Capítulo X

Cinco minutos passaram-se entre o momento em que a ambulância seguiu a caminho de Juazeiro do Norte e o momento em que Eduardo partiu para o mesmo destino.

Eles seguiam em uma rápida velocidade.

Após oito minutos, Eduardo começou a rezar para que alcançasse rapidamente o veiculo. Após um minuto suas preces foram ouvidas. Logo ao horizonte aparecia e sumia, por motivos relacionados ao relevo e da localização na pista, o veículo que levava Geovana.

O agente estava com uma súbita vontade de aumentar a velocidade, porém era demasiado perigoso, pois a velocidade já estava bastante alta. A mesma vontade tinha o motorista da ambulância, porém este também sabia que não deveria.

Geovana lutava para sobreviver. Havia diagnosticado no hospital que as facadas haviam perfurado órgãos. O enfermeiro estava também lutando para diminuir o sangramento da vítima.

O tempo estava nublado, cobria quase que totalmente a passagem da luz refletida pela lua. A escuridão da noite ofuscava os olhos do motorista da ambulância, apesar dos faróis estarem ligados. O mesmo ocorria com Eduardo.

Passaram por um dos distritos de Campos Sales, Caldeirão.

Em Campos Sales a festa foi interrompida pelos policiais da cidade. Havia tentado buscar testemunhas, mas ninguém parece ter visto nem ouvido nada, a não ser a música que estava a tocar da ocasião.

Na delegacia, Anderson e Marcos conversavam no escritório do ultimo, simultaneamente em que o delegado mexia em seu celular.

— Alto, moreno e magro, ela disse.

— Existe alguém assim naquele dia?- Perguntou Marco.

— Sim, mas não podemos nos prender apenas nas pessoas que estão lá... e que possuem essas características. Pode, ou não, ser a mesma pessoa... mas é um princípio.

— Hum...

— Não podemos descartar a possibilidade de o assassino ter entrado de alguma forma, escondido no Caricatura... mas é isso. Temos que começar pelo pessoal de lá. O problema, Marcos, é que são muitas pessoas, mais depois do que Geovana nos disse... acho que sei por onde começar. Aposto que vai do mesmo principio que Eduardo iria.

A cidade vizinha aproximava-se, já era possível ver suas luzes. Eduardo não conseguiu aproximar-se mais da ambulância, porém estava aliviado por ao menos vê-la a distancia.

O motorista da ambulância escutava Jazz. Era uma de suas técnicas para não cair na tentação do sono.

Uma leve neblina estava a se formar no momento em que a ambulância passou sobre uma corrente de espinhos, a qual furou os quatro pneus do veiculo. Essa corrente foi colocada ali para esse exato motivo.

Nesse acontecimento o motorista perdeu o controle do veículo, o peso foi para um dos lados e a ambulância tendeu para a direita, virando.

No momento do ocorrido, Eduardo não viu, mas ao aproximar-se percebeu o acontecimento. Ne medida em que chegava mais perto, o agente ia diminuindo a velocidade, mas também caiu na mesma armadinha. Porém não capotou, pois já estava em baixa velocidade.

Seu coração agora estava acelerado. Ele saiu rapidamente do carro e sacou sua arma.

Das sombras do acostamento surgiu um homem vestido totalmente de preto. Não foi possível para Eduardo ver seu rosto- ele estava de mascara- apenas a estatura. A figura apontou uma arma para o agente, que não foi rápido o suficiente para fazer o mesmo.

Um disparo foi realizado.