O Suspeito Insólito
40 Capítulo XXXIX
Capítulo XXXIX
Poucos minutos antes do acidente de Eduardo acontecer, Savio chegava próximo de sua casa. Resolveu estacionar o carro a muitos metros de distância da residência e ir a pé o restante do trajeto. Nunca tinha sentido medo de ir para sua casa... exceto aquele momento.
Em passos cautelosos ele aproximou-se. Sua mão direita estava sobre uma arma que estava presa a sua cintura. O único problema do seu plano, que era matar Cicero antes que ele fosse morto, era que nunca havia atirado antes, mas ele sabia que tinha que puxar o gatilho.
Encostou-se na parede da casa e constou que todas as luzes da residência estavam apagadas. Resolveu entrar usando a residência usando a janela da lateral. Com ajuda da parede da casa vizinha ele começou a escalar.
Conseguiu subir, abrir a janela e entrar.
Apesar das luzes estarem apagadas ele conseguia enxergar quase tudo ali. Era o quarto do seu filho. Caminhou lentamente na direção da porta de entrada/saída. Ao sair do quarto ele começou a ouvir gemidos de dor de sua filha. Os barulhos vinham do andar de baixo. O coração do prefeito agitou-se ainda mais.
Antes de descer as escadas ele andou por todo o segundo andar. Não encontrou ninguém. Apenas após isso ele começou a descer os degraus. Em suas mãos estava o revolver Calibre 36 em mãos, carregado e pronto para atirar.
Quando chegou ao fim da escada ele constou que a porta do escritório estava fechada, então foi em direção a sala de estar. Lá estavam seus filhos! Estavam amordaçados. Savio correu em sua direção e desamarrou primeiro a menina.
— Papai!- Ela disse ao abraça-lo.
— Não fale nada querida. – Savio soltou Gustavo em seguida.
— Pai, é uma armadilha!
O aviso do garoto chegou tarde. Da escuridão da sala surgiu Cicero. Ele atingiu um golpe em Savio que deixou a arma cair ao chão. Afastaram-se os dois.
— É claro que isso é uma armadilha. – Disse Cicero.
A garotinha encostou-se ao irmão.
— Eu estou aqui. Deixe meus filhos em paz, eles não são parte disso.
— Eu ia fazer isso. Eu realmente ia, mas você não fez exatamente o que eu mandei. Você não contou a verdade... eu ainda tenho alguns olhos por ai. Vocês todos vão morrer aqui.
Cicero destravou a arma. Estava pronto para atirar, mas Gustavo conseguiu atacar o assassino. O criminoso deixou sua arma cair ao chão, mas conseguiu livrar-se do adolescente. Savio investiu contra Cicero.
— Gustavo, tire sua irmã daqui!- Gritou o pai.
Uma briga corpo a corpo havia começado. Golpes eram trocados pelas duas partes. Os socos que atingiam um ao outro faziam o atingido recuar passos, porém nenhuma das frentes desistia. Gustavo pegou a mão de sua irmã e tentaram sair pela porta de entrada/saída da casa, mas ela estava trancada. Tentou a porta dos fundos, porém também estava trancada. Resolveu então se esconder no segundo andar da casa.
Barulhos de objetos sendo quebrados ecoavam por toda a casa. Sangue escorria pelo nariz e boca das frentes inimigas que lutavam. Savio conseguiu quebrar alguns ossos da mão de Cicero, porém em um rápido movimento ele conseguiu lançar o prefeito ao chão, porém caiu próximo a arma que Cicero estava usando. O prefeito levantou-se e tentou atingir o criminoso, porém este conseguiu defender-se levantando as mãos do adversário para o teto da residência. Foram efetuados nessa direção todos os disparos que a arma prometia. Quando finalmente Savio conseguiu apontar a arma para Cicero nada aconteceu, pois não havia mais munição.
Nesse momento o prefeito visualizou sua arma e conseguiu pega-la. Cicero investiu contra e ambos caíram ao chão. Rolaram, trocaram socos, mas a cada golpe a dor na mão de Cicero aumentava, forçando-o a não usar toda a sua força. Essa era a vantagem que Savio tinha sobre o assassino de sua esposa. O anfitrião da casa usou da dor da mão de Cicero para tomar posição e ficar encima do assassino. Aos poucos foi virando a arma em direção da cabeça do seu adversário. Quando conseguiu ele disse:
— Esse é seu fim! – Disse Savio.
Savio puxou o gatilho.
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