O Som Do Coração

29 Capítulo 29 - FINAL


Notas iniciais
Wow...Demoramos cerca de um ano para escrever esta fic e outro tanto para a públicar. Já lá vai muito tempo. Finalmente, chegou ao fim. Queria agradecer pela vossa paciência e por todos, todos os comentários que deixaram mesmo sabendo que nós não responderiamos (eu uso o nyah no telemóvel e normalmente quem posta os caps é a DoubleSide, 'tadinha). Obrigada por aguentaram com o drama destes dois idiotas e connosco também porque de facto esta fic ficou maior do que aquilo que tinhamos planeado

Capítulo XXIX

Afonso estava preocupado. Fazia duas semanas que Luciano não respondia a seus e-mails ou ligações. Era quase Outubro, e seu aniversário seria na semana seguinte. Luciano prometera uma carta para a data, mas o que Afonso desejava era a presença do brasileiro.

Luciano estudava muito, a faculdade de música era mais difícil e cansativa do que imaginava, mas realmente amava o que fazia. Estava recém na metade do semestre, mas a semana de provas deveria chagar logo, o que explicaria Luciano estar sumido.

– Mas ele sempre liga-me... – o português suspirou, imaginando que o brasileiro havia se cansado do namoro a distância, ou conhecido alguém no Rio de Janeiro. Luciano era popular, e muito bonito. Não seria surpresa que conquistasse alguns corações...

Ouviu a campainha soar, e olhou o relógio de parede. Como era noite, imaginava que Antônio lhe pediria para cuidar das sobrinhas enquanto tinha um jantar romântico com Lovina, então ajeitou o cabelo e seguiu até a porta. Ao abri-la, seus olhos piscaram, enchendo-se de lágrimas ao ver o sorriso que tanto adorava.

“Olhe bem no fundo dos meus olhos
E sinta a emoção que nascerá quando você me olhar
O universo conspira a nosso favor
A consequência do destino é o amor, pra sempre vou te amar”

Afonso não sabia se ele ia continuar aquela música ou não, mas nem lhe deu tempo para reagir. De imediato, saiu a correr ela porta e saltou para o colo dele, abraçando-o apertado e escondendo o seu rosto no ombro dele por ter vergonha de estar a chorar. Luciano riu com aquele gesto tão típico do lusitano e nem sequer hesitou em segura-lo com um braço e usar o outro para lhe acarinhar as costas. Inclinou o rosto e encostou a sua cabeça na do mais velho, um sorriso enorme delineando nos seus lábios. Tinha tantas saudades dele...

– P-Parvo! Por que não me avisaste que vinhas?!

– Por que era surpresa~

O português levantou o rosto para o encarar:

– Eu estava preocupado! – e, mais uma vez, as intenções do brasileiro foram cortadas pois Afonso inclinou-se para a frente e beijou-o.

Não que o moreno fosse reclamar. Ele agarrou a nuca do mais velho e retribuiu o beijo, que misturava sentimentos: saudade, amor, paixão, lascívia, carinho... Quando Luciano amava, amava com todo o seu coração. Ele não conseguia amar aos poucos.

– Parvo... – Afonso resmungou, a boca colada na de Luciano – Parvo, parvo!

Luciano sorriu e mordiscou o lábio inferior de Afonso, puxando-o para outro beijo intenso.

O pequeno lusitano ronronou levemente e abraçou-o pelo pescoço, deixando-o ainda mais pertinho de si. Quando precisou de se afastar para respirar, encostou a sua testa na do moreno e sorriu:

– És um grande parvo.

O mais jovem também sorriu, ajeitando o violão em suas costas. Tivera sorte de perceber que Afonso viria lhe abraçar, ou o instrumento poderia ter quebrado.

– Hn... Oi para você também e... Será que posso entrar? Está quente aqui fora... – ele fez uma careta e mostrou a língua, com sede.

O português saltou para o chão e agarrou-lhe na mão, usando a outra para trazer a mala do brasileiro.

– Claro que sim, força. – arrastou-o para dentro e fechou a porta – Queres beber ou comer alguma coisa?

Luciano sorriu. E aquele sorriso derretia Afonso.

– Hn... Estou morrendo de fome e sede... Eu não me lembrava que vir para Portugal do Rio demorava tanto! – riu, apertando a mão do menor – Mas você já jantou?

– A-ah! Sim, mas posso fazer-te algo! – piscou e depois olhou ao redor – E o Pongo?

O moreno, fechando a porta, enlaçou Afonso pela cintura e o beijou.

– Ele só vem amanhã... Deixei o Pongo numa veterinária para tomar banho e ficar cheiroso~ Vão trazer ele amanhã depois do almoço. – outro sorriso – Hoje somo só nós dois.

Afonso sorriu e esticou os braços para o conseguir abraçar pelo pescoço. O brasileiro deu-lhe um beijo de esquimó e começou a mover-se lentamente de um lado para o outro, como se estivesse a dançar.
– Só nós dois? Eu gosto disso.

Luciano riu e beijou outra vez Afonso, um mero, mas cheio de significados, selinho. Beijar o europeu havia se tornado um vício seu, assim como os cabelos longos do menor.

– Gosta? – sorriu.

– Gosto~
– E por que gosta? – o sorriso do moreno aumentou quando ele percebeu que Afonso tinha de se colocar na ponta dos pés para conseguir chegar aos seus lábios.
– Porque tenho saudades tuas~

O moreno curvou-se para frente apenas para que Afonso, sorridente, pudesse lhe beijar.
– Só por isso?

– E só porque gosto muito de ti. – apertou o abraço e dobrou um dos braços para conseguir mexer nos cabelos do moreno.

– Só gosta?

Afonso riu e mordeu o lábio inferior de Luciano.

– Luciano da Silva. Deixa de ser mimado.

O moreno lhe mostrou a língua e escondeu o rosto em seu pescoço, manhoso.

– Estava com saudade. Que custa meu amorzinho me mimar um pouco? – Afonso riu, e o estômago de Luciano roncou – Ou me alimentar...

Afonso deu-lhe umas palmadinhas nas costas.

– Tens razão, vamos lá fazer alguma coisa para tu comeres antes que digam que o meu namorado passa fome ás minhas custas. – depois de se afastar e lhe agarrar a mão para o arrastar para a cozinha, perguntou – O que queres comer?"

Luciano entrelaçou seus dedos nos de Afonso.
– Não ria, mas eu passei esse tempo todo com vontade de comer aquele seu bacalhau...

Obviamente que o lusitano não se conseguiu manter sério.
Aquele brasileiro passava a vida a fazer piadinhas sobre bacalhau e agora estava a dizer que tinha saudades de comer.
– Que seja bacalhau! Qual queres? Bacalhau à Gomes de Sá? Bacalhau com natas? Bacalhau frito com molho de cebolada? Bacalhau à lagareiro? Bacalhau grelhado? Bolinhos de bacalhau? Bacalhau com batatas cozidas?

Luciano piscou e depois riu:
– Não faço ideia do que seja essas coisas!

– Então escolhe pelo menos um deles. – beijou-lhe a mão e teve de se afastar dele para ir buscar os ingredientes aos frigorífico.

Enquanto seguia até sua mala, o moreno pensava. Não conhecia os demais pratos, mas adorava batatas.
– Com batatas~

O português acenou com a cabeça e então comentou:

– Então que seja bacalhau frito com batatas fritas! E vá, senta-te ai e vai-me contando coisas.

O moreno sorriu para si mesmo, tirando alguma coisa da mala.
– Coisas? Hn... – aproximou-se de Afonso, assustando-o um pouco ao abraçá-lo por trás. Colocou um papel nas mãos do português e disse, a boca colada na orelha dele: – Consegui transferir meu curso para Portugal... Eu vim para ficar.

Afonso virou o corpo de uma forma tão rápida que quase deu uma cabeçada no brasileiro.
– M-mesmo?
– Mesmo~
O português sorriu abertamente e abraçou-o pelo tronco, apertando de tal forma que quase o levantou do chão:

– É-É A MELHOR PRENDA DE ANOS QUE ME PODIAS TER DADO!

Luciano riu, guinchando ao ser apertado com muita força. Assim que Afonso escondeu o rosto em seu peito, o brasileiro piscou e olhou para baixo.

– Fonfon? – ele sentiu sua camisa ficando úmida, e ficou todo atrapalhado – F-Fonfon! O-o que houve? Por que está chorando?!

O português recusou-se a afastar-se e só acalmou quando o moreno passou a brincar com o seu cabelo.
– P-P-orque estou feliz...

Afonso pôde ouvir quando o coração de Luciano palpitou de felicidade. Abraçou o mais velho com carinho e pousou o queixo na cabeça dele, suspirando em seguida.
– Também estou feliz. Feliz demais.

O lusitano riu e disse a brincar:

– Feliz porque finalmente o Pongo vai ficar comigo~ – fungou e começou a fazer carinho nas costas do moreno, relaxando totalmente naquele abraço tão bom e aconchegante – E porque tenho alguém a aquecer-me a cama no Inverno~

– Ah... Por isso... – fingiu-se de ofendido e se afastou – Vou buscar o Pongo, então.

Afonso sorriu de lado.

– Não vás já. Ainda não ajeitei uma caminha para ele~

Luciano fez biquinho.
– Achei que ele ia aquecer você.

– E vai, mas tenho de ajeitar um ninho para nós dois. – mostrou-lhe a língua e afastou-se para recomeçar a preparar o jantar – Senão a cama é demasiado grande e fria porque ele é pequenino.

– Pequenino? O Pongo de pé é maior que você. – implicou e pegou sua mala.

Afonso olhou pelo ombro para o encarar.

– Hey! Não é nada! Eu sou maior que ele.

Luciano deu de ombros e se aproximou da porta.
– Luci? Onde vais?
– Para a pensão da Bella.

– A Bella já não tem a pensão. – comentou.
– Então vou para um hotel.
O lusitano pousou a faca no balcão e correu até ele, abraçando-o pelas costas e imobilizando-lhe os braços junto ao corpo.

– Não vais a lado nenhum~

– Por que não? Quero deixar você a sós com o Pongo.

O lusitano começou a andar para trás e trazê-lo de volta para a cozinha:

– Ele ainda nem chegou~ – mordeu-lhe o ombro – E agora que falaste na Bella, temos de a ir visitar!

Luciano soltou a mala, suspirando a ser mordido.
– Se ela não tem mais pensão... Onde foram meus amigos?
– Hn... Não sei ao certo, mas os irmãos continuam cá em Portugal.

– Entendo...
– Mas ela deve ter os contactos deles. – beijou-lhe a nuca – Além disso tens de conhecer o pequeno dela, é um amor de criança.

O moreno não conseguia rolar no abraço, mas assentiu.
– Eu sei... Você disse isso umas mil vezes.
Afonso rolou os olhos, mas depois se lembrou de quando reencontrara Luciano. No dia seguinte, quando o europeu precisou ir embora, havia algo no chão que Luciano escondeu com todas as forças, e o português só desistiu quando o moreno lhe beijou até retirar seu fôlego. Afonso continuava curioso e aproveitou que Luciano estava “preso” para lhe roubar a carteira.
– H-hei! O que--
– O que esconde aqui? – sorriu e começou a correr pela casa ao ser seguido por um brasileiro corado.
– N-não! Afonso, por favor--
O português conseguiu abrir a carteira, e parou de correr assim que puxou sua imagem, plastificada, de dentro.

Franziu ligeiramente o sobrolho pois não se lembrava de onde aquela foto vinha e muito menos como é que Luciano a tinha.
O brasileiro tirou-lha da mão e resmungou:

– E-Ela é minha...

Afonso corou e balançou a cabeça, confuso.

– Ela... De onde...
Luciano mordeu o lábio inferior e coçou a nuca.
– Seu pai... Peguei quando ele cortou você da foto...

Afonso encarou-o confuso:

– M-Mas isso foi há tanto tempo... E- Essa foto está horrível--

O moreno corou ainda mais e franziu o cenho.
– E-ela é minha desde aquele dia.

– M--Mas por quê?" , Afonso começou a ficar vermelho.

– Porque eu te amo desde aquela época e você está fofo na foto e eu quis guardar comigo! Ter algo seu comigo!

– O-oh... Mas-- – coçou a nuca – Eu não gosto dessa foto... T-Temos de tirar uma juntos!

Luciano piscou, abraçando Afonso em seguida, com força.
– Tem aquela que a Lovina tirou... – riu.

– Essa também não, eu estava a dormir. – fez uma careta e encostou novamente a sua cabeça no peito dele.

Ele suspirou.
– Você não gosta de tirar fotos.

– Pois não gosto mas... Para ter uma contigo, tirava.

Luciano sorriu, abraçando Afonso com força.
– Eu trouxe minha câmera!

Quem deu um pequeno guincho desta vez foi Afonso que logo deu uma gargalhada:

– Já me arrependi disso então!

– Bobo. – sorriu e puxou o menor para um beijo.

E novamente, Afonso deixou que Luciano o segurasse e aprofundasse o beijo. Não se importaria de ficar ali durante mais tempo mas...
Pousou uma mão sobre a barriga do brasileiro e esfregou como se ele fosse uma grávida:

– Tu não tinhas fome?

O brasileiro riu e acenou com a cabeça, beijando Afonso mais uma vez antes de se afastar.
– Morrendo.

~※~

Afonso trabalhava em um arranjo quando se sentiu abraçado por trás, sorrindo quando Luciano lhe beijou a nuca com carinho.
– Fiz um café para nós, amor. – ele anunciou enquanto prendia um cravo vermelho nos cabelos de Afonso.

Ele olhou para trás, o que deu oportunidade a Luciano para lhe beijar a testa e apertar o abraço.
O português sorriu.

– Obrigado! Estava mesmo a precisar!

O moreno sorriu antes de ir para a estufa, voltando com café para si e Afonso, que riu ao ver que Luciano colocara canela sobre o creme, desenhando um coração.

Luciano encostou-se ao lado dele no balcão e sorriu:

– Eu sei que você ama canela~

Afonso sorriu e bebeu o café.
– Ainda bem que voltaste a comer canela~ – se aproximou de Luciano e o beijou – Sabes bem a canela.

O brasileiro sorriu:

– Mas foi um sacrifício grande para voltar a comer os tic-tac de canela, sabe? As caixinhas desapareciam como por magia, como se alguém as fosse roubar.
– Eu não sei de nada~

O moreno riu e bebeu seu café.
– Mas você voltou com as balas de fruta~

– Mas isso tem uma explicação. – sorriu e de um gole no eu café – Eu comia os tictac para me lembrar de ti mas agora não preciso porque posso simplesmente beijar-te.

– Ai, é? – ele sorriu e puxou Afonso para mais perto – E não quer um pouco de canela?

Afonso sorriu e esticou-se.

– Sabes bem que canela deixa tudo melhor... Mas tens de te baixar um bocadinho...

– Não seja por isso. – surtiu e se abaixou.

O lusitano pousou o café no balcão e segurou-lhe a nuca para o poder beijar, lentamente.

O brasileiro, entretanto, aprofundou o beijo rapidamente, prensando Afonso no balcão.

O baixinho fez um barulho de surpresa mas não o impediu, na verdade, puxou-o para mais perto.

Luciano sorriu de canto e pousou a mão esquerda na cintura de Afonso, fazendo-o afastar um pouco as pernas para se acomodar entre elas. O beijo, claro, tornou-se mais necessitado, e eles moveram sutilmente os quadris.

Aquilo era comum entre os namorados. Desde que Luciano voltara para Portugal e a trabalhar na Colubris durante o dia – ele tinha aulas pela noite e trabalhava como professor aos sábados –, tornou-se parte da rotina eles se provocarem durante o trabalho: um beijo mais lascivo, um morder de lábios, um olhar malicioso, um apalpar por debaixo do avental... Se não fossem incrivelmente discretos, poderiam ser vistos se provocando por qualquer um que passasse em frente a floricultura. Pela noite, antes do brasileiro ir para a aula – e, às vezes, até mesmo depois –, eles se ocupavam liberando toda a excitação acumulada durante o dia, e marcas de arranhões, chupões e mordidas sempre estavam em ambos os corpos. Isso, claro, quando eles não faziam um “intervalo” de meia hora e matavam a saudade na estufa mesmo, no velho sofá.

– L-Luci... Hoje não. – ele murmurou e Luciano fez biquinho.

– Estou de férias e hoje é nosso último dia antes de fecharmos a loja para as festas de fim de ano. – murmurou e mordeu a jugular do europeu, que estremeceu – Podemos fechar mais cedo, não?

– M-Mas--
– E eu sei que você quer~
Quem fez biquinho desta vez foi Afonso, que abriu os olhos para o encarar:

– Quem disse?
– Você. Está fazendo aquilo.
Afonso pestanejou:

– Aquilo?
– Sim. – o brasileiro sorriu maliciosamente e mordeu novamente o pescoço do mais velho – Suspirando várias vezes e deixando o seu pescoço visível para mim."

Afonso gemeu baixinho, mordendo o lábio inferior enquanto sentia o corpo quente de Luciano contra o seu... Tão diferente da noite passada.
Afonso nunca esqueceria a primeira vez em que Luciano foi o passivo. O brasileiro mudou do ativo provocante e dominador para um passivo submisso e adorável. O moreno gritava por si, e ele conhecia alguns truques que deixava Afonso doido. Na noite anterior, Luciano ficara por baixo, e Afonso nunca imaginou que o doce moreno pudesse gostar tanto de brincadeiras pouco ortodoxas.
– N-não estou...
– Ah, imagine. — riu, levando a mão até o meio das pernas de Afonso, apertando – E isso é o que? Algumas caixas de tic-tac?

O gemido dele foi mais alto que o anterior e Afonso resmungou, usando as suas pernas para apertar o moreno contra si.

– Olha só quem fala. Eu nem fiz nada e já tens animação aí em baixo.

O moreno sorriu malicioso, esforçando-se para mover sua mão para cima e para baixo.

– Quando se trata de você eu não preciso de muita coisa para me animar, Afonsinho.

A respiração do mais velho tornou-se descompassada e ele tentou prender a mão do moreno entre as suas pernas, o que não deu bom resultado pois a pressão era maior.
– T-Tu provocas-me tanto. És mauzinho para mim~

Luciano pôs mais pressão, mas o avental de Afonso atrapalhava seus movimentos.
– Mau? Sou o melhor namorado do mundo. – mordeu o queixo dele – Eu faço tudo o que você me pede.

– É mesmo? Ontem pedi-te para ires atender o telefone e tu fingiste que estavas a dormir.
Luciano riu e fez-se de desentendido.

– Qual telefone, Fonfon? E nem era desses pedidos que eu estava falando~

O menor estremeceu.
– P-parvo! – murmurou e afastou um pouco as pernas, facilitando os movimentos de Luciano – L-Luci... A-a floricultura...

– Que tem? – o moreno murmurou junto à orelha do português, sorrindo satisfeito por o sentir relaxar no abraço – É quase hora de fechar.

– M-mas podem nos ver de fora e-- – o português estremeceu outra vez e jogou a cabeça para trás, trazendo Luciano para mais perto com as penas.

– E você está se contradizendo, amorzinho.

– A-A culpa é toda tua. – resmungou mas desistiu de lhe resistir e abraçou-o pelo pescoço, esticando-se novamente para lhe morder o pescoço.

O brasileiro sorriu e puxou o menor para outro beijo, apertando também a mão.

– QUE RAIOS ESTÁ A ACONTECER AQUI?

Os namorados se afastaram num instante, olhando em direção a porta, onde Antônio os fuzilava com o olhar, a família toda ao seu lado.

Afonso conseguiu ouvir Luciano engolir em seco.
– N-Nós estavamos só a...
– A fazer uma contagem...
– Das flores antes de fecharmos a floricultura porque faltam algumas e--
O espanhol cruzou os braços:

– E exactamente onde estavas à procura delas Luciano?
Lovina respirou fundo ao ver que o pobre brasileiro empalidecera visivelmente.

– Ah António, deixa-os estar.

Antônio virou o rosto para a esposa e enrubesceu, colérico:

– M-mas Lovi! Eu preciso preservar a dignidade do meu irmãozinho! É meu dever como irmão maior!

Afonso e Lovina comentaram quase ao mesmo tempo:

– Mas tu és o mais novo!
A italiana ainda acrescentou:

– E quando casamos eras bem pior que eles.

– M-mas eu sou mais alto! E meu irmão é doce e inocente e esse brasileiro pervertido fica a tentar a dignidade dele!

Afonso bateu com a mão na testa, e Luciano baixou o olhar, acanhado. Deviam ter ido para casa mais cedo, então não estariam naquela situação constrangedora.

– Papá! O tio Luci só estava a cuidar do tio, né tio Luci? – Sofia disse para apaziguar o pai, sempre madura.

Num eco, Marisa concordou:

– Né!

Luciano riu e assentiu com a cabeça, abraçando Afonso por trás.

– Claro que sim! – beijou a bochecha do namorado – Eu sempre cuido bem do titio Afonso, não é Fonfon?

Afonso fez uma careta com o diminutivo. Já tinha passado quase dois anos desde que Luciano fora viver consigo e ainda assim, continuavam a implicar um com o outro por causa disso. Acenou afirmativamente com a cabeça e encostou-se no moreno, sentindo-o a apertar mais o abraço:

– É verdade.

Antônio até abriu a boca para reclamar, mas Lovina lhe impediu:
– Viemos aqui para convidar vocês para as festas de Natal. – sorriu – A Bella vai fazer uma ceia na nova casa dela e alguns antigos pensionistas também vão.

– Eu não--
– Claro que vamos! – Luciano disse muito rápido antes que o português sequer tentasse negar o convite – Contem conosco!

Afonso nem pode contestar: logo todos marcavam horários, pratos para levarem, o endereço do casal loiro, presentes...
O português, no fim, apenas sorria, contente afinal.
Aos poucos Luciano reencontrara seus amigos em Portugal: Alfred logo voltou para a América; Matthew e Michelle se casaram e tiveram gêmeos; Elizabeta e Natália viviam bem sem filhos; e Hansen e Bella esperavam o segundo filho.

Martín nunca chegou a ser o modelo que desejava mas qual não foi a surpresa de Luciano ao ver que ele era pivot num canal de notícias bastante conhecido! Até o tímido Alberto tinha ganho coragem para se aproximar da excêntrica Amélia, a ex-patroa de Martín. Francis tinha decidido perdoar Arthur e depois de uma viagem por quase todo o mundo, decidiram assentar.
Apesar de o pai de Afonso nunca mais ter dado notícias, a avó de Luciano chegou a ir Portugal visitar o seu neto, tendo logo ficado a gostar de Afonso.

Muita coisa acontecera naquele meio tempo que ficaram separados, mas tudo estava bem agora. Porque estavam juntos.

E mesmo depois de terem passado por tanto na sua vida, era bom saber que tinham alguém em quem podiam confiar o seu coração sem ter medo de dar tudo o que tinham e sem terem receio de mostram quem realmente eram.
O tempo até podia passar sem que dessem por isso, mas nem Luciano nem Afonso se pareciam importar. Estavam bem.

Certo dia chuvoso, quando Afonso chegou à Colubris, viu que tinha uma caixa de Tic Tacs vazia sobre o balcão.
Começou a resmungar sozinho por Luciano ser sempre o mesmo desarrumado. Pegou na caixinha, que estava toda embrulhada num papel, e pestanejou curioso ao ouvir que tinha algo dentro. Mas não teve tempo de a abrir porque ouviu o sininho do colibri, que sempre tocava quando a porta mexia.
Virou nos calcanhares e franziu o sobrolho ao ver que era Luciano quem entrava, encharcado e caminhava apressadamente na sua direcção.
– Luci... Quantas vezes eu já disse para que-- – o brasileiro tirou-lhe a caixa da mão e retirou de dentro o tão misterioso objecto, colocando-se de joelhos em frente ao português.

E com aquele sorriso, que nunca falhara em deixar o mais velho derretido, disse-lhe:

– A-Afonso... Eu... V-Você aceita casar comigo?
A resposta, após o choque inicial, claro, não podia ter sido outra:
– A-Aceito!

Afonso, o sempre tão reclamão e organizado Afonso, não se importou com o corpo encharcado do namorado. Ele não ligava se pegariam um resfriado que os forçaria a fechar a floricultura por uma semana, e nem se alguém poderia vê-los.

Não, Afonso apenas jogou-se nos braços de Luciano e o abraçou com força, incerto do que fazer: beijar, agradecer ou chorar de tanta felicidade?

Luciano, nervoso, mas rindo, acabou com as dúvidas de Afonso, e o beijou com carinho enquanto colocava a aliança no anelar direito do amado. O português se acomodou no abraço protetor do mais jovem, encarando bobamente o anel brilhante e simples que lhe adornava o dedo.

Quem diria que, numa noite chuvosa qualquer, o europeu fosse conhecer um amoroso rapaz que tocava bem qualquer canção em seu violão... E que, no fim, encontrou o som que encantaria o coração de Afonso?

Notas finais
D.S: Nossa... Eu, sinceramente, nem sei bem ao certo o que dizer aqui :P Esse rp começou como uma brincadeira entre a Labi e eu e, no fim, acabou se tornando uma das melhores e mais prazerosas histórias que já escrevi (calma, Ju! nosso rp infinito também é awesome!)! Foi incrivelmente divertido trabalhar nesse rp e eu só tenho a agradecer a cada leitor(a) que nos acompanhou do início ao fim. Pedimos desculpas por nunca responder as reviews, mas saibam que lê-las sempre nos motivou a prosseguir com a fic quando estávamos desanimadas. Elas nos alegravam imensamente, e sentiremos saudades de vocês ^^" Esse foi o primeiro e muito provavelmente último trabalho da dupla Labi&Double Side, mas quem tem certeza do futuro? Obrigada, mais uma vez, pelo carinho e dedicação de cada um... Até uma próxima ^^/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!