O Sugador de Almas
3 Arthur Leigh Diaz
Astarf era uma das cidades famosas pela guilda de magos que existia em Setwin. Os magos de Astarf recebiam pedidos frequentemente das pessoas da cidade de vilas pequenas e um pouco mais distantes. Não só isso, lá também era um dos locais mais seguros para se viver pois o departamento de polícia era muito sério e preparado para enfrentar qualquer tipo de coisa, muitos dos policiais lá eram muito admirados por aqueles que viviam na cidade mas um em especial não era lá essas coisas. Arthur Leigh Diaz era um caçador de recompensas que ajudava a polícia com casos que ele mesmo escolhia e em troca era pago pelo chefe da polícia. Como um caçador de recompensas, Leigh não vestia nenhum tipo de uniforme seus cabelos longos e negro azulados não sequiam o mesmo padrão. Ao invés disso ele os prendia em um rabo de cavalo. Infelizmente, Leigh gastava a maioria do dinheiro que recebia em bebidas e isso fazia as pessoas da cidade ter um pouco de desprezo por ele. Na realidade, a polícia era quem mais o detestava, não pela sua atitude arrogante e egoísta, nem pela maneira miserável que ele vivia mas sim porque Leigh guardava algo assustador dentro dele que muitos temiam. Neste exato momento, ele acabara de retornar ao departamento, trazendo consigo três homens grandes com vestimentas sujas em suas costas.
– Cheguei! Podem levar estes aqui para a prisão! – ele anunciou.
A prisão de Astarf ficava bem ao lado do departamento e era uma das maiores prisões do país. A maioria dos prisioneiros que estavam lá foram todos capturados por Leigh desde o dia em que ele chegou na cidade, o que satisfazia ainda mais o seu ego e deixando muitos dos policiais irritados.
– Então, onde está meu pagamento? – pediu seriamente, o chefe do departamento nem sequer se atreveu em dizer alguma coisa e pagou o homem com um saco de moedas de ouro, parecendo descontente mas não podia fazer nada já que era ele quem prendeu grande maioria dos prisioneiros.
Leigh arrancou o saco de moedas da mão do chefe, checou se a quantidade estava certa e saiu da sala. Sua próxima visita seria o bar. Em seu caminho, ele percebeu vários olhares intimidadores. “Então é assim que os invejosos observam?”, ele pensou, segundo de uma risada.
À noite no bar, Leigh gastou quase todo o seu dinheiro com dez garrafas de cerveja. Os clientes a sua volta detestavam a presença dele por lá mas o dono do bar, por outro lado, não podia reclamar. Afinal, Leigh era o melhor cliente que ele tinha. Mal terminava uma garrafa e em seguida pedia outra. Os clientes do bar o encaravam da mesma forma que os policiais e por isso se retiravam toda a vez que ele aparecia.
As manhãs do rapaz eram as mesmas todos os dias. Ele acordava na mesa do bar pelas seis da manhã, levantava-se e saia de lá para comprar o primeiro pão recém feito da feira. Assim que terminava de comer, se dirigia para pegar algum trabalho com o chefe do departamento de polícia. Infelizmente naquela manhã quando chegou no departamento recebeu uma péssima notícia.
– Como assim não tem trabalho pra mim?!
– Bem, a maioria dos criminosos já foi capturado, não há nada aqui para você. – respondeu o chefe, parecendo satisfeito – Você fez um bom trabalho até agora mas não posso fazer nada por você.
O chefe do departamento se chamava Jardel e era o mais jovem chefe de polícia em todo o país. Ele era bonito, alto, tinha cabelos curtos e usava óculos. Aparentava ter uns 25 anos mais ou menos. Era o tipo de homem que toda a mulher gostaria de se casar.
– Sem essa! Como eu vou poder comer se não trabalhar?!
– A culpa não é minha se você não sabe administrar seu dinheiro!
– Ah, e eu achando que você seria gentil comigo, Jardelzinho. – disse sarcasticamente. Jardel deu um suspiro profundo e entregou um papel para ele, contendo informações sobre o último caso de um incêndio que ocorrera três dias atrás na vila de Ashghard.
– Oh! Uma carta de amor! Você é tão romântico, Jardelzinho. – mais uma vez sendo sarcástico.
– Apenas faça seu trabalho. Eu soube que o responsável por aquele incêndio foi visto pela cidade recentemente.
– Se é um pedido do meu querido amigo, eu não posso recusar...
– Chega de brincadeiras! – Jardel gritou, — E não me chame de assim, seu monstro.
Ao ouvir esta última palavra, Leigh desfez seu sorriso sarcástico e o transformou em uma expressão séria. Um monstro? De fato, Jardel não estava mentindo mas ouvir esta palavra era o que Leigh mais detestava. Assim saiu da sala do chefe pela janela como de costume, fico lendo o papel que o chefe lhe entregara quando ouviu um grito a sua frente. Era uma mulher que acabara de ter seus pertences roubados. O homem estava indo na direção de Leigh, ele se preparou para pará-lo mas do nada, ladrão foi envolvido por correntes douradas e brilhantes e então caiu. Atrás dele segurando as correntes, estava Hijia, ela soltou as correntes e pegou os pertences da mulher e os entregou a ela. Leigh ficou pasmo e surpreso ao mesmo tempo, foi em direção a loira-ruiva agradecer pela ajuda. Ele iria levar o ladrão para a prisão agora, ele e a garota seguiram juntos pois ele tinha várias perguntas a ela.
– Então você é filha do s.r. Trabant? – ele perguntou.
– Sim, como você o conhece, sr. Diaz?
– Pode me chamar de Leigh, todos me chamam assim.
– Então, s.r. Leigh, como?
– Sabe, ele salvou minha vila quando eu era pequeno e sou muito grato. Reconheço a magia dele de longe. – ela notou que o braço esquerdo dele era completamente enfaixado por bandagens mas não se arriscou a perguntar. Felizmente, ele percebeu isso. – É meu braço?
– Desculpe, eu não tinha a intenção de ficar encarando...
– Não se preocupe, na verdade quando eu era criança me feri num incêndio e bem...fiquei com uma cicatriz horrível. Por isso eu tento esconde-la.
Assim que Leigh trancou o ladrão em sua cela, ele e Hijia seguiram para um restaurante e a garota não havia comido nada desde que chegara na cidade. Ele pagou um café da manhã para ela e ficou assustado com a fome da garota, teve de repetir três vezes. Conforme o tempo passava, o assunto da conversa entre os dois ia mudando até que Leigh contou sobre o caso que aconteceu dez anos atrás, Hijia mudou de expressão naquela hora.
– Na verdade, recentemente parece que esses casos voltaram a acontecer. Ontem mesmo já encontramos dois criminosos no mesmo estado... – ele explicou, Hijia não entendia o motivo dessa conversa.
– S.r. Leigh, por que está me contando sobre isso?
– Bem, na verdade os policias suspeitam que alguém esteja por trás disso. E eu também. Analisando as cidades que tiveram estes mesmos ataques esta seria a próxima.
– Você está pedindo minha ajuda? – ela não parecia muito feliz.
– Eu sei que é repentino, mas você é filha do s.r. Trabant. Eu vi sua magia, acredito que se estivermos certos podemos pôr um fim nisso.
Ela parou de comer naquele instante e esboçou um sorriso triste para ele.
– Desculpe, mas se eu aceitar ajuda-lo você terá azar.
– Azar? – ele não entendeu mas pela forma que ela disse parecia estar séria sobre isso.
O apetite dela acabou na mesma hora, tirou do bolso algumas moedas e ajudou a pagar pela comida. Agradeceu ao homem e então se despediu. Ainda querendo a ajuda dela, Leigh a seguiu até a porta do restaurante.
– Espere! Realmente não há como você ajudar?
Ela parou e se virou para ele.
– Então, me diga, s.r. Leigh.... Você me seguiria até as profundezas do inferno? – ela perguntava com o mesmo sorriso triste. Mais uma vez, ele não entendeu a pergunta. – Eu sabia que não....
Hijia deixou Leigh parado na frente do restaurante com um grande ponto de interrogação na cabeça. Quem seria louco o suficiente para seguir alguém até as profundezas do inferno? Isso só o deixava com mais pontos de interrogação ainda. Por fim, Leigh foi continuar pelo seu trabalho sobre o incendiário enquanto Hijia voltava para o motel onde estava hospedada.
À noite Hijia acordou de madrugada devido aos gritos altos dos policiais e foi até a janela olhar. Ela pode ver claramente vê-los lidando com um mago de fogo, lançando chamas grandes e chamativas. Não foi só ela, mas muitos curiosos acordaram para olhar mas ela desceu rápido as escadarias do motel para ajuda-los mas quando chegou lá fora ele já havia escapado.
– Droga! Eu disse para vocês não me atrapalharem! – ouviu-se a voz de Leigh entre os policiais.
– Mesmo assim, você ia acabar matando metade das pessoas morando aqui! – respondeu um deles.
– Calado! Eu não pedi a ajuda de ninguém!
A discussão entre Leigh e os policiais continuava alta e forte, quando uma voz feminina parou a discussão. Era a voz da loira-ruiva que Leigh vira na manhã de ontem. Ela vinha com uma manta enquanto ele explicava a situação para ela. Aparentemente o incendiário teve uma falha para se infiltrar na prisão, a fim de resgatar um de seus companheiros e também deixou escapar que ele era o responsável pelo incêndio na cabana do casal Gripp, o que deixou Hijia com ódio.
– S.r. Leigh, eu quero ajudar! – ela disse com determinação. – Eu conheço, digo, conhecia o casal daquela cidade. Eu quero fazer o que for possível para levar o responsável a justiça! Por favor me deixe participar!
Mesmo que Hijia fosse uma maga, ele não podia permitir que uma civil se metesse em algo tão perigoso. Na verdade, ele nem mesmo tinha permissão para fazer isso mas ele viu o fogo brilhando nos olhos da garota e não pode recusar ao pedido dela.
– Ah, certo. Me siga.
Um sorriso honesto surgiu.
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