Capítulo II

Os curiosos reuniram-se frente ao Caricatura.

Havia duas viaturas da Policia Civil local com três policiais que vieram em cada veículo e que estavam disponíveis para o caso. Dois ficaram na entrada, impedindo que os civis entrassem ou saísse do local, outro ficava na porta do banheiro onde o crime ocorreu, enquanto os outros investigavam os pertences das pessoas presentes no local.

— Com certeza o assassino fugiu. — Disse Marcos Antônio, o delegado.

O clima era de tensão. Fazia silêncio total apesar de poder ouvir rápidos diálogos em forma de sussurro. Gustavo estava soluçando, já havia chorado em demasia. Seus olhos estavam inchados.

— Precisam me deixar entrar! Ele é meu filho e está ai dentro sozinho e com medo! — Todos ouviram uma voz que era bastante familiar entre os camposalense.

O garoto voltou sua atenção para a porta única de saída, onde por lá atravessava seu pai, Savio. Seu laço sanguíneo era evidente. Além de traços corporais, as características de seus rostos, como a cor dos olhos, que eram esverdeados, e os cabelos negros e cacheados da raiz as pontas, apontavam seu parentesco.

Savio foi diretamente ao encontro do seu filho. Ambos conversaram por vários minutos antes do abraço de consolo.

— Sim, eu sei. Esse é um momento terrível, mas peço a compreensão de todos. Meus pêsames a família. Conseguimos entrar em contato com dois agentes de investigação que estava por coincidência em Juazeiro do Norte. Eles estarão aqui em poucas horas. A única exigência deles é que ninguém saia daqui, portanto todos nós iremos esperar- Disse Marcos para todos os presentes.

Não foi bem aceito, porém ninguém levantou a voz para reclamar.

Assim como prometido, algumas horas após o pronunciamento de Marcos, os agentes chegaram.

Estacionaram seu carro frente ao Caricatura. Quando saíram do veículo os curiosos murmuraram pelos seus nomes. Os agentes Anderson Cardoso e Eduardo Carvalho dirigiram-se diretamente ao estabelecimento onde ocorreu o assassinato.

Ambos espalhavam um ar de formalidade e mostravam segurança através dos seus passos. Os dois usavam trajes formais da mesma cor do seu carro, preto, o que intensificava a imagem de autoconfiança que era transmitido.

Marcos foi recebê-los.

— Boa noite, ou madrugada. Como preferirem. Desculpe-me por chamar vocês daquela forma e a esse horário, mas a situação foi... — Ele foi interrompido.

— O nome da mulher assassinada é Francisca Oliveira, certo? Por acaso ela tem parentesco com o atual prefeito da cidade, Savio de Oliveira?- Perguntou Eduardo.

— Ela era a esposa dele- Respondeu o delegado.

— Imaginei. Quando a vítima é alguém importante, ou parente de alguém importante, a autoridades agem rápido e suas atitudes são totalmente diferentes de se a vítima não tivesse importância- Disse Eduardo. Marcos corou.- Além de serem facilmente influenciados. Basta apenas ter dinheiro.

Anderson contou cada pessoa que estava ao seu alcance, excluindo policiais. Ao todo foram vinte e seis no total.

— Boa madrugada. Podemos... queremos ver o local do crime- Disse o Anderson.

Ao entrarem no banheiro feminino, os agentes observaram atentamente o ambiente. Ao contrario de Anderson, Eduardo tem uma grande capacidade de observação. Já seu parceiro possui a capacidade dedutiva.

O corpo de Francisca estava na mesma posição em que foi assassinada. Seus olhos ainda estavam abertos. O corpo estava virado para cima e uma poça de sangue havia formado envolta do cadáver.

— Já foram registradas fotos do local do crime?- Perguntou Anderson. Marcos acenou positivamente.

Com ajuda de luva de látex, Eduardo moveu cuidadosamente a cabeça da vítima e visualizou a consequência da saída da bala: um grande buraco na parte de trás. Aquela visão enjoou o estomago de Marco.

— Mandem fazer a cópia de todas as fotos e nos entregue- Disse Eduardo- já chamaram o IML?

— Sim. Eles chegaram uns dez minutos antes de vocês. Achei melhor esperar que vocês dessem uma olhada nela antes de recolhe-la e mandar pra Juazeiro.

— Fez bem. Mandem recolher- Disse Eduardo.

Marcos obedeceu.

Os investigadores continuaram a investigar o local. Observaram a parede onde havia respingos de sangue e visualizaram os buracos onde estavam alojadas as balas. Eles as retiraram e puseram em um saco plástico.

Com exceção do cadáver, o que mais chamou a atenção de ambos foi à pichação deixada na parede.

Ela dizia:

AQUELES QUE ASSINARAM SEUS PAPEIS MALDOSOS SERÃO PEGOS EXCLUSIVAMENTE PELA MINHA MALDADE.

— Ah, isso não é bom... Foi deixada pelo assassino, suponho.

Anotaram em blocos de nota a mensagem e continuaram a investigar o local.

Ao ir mais a fundo no banheiro, Eduardo encontrou no vaso a arma do crime. Contou automaticamente para seu parceiro que logo começou a refletir sobre.

— Precisamos interrogar rapidamente todos desse local- Disse o Agente Anderson.