Capítulo XXXI

Anderson insistiu por explicações, porém David insistiu mais ainda que o melhor era que os agentes fossem imediatamente a delegacia. Quando a ligação foi encerrada partiram em disparada para o seu veículo e em seguida ao destino.

Ao aproximarem da delegacia, ainda dentro do carro, começaram a ver coisas desagradáveis aos seus olhares. Estacionaram e desceram aceleradamente do veículo. Havia vários curiosos por perto, mas nenhum ousava chegar perto, porém alguns tiravam fotos e outros gravavam vídeos. Para controlar o acesso dos civis havia seis policiais da Policia Militar da cidade. Um deles enviava instruções por rádio para o Quartel. Ainda do lado de fora, logo na entrada, tinha um copo de um policial da delegacia que havia levado um tiro na cabeça e outro corpo com um tiro a queima roupa no pescoço. Ao redor dos dois uma grande poça de sangue se formou.

Os agentes não foram impedidos de entrar- como normalmente não acontecia.

Dentro da delegacia a situação era catastrófica: havia diversas marcas de disparos nas paredes, capsulas ao chão, móveis bagunçados- em algumas partes pegava até fogo- e vários e vários corpos de policiais estavam mortos ao chão e outros cinco precisando de socorros. Outros estavam encostados em alguma parede, cobertos de uma mistura de seu sangue com o dos colegas. Outros choravam ao chão.

— Agentes! – Disse um policial que se aproximou.

— David? O que... o que aconteceu... aqui?- Gaguejou Eduardo.

— Eu ainda estou abalado. Todos estamos. Foi uma rebelião. Todos os pesos que tínhamos aqui... eles fugiram! – Os três começaram a caminhar na direção do setor onde fica as selas dos presos.

David era jovem. Tinha os seus vinte e poucos anos. Havia levado um tiro no ombro direito. Já havia recebido os primeiros socorros, porém a bala estava alojada e tinha quebrado o osso. A pele branca do seu corpo, com ênfase no rosto, estava agora boa parte coberta por sangue de seus colegas de trabalho.

— Foi uma carnificina. Como podem ver vários policiais morreram e quatro bandidos também. De policiais só sobrou eu e mais seis aqui.

— Meu... deus!- Anderson e Eduardo disseram juntos.

— Todos fugiram?... Até mesmo Cicero?- Perguntou Eduardo. David respondeu afirmativamente. — Como isso aconteceu?

— Eu não sei. Ninguém sabe, eu acho. Todas as nossas armas foram levadas. Marcos foi encontrado morto na sala onde ficavam as armas. Eu sei que ele tentou pegar uma arma para parar os fugitivos, mas foi pego de surpresa.

Barulhos de hélices de helicóptero foram escutados. A Polícia Militar o estava usando para ter uma visão da área.

— David quantos presos vocês tinha aqui? – Perguntou Eduardo.

— Eu não tenho certeza.

— Você sabe quantos eram considerados perigosos?

David suspirou e aspirou profundamente o ar. Por um segundo saio de sua consciência, mas logo em seguida recobrou a realidade e disse:

— Todos eles.

Por infelicidade todos os policiais que buscavam por China estavam na delegacia no momento da fuga. Esse foi o maior massacre de policiais que a cidade de Campos Sales teve até o momento. Vários tópicos foram criados na internet nos horas seguintes. Foi até mesmo notícia em vários jornais em canais abertos da região do Cariri.

Anderson e Eduardo ficaram para ajudar os feridos. Avaliaram o prejuízo e constaram que todas as provas contra Cicero havia sumido- inclusive os depoimentos. A policia militar agilizava-se para recapturar aqueles que fugiram, porém não estavam conseguindo resultados.

Pouco mais de seis horas após a fuga foram relatados que dez pessoas foram baleadas na cidade. Ninguém tinha sido preso.

Ainda naquele dia as vinte e duas horas e dois minutos Anderson recebeu uma ligação.

— Eduardo! É ele!- Anderson atendeu. – Desgraçado!

— Olá Agende Anderson. Eu fugi com estilo. – Anderson colocou em voz alta a ligação.

— Você armou isso! Você se deixou pender!- Gritou Eduardo. – Não tem como você escapar dessas. Seu nome vai ser transmitido em todos os jornais importantes depois de hoje.

— Eu não quero escapar disso. Apenas quero cumprir minha vingança. Eu deixei claro que minha maldade ia cair sobre aqueles que assinarem seus papeis maldosos. Eu vou cumprir o que eu disse que ia fazer. Eles vão pagar pelo o que me fizeram.

— Você não quer escapar? Então por que motivo pegou as evidências contra você? – Perguntou Anderson.

— Eu não peguei. Eu não fiz isso, foi o seu colega Marcos. Sim, foi ele. Se eu tive verdadeiramente um cumplice até agora esse foi o Marcos. Era um corrupto e decidiu fazer o que eu pedi por míseros muitos mil reais que consegui após algumas práticas de roubo. – Os agentes ficaram surpresos. – Eu costumava ser uma pessoa justa, mas existe coisas que fazem a gente mudar o comportamento. Eu não pretendia matar ninguém além dos meus Cinco, porém eu fiquei puto com aquele soco que você me deu Eduardo. Vou matar qualquer um que ficar no meu caminho. Eu não queria ter participado de outra rebelião na minha vida, mas pelos nossos desejos nós precisamos lutar certo? Vinte e um presos fugiram comigo. Muitos deles estão agora armados, espalhados pela cidade e dispostos a vingar-se das pessoas que os entregaram a policia. Agora nesse exato momento uma família inteira pode esta sendo assassinada. E falando em assassinato, Eduardo diga adeus ao seu amigo China. Ele esta vivo, mas não vai ficar assim por muito tempo. Minha vingança retoma...

A ligação foi encerrada por parte de Cicero.

Os agentes ficaram calados por vários minutos. Acerta da revelação sobre Marcos e sua cumplicidade, Anderson não ficou surpreso, pois já desconfiava do mesmo desde que Lucia havia aparecido.

Ao pensar nos seus próximos paços Eduardo teve um breve pensamento específico.

— Oh não! Ele vai atrás de José!- Gritou Eduardo.

— Droga! Mas qual José? José Lima ou José Roberto!?

Seus corações aceleraram. Pegaram suas armas e bateram um breve papo. Eduardo pegou o Carro e seguiu para a casa de José Roberto enquanto Anderson pegava uma viatura para dirigir-se a casa de José Lima