O Suspeito Insólito
36 Capítulo XXXV
Capítulo XXXV
A diretoria do Hospital Municipal de Campos Sales liberou os cadáveres dos policias para serem velados. Não havia necessidade de encaminhamento para o IML, pois segundo o artigo 162 do Código Processo Penal as circunstâncias das mortes- morte violência- não necessitava de um exame interno já que apenas em analisar externamente o corpo podia-se identificar a causa da morte.
Algumas famílias preferiram não realizar velório e por esse motivo na manha do dia trinta de dezembro cinco policiais e seis civis foram enterrados assim como os corpos dos bandidos mortos durante a rebelião. As companhias encarregadas do enterro estavam a mil com os pedidos e ligações que estavam recebendo.
Naquele dia estavam ocorrendo simultaneamente dez velórios. Foi uma triste sexta feira.
Por volta das quatorze horas a Policia Militar conseguiu capturar sete bandidos. Eles Foram levados às celas da delegacia da cidade. A segurança do local foi reforçada.
Nenhum outro assassinato foi registrado naquela cidade.
Sem nenhuma pista que levasse ao paradeiro do Serial Killer de CS, Anderson e Eduardo passaram a ficar na cola de Savio, pois sabiam em alguma altura o assassino iria atrás dele. Julgavam-se capazes de impedir um contato direto entre o ameaçado e a ameaça...
Estavam errados. Às vezes deve-se da ênfase a obviedade.
O grande erro aconteceu no momento em que Savio mandou seus dois filhos, Gustavo e Iris, de oito anos, para passar alguns dias na casa de sua tia que mora em Salitre, uma cidade vizinha.
Cicero estava escondido e observava atentamente o movimento na casa do prefeito. Ele sabia que era arriscado fazer qualquer coisa naquele momento. Ao ver os filhos do alvo entrando no carro havia uma mulher quarentona na direção ele bolou um plano.
Rosita, a mulher, deu partida no carro e começou a dirigi-lo. O criminoso, que estava de moto e capacete, deu a volta em torno do quarteirão para não ter que passar em frente a casa de Savio. Após visualizar o carro ele pilotou lentamente e manteve-se a dez metros de distância do carro onde as crianças estavam.
Ao sair da cidade finalmente Rosita percebeu presença de alguém logo atrás do veículo.
Cicero acelerou e ficou lado a janela. Pegou sua arma, que estava preso a cintura, e atirou contra a cabeça da mulher. Iris se assustou e gritou. O carro, desgovernado, apenas parou quando saiu da pista.
— Iris, corre!- Gritou Gustavo.
Não deu tempo de saírem do veículo. Cicero estava próximo e apontando sua arma para a menina. Os irmãos não se mexeram e o criminoso tirou o corpo morto do carro e disse com sua voz metálica:
— Garoto você sabe dirigir?- O menino demorou, mas respondeu que sim. Cicero entrou no carro e ordenou que o menino fosse para o banco do motorista. O assassino apontou sua arma para a menina que começou a chorar desesperadamente. – Pare! – Gritou ele. O assassino deu um forte tapa no rosto da menina que por conta disso desmaiou. Olhou para ela com olhar tendencioso, porém desviou seus pensamentos.
Cicero ordenou que o menino dirigisse de volta para Campos Sales.
— Quando chegar lá eu vou dizer o que você vai fazer. Não tente pular do carro ou eu mato a sua irmã.
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