Capítulo IX

— Eu simplesmente não posso acreditar!- Exclamou Eduardo- Como pode ocorreu uma tentativa de homicídio em um local onde estavam quase duzentas pessoas e aparentemente ninguém viu o autor do crime!

— ‘ Eram cinco. Menos dois, faltam três’. Esse desgraçado fez a mesma coisa que fez com Francisca, só a forma de assassinar que mudou- Disse o outro agente.

Anderson e Eduardo estavam encostados cada um em uma porta do seu carro a qual estava estacionado frente ao Hospital Público de Campos Sales- único da cidade após o Hospital Particular de José Iris, o famoso Zé Siri, ter sido fechado a muitos anos atrás por obra de um outro antigo prefeito.

Eduardo estava chateado, raivoso e impaciente. Estava com os braços cruzados e olhava atentamente ao seu redor. Anderson, por outro lado, apesar de exprimir raiva em sua voz e feições, permanecia calmo. Ambos aguardavam friamente o retorno de Marcos. O mesmo foi informar-se sobre o estado da vítima, que ainda estava viva.

Após vários minutos de espera, ele atravessou a porta única do hospital e foi em direção aos agentes.

— E então? Como ela esta?- Perguntou Eduardo.

— Esta sentindo muita dor. A consciência dela vai e volta. Desmaia direto.

— Ela consegue falar? Responder perguntas?

— Sim... não sei. Ela esta com muita dor. Forte, a meu ver, suficiente de não conseguir se concentrar nas respostas. Bem obvio, não é? O hospital daqui não tem estrutura para trata-la. Geovana vai ser transferida urgentemente para Juazeiro pelo SAMU.

— O que? Que tipo de hospital é esse? São duas horas de viagem!- Disse Anderson.

— É a melhor chance dela.

-Temos que...- Eduardo começou a falar, mas foi interrompido pelo delegado.

— Não, Eduardo. Você não esta pensando em... ela não pode ser interrogada na situação dela.

— Marcos- Eduardo olhou para o delegado no fundo dos seus olhos- ela não vai sobreviver. Eu vi como ela estava.

Eduardo balançou a cabeça como forma de protesto. Ele dirigiu-se para o hospital e Anderson e Marcos o seguiu.

Sem a permissão da recepcionista eles adentraram nos corredores do local até chegarem a ala onde a vítima estava.

Antes dos seus próximos paços, eles observaram. Havia um médico e três enfermeiros. Estavam todos tentando parar, ou diminuir, o sangramento dos ferimentos. Geovana se contorcia de dor.

Alguns minuto depois Marcos saiu, pois não conseguia ver aquela situação.

Um enfermeiro do SAMU apareceu. Junto aos outros, puseram a vítima em uma maca. Começaram a leva-la rapidamente, porém com cautela, para a ambulância que se encontrava frente ao local.

Eduardo aproximou-se e disse a mulher:

— Geovana você precisa me falar. Você viu quem fez isso com você?- Ela olhou para o investigador. Fez que ‘sim’ com a cabeça.

— Eu... não sei... o nome... ele!

— Me dê características dele!

— Alto... moreno... magro...

— Não atrapalha, cara! Sai do caminho!- Disse o enfermeiro do SAMU.

Eduardo obedeceu. Os agentes se entreolharam.

A vítima foi posta na ambulância e partiram em direção ao destino.

— Você escutou, certo?- Perguntou Eduardo.

— Sim. O assassino não foi eficiente dessa vez- Respondeu Anderson.

Ficaram em silêncio por alguns minutos.

— Eduardo! O assassino provavelmente sabe que ela continua viva e pode fazer algum novo ataque a vida dela!

— Anderson! É verdade! ... eu vou junto ao carro para Juazeiro. Ficarei sempre próximo a ambulância. Se ela sobreviver... bem, vou tentar falar com ela no hospital de lá. Você fica aqui para caso algo mais aconteça, até porque... ainda faltam quatro.

Marcos observava calado, admirava a forma como eles trabalhavam.

Anderson concordou com seu parceiro.

Eduardo entrou no carro e deu partida em direção a terra do Padre Cicero, Juazeiro do Norte.