O Sugador de Almas

4 O Verdadeiro Assassino


Notas iniciais
Bom galera, eu espero que vocês gostem desse capítulo! Boa leitura!

Naquela mesma noite, Leigh levou Hijia para o departamento da polícia, esta teve que trocar suas roupas antes. Lá eles falaram com Jardel sobre a falha captura do incendiário, imediatamente ele o culpou por sua falta de cooperação com os outros. Leigh como já estava acostumado com suas críticas, ignorou o assunto e apresentou a loira-ruiva à ele mas não pareceu muito interessado, nem quando disse que ela era filha de Trabant. Leigh tentou persuadir o chefe a aceita-la no caso do incendiário já que com as habilidades dela era possível conseguir algum sucesso mas Jardel recusou novamente.

– Pela última vez, civis e magos não podem cooperar com a Polícia. – ele repetiu.

– Mas acho que podemos ter uma chance desta vez! – insistiu Leigh

– Desde quando você aceita ajuda de qualquer um, Leigh? Alguma coisa te preocupa?

– Não é nada disso. É que...

– Desculpe, mas eu também quero fazer isso. – Hijia interrompeu. – Por favor, eu quero muito ajudar nesse caso. Não me veja como uma civil, eu sei que pode não parecer mas nas vilas que visitei ajudei vários policiais pelo caminho. Pode confirmar com eles.

– I-Isso! Pense nela como uma caçadora de recompensas como eu também! – Leigh completou. Agora Jardel suspirava em sua cadeira, tentando pensar em qual seria a melhor forma de lidar com isso mas Leigh disse logo depois que tomaria toda a responsabilidade pela garota e pelos incidentes que acontecerem. Assim então o chefe concordou com a proposta do caçador. Quando eles saíam empolgados da sala dele, Jardel chamou Leigh mais uma vez pois queria ter uma conversa com ele então Hijia teve esperar do lado de fora. Ela esperou sentada num banco do longo e silencioso corredor até que Leigh saiu da sala mais ou menos uns dez minutos depois.

– Ele deu bronca em você?

– Ah, Jardel é um homem muito tímido e não consegue ficar sem mim por um minuto. Mas eu entendo, eu causo essa reação em todo mundo. – ele brincava.

Hijia teve que se contentar com a resposta do rapaz já que ele provavelmente não falaria o que realmente tinha acontecido. Por fim, naquela mesma hora foram enviadas várias equipes de busca em cada canto da cidade enquanto a maior parte dos guardas se concentrava no teto da prisão, a fim de proteger a parte que havia sido destruída pelo ataque do incendiário. Leigh e Hijia também iriam ajudar na patrulha mas ele iria individualmente. A razão disso era porque ninguém confiava nele e detestavam seu jeito arrogante de fazer as coisas. Hijia não o conhecia bem para dizer estas coisas mas por sugestão dele, seria melhor se ela ajudasse com as equipes.

Antes de começar a patrulha, Leigh fez questão de mostrar a prisão para a loira-ruiva. Não era nada complicado: uma entrada e uma saída, duas na verdade...com o buraco no teto. Eram dois andares, nos dois haviam quatro fileiras de celas, cada uma com mais ou menos 20 prisioneiros. Haviam também câmeras que de acordo com Leigh não estavam funcionando bem. Era possível ver as celas do segundo andar pois não havia chão entre eles, o que os conectava eram duas escadas nas laterais e o chão do segundo andar funcionava como uma passarela entre cada fileira, com corrimões por medidas de segurança. Os banheiros, sala de vigia, entre outros, ficavam mais para o fundo do primeiro andar. Após este pequeno tour, Hijia se despediu do caçador e se juntou a equipe de busca número 4 pelas ruas da cidade.

Ela sabia que não havia problema em ficar longe da prisão porque Leigh também a estava protegendo enquanto fazia sua busca solitária, o que ela podia fazer agora era saltar pelos prédios da cidade com suas correntes douradas que surgiam de suas mãos a fim de localizar o incendiário com um grande campo de visão. Ela se gabava um pouco disso, nada escapava da visão dela. Quanto mais subia os prédios, se preocupava com a equipe de busca que mesmo armados não teriam chance se encontrassem com ele. Ela tentou descer um pouco mais, sacrificando um pouco de seu campo de visão, mas assim que se aproximou de uma sacada pôde ouvir os latidos dos cachorros- lagarto e então dos policiais gritando “Ele está aqui! Atrás dele!”.

Ouviram-se tiroteios vindos de um beco da rua 48, quando Hijia saltou de um prédio para o outro e então pôs seus pés entre o incendiário e os policiais.

– Eu cuido daqui! – ela gritou para eles. As correntes douradas saíram de suas mãos até arrastarem no chão e com movimentos rápidos, foi pressionando o incendiário até que ele se encontrasse com o fundo do beco. Quando ele viu que estava sem saída, movimentou as suas mãos e as chamas saíram de suas mãos e envolveram as correntes douradas até envolverem o corpo da garota.

Houve uma grande explosão que Leigh pôde ver de muito longe no topo de um prédio. “Estão ali”, ele pensou e ouviu as vozes dos policias. Uma das equipes dizia “Recebemos uma ligação da Equipe 1! A explosão foi na Rua 48!”. Leigh não queria deixar sua posição mesmo sabendo que Hijia estava patrulhando por aquele perímetro com a Equipe 4 mas seus instintos lhe disseram para permanecer e esperar por respostas de sobreviventes, afinal, ela com certeza não iria morrer.

Em questão de 15 minutos ele viu, agora com os pés no chão, um único sobrevivente da Equipe 4, que estava extremamente ferido, e Hijia caminhando ao lado dele. Diferentemente do rapaz, ela estava apenas um pouco suja de fuligem mas conseguia se movimentar bem.

– Eu fiz os primeiros socorros mas por favor, levem-no para um médico imediatamente. – ela dizia para os outros que vieram ao seu socorro. Antes do grupo partir para o hospital, o homem conseguiu estender o braço com uma voz fraca e segurou com fraqueza a mão da menina.

– Muito...obrigado.... Você é...uma boa pessoa.

Ela conseguiu esboçar um pequeno sorriso para o homem enquanto este era levado por uma carruagem até o hospital. Leigh chegou logo depois.

– Foi só ele? – ele perguntou.

– Sim. O único que eu consegui salvar. – respondia com uma voz triste – Embora eu não saiba se ele vai resistir.

Ele pode ver a expressão desanimada da garota mas não era hora para isso. O incendiário ainda estava à solta e agora que as equipes de busca estavam mais distantes era a melhor hora para se atacar. Leigh tocou com leveza no ombro direito da garota e conduziu ela até a prisão onde eles seriam necessários agora.

Quando estavam prestes a pôr os pés na entrada, puderam ouvir vários passos rápidos e pesados subindo as escadas gritando “Ele entrou! Atrás dele!”. Os dois não perderam tempo e impulsionaram seus pés para frente. No mesmo segundo, uma escuridão tomou conta da prisão. Só se pode ver e ouvir os tiroteios vindo do segundo andar e então gritos, tanto de guardas quanto o de prisioneiros assustados.

– Ele deve ter desligado a luz! – disse Leigh.

– Existe outro?! – Hijia perguntava agora.

– Sim, no fundo do primeiro andar.

– Certo, eu vou conte-lo. Por favor, ligue as luzes de volta!

Ela saiu sem nem mesmo escutar a resposta do caçador mas o que ele podia fazer agora era religar as luzes já que a loira-ruiva já se encontrava no segundo andar.

Leigh ouvia o som das chamas mesmo com os gritos altos dos prisioneiros assustados. Todos perguntavam “O que está acontecendo?! Deixem-nos sair”, mas ele não tinha tempo para essas coisas. Ao chegar no fim do corredor da prisão, dentro da sala de vigia havia um interruptor que estava com a alavanca baixa. Leigh o levantou e em segundos as luzes voltaram. Assim que saía da sala, mais guardas se dirigiam para o segundo andar. Leigh percebeu isso pelo som dos passos pesados mas então, do nada, houve uma explosão lá de cima e Hijia foi jogada para o andar de baixo, onde caiu ainda mais suja com a explosão. Leigh foi até ela.

– Você está bem?! – ele perguntou preocupado, enquanto se ajoelhava para dar auxílio a garota.

– Sim mas...eu não sei o que aconteceu...- ela dizia com uma mão na testa, com um risco de sangue — Eu tinha prendido ele mas de alguma forma ele conseguiu fazer aquilo....

Os demais guardas se juntaram aos dois, Jardel estava junto deles, enquanto Leigh ajudava a garota a se levantar.

– Ele conseguiu escapar? – ele perguntou.

– Sim, mas não com o companheiro dele.

– E o resto que subiu agora pouco? – perguntou Jardel.

– Quando eu vi, eles estavam envoltos pelo fogo. Acredito que não sobreviveram. – ela baixava a cabeça, chateada com a sua falha. – Eu sinto muito....

Jardel e Leigh se entreolharam e com o aceno da cabeça de Leigh, Jardel deu a ordem e todos os guardam em volta deles apontaram suas armas para a garota. Assustada, ela não entendia nada, seus olhos começavam a lacrimejar, enquanto Leigh se afastava do círculo e se juntava ao lado de Jardel.

– O que significa isso?! – ela perguntava assustada.

– Exatamente o que parece ser. – respondeu Leigh.

– Hijia Trabant, você está presa por homicídio e destruição! – disse Jardel.

– Do que vocês estão falando?! Eu nunca fiz nada disso! – ela gritava desesperada. Leigh levantou o tom da sua voz.

– Ei, pare de mentir! Nós todos aqui já sabemos!

– O que? ... Eu não entendo. – ela perguntava confusa.

Jardel puxou um conjunto de papéis e começou a folheá-los um a um para então dirigir-se a garota confusa.

– O que você falou na minha sala antes. Você realmente ajudou muitos policiais capturando prisioneiros. – ele explicava enquanto mexia nos óculos. – E estes mesmo prisioneiros foram mortos no mesmo dia em que foram presos. O que me impressionada mesmo é que o tipo de morte deles é inexplicável. Exatamente como foi a dez anos atrás.

Agora o olhar de Hijia parecia mais sério.

– No dia que nos conhecemos, — Leigh falava – você disse que havia acabado de chegar mas era mentira. Você chegou dois dias antes, no mesmo dia em que encontramos dois criminosos mortos e exatamente como a dez anos atrás.

Hijia ficava de cabeça baixa enquanto ouvia as acusações dos dois em sua frente. Segundos depois, ela ergueu a sua cabeça mas a expressão em seu rosto estava diferente. Seus olhos não lacrimejavam mais, ela não parecia nem desesperada, nem confusa e nem com medo. Ao contrário, ela sorria. Sorria seriamente para aqueles que a estavam acusando. Era como uma personalidade completamente diferente da alegre e cuidadosa.

– Oh, é mesmo? – ela dizia com um sorriso sério, quase rindo — E posso perguntar como um caçador mendigo descobriu isso? – sua forma de chama-lo também mudou a princípio. Leigh se sentia irritado por chama-lo de mendigo mas aos olhos de Jardel era até engraçado.

– Desde de quando você disse que era filha de Jell Trabant. – ele respondeu seriamente – Por mais que tenha sido por pouco tempo, eu descobri uma coisa sobre ele: ele odiava crianças. Sei disso porque várias vezes ele me dava pancadas na cabeça por “teimosia”. Deveria haver um motivo muito bom para você mentir sobre ele, mesmo usando as mesmas magias que ele.

Hijia deu uma risada curta mas alta, seus olhos eram repletos de maldade agora e continuava com seu sorriso maldoso para o policial e o caçador mendigo.

– É verdade, ele não é meu pai. Mas não minto quando digo que ele é meu mestre. – ela sorriu mais uma vez e tirou as correntes douradas de suas mãos que, como relâmpagos, se dirigiam as armas dos guardas e as quebravam facilmente. Um dos guardas sacou um chicote mágico que se enroscou no punho da garota e a eletrocutou. Ela sentiu uma dor forte e caiu de joelhos no chão. Leigh se abaixou para olhar nos olhos dela.

– Eu tenho certeza de que foi você quem fez aquela explosão na Rua 48. Sendo aluna de um mago como Trabant, não me impressionaria se conhecesse alguma magia de fogo ou além dessa. – ela fitava ele com raiva – Além do mais, identificamos o corpo do incendiário naquele lugar quando você queimou ele e todo o resto da Equipe 4.

Agora com mais raiva, ela soltou suas correntes douradas para dentro do chão e de repente, milhares delas saíram por debaixo dos pés dos guardas, inclusive Leigh e Jardel. Hijia pode se levantar calmamente, tirando o chicote de seu pulso enquanto as correntes cobriam os corpos ao seu lado.

– S.r. Jardel, — dirigiu seu olhar ao mesmo – O caso inexplicável que você falou a pouco tempo é simples: todos eles tiveram suas almas roubas por uma única pessoa. – Jardel arregalou os olhos, assustado. Ao ver este olhar, Hijia sorriu como uma verdadeira assassina.

– Você...

Não havia dúvidas.

– Sim, eu sou o Sugador de Almas.