardo girou e atacou. A cimitarra percorreu sua trajetória da morte, e pareceu emitir uma luz enquanto cortava a cabeça do mercenário.
O corpo decapitado caiu de joelhos e ainda levou alguns segundos para tombar.
Eduardo se abaixou, pegou a cabeça do homem pelos cabelos e a jogou para frente. Ela caiu aos pés do líder dos mercenários.
− A próxima − disse Eduardo. Seus olhos ardiam de ódio − será a sua.
O homem, morto de medo, largou a garota e saiu correndo para fora da cidade.
Ajoelhada, Diana olhava atônita para os corpos no chão. O cheiro de sangue lhe trouxe lembranças da noite em que ela e a irmã fugiram da cidade.
Relembrar aquele momento tão desagradável, somado ao que acabara de acontecer, fez Diana se sentir mal. Sua visão começou a escurecer e ela caiu de lado.
Ela ainda ouviu uma voz abafada dizer: “Ei, ei! O que houve? ”, mas então perdera os sentidos.
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