Notas iniciais
Hey yo! Feliz ano novo, gente querida! Aqui está o primeiro capítulo do ano, e esperamos postar os próximos capítulos em breve :3 Abraços e um ótimo 2015!!

Capítulo XXVIII

Na manhã seguinte, Afonso acordou com bastante calor. Tinha algumas dores nas costas e o braço dormente e inicialmente não entendia o motivo... Até abrir os olhos e deparar-se com Luciano ainda a dormir, com uma expressão tão adorável...

Luciano parecia dormir tranquilamente, a respiração calma e a expressão serena. Afonso não conseguia evitar sorrir, sentindo-se mais feliz do que nunca! Ele nem acreditava que conseguia ser assim, tão alegre.

Desvincilhou-se dos braços do moreno e espreguiçou-se assim que sentou. Em seguida, encarou com curiosidade o corpo nu do brasileiro, enrubescendo até as orelhas ao notar as mordidas, chupões e arranhões que distribuíra pela pele escura na noite anterior.

Arrastou-se um bocadinho para mais próximo dele e começou a mexer-lhe lentamente no cabelo.
Não sabia que horas eram mas já tinha amanhecido.
– Luci...? Hora de acordar~

O mais jovem sequer se mexeu, cansado demais para que o baixo e carinhoso chamado de Afonso pudesse ser ouvido. O português sorriu outra vez, ainda mais apaixonado do que antes.

– Luci~

Hermano? – Afonso piscou ao ouvir baterem a porta, afastando-se do moreno. Preferia ignorar, mas um segundo chamado fê-lo suspirar e pegar a camisa mais próxima de si, a de Luciano, e vesti-la, caminhando até a porta. Ao atender, Antônio apresentou uma expressão confusa, e ele piscou ao ver os chupões no pescoço do mais velho – Hermano? O que-- – pôs-se na ponta dos pés e viu Luciano adormecido na cama do irmão – O que ele faz aqui? Que ele te fez?!

O lusitano deu-lhe uma palmada no braço e mandou-o fazer pouco barulho:

– Shhh, ainda acordas o Luci!
– O que é que ele está aqui a fazer? – o espanhol resmungou e voltou a encarar o pescoço do seu irmão – Ele magoou-te?
– Não. Ouve, Ant--
– Drogou-te para fazeres alguma coisa?
– Não, eu fiz de livre vontade--
– De certeza? Mas--
– Sem “mas”, António.
O espanhol agarrou-lhe nos ombros e abanou-o.

– Mas hermano! Tu-- Ele-- Tu! Ele não pode tirar a tua pureza assim!
O olhar que Afonso lhe fez, um “vai-te lixar” e outro “Por amor de Deus” misto e silencioso, fez o mais novo lembrar-se de Lovina pois era ela quem sempre fazia aquela expressão.
– António...
– S-sim?
– Podemos falar depois? Ainda tenho de me vestir.

O caçula mordeu o lábio inferior, soltando Afonso com relutância e coçando a nuca com a mão direta.
– Vocês se acertaram, é isso?

As bochechas do lusitano quase denunciavam a resposta, mas, mesmo assim, ele abanou afirmativamente com a cabeça e encarou o irmão na expectativa que ele aprovasse.

Antônio piscou, parecendo demorar mais do que o necessário para perceber o que havia acontecido. Por mais que fosse casado e pai de duas lindas meninas, o espanhol ainda possuía um pouco de sua personalidade infantil, e ele conseguia ser extremamente lento e inocente na maioria dos casos.

A demora de resposta do mais jovem fez o coração de Afonso pesar dentro do peito, mas logo Antônio avançou um passo, abraçando o menor com força, mas carinho.

– Ah! Eu estou tão feliz por ti, hermano! – ele estava sendo sincero, e sorria – Nem sabes o quão preocupados estávamos e o quanto torcemos para que vocês se resolvessem!

O baixinho respirou de alívio e retribuiu o abraço, esfregando lentamente as costas do seu irmão.

– Com que então a “torcer por mim” huh?

Antônio se afastou de leve e riu, bagunçando ainda mais os cabelos do irmão.

– Ué... A Bia não parava de dizer que queria o Luciano como tio, e a Mari pareceu ter os mesmos pensamentos que ela... A Lovi... e as amigas dela, torciam por vocês desde sempre--

– E tu?

O maior piscou, mas em seguida sorriu:

– Sempre quis a tua felicidade.

O lusitano corou mais ainda:

– V-Vocês andavam a planear as coisas nas minhas costas?
O mais novo deu de ombros.

– A Lovi não tem culpa que vocês sejam demasiado óbvios.

– Ó-óbvios?! – o português aumentou o tom de voz, e gelou quando ouviu Luciano se remexer na cama. Franzindo o cenho e empurrando o irmão pelos ombros, pediu – Vai-te embora!

– M-mas e o pequeno-almoço?

– E-eu... D-deixa-me com o Luci, vai!

Literalmente fechou-lhe a porta na cara e regressou rapidamente para junto do seu brasileiro.

– Luci? – sentou-se na beira da cama e voltou ao cafuné.

Luciano voltou a se remexer, e acordou assim que o europeu lhe deu um beijo na testa. Não acostumado com a claridade, escondeu o rosto no travesseiro e resmungou qualquer coisa sobre ser muito cedo.

– Pongo... É domingo, me deixa dormir...

O lusitano mordeu o lábio para não rir e gatinhou pela cama até se sentar sobre a barriga do brasileiro.
– Pongo! Você é pesado! – com preguiça, esticou o braço para lhe fazer festinhas mas no lugar de encontrar o pêlo macio do seu animal de estimação, encontrou a coxa de Afonso.

Luciano apalpou a coxa do mais velho, e estranhou a textura. Afastou o rosto do travesseiro e encarou Afonso, piscando algumas vezes antes de se lembrar da noite anterior, e de que estavam juntos.

– Afonso! – ele disse mais alto do que desejava, e sibilou de dores quando se sentou rapidamente para abraçar o menor – Bom dia~

O português riu e logo abraçou de volta, pousando a cabeça sobre o ombro dele:

– Bom dia~ Pelos vistos sou o Pongo hoje.

O moreno riu e murmurou um pedido de desculpas.

– Olha, o Pongo tem sido meu companheiro mais leal há quase um ano... Sinta-se lisonjeado!

Afonso sorriu de lado e lambeu-lhe a bochecha de propósito.

– Mas eu não abano a cauda nem corro feito doído pela casa.

Luciano lhe mostrou a língua, apertando de leve os braços na cintura de Afonso, sorrindo ternamente.
– Mas é fofo igual~

– Sou nada, parvinho. – resmungou e desta vez mordeu-lhe a bochecha.

Aproveitando-se de que não precisava mais temer a rejeição, Luciano virou o rosto e fez Afonso errar o alvo, dando-lhe um beijo nos lábios.

O lusitano corou um pouco mas sorriu com o gesto, esticando os braços para o poder abraçar levemente pelo pescoço e relaxar o corpo ao ponto de ser Luciano a segurar nele.

Eles se beijaram com calma e carinho, sem pressa. Não havia mais medo, e eles estavam cheios de felicidade.
– Eu amo você, chefinho. – o moreno disse, os lábios ainda colados nos de Afonso.

Com um sorriso de lado, o lusitano mordeu-lhe o lábio inferior, mantendo-o entre os seus.

– Não sou “chefinho”.

O brasileiro também sorriu – o máximo que Afonso lhe permitia – e retorquiu:

– Isso não importa mais.

– Importa sim~ O meu nome é Afonso. – disse a brincar e esfregou o indicador pela espinha do moreno, vendo-o arrepiar-se e dar um guinchinho.

Luciano estremeceu e brincou:

– Achei que seu nome fosse Pedro~ Vim parar na cama com o cara errado?

O português apertou um pouco mais os lábios dele e deu-lhe uma palmada leve na nuca.

– Luciano da Silva, não estás na melhor posição para piadinhas.

– Tá, tá! – ele riu e ergueu as mãos em sinal de defesa – Eu me rendo, Fonfon~

O mais velho semicerrou os olhos:

– Fonfon? – lembrou-se de ele ter dito isso na noite anterior – Por quê “Fonfon”?

O mais jovem se afastou um pouquinho, fazendo beicinho e cruzando os braços.

– Porque agora você é meu namorado e eu preciso arranjar um apelido para você. Já percebeu o quão difícil é achar um pro seu nome? É tão pequeno!

O lusitano corou ligeiramente e foi-lhe apertar as bochechas. Até quando estava chateado, o moreno era adorável.
– Exactamente por isso, se o meu nome é pequeno eu não preciso de diminuitivo.

– Precisa sim! – ele enrubesceu um pouquinho e baixou o olhar – Eu quero chamar você de alguma forma que ninguém mais chama. E o Francis te chamava de “Afonfon”!

Ele levantou-lhe a cabeça para que o pudesse encarar:

– O Francis chama isso porque é um chato. – como lhe apertou as bochechas para aumentar o biquinho, roubou-lhe o beijo – E não tem sentido nenhum.

Luciano fez bico e abraçou Afonso, escondendo o rosto na barriga dele. Quando queria, era muito infantil.

– Também quero ser chato para você.

Afonso deu uma gargalhada e acarinhou-lhe o cabelo.

– Pronto, pronto, senhor Chato. Chama-me lá o que quiseres. – como Luciano ainda estava despido, o lusitano pode facilmente ver o resto dos arranhões que ele tinha nas costas e mordeu o lábio inferior – ...Magoei-te?

O mais jovem ergueu o rosto, seus olhos castanhos sendo piscados algumas vezes. Claro que Afonso corou, uma vez que ainda não havia se acostumado com a ideia de estarem juntos – e namorando.

– Oi? – ouviu Afonso suspirar, e logo o português acariciou as costas de Luciano, que riu ao sentir cócegas.

– Estás todo arranhado...

– Ah... isso. – ele riu e em seguida mordeu a clavícula esquerda do namorado – Não dói nada... E você está cheio de mordidas e chupões~

Automaticamente a mordida fez-lo arrepiar-se e suspirar mais profundamente. Aquelas marcas não o incomodavam porque tinha sido ele a fazê-las.
– Eu sei, o António já disse o mesmo.

– Antônio? – Luciano tinha que perder a mania de falar com os lábios contra a pele de Afonso – Quando ele disse isso?

– À bocadinho. Antes de acordares. Veio cá chamar-me e eu nem tive tempo para me vestir decentemente. – suspirou – Então bem... Ele viu.

– Ah... – o brasileiro piscou ao perceber que a camisa que Afonso usava era grande demais para ele, o que deixava o ombro esquerdo dele nu. Afastando-se de leve, percebeu que o português só usava aquela camisa, e mais nada – Essa camisa é minha?

O mais velho pestanejou:

– É. Foi a primeira que encontr-- Luci? – a mão quente do moreno já deslizava pelas suas pernas até chegar à coxa de Afonso, entendendo agora o que realmente tinha agarrado quando acordou.

– Você fez isso de propósito, não? – o moreno questionou, os olhos fixos nos de Afonso. O português só podia tê-lo ouvido murmurar, no ano anterior, o quão sexy Afonso ficaria em sua camisa durante aquele sonho na casa do mais velho. A imagem do menor usando suas roupas nunca deixara os pensamentos de Luciano, e ele nunca admitiria o quanto usara aquela ideia para alívio próprio.

Por ter o olhar do moreno tão fixo em si e com aquela expressão, Afonso corou mais. E esse corado foi intensificado quando sentiu a mão de Luciano entrar-lhe pela camisa.
– D-De propósito? O-- O quê? – perguntou, verdadeiramente confuso.

– Colocando minha camisa... sem a minha permissão... – Luciano arranhou de leve as costas de Afonso, por sobre a linha da espinha – A culpa é sua.

O lusitano arqueou as costas por causa das cócegas e Luciano aproveitou-se disso, puxando-o para o seu colo.
– Eu- D-Desculpa! Eu pensei que não havia problema...

Assim que o brasileiro lhe puxou para o colo, Afonso piscou, sentindo certa aleteração no mais jovem.

– L-Luci? – ele corou mais um pouco quando o menor se aproximou, mordendo seu lábio.

– A culpa é toda sua, Afonso.

– E--Eu já pedi desculpa-- – ele não entendia o que se passava e Luciano não lhe respondeu porque a sua boca foi ocupada a morder a jugular do mais velho.
– Não as aceito.
Afonso gemeu baixinho e segurou-se nos ombros dele:

– L-Luci? Por que é que t-te estás a esfregar em mim?

– Porque eu quero... – ele murmurou, segurando Afonso pela cintura para mantê-lo quieto enquanto subia suas mordidas para o queixo do mais velho – Você não? – ele parou com a boca a milímetros da de Afonso, os olhos castanhos fixos nos dele.

Ele fez um subtil beicinho e tentou virar o rosto para o beijar, mas Luciano fugia sempre.

– Agora que me atiçaste, quero.

Luciano sorriu de lado, mordendo e chupando o lábio inferior de Afonso enquanto invertia as posições e deixava o menor sob si.

– Não aja como se não quisesse desde o início. – ele provocou, fazendo Afonso morder o lábio inferior, que estava rubro e um pouco inchado.

– Só tenho uma coisa a te dizer: – ele prendeu Luciano com as pernas – és insaciável.

~※~

– Afonso? Está na hora de embarcarmos.

O português murmurou um “ah” desgostoso e escondeu o rosto no peito de Luciano, que riu e o abraçou. Não queria ir embora, ainda mais agora que haviam se acertado.

Eles acabaram por fazer duas vezes naquela manhã: por culpa de Afonso usar a camisa de Luciano e porque o brasileiro não se segurou durante o banho. Depois foi uma correria para arrumarem as coisas do português, e Luciano seguiu para o aeroporto com eles.

– Não quero ir~ – Afonso reclamou, apertando o tronco de Luciano com força. Sofia e Marisa riram, a mais velha segurando a irmãzinha pela mão, sendo monitoradas pelo pai ciumento.

– Vá lá, hermano! Temos de embarcar!

Lovina suspirou e puxou o esposo pela mão. Despediu-se de Luciano com um sorriso terno e forçou sua família a embarcar primeiro, deixando o casal a sós. O brasileiro sorriu e agradeceu com um aceno de cabeça, afastando-se um pouco de Afonso para olhá-lo nos olhos.

– Nós trocamos e-mail e número de telefone... – sorriu outra vez – Nós vamos nos falar sempre. Mal vamos sentir saudade um do outro.

Afonso fez bico, corando um pouquinho ao notar um chupão bem evidente que fizera no pescoço de Luciano.

– Mentira... Vou sentir a tua falta de qualquer forma. – suspirou, e Luciano riu.

– Olha... – ele tirou as mãos da cintura de Afonso, que o abraçava pelo tronco, e levou até seu cordão – Esse cordão era da minha mãe, e ela me deu quando estava doente... – sorriu e colocou o colar no pescoço do europeu – Ela me disse para cuidar dele até encontrar a pessoa perfeita. E eu o dou para você, Fonfon...

O português quase que empalideceu e segurou na pedrinha com a ponta dos dedos:

– L-Luci? Tens a certeza disso?
Luciano abanou com a cabeça e sorriu.

– Absoluta.
– Eu não posso--
Como já previa aquilo que o baixinho ia dizer, o brasileiro apertou o abraço e beijou-o, ao afastar-se murmurou:

– Pode e vai aceitar.

Afonso piscou e corou um pouquinho, encarando a pedra branca. Luciano nunca se separara daquele cordão, e o português não fazia ideia de que a pequenina pedra era assim tão importante para ele.

– N-não posso, Luci... Ela é tua.

O brasileiro sorriu, fechando a mão sobre a do europeu enquanto beijava a testa dele com carinho.

– Pode... E ela é sua agora. É como se fosse um anel, Fonfon... Minha mãe ganhou do meu pai, que era muito pobre. E agora eu dou para você como prova do meu amor.

– M-Mas ela tem um significado muito importante e pertencia à tua mãe... Não acho que ma devas dar...
O moreno sorriu e beijou-lhe a bochecha.

– Sim, ela tem significado para mim mas... Você também tem por isso... Não vou me arrepender.

O português piscou, erguendo o rosto para encará-lo. A frase de Luciano fazia seu coração palpitar, e ele não consegui sorrir como queria. Ele era importante para Luciano. E aquilo o fazia feliz.

Voo 1548, com destino a Lisboa. Passageiros encaminhem-se para o portão 14.

Luciano deu um meio sorriso, já carregado de saudade, e acariciou a bochecha de Afonso.

– Você tem que ir...

Ele fechou os olhos e inclinou o rosto para o carinho:

– Eu não quero... – esticou-se, para ficar na ponta dos pés, e abraçou-o pelo pescoço, puxando-o para outro beijo.

– Também não quero. – ele foi sincero, distribuindo beijos pelo rosto de Afonso enquanto apertava sutilmente o abraço.

Agora que haviam se acertado, que sabiam um do amor do outro, aquela despedida era ainda mais dolorosa. Afonso não podia ficar, tinha a floricultura, e nem Luciano ir, havia seus estudos.

Suspiraram, trocando outro beijo – e ignorando os olhares curiosos e maldosos ao redor – antes de se abraçarem com força. Eles murmuraram que se amavam, e Afonso foi forçado por suas obrigações a afastar-se do moreno e embarcar. Sempre olhava para trás, sorrindo tristemente ao ver o amado abanando para si com o mesmo tipo de sorriso.

Ele entrou no avião e sentou-se entre as sobrinhas.

Quando o avião decolou, não conseguiu evitar chorar, assim como Luciano fazia em terra.