Capitulo 2

Ela continuou falando muitas baboseiras mas não prestei atenção em nada dito, estava digerindo a informação de estar morto e agora eu ser a Morte. Ela parecia não estar brincando mesmo, ela me deu um espelho e pediu para olhar nele, meu físico havia mudado. Era como se eu estivesse em outro corpo, era um corpo leve e que era bastante ágil. Sempre pensei que a morte seria puro osso, agora percebo que a Morte tem muita carne

Eu sentia que devia falar com minha mãe pelo menos uma última vez, mas a garota desconhecida me parou, eu perguntei o porquê de me proibir de falar com a pessoa mais importante da minha vida e que estava inconsolável. Ela olhou para mim e comentou:

– O que falaria para ela? Você diria que o filho dela estava vivo, mas em outro corpo? Isso com certeza seria interpretado com uma piada de mau gosto. Eu já fui como você, aprendi da pior forma isso, então você deveria agradecer meu conselho e ir pra casa aprender ser um bom morto.

– Por que você quer me treinar? Eu sou apenas um inútil, seria melhor deixar eu me virar. – respondi de forma grosseira sem motivo

– como eu falei, já fui como você. Ninguém quis me ajudar e me envolvi em coisas ruins, não quero que o mesmo aconteça com você, porém não entenda errado, eu só irei te ajudar e nada mais, esqueça tudo e todos que você conheceu.

Andamos a pé durante uns 40 minutos, entramos num beco vazio eu comecei a achar que ela estava perdida, eu perguntei se ela tinha certeza se estávamos indos no lugar certo, ela ficou calada e chutou um caixa sem razão nenhuma. A caixa nem se moveu mesmo sendo um chute forte, segundos depois a parede do beco abriu e apareceu uma porta com detalhes feitos de ossos, não sei se era humanos e era melhor nem perguntar.

Entrei na casa dela, se era mesmo uma casa, era algo gigante. No início tinha várias estantes com livros, eram antigos e pareciam ser de outra época. Eu andei vários metros até outra porta que levava à uma escada, subimos ela e chegamos à um quarto com tatames e com armas sinistras presas na parede do quarto, eram foices, espadas e facas. Eu tinha ficado com ela por muito tempo e não sabia seu nome, eu achei que seria legal saber, já que ela me treinaria, esperei a oportunidade e com uma voz suave perguntei:

– Já nos conhecemos por um longo tempo, mas ainda não sei seu nome. – tomara que ela não entenda mal.

–Meu nome é Pan. Agora pegue qualquer coisa para se defender – Ela sempre responde de um jeito frio.

– Me defender de que?

– De mim, lhe atacarei até você saber todos os movimentos e ganhar de mim em uma luta. Relaxe você já está morto, não tem como piorar.

Eu peguei um bastão simples, dizem que as coisas mais simples são as mais fortes. Ela ficou em uma posição de combate, esperando que eu começasse a luta. Empunhei o bastão e corri em sua direção, ela ficou parada como se não tivesse medo. Eu tentei ataca-la no estômago, mas ela defendeu e me derrubou apenas com a mão. Ela me humilhou durante três dias consecutivos.

Quando paramos ela foi tomar banho, eu fiquei bisbilhotando ao redor dos milhares de livros, eu não entendia nada era uma língua esquisita. Enquanto ela tomava banho, pensei em olhar seu quarto, minha curiosidade era gigantesca sobre como era o quarto de uma garota mais velha.

O quarto dela parecia mais um cemitério, a cama era a única coisa legal que tinha. O teto tinha uma janela redonda que permitia a entrada da luz da lua, bem legal, as roupas dela ficavam todas jogada. As calcinhas dela eram rasgadas, como que ela conseguia vestir algo assim. O chão era todo bagunçado com papeis com desenhos circulares. Como ela me ajudou resolvi organizar o quarto destacando a sua feminidade.

Eu peguei as roupas dela e juntei em tipos como calcinha com calcinha e sutiã com sutiã, acho que ela não se importaria do jeito que ela parecia não se importar com a vida. Eu terminei rápido e ficou até que formidável, eu ia sair do quarto, porém percebi que tinha uma peça de roupa debaixo da cama que não tinha visto.

Eu sentia que ela estava terminando o banho, então me apressei e quase cai em cima da peça esperei um pouco e olhei de baixo da cama para pega-la. Tinha mais que uma peça de roupa, tinha uma caixa preta com detalhes em marrom e ossos de cada lado, não entendo por que tudo tem ossos. A minha curiosidade foi ficando cada vez maior em relação aquilo, aproximei minha mão da caixa e no momento que iria toca-la fui puxado para trás pela Pan e ela começou a gritar:

–Jamais toque naquilo, ou conte para alguém, jamais. – Ela estava realmente desesperada.

–Eu não irei dizer nada se você me contar o que ela é e o porquê disso tudo.

–Certo! Irei contar, mas não conte para ninguém, o mundo pode entrar em caos se descobrirem a localização desse artefato.

Notas finais
Há uma grande historia que surgirá por conta desse artefato.