O Som Do Coração
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Mais um capítulo para vocês, queridos leitores!!
As reviews ainda não foram respondidas porque a senhorita Labi e eu estamos tendo uns probleminhas técnicos, mas agradecemos cada comentário LINDO que vocês nos enviaram!! ♥
Capítulo II:
O português sabia que tinha o péssimo hábito de falar demasiado rápido quando se entusiasmava com alguma coisa. Mas que fazer? Ele realmente adorava os simbolismos e tudo aquilo que não podia ser visto de imediato.
Apesar da velocidade com que falava, foi com muita paciência que continuou a explicar a Luciano, de uma forma geral, os significados das flores.
– Vês aquelas cor-de-rosa? Geralmente essas simbolizam um amor inocente. As brancas são sinónimo de pureza e são muito usadas em casamentos, batizados ou até mesmo como prenda de dia da mãe. Amarelo é amizade, mas cuidado com os girassóis, sim? Eles são negativos... Hum... Vermelho é paixão forte ou amor ardente. Não se deve mandar flores vermelhas para um funeral. – respirou fundo e depois suspirou – Claro que na maior parte das vezes se escolhe as flores que fiquem bonitas visualmente ou cujas cores encaixem. Mas se alguém pedir 'algo especial' é bom ter o significado em conta. E é como aquele livro alí diz. – apontou para cima do balcão, onde estavam imensos livros espalhados – A flor preferida de alguém diz muito sobre a pessoa em si.
Encarou Luciano e cruzou os braços.
– Percebeste? – a expressão que o mais novo tinha (um sorriso nervoso) denunciava a resposta – ...Ok. O que queres que explique de novo?
Luciano coçou a nuca e mordeu de leve – e rápido – o canto direito do lábio inferior, os olhos castanhos percorrendo rapidamente a floricultura.
– Sim, por favor.
Afonso soltou um suspiro e levou a mão à testa, massageando-a antes de sorrir de canto e retomar a explicação, desta vez com mais calma e detalhes.
Enquanto aprendia um pouco sobre harmoniosidade de ramos, o brasileiro começou a brincar com um colar com pingente de pedra branca, rodando-o entre seus dedos enquanto observava as flores sendo postas num vaso.
Quando terminou mais uma vez, olhou pelo ombro e sorriu.
– Está melhor agora? É um bocadinho chato decorar tudo de uma vez mas com o hábito torna-se rápido.
Luciano, que havia se aproximado do menor para poder ver tudo de perto, soltou a pedra, que ele tinha mania de colocar na boca, como agora, e sorriu.
– Eu conheço algumas coisas... Minha mãe adorava flores e tínhamos um pequeno jardim quando eu era menino. Mas... – ele soltou um suspiro – Eu nunca perguntei para ela sua flor preferida.
Ao terminar de colocar terra, levantou-se e espreguiçou-se.
– Hum? E por que não? Qual é a tua preferida?
– Nunca me passou pela cabeça perguntar. – riu e depois tentou fazer o mesmo arranjo que Afonso – Não sei.
– Então pergunta-lhe quando puderes. Pelo vejo e ouço, as mães gostam sempre de receber flores. – ficou pensativo por uns momentos e depois apontou para um vaso de ipês – Aquelas alí vêm do Brasil como tu.
O brasileiro desfez seu sorriso por um mísero instante, logo aproximando-se dos ipês e sorrindo para as flores.
– Mamãe gostava dessas. Mas não eram as suas favoritas.
O português foi lavar as mãos e depois voltou com um regador.
– Então quais eram? A minha amava aquelas. – apontou para os cravos.
– Que flores são essas? – Luciano perguntou e ousou tocar nas pétalas – Tem uma cor bonita.
– São cravos.
– Ah. – sorriu e viu Afonso começar a regar algumas flores – Não sei. Mas lembro que elas eram brancas. E me pareciam ter caule comprido, mas eu era pequeno e tudo me parecia grande.
– Brancas... Hum... – olhou por todo o lado e à medida que enumerava apontava para a respectiva flor – Lirios? Gilbérias? Jarros? Rosas? Camélias?
Luciano riu e balançou a cabeça.
– Nenhuma delas. – deu de ombros – Tudo bem, não é mais importante.
– Por que?
– Bem--
O sininho da porta tocou, e ambos olharam em direção a ela.
Um jovem loiro, trajando um terno de coloração marinho, entrou no estabelecimento e, ao ver Luciano, franziu levemente suas espessas sobrancelhas, os olhos verdes fitando com pouco caso Luciano.
– Estou a incomodar?
Afonso sorriu abertamente e aproximou-se.
– Arthur~! Claro que não! – abraçou-o mas nem chegou a ser retribuído porque o inglês afastou-se quase de imediato. No entanto, o lusitano fingiu nem reparar nisso, era bem habitual o loiro fugir de contacto fisíco. – Como estás? O que se passa?
– Estou bem, obrigado. Nada. Saí mais cedo e decidi passar por cá. – como Afonso continuou a olhar para ele perdido, acrescentou – Sexta feira tenho folga. Queres ir jant--
– Quero! – se fosse um cãozinho, teria abanado a cauda de felicidade.
Luciano, pensando que atrapalhava – e Arthur realmente achava que sim –, pediu licença.
– Vou verificar as flores que você me ensinou e vou treinar arranjos na estufa, ok? – sorriu ao menor e depois tentou o mesmo com Arthur que, pelo sotaque, ele percebeu ser inglês. Quando o mais velho lhe encarou com cara de poucos amigos, o brasileiro riu nervoso e saiu dali.
– Quem seria a criança? O namorado da tua sobrinha?
Afonso deu-lhe uma leve palmada no braço
– Não sejas rude! É o meu empregado substituto da Lovina enquanto ela está de licença de parto.
O inglês suspirou e depois coçou a nuca.
– Tanto faz. Hey, tenho novidades.
– Novidades?
Corou e desviou o olhar.
– S-Sim, com o Francis.
O animo do lusitano desvaneceu, mas ele manteve um sorriso no rosto.
– E que contas?
Arthur mudou sua fisionomia, parecendo um pouco mais sensível e humano do que ele retratara para Luciano. Coçando a nuca e puxando um dos banquinhos oferecidos aos fregueses mais cansados, o inglês sentou-se e começou a declarar:
– Francis... Nós falamo-nos ontem e parece que ele está interessado em algo mais... sério.
Comentou que o francês, sua paixão desde a adolescência, havia aceitado sair consigo no fim de semana anterior. Ambos foram jantar num restaurante típico da culinária francesa e, apesar de algumas implicâncias, tudo havia corrido tranquilamente. E, no final, ambos acabaram passando a noite juntos.
Apesar de doer ouvir aquilo, Afonso manteve uma expressão neutra ao longo de todo o discurso. Ele sabia que Arthur gostava do francês há vários anos mas eles implicavam tanto um com o outro que no fundo o português não acreditava que aquilo pudesse dar certo.
No entanto, estava aprovado que ele se tinha enganado.
Gostava muito de Arthur e realmente só queria a sua felicidade mas... Não conseguia evitar ter cíumes e sentir-se desiludido.
Magoava imenso os seus sentimentos porque era como se tivesse sido trocado mesmo que Arthur tivesse deixado bem explicito que a relação entre eles não passaria de amizade proveitosa.
Forçou um sorriso e disse:
– Fico feliz por vocês.
– O-Obrigado... – o loiro coçou a nuca, envergonhado, e encarou Afonso – Mas sexta vamos jantar na mesma, sim? Vai dar um jogo de futebol importante e é sempre melhor ver com companhia.
– Hum... Tens razão. – rodou nos calcanhares e foi ao balcão, pegando em alguns rebuçados de fruta que tinha na gaveta – Queres? – ofereceu ao britanico.
– Não, obrigado. Não gosto de rebuçados de fruta.
Afonso sorriu torto, abrindo uma bala de laranja e pondo na boca, guardando as demais no bolso frontal de seu avental.
Uma voz, bela e calma, chamou a atenção de Arthur, que girou o rosto em direção à porta dos fundos, prestando bastante atenção.
“O luar, estrela do mar
O sol e o dom, quiçá, um dia a fúria
Desse front virá lapidar
O sonho até gerar o som
Como querer caetanear o que há de bom.”
– Arranjaste um cantor ou um ajudante, Afonso?
Afonso olhou na mesma direcção e prestou atenção na voz. Não tinha chegado a ouvir com atenção o brasileiro cantar e agora entendia porque motivo tanta gente tinha entrado na loja no dia anterior.
A voz de Luciano era incrível!
Suspirou e sorriu um pouco.
– Os dois...
Arthur apoiou seu cotovelo esquerdo no balcão da floricultura e o queixo na mão, encarando com muito interesse a porta que dava para a estufa. Embora não quisesse, o britânico tinha que admitir que Luciano cantava bem. Tão bem quanto Francis.
O assunto de seus pensamentos finalmente deixou seu banquinho nos fundos do estabelecimento, um sorriso largo e inocente, mas não menos eufórico, sendo dirigido única e exclusivamente para Afonso:
– Chefinho! – ele ergueu seu vaso de margaridas e aumentou o sorriso – Como ficou? Fiz bem? Aprendi direitinho?!
O português não se lembrava de ver alguém a sorrir tanto e com um sorriso tão contagiante. Mesmo tivesse tudo menos vontade para sorrir, já que sentia o seu coração despedaçado, Afonso retribuiu minimamente o sorriso de forma educada.
– Fizeste direitinho e não me chames “chefinho”.
Luciano riu e deixou seu vaso sobre o balcão.
– Devo chamar você como se não pode ser “guri” ou “chefinho”?
– O Afonso tem vinte e cinco anos, puto. – Arthur disse resmungão, e Luciano olhou para os mais velhos sem entender.
– Por que me chamou de puto se nem me conhece? Afonso, você é mais velho que eu? Sério? Mas você é super pequeno! Vou te chamar de pequeno grande chefe!
O inglês rolou os olhos e Afonso fez um facepalm.
– “Puto” é como chamamos alguém mais novo e- N-Nem penses! Chama-me apenas e unicamente Afonso.
Encarou o brasileiro com uma expressão emburrada. Não gostava nada que fizessem referências à sua altura.
Luciano piscou e demorou a entender o que diziam.
– Então... Ah, você me chamou de “guri”! – ele sorriu mais aliviado – Por que não posso chamar você de “chefinho”? Não é porque você é pequeno, mas sim--
– Ele já disse que não. – Arthur interveio e Luciano olhou para o inglês – Se nos dás licença, volta para o teu trabalho lá na estufa.
O brasileiro encarou Afonso por um momento e sorriu de lado, pedindo licença e indo para os fundos outra vez.
Afonso franziu o sobrolho e encarou o britânico.
– Pra que foi isso?
– Ele estava a ser rude. – deu de ombros e levantou-se, ajeitando a gravata.
– Não estava, ele não fez nada de mal. O que se passa contigo? Estás de mau-humor?
Não que o inglês estivesse alguma vez de bom humor mas... Aquilo saiu da boca do lusitano antes que ele tivesse tempo de pensar.
– Não. E agora preciso ir, tenho uma reunião em meia hora e ainda preciso passar no banco.
Arthur pegou sua pasta e ajeitou as roupas, indo em direção à porta.
– Eu passo na tua casa sexta-feira. Levo cerveja.
Levantou o polegar em resposta e depois acenou quando o outro virou as costas e saiu. Afonso observou-o afastar-se, possivelmente ir para o carro, e parou de forçar o seu sorriso. Suspirou levemente e apoiou-se no balcão, escondendo a cabeça entre os braços.
Sabia perfeitamente que Arthur gostava do francês e ainda assim doía tanto...
Luciano continuou fechado na estufa, tentando estudar e reconhecer as flores, porém algumas lhe pareciam iguais, mesmo que diferentes. Não sabia o significado das cores, por que não se devia oferecer certas flores em casamentos ou funerais, por que Afonso parecia tão chateado...
Suspirou. Mal começara a trabalhar na floricultura e já se desentendera com seu chefe e com o namorado dele. Como poderia reparar seu erro, ficar amigo de Afonso e permanecer no emprego? Precisava do dinheiro para poder ajudar Martin, então precisava se dar bem com o português. E com quem mais fosse necessário.
Pegou algumas flores que achara bonitas – jasmins, rosas e crisântemos – e montou um vaso todo especial. Por ter medo de errar na composição das flores, optou por todas brancas. Ao ver-se satisfeito com seu arranjo simples, sorriu e saiu da estufa, soltando outro suspiro – este de alívio – ao ver que Arthur já tinha ido embora.
– Chefinho? – chamou enquanto se aproximava de Afonso e passava seus braços na frente do menor, ocasionalmente “prendendo-o” entre si e o balcão – Eu fiz um arranjo para você. Como pedido de desculpas por ter atrapalhado seu namoro!
Afonso levantou a cabeça, esfregando rapidamente os olhos que estavam um pouco humidos, e pestanejou confuso, olhando do ramo para Luciano algumas vezes.
– Tu não- Tu não atrapalhaste nada, que é isso, pah. – esticou o braço para o despentear, mesmo que o brasileiro fosse bem mais alto.
Sorriu um pouco e corou ao pegar no ramo.
– N-não era preciso nada, obrigado... – ajeitou algumas folhas e pousou-o ao lado da caixa registadora, comentando depois – Irónico... Não me lembro de alguma vez me terem dado flores...
Luciano sorriu ao ter o cabelo despenteado, e seus cachos armaram, dando-lhe um aspecto de leão moreno. Seus dentes claros faziam um contraste bonito com sua pele escura. Ele tinha toda uma paixão por carinho nos cabelos, o que, involuntariamente, o fez baixar o rosto e se contorcer de leve, quase soltando um ronrono.
– Seu namorado podia te dar flores. Elas combinam com você. – disse enquanto pedia mais carinho.
A reacção do moreno tinha sido tão engraçada que Afonso lhe voltou a esfregar a cabeça por curiosidade.
– Ele não é meu namorado. – suspirou.
O brasileiro abriu os olhos e ergueu o rosto. Como estava encurvado, seu rosto ficou na altura do de Afonso, e eles se encararam devidamente.
– Não? – piscou – Mas você gosta dele, não? Deu para notar...
Observou atentamente o brasileiro e só quando as palavras dele fizeram sentido é que corou furiosamente e afastou-se, aproveitando para desviar o olhar ao pegar em mais um rebuçado.
– N-Não... Ele é apenas meu amigo.
– Ah, foi mal. – Luciano sorriu e bagunçou os cabelos presos de Afonso, pegando seu primeiro arranjo e olhando para ele. O segundo tinha ficado mais bonito... – Chefinho... Eu posso levar esse arranjo para casa? E-eu posso pagar pro ele, você não vai ficar sem flores!
Resmungou e certificou-se que tinha o cabelo no lugar.
– Só com uma condição. – colocou as mãos na cintura – Não me voltas a chamar “chefinho”. E também não quero que me pagues.
Luciano sorriu.
– Ah~ meu namorado iria a-do-rar ganhar meu primeiro arranjo de flores! Mas o meu chefinho não me deixa pagar por elas. – suspirou e se fingiu de bobo – Isso é tão injusto~
Afonso sorriu de lado.
– A vida não é justa. – pegou em mais um rebuçado para si e ao ver que sobrava outro, atirou para Luciano – Leva lá o ramo. Mas se me voltas a chamar isso, és despedido. – tentou fazer uma expressão séria.
Luciano pegou a bala e retirou uma caixinha transparente do bolso de sua calça, jogando-a para Afonso.
– Gosta de canela? – ele sorriu e comeu a bala de fruta, falando enquanto mastigava – Obrigado. O Martin vai gostar do vasinho.
Quase deixou cair a caixinha e quando a agarrou comentou:
– Canela? Eu adoro canela. Na verdade, eu correria meio mundo só para arranjar canela. – tirou um tic-tac da caixa e atirou-a de volta para Luciano – Obrigado e de nada.
Luciano guardou a caixinha de tic-tac e sorriu, ainda mastigando a bala que Afonso lhe dera. Era mole, grande e grudenta, e ele começou a rir porque não conseguia engolir a bala.
– Como você consegue comer isso? – tapou a boca por começar a babar – É grudento, chefinho.
– Já disse para não--
– Eu sei. – limpou a boca com a manga de seu moletom e sorriu – Foi mal. Gostei de te chamar assim.
Rolou os olhos e com a mão puxou-lhe o queixo para cima.
– É assim que se come. De boca fechada.
O brasileiro riu outra vez e tentou se livrar dos pedaços de doce que gradaram em seus dentes, fazendo caretas enquanto passava a língua por eles.
Já passara das dezoito horas e, excetuando a visita de Arthur e Elizabeta, nenhum cliente passara pela porta. Luciano, ao notar que logo fechariam a floricultura, foi até a dispensa e pegou uma vassoura e um esfregão, passando a limpar o chão enquanto cantarolava.
Afonso foi arrumar alguns dos vasos de decoração e ficou entretido a ouvi-lo cantar, comentando depois:
– Tu cantas muito bem!
Luciano ergueu o olhar e encarou Afonso, sorrindo de canto e todo abobalhado.
– Ah... – ele corou de leve e coçou a nuca, ainda atrapalhado. Não era comum lhe elogiarem – Obrigado, chefinho.
Semicerrou os olhou.
– Retiro o elogio depois de ouvir-te chamar-me isso.
Quando terminou de colocar os vasos direitos, suspirou.
– Deixa ficar isso, eu termino. Vais a pé embora? Aproveita que está claro ainda.
O moreno espreguiçou-se e estalou a coluna, suspirando em contentamento depois.
– E você? Não quer companhia até em casa? – retirou o avental e acabou por bagunçar seu cabelo. Ao ver a cara de desconfiança de Afonso, explicou-se: – Calma! Eu só preciso conhecer melhor a cidade. Então vou poder ajudar nas entregas.
– Bem, também se pode ir por o outro lado para chegar à pousada da Bella. – retirou o seu avental, mas sem alagar o cabelo, claro, e pendurou-o num cabide – 'Bora lá, então?
Sorriu e pegou seu casaco.
– Depois de você, chefinho.
~※~
– Mas será possível? Onde está o meu café?
A voz estridente do argentino ecoou pelo salão, e os ajudantes encolheram os ombros, apertando qualquer coisa que tivessem em mãos – pastas, fotos, máquinas fotográficas...
– S-senhor Rodriguez... – um baixo e tímido homem aproximou-se da “fera” que era o modelo e lhe sorriu torto – O-o seu café já será servido e--
– Eu já pedi este café há meia hora, senhor-- – puxou um punhado da camisa do menor, olhando seu nome na plaqueta de metal – Alberto?
– S-sim.
– Pois bem, seja útil, Alberto, e me traga logo este café!
– S-sim, senhor! – ele atrapalhou-se, ajeitando as roupas e os óculos de armação grossa, apressando-se em deixar o aposento, correndo até a máquina de café mais próxima.
A chefe de Martin, uma mulher de seus trinta e cinco anos e completamente doida por coisa bonitas – então, pelo argentino –, chamou-o assim que chegou no salão.
– Martin, meu docinho! – ela lhe apertou as bochechas até torná-las rosadas – Vejo que te estás a esforçar, querido!
O loiro sorriu e mudou seu temperamento, ficando extremamente doce e gentil.
– Amélia. – Martin lhe tomou as mãos e beijou o dorso, sorrindo galanteador – Estou fazendo o melhor pela senhor--
– Nem termines essa palavra horrenda, docinho! – resmungou e depois voltou a sorrir ao ter as mãos beijadas outra vez – Querido, eu estava a pensar: Martin não é um bonito nome para um modelo da tua altura.
– E qual você sugere?
A ruiva sorriu maliciosa, ajeitando seu casaco de pele sobre os ombros anoréxicos.
– A partir de agora, chamar-te-ás Santiago.
– Santiago? – ele sorriu e fingiu uma apresentação – Santiago ao seu dispôr.
Amélia voltou a sorrir e bateu palmas, o que fez Martin rir. Santiago lhe soava um nome mais latino do que Martin, e a imagem era tudo. Ainda mais se tratando de modelos.
– Pois bem, Santiago. Para comemorar o teu novo nome, uma surpresa! – sorriu e chamou – Michelle, querida? Podes entrar.
Uma moça pequena, de pele morena e cabelos escuros, presos num rabo de cavalo alto, entrou timidamente no salão, mantendo o rosto baixo e um sorriso nervoso no rosto bonito.
– Esta é Michelle. Michelle, Santiago. – apresentou – Santiago, Michelle será a tua secretária e está encarregada de fazer tudo o que pedires, certo?
Martin observou-a atentamente e sorriu.
– Certo. É um prazer conhcê-la. – esticou a mão e ela retribuiu o cumprimento com um pequeno sorriso, um pouco intimidada com o argentino.
– Igualmente...
Amélia cruzou os braços, satisfeita e ia comentar qualquer coisa mas foi interrompida por Alberto que bateu à porta.
– Aqui está o café.
– E tu, quem és?
– A-Alberto Vieira, senhora. V-vim trazer o café do senhor Ma--
– Santiago! – a ruiva rosnou e fez um sinal para Martin pegar logo o copo de café. Mal o loiro o fez, Amélia enxotou Alberto e proibiu que entrassem naquele salão até segunda ordem. – Santiago, meu querido. Tenho que ajeitar o figurino do desfile de Natal, então tu e a Michelle... – olhou para a menina tímida e passou a mão nos cabelos escuros dela – Eu não sei, querido. Tomem um ar. Tomem alguma coisa.
Amélia sorriu e deu um beijo estalado na bochecha de Martin, manchando a pele clara com seu batom vermelho. O argentino lhe foi cortês e a mulher deixou o salão.
– B-bem. O-o senhor pode me dar ordens do que fazer e--
– Michelle, certo? – ele sorriu quando a menina confirmou – Você me parece jovem. Tem quantos anos?
– V-vinte e três, senhor.
– O senhor está no céu. Me chame pelo meu nome.
– Santiago?
Martin piscou. Se eram ordens de Amélia ser chamado assim, ele que não era louco de desobedecer. Com um sorriso galanteador, maneou a cabeça e tomou a mão esquerda de Michelle, beijando-lhe o dorso.
– Santiago. É um imenso prazer, Michelle. – a menina corou – Não se assuste com Amélia, ela pode parecer um tanto grosseira, mas tem bom coração. – ao menos ele achava que sim.
Michelle sorriu mais abertamente.
– Que tal aceitarmos a oferta de Amélia e irmos tomar alguma coisa? Podemos fazer um tour pela empresa e você conhece seu novo local de trabalho.
Michelle aceitou a proposta e pousou o dossier que carregava em cima da mesa.
– Tem uma pastelaria no outro lado da rua que tem uns doces bons. O-ou pelo menos foi o que me disseram, p-podiamos ir lá? – encarou “Santiago”, corando um pouco com vergonha.
Martin sorriu, o que fez Michelle corar ainda mais e seu coração bater mais depressa, e ofereceu o braço esquerdo para a menina.
– Você gosta de pastéis? Eu gosto, mas prefiro o de camarão. – Michelle, encabulada, aceitou seu braço – Você é tímida, Michelle. Não se preocupe, vai ser a minha protegida aqui, sim?
– E-Eu não sou tímida! – fez um subtil beiço e colocou a mão livre na cintura – Sou só envergonhada por ainda não conhecer ninguém. – disse na brincadeira e sorriu um pouco – E tu vais ser o meu guarda-costas é?
– Se a senhorita me permitir. – Martin sorriu e lhe piscou o olho, aproveitando para sobrepor sua mão livre à mão de Michelle.
Apesar de ter corado imenso, deu um sorriso timido e não se opos ao toque. Que mal teria em acompanhar o argentino num lanche? Não conhecia ninguém alí e todos os amigos eram bem-vindos.
~※~
– Lo-vi-na~!
O chamado inconfundível de Bella ecoou pela pequena e ajeitadinha casa, e a italiana abriu um sorriso. Com a ajuda de seu maravilhoso, querido e super-protetor marido, Lovina sentou-se em sua cama – com direito à quatro travesseiros – e ajeitou os longos cabelos castanhos, prendendo-os numa trança lateral. Logo Sofia veio correndo ao seu encontro, e atrás dela, Bella e Elizabeta.
– Querida, como te sentes? Afonso disse-me que te sentiste mal. – a húngara sentou-se ao seu lado na cama, dando-lhe um querido beijo na bochecha.
A belga, que era mais “espaçosa”, tirou Sofia e Antônio do quarto ao lhes pedir que preparassem um chá para a italiana, receita da família Ackerman.
– Mas eu quero ficar com a Lovi--
– Nem penses! A Lovina precisa desse chá agora mesmo! – empurrou-lhe pelas costas e fechou a porta assim que o espanhol passou dela. No corredor, Sofia riu e Bella a ouviu chamar pelo pai – Pois bem! – virou-se para as amigas sentadas na cama – Lovina, querida! Eu sou incrível!
– Tens a certeza que não és irmã de Gilbert?
Bella piscou e depois riu.
– Não sei quem são meus pais biológicos. Talvez eu seja mesmo. – riu e aproximou-se da cama – Eu consegui um substituto pra ti na floricultura.
– E devo admitir que ele é uma perdição. – Elizabeta concluiu.
A curiosidade da italiana foi atiçada por todo aquele tom de cusquice que havia alí.
– Uma perdição? Quem é?
Bella explicou então quem era (e como era) Luciano, sendo ajudada por Elizabeta na descrição.
– E isso não é o melhor~
– Pois não~
Como elas não avançavam o assunto, Lovina cruzou os braços e encarou-as na expectativa:
– O que há mais?
– O teu cunhado~
Tinha agora perdido todo o fio à meada.
– Que tem o Afonso?
Elizabeta sorriu, quase maliciosamente:
– Quando eu lá entrei eles estavam os dois pertinho um do outro~
Bella quase deu um berro, e Lovina enrubesceu com o sorriso de sua amiga morena.
– C-como assim pertinho, Liz? – a italiana questionou, porém a loira começou a sacudir a mais velha.
– Não me contaste essa cusquice, Liz! Como podes esconder isso de mim? – Bella fez olhinhos de cão abandonado e dramatizou, sentindo-se ofendida.
– E tu achas que eu iria contar isso apenas pra ti? A Nina merecia saber antes de ti~ – Elizabeta implicou, e Lovina riu.
– Contem-me mais, meninas. – pediu, e suas amigas deitaram-se ao seu lado – Este tal Luciano... É um bom rapaz?
A loira soltou um suspiro.
– Muito, Nina! É doce, gentil, canta muito bem...
– É lindo--
– Liza! – Lovina e Bella riram da amiga
– Mas tem um porém... – Bella entristeceu.
– Qual?
– O Luciano tem namorado. Um argentino mal-humorado e metido! – cruzou os braços e fez beiço.
Lovina suspirou e fez a mesma expressão, dando de ombros depois.
– E há outro pormenor.
– Qual? – as outras duas perguntaram em unissono.
– O Afonso anda caídinho por aquele inglês de péssimo humor e chato.
Elizabeta pestanejou e ficou pensativa.
– Oh... É uma pena então!
Bella soltou um muxoxo e depois resmungou:
– Eu detesto o Arthur. É um mesquinho de primeira e ele não merece nosso Afonsinho.
– Bella, se eu não soubesse que és doidinha pelo teu irmão, diria que tás apaixonada pelo meu cunhado.
A belga corou.
– F-fique quieta, Nina! – deu-lhe um sutil empurrão, uma vez que a amiga estava de repouso – Mas... Não há cavalo preso que não paste. – ela riu e piscou o olho.
– O que tás a aprontar, Bella? – a húngara questionou, e Bella sorriu.
– Se-gre-do~
As morenas reviraram os olhos e depois riram. Quando Bella tinha alguma ideia, ela corria atrás dela.
~※~
Não demorou muito até chegar à casa do português porque este caminhava rápido por hábito. Antes de abrir o portão informou o brasileiro:
– Segues por este caminho e depois viras à direita nas ruas seguintes que vais logo dar a casa da Bella. E se virares à esquerda vais dar ao castelo e ao centro histórico.
Luciano olhou atentamente para os caminhos indicados por Afonso e depois voltou a encarar o mais velho.
– Obrigado. – Luciano sorriu e colocou a mão direita no bolso de sua jaqueta, uma vez que segurava o vaso de margaridas com a mão esquerda. – Hei, chefinho. Você me recomenda algum restaurante?
– Restaurante?
– É! Eu convidei o Martin para jantar fora hoje, mas não sei onde posso levá-lo.
– Martin?
Luciano riu.
– Sim, meu namorado. Eu comentei dele, se lembra?
Pestanejou por um breve momento.
– Acho que sim, desculpa não me recordo bem.
Pensou em restaurantes que houvesse por ali na zona.
– Tem um restaurante japonês perto do Shopping que é do Kiku, digo- de um velho conhecido meu. Hum... Tem outro perto do centro que é mais com comida tradicional e é capaz de ser mais romântico. E penso que existe outro mais alí em baixo... – apontou – Mas nem sei se está ainda aberto.
O brasileiro sorriu amigavelmente e piscou o olho para Afonso.
– Obrigado mais uma vez, chefinho.
Afonso franziu o cenho e abriu o portão, passando por ele e fechando-o na cara de Luciano.
– H-hei! Que foi, chefinho?
– N-Não me chames isso! – resmungou e colocou-se em bicos de pés para espreitar por cima do portão – Já disse para me chamares Afonso.
Luciano aproximou-se do mais velho, mas não precisou pôr-se na ponta dos pés por ser alto.
– Qual o problema de eu te chamar assim? – fez beicinho.
O mais velho fez uma expressão emburrada e franziu o sobrolho.
– N-Não é profissional!
– E te chamar pelo primeiro nome é? – Luciano sorriu – Ok. Chefinho Afonso, que tal? – piscou.
Corou mas a sua expressão manteve-se.
– Está quase. Agora só falta tirar o “chefinho” da frase.
Luciano sorriu e apertou a ponta do nariz de Afonso.
– Você é uma gracinha, chefinho, mas se irrita com facilidade.
Desta vez, ficou rubro e atrapalhado.
– V-Vais ser despedido se me voltas a chamar disso. Estou a avisar.
O sorriso de Luciano enfraqueceu, e ele afastou sua mão do rosto de Afonso.
– Ok, Afonso, ok. – acenou ao mais velho e deu um passo para trás – Até amanhã. Obrigado pelas flores.
Respirou de alívio, satisfeito por ter conseguido ser ameaçador.
– De nada, foram merecidas. Considera uma pequena recompensa pelo primeiro dia de trabalho e- oh, quase me esquecia! – suspirou e sorriu um pouco, o mesmo sorriso tristonho de antes – Desculpa a forma como o Arthur te tratou, ele tem um feitio difícil ás vezes.
– Tudo bem. Não é como se eu não estivesse acostumado. – deu um meio sorriso e abanou, dando as costas para o mais velho.
“A curiosidade matou o gato” foi um ditado que passou brevemente pela sua cabeça.
Apoiou-se melhor no portão de forma a conseguir pousar os cotovelos na parte de cima sem ter de ficar na ponta dos pés.
– Por que dizes isso?
Luciano olhou por cima do ombro esquerdo e sorriu, dando de ombros.
– Digamos que não sou assim tão famoso no Brasil.
Afonso inclinou um pouco a cabeça.
– Por algum motivo em especial?
– Digamos que sim. – sorriu e voltou a abanar – Tchau, Afonso.
Pestanejou e acenou de volta.
– Até amanhã.
Saltou para baixo do portão (resmungando brevemente por quase ter caído) e foi para casa.
~※~
Quando chegou na pousada dos irmãos, Luciano correu para o banheiro social do casebre e tomou um belo banho. Separou uma boa roupa e vestiu-se, indo esperar por Martin na sala de estar.
Bella, que chegava da casa de Lovina, ao vê-lo sentou-se ao seu lado.
– Diz-me como foi teu primeiro dia~ – ela pediu, toda contente.
Luciano sorriu e lhe beijou a bochecha.
– Ah, Bella! Muito obrigado pelo emprego! – apertou-lhe a ponta do nariz, fazendo-a rir – Admito que não conheço muito de flores, mas o chefinho tem uma grande paciência em me ensinar.
A loira sorriu com um pouco de malícia.
– “Chefinho”?
– A-ah... Eu comecei a chamar o Afonso assim, mas ele detestou. – coçou a nuca, acanhado.
O seu sorriso malicioso aumentou.
– Ah, não ligues. O Afonso é mesmo assim. Reclama até mesmo que lhe chama “Afonsinho” ou “irmãozinho.” – fez festinhas no cabelo do brasileiro, notando que estava ainda um pouco húmido. Só então reparou que ele estava vestido de forma mais formal do que era costume – A que se deve a ocasião?
– Verdade? – fez o mesmo que quando Afonso lhe acariciou o cabelo: inclinou a cabeça em direção ao toque e soltou um ronrono – Vou levar o Martin para jantar. O chefinho me indicou alguns restaurantes. – sorriu.
– Queres que te faça companhia aqui até ele chegar? Hoje vamos jantar mais tarde por isso não tenho nada para fazer agora. – por achar graça à reacção dele, continuou com o cafuné.
Luciano fechou os olhos. Ah, estava tão cansado.
– Não quero atrapalhar. – disse baixinho e deixou sua cabeça cair sobre a mão da amiga – Posso ajudar em alguma coisa?
Bella sorriu um pouco e manteve o carinho.
– Não é preciso nada. Estás bem?
A voz do brasileiro se tornava cada vez mais baixa e falha. Carinho na sua cabeça e nuca sempre o fazia dormir.
– Hn?
Bella riu baixinho e parou o carinho por uns momentos.
– Eu perguntei se estava tudo bem.
A falta de resposta de Luciano fizera a belga aproximar-se do mais jovem e verificar que ele havia adormecido. Oh! Luciano era um rapaz tão querido! Bella gostava tanto dele!
Bella levantou-se e pegou um cobertor que estivera o dia todo secando, cobrindo o brasileiro com ele. Sorriu novamente e esfregou de leve os cachos molhados de Luciano, inclinando-se para baixo e beijando a bochecha do moreno.
– Bella? – Hansen chamou.
Ela levantou-se e foi até ao seu irmão, o abraçando.
– Olá~ Shh faz pouco barulho, o Luciano adormeceu no sofá.
Como sempre, Hansen não retribuiu o abraço, apenas bateu levemente a mão direita no topo da cabeça da irmã, como se ela fosse um cachorro que aprendera um truque novo.
– Trouxe os ingredientes para o jantar. – ele avisou e a loira pôs-se na ponta dos pés, sorrindo ao ver o cestinho da bicicleta do mais velho cheia de sacolas de papel.
– Certo! Vou preparar um delicioso salmão--
– O salmão estava muito caro. Pude comprar apenas sardinhas.
Bella piscou e encarou o irmão, sorrindo um pouco.
– Então será sardinhas!
O holandês suspirou e voltou a esfregar-lhe o cabelo antes de se afastar.
– Precisas de aju-
– Não~ Só não sei quantos somos para jantar hoje. – pensou por um momento e enumerou – Nós os dois, o Alfred, o Roderich... Sabes se o... Hum... Er... Como é que ele se chama?
Hansen levantou uma sobrancelha.
– Quem?
– ...Não sei.– deu de ombros – Mas falta alguém. Não tem mal... Pomos um prato a mais e logo se vê.
– E Ivan? – questionou.
– Ivan ligou-me. Vai estar a trabalhar até tarde hoje. – sorriu e pegou seu avental, indo preparar o jantar.
Hansen seguiu a irmã e foi arrumar as pequenas mesas. Geralmente alguém – Alfred – juntava todas para formar uma única e grande mesa, mas sempre tinha um – Roderich – que preferia comer sozinho. Por costume, o holandês as preparou individualmente.
Logo os demais pensionistas chegaram de seus trabalhos ou faculdade. Os irmãos norte-americanos foram os primeiros, e assim que viram Matthew, Bella e Hansen se entreolharam, a moça sorrindo afetada ao mais velho. Depois, chegou Roderich, carregado de partituras e com o estojo de seu violino na mão direita. Até mesmo Ivan, que trabalharia até mais tarde chegou a tempo de jantar com todos...
Porém, nenhum sinal de Martin.
Já havia passado da meia noite quando Bella, segurando o choro, foi chamar o adormecido brasileiro.
– Luciano? – sua voz falhou devida a angústia, e ela olhou uma última vez para a porta da pensão – Luciano? Acorde, querido... Já está tarde.
– Hn? E o Martin? – questionou enquanto esfregava os olhos, realmente cansado.
A belga forçou um sorriso e lhe despenteou os cabelos.
– Teve de trabalhar até tarde... Vem, estás com fome?
Luciano balançou a cabeça.
– Não... Eu vou para o quarto. – ela sentiu sua mágoa – Obrigado e boa noite, guria.
O moreno subiu as escadas e fechou-se em seu quarto enquanto Bella soltava um longo suspiro e abraçava a manta que cobrira o brasileiro.
Ah, ela detestava o argentino!
Notas finais
Senhor Santiago-- Martin! :P
O que será que esse argentino irá aprontar?
E Afonso? Será que, um dia, ele permitirá que Luciano o chame de "chefinho"?
Leia os próximos capítulos e descubra!
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