Capítulo III

Como a delegacia Civil da cidade não possui uma sala específica para interrogatórios foi oferecida uma pequena sala no Caricatura.

O correto seria, naquela situação, liberar a todos e chama-los individualmente no decorrer da semana, mas por optação dos agentes e pelo delegado concordaram em fazer o interrogatório ainda naquela madrugada. Enquanto Anderson e mais dois policiais preparavam a ‘’ sala de interrogatório’’, Eduardo e Marcos andavam pelas instalações do local.

— E essas câmeras? Duas delas estão posicionadas de forma que possa ter gravado quem entrou no banheiro feminino. Lá não existem janelas grandes o suficiente para um ser humano entrar, então o assassino passou pela porta, ou seja, as câmeras devem ter captado- Observou Eduardo.

— Já fomos atrás das filmagens, mas tinha ocorrido um problema com o sistema de vigilância. Elas não capturaram nada- Disse Marco.

— Mas é claro. Cliché isso- Zombou Eduardo.

Marcos acenou positivamente. Ao olhar ao seu redor percebeu uma nota de dez reais que estava caída ao chão. Sem pensar duas vezes atirou-se a pegar a nota e apôs em seu bolso. Eduardo franziu a testa para a cena.

— Bem, ela parece não ter dono. Confesso Eduardo, eu não deixo escapar dinheiro- Explicou-se.

Na sala improvisada para o interrogatório, pilhas de coisas estavam afastadas do centro. Haviam colocado duas mesas e três cadeiras. Duas cadeiras para o interrogador e o interrogado na mesa maior e outra para o auxiliador. Anderson, supostamente, era o interrogado e Eduardo o auxiliador. Este ultimo tinha em sua mesa um notebook onde iria anotar informações e detalhes. O interrogado tinha em sua mesa uma lista de todos os ingressantes e dos funcionários, além de um gravador onde será usada para gravar as interrogações. Pouco atrás da cadeira onde Anderson iria sentar estava uma filmadora presa em um tripé que gravará a perspectiva do interrogado.

Marcos dispôs-se a anuncia a vez de cada pessoa para ser interrogado.

Eram três horas e cinco minutos do terceiro domingo do mês de dezembro do ano de dois mil e dezesseis quando os interrogatórios começaram.

Pacientemente cada um foi interrogado. O primeiro foi Gustavo, que, por motivos óbvios, estava ainda abalado.

Na medida em que eram interrogados, as pessoas eram liberadas.

Eduardo possuía formação em psicologia, então prestava a atenção dobrada na linguagem corporal dos interrogados e constava alto grau de nervosismo em determinadas pessoas, especialmente alguns funcionários como Jonathan Lima, de dezesseis anos, o funcionário mais novo do Caricatura. Eduardo achou exagerado seu nervosismo. Houve também um caso de alguém que ficou neutro no teste de Eduardo.

Finalmente após uma hora e trinta e um minutos de interrogatório ininterrupto, Marcos anunciou em tom cansado:

— Cicero de Silva Freitas!

Um homem magrelo, alto, de pele bronzeada como grande parte da população do nordeste brasileiro levantou-se de sua mesa e dirigiu-se para o local onde lhe foi indicado.

Cicero, o assassino, sentou-se na cadeira frente a Anderson. Apoiou suas mãos sobre a mesa e observou a sala. Viu a filmadora, o gravador, o notebook, a garrafa de café que estava bem próximo a ele, viu os agentes e notou as expressões faciais de Eduardo que pareciam prever todos os seus movimentos.

Respirou fundo e tentou manter-se o mais calmo possível. Seu interrogatório começou.