O Som Do Coração
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Capítulo XIX:
Bella estava nervosa. Saíra do consultório naquela manhã com uma notícia inesperada, e ela não tinha certeza de como Hansen reagiria.
Pediu para que seu irmão fosse ao seu quarto depois do almoço, e assim que chegou, o holandês a abraçou e beijou seu pescoço.
– Hans... Precisamos conversar...
Ele suspirou, provocando arrepios involuntários nela, mas logo pousou o queixo na sua cabeça.
– O que se passa?
Bella se afastou e mordeu o lábio inferior, nervosa. Fez Hansen se sentar em sua cama e, depois de andar de um lado ao outro do quarto com o exame nas mãos, declarou:
– H-Hans... E-eu estou grávida...
Hansen empalideceu visivelmente com semelhante notícia inesperada.
– G-Grávida? Grávida... Grávida? – levantou-se e ficou a encará-la.
A loira já esperava tal reação de seu irmão. Hansen não gostava de crianças e aquela gravidez não fora planejada.
Como explicariam a criança?
– M-me desculpa. – ela começou a lacrimejar – P-pelos exames, estou de dois meses, que foi quando... Na nossa primeira vez...
Ao vê-la choramingar, deu dois passos até ela e abraçou-a. A culpa era de ambos e o holandês, por mais que estivesse assustado com a ideia, nem punha em causa abandoná-la ou sequer pedir para ela abortar.
– Não chores... Nós vamos resolver isto...
Bella estremeceu no abraço e começou a chorar baixinho. Estava tão assustada com aquela gestação quanto o irmão.
Porém, ela sentia uma pontada de felicidade: seu instinto maternal já havia aflorado, e a ideia de ter um filho com Hansen não lhe parecia assim tão horrível.
O mais velho respirou fundo para tentar acalmar-se. Ter filhos nunca tinha estado nos seus planos. Ele mal sabia pegar numa criança fará mudar a fralda ou preparar um biberão!
E agora que pensava melhor no assunto, Bella carregava na barriga um outro ser, outra vida. Vida essa que dependeria dele e que seria parte da sua família. Seu filho.
– E-Eu... Vou ser pai? – murmurou baixinho, mais para si do que para Bella, e começou a sentir-se zonzo e a ver tudo à volta.
Acabou por desmaiar.
– Hansi! – Bella gritou assustada ao sentir o irmão deslizar para o chão.
Por não ter força para impedir a queda, apenas evitou que ele se machucasse ao ampará-lo, e sentou-se no chão, abraçando o corpo desfalecido enquanto apoiava a cabeça do holandês em seu peito.
– Hansi? Por favor, meu amor, acorda...
Demorou uns momentos para voltar a ganhar consciência e quando o fez, soltou um leve grunhido, o que fez a mais nova apertar mais o abraço ainda.
Murmurou alguma coisa e puxou-a para o seu colo, acarinhando-lhe nervosamente a barriga.
O carinho desajeitado fez a loira sentir-se ainda mais nervosa, e ela logo voltou a chorar:
– O que faremos?
O holandês apertou o abraço e pousou a cabeça sob o queixo dela. Estava assustado ainda mas achava que o tempo resolveria isso. Afinal, a ideia de construir família com ela, mesmo que fosse ainda muito cedo, não soava tão mal assim.
– Levamos as tuas coisas para o meu quarto e mobilamos o teu.
Bella piscou e olhou para Hansen, os olhos úmidos e brilhantes.
Saber, de uma forma simples e talvez um pouco mais hesitante do que desejava, que Hansen assumiria aquele filho inesperado e que ele estava disposto a ficar consigo apesar das dificuldades fê-la chorar mais uma vez.
– B-Bella? – o holandês não entendia mais nada e, perdido sobre o que fazer, sentiu-se zonzo mais uma vez – O que houve? Estás a passar mal?
A loira balançou a cabeça, sorrindo enquanto chorava.
– T-tenho medo, Hansi... Tenho medo de ser uma má mãe... – limpou rapidamente as lágrimas e voltou a encarar o irmão – M-mas... E-eu estou imensamente feliz. – Hansen piscou, agora sim perdido. Bella soluçou e puxou a mão de Hansen para seu ventre, acarinhando-lhe o dorso – Eu estou a gestar um filho teu. Um filho nosso. Não poderia ser mais feliz.
O holandês corou e usou o polegar para lhe a acarinhar a barriga.
– Eu... Eu estou um bocado assustado... – ele admitiu, suspirando outra vez – Mas eu quero que nossa família possa ficar unida sempre.
Bella sorriu outra vez, sentindo o medo mesclar-se com a felicidade.
Não teriam como explicar aquele filho, uma vez que eram vistos como irmãos perante a lei, porém ela não desejava pensar naquilo naquele momento. Seus hóspedes já estavam indo embora, – Ivan terminara seu projeto e agora viajava para a França, onde iniciaria outro; Roderich, finalmente, se acertara com uma paixão adolescente e iria para a Alemanha viver com Gilbert; Martin deixara a pensão um dia depois de Luciano ir embora; e os irmãos norte-americanos já procuravam uma casa para morar – e os próximos que viriam não precisavam saber de sua fraternidade. Eles dariam um jeito. E seriam felizes.
– Eu amo-te, Hansi. – ela abraçou-o pelo pescoço – Eu amo-te mais que tudo.
Hansen sorriu e lhe beijou castamente os lábios.
– Eu amo-te, Bella.
~※~
Luciano apareceu na floricultura na manhã seguinte.
Tinha dormido num banco de jardim pois não se atrevera a voltar a casa de Afonso mas sabia que mais tarde ou mais cedo teria de falar com ele e... despedir-se do emprego. Seria difícil ter de conviver diariamente com Afonso... Seria o melhor para os dois.
Entrou na Colubris e surpreendeu-se ao ver outra pessoa no balcão.
– Lovina? Que faz aqui?
A italiana também apresentava um semblante péssimo, e assim que ergueu o rosto para encarar Luciano, franziu o cenho. Nunca se devia irritar Lovina, mas Luciano não sabia disso.
– Estou a trabalhar, cazzo. – ela rosnou e, como o brasileiro não entendia italiano, ele só piscou, confuso.
– Onde está o Afonso? Não veio trabalhar?
Lovina bateu com a tesoura na mesa, assustando o exausto e faminto brasileiro.
– Como tens coragem, Luciano? – ela saiu de trás do balcão e foi até ele – Como podes abandonar o Afonso quando ele mais precisa de ti?
Luciano piscou e em seguida desviou o olhar. Ele já se sentia culpado o suficiente.
– E-ele tem o Arthur e a família dele... Não precisa de mim...
Lovina colocou as mãos na cintura:
– Arthur? O que tem esse parvalhão a ver com o assunto? – resmungou mais ainda, contra o inglês, nem sequer se dando ao trabalho de disfarçar os palavrões – Tu sabes o que é que ele disse ao Afonso? Sabes? E sabes por quê?
Bufou irritada e esfregou as suas têmporas. António tinha regressado de manhã, contragosto, porque Afonso o obrigou e claro que tinha contado tudo à esposa, tudo o que o lusitano lhe tinha dito.
A mais velha encarou Luciano e franziu o sobrolho, recontando-lhe com as mesmas palavras do espanhol as palavras cruéis do británico.
A cada palavra dita, a tez de Luciano se tornava gradativamente pálida, e seus olhos se arregalavam. Podia uma pessoa ser tão cruel e egoísta?
– E-ele não fez isso...
Ela cruzou os braços.
– Pois fez. Por que é que achas que ele ficou naquele estado? – resmungou e voltou para trás do balcão – Como se já não bastasse os problemas com o pai ainda vem aquele... anormal, piorar as coisas!
Luciano piscou:
– O pai?
Lovina riu sem achar graça. Luciano só podia ser ignorante a situação, pois só isso explicava como ele podia fazer tanta pergunta idiota:
– É, Luciano. O pai dele. – resmungou – Ou melhor, o padrasto. Afonso e Antônio são filhos da mesma mãe, mas o pai do Afonso morreu quando ele era criança. – a italiana começou a limpar o balcão, esfregando-o com força e raiva – Mas isso não vem ao caso. Só te peço para que não magoes mais o Afonso. Nunca mais. E faça o necessário para obedecer-me.
O mais jovem apertou a alça de sua mala.
– O que quer dizer com isso, Lovina?
A italiana encarou-o novamente, os olhos úmidos.
– Vá-te embora e nunca mais volte. Não és mais necessário nessa floricultura.
Luciano abriu e fechou a boca algumas vezes, porém não conseguia contra-argumentar. No fim, agradeceu a italiana por tudo o que fizeram por si, acenou com a cabeça e se retirou da floricultura, a cabeça baixa.
Vendo-se só, a italiana chegou ao seu limite, e chorou.
Não gostava de se intrometer na vida de Afonso mas desta vez teve mesmo de ser...
Algures não muito longe dali, Afonso estava sentado junto à terra e arrancava ervinhas do jardim, perdido nos seus pensamentos. Tinha uma das mãos ligadas e a outra tinha só pensos rápidos por isso usava essa para puxar as ervinhas finas que facilmente se soltavam.
Sua cabeça pesava, e seus olhos estavam inchados. Agradecia seu irmão pela ajuda no dia anterior, porém ele só queria ficar sozinho.
A campainha soou e, embora não quisesse ver ninguém naquele momento – e quem sabe nos próximos dias –, Afonso limpou a terra nas roupas e entrou pala entrada dos fundos, encaminhando-se até a porta. Recém-havia tomado um longo banho, e seus cabelos úmidos estavam soltos e penteados.
Ao abrir a porta, seu coração comprimiu: Luciano estava ali, parado. Pelo cheiro de shampoo, também havia se banhado fazia pouco tempo, mas o agradável cheiro de canela ainda parecia fazer-se presente em sua pele amorenada.
– O-o que fazes aqui?
O brasileiro baixou o rosto para encará-lo, Afonso sentindo-se ainda menor em relação ao mais jovem.
– Vim ver como você está...
Afonso deu de ombros e desviou o olhar, nem lhe respondendo porque nem sequer sabia o que lhe dizer.
O moreno engoliu em seco ao ver os arranhões finos no pescoço dele e os chupões. Tirou as mãos dos bolsos para o acarinhar mas... Não se atreveu a fazer nada.
– Os... arranhões doem muito? – ele questionou num fio de voz, se arrependendo a cada palavra. Por que não ficara com Afonso quando ele precisava de si? Por que seu orgulho falara mais alto? – Afonso... – ele mencionou pegar na mão magoada – Dói?
Ele abanou com a cabeça negativamente e encolheu-se um pouco, afastando-se dele.
Preferia assim... Porque se Luciano se aproximasse mais, seria difícil afastar-se depois...
O brasileiro sentiu-se renegado, e aquilo o deixou ainda mais infeliz. Talvez Lovina estivesse errada, e Afonso apenas desejava a família e Arthur, embora o inglês fosse um babaca completo.
Não havia espaço para si. Nunca houve.
– Entendo. – ele tentou sorrir, mas desistiu no meio do caminho – Eu... fui ajudar você com os ramos na floricultura, mas a Lovina estava lá... – ele engoliu em seco. Aquilo era uma despedida – Ela me demitiu, então... Quero agradecer por sua ajuda. Por tudo. Você é um ótimo amigo. – deu um passo para trás. Não fora convidado a entrar – E eu espero que você fique bem. E que seja feliz.
O português observou-o chocado com aquela afirmação e esticou o braço, agarrando-lhe levemente na ponta da camisola.
– A L-Lovina fez o quê? Ela não pode fazer isso!
O brasileiro, então, sorriu de canto.
– Ah, está tudo bem. Vocês são sócios, ela tem todo o direito de demitir ou contratar alguém.
Afonso balançou a cabeça:
– M-mas ele devia ter-me dito antes! Ela--
– Afonso. – o europeu piscou – Está tudo bem... – talvez não devesse dizer que ele mesmo iria se demitir. Talvez aquilo ferisse ainda mais Afonso. – Isso... É o melhor que podemos fazer. – Afonso soltou-lhe a camisa, porém Luciano lhe tomou a mão.
– Que... Estás a dizer?
Luciano mordeu o lábio inferior, indeciso. Por fim, simplificou:
– Eu não sei o que aconteceu ontem e nem quero saber. Não me diz respeito. Mas... eu sei que tive minha parcela de culpa, e eu não aguento ver você naquele estado. – ele apertou a mão de Afonso – É melhor nunca mais nos vermos.
O aperto na sua mão magoava, porque era justamente a que estava mais magoada, só que Afonso não queria saber e apertou mais ainda, quase desesperadamente.
– O-O que queres dizer com isso? – deu uns passos atrás, trazendo o moreno consigo para dentro de casa – N-Não... Não vás embora...
O moreno não conseguia encará-lo. Aquilo doía tanto...
– É o melhor a se fazer... Eu não quero mais ver você naquele estado e me afastar é a única maneira de você ficar bem... e ter uma chance com o Arthur.
O coração do pequeno português deu uma guinada dolorosa e os seus olhos humeceram.
– O A-Arthur? Que tem ele a ver com assunto? Ele... – suspirou e tornou a desviar o seu olhar – Eu não sou pessoa para ele, não sirvo. Eu não quero nada com ele.
– Mas você o ama. – ele murmurou baixinho. Custava-lhe admitir que Afonso nunca o amaria – Eu... – tentou soltar a mão de Afonso, mas era difícil. Quando soltasse, iria embora para sempre – Vocês ainda tem chance. Eu vou embora... só queria agradecer por tudo o que você me fez. Sem você... eu provavelmente não teria conseguido nada aqui em Portugal.
– E-Embora para onde? – encarou-o quase com receio.
Uma coisa era admitir a si mesmo que seria melhor para Luciano se afastar...Outra coisa diferente era ver que ele faria isso mesmo.
Foi puxando-o para a cozinha e murmurou:
– F-Fica...
Luciano fechou os olhos por um momento. Com Afonso a lhe pedir, ele acabaria por ceder... Mas aquilo só traria mais mágoas ao português.
Dando um passo para frente, o brasileiro tomou o rosto de Afonso com ambas as mãos e colou sua testa na dele, sem conseguir encará-lo.
– Não posso.
Por outro lado, Afonso não conseguia desviar o seu olhar.
– P-por que não? Foi alguma coisa que eu disse? – tornou a agarrar-se na ponta da camisa dele.
Luciano, enfim, abriu os olhos, o castanho encarando o verde.
– Você não fez nada de errado...
Ele não tinha coragem para se declarar. Não conseguiria dizer ao mais velho como se sentia, nem que vê-lo com Arthur o magoava demais. Se Afonso tinha culpa, Luciano também tinha.
Luciano beijou-lhe a testa demoradamente, e assim que se afastou, murmurou:
– Adeus.
Afonso quase entrou em desespero e abraçou-o, colocando-se em ponta dos pés para pelo menos tentar ficar perto dele.
– Não vás...
O abraço foi correspondido, e assim que o corpo esguio de Afonso colou ao seu, Luciano não conseguiu mais se conter. Ele não pensou nas consequências, e nem se aquilo poderia ser doloroso pra Afonso, e levou sua mão até a nuca do europeu, puxando seu rosto para perto e lhe beijando os lábios.
Afonso logo o abraçou pelo pescoço e puxou-o para mais perto, aprofundando um pouco o beijo.
Era sempre tão diferente beijar Luciano... O seu peito aquecia e nem tinha vontade de separar...
O brasileiro deu um passo em frente e como o balcão estava atrás de si, Afonso deu um pequeno salto e sentou-se lá.
Luciano soltou um suspiro e apertou a coxa direita de Afonso, aproveitando-se também para aprofundar ainda mais o beijo. Era errado, magoava... Mas era irresistível.
Afonso era irresistível.
– Desculpa... – o moreno murmurou como das outras vezes mas, diferente de sempre, ele apenas voltou a beijar o mais velho, puxando-o pela cintura para si.
Afonso suspirou também e sequer lhe passou pela cabeça o impedir.
A sua mão menos magoada foi parar aos cabelos do moreno, puxando-lhe levemente o cabelo para o impossibilitar de se afastar caso fosse essa a intenção e acomodou o brasileiro entre as suas pernas, “abraçando” a cintura dele com elas.
O mais jovem lhe mordeu o lábio inferior com vontade, aproximando-se ainda mais da bancada da pia e puxando Afonso, fazendo com que ele ficasse quase que sentado em seu colo. Não havia impedimentos por parte do português, porém Luciano logo cessou os beijos.
Não era certo.
O português respirou fundo para tentar controlar sua respiração e batimento cardíaco. A simples proximidade do moreno era suficiente para que o seu coração ficasse aos saltos.
Não queria que ele se afastasse então encostou a cabeça no seu ombro e fechou os olhos por um momento.
– Desculpa... – o brasileiro murmurou – Eu não devia...
Afonso suspirou e tornou a abrir os olhos, murmurando:
– Entendo... Desculpa...
Luciano balançou a cabeça, e suspirou ao sentir seu corpo quente, mordendo o lábio inferior. Como um simples e inocente beijo podia deixá-lo tão alterado?
Afastando-se alguns centímetros, murmurou também:
– É melhor eu ir...
Afonso encarou-o um pouco assustado e engoliu em seco:
– F-Fica... Eu faço qualquer coisa... Por favor fica comigo...
– A-Afonso, não--
Ele estava prestes a pedir para que Afonso não falasse daquela maneira, porém logo os braços do europeu lhe envolveram novamente o pescoço, e o mais velho lhe mordeu o lábio inferior, provocando-lhe arrepios no baixo-ventre.
– Fica comigo, Luci...
Luciano soltou o ar numa arfada pesada, e logo seus olhos foram fechados com força, sua boca rumando até o queixo de Afonso, mordendo-lhe carinhosa e provocatoriamente.
Afonso entendeu aquilo como uma resposta afirmativa e suspirou novamente ao ser provocado.
Virou um pouco o rosto e mordeu-lhe a jugular.
O brasileiro engoliu um gemido, e puxou carinhosamente os fios soltos de Afonso, buscando-lhe a boca mais uma vez. Ficar próximo de Afonso mexia consigo, e tê-lo daquela forma, quase se entregando...
Se entregando...
Luciano puxou-o para mais perto, como se fosse fisicamente possível, e lhe apertou a perna esquerda, perto da nádega, mordendo-lhe o pescoço para lhe marcar a pele, desejando que seus chupões e mordidas se sobreposse às que Arthur fizera na noite anterior. Provocou-lhe a pele alva e arranhada, mordendo, beijando e chupando.
Afonso segurava a cabeça do mais novo pela nuca e levantou um pouco a cabeça para que ele pudesse marcar.
Com o seu ponto mais sensível a ser provocado, o lusitano não conseguiu evitar um gemido baixo e mover levemente as ancas de encontro ao brasileiro.
O corpo de Luciano estremeceu completamente ao sentir a sutil e desajeitada fricção provocada pelo mais velho e, hesitantemente e com medo do que poderia não encontrar, moveu a mão direita até o meio das pernas de Afonso, esfregando-a sobre o tecido da calça do europeu.
O mais velho corou e tornou a dar um subtil gemido, aproximando os seus lábios da orelha de Luciano para morder e lamber.
Começou a mover o quadril em sintonia com a mão de Luciano, pressionando-se mais contra ele para que também pudesse ter fricção.
– Afonso... – ele chamou baixinho, encostando sua bochecha na do europeu e lhe mordendo o lóbulo.
Deslizou a mão mais uma vez para cima, desapertando-lhe o botão e descendo-lhe o zíper. Chamou pelo português mais uma vez, puxando o tecido das calças alguns centímetros, voltando a afagá-lo apenas por cima da roupa íntima.
O português lembrou-se daquela vez em que o Luciano adormecido lhe fizera algo semelhante e a expectativa que lhe tornaria a fazer o mesmo provocou arrepios pela sua espinha.
Mordeu o lábio para não fazer nenhum barulho embaraçoso e imitou o gesto de Luciano, acarinhando o seu peito lentamente com a mão até chegar ao fecho das calças e abrir.
Diferente de Afonso, Luciano não evitou um gemido excitado, e assim que a pressão de sua calça foi aliviada, o brasileiro voltou a beijar o menor, vencendo a barreira imposta pela roupa íntima dele e tocando-lhe o membro, temendo não agradar e não encontrar uma prova física da excitação de Afonso.
Afonso apertou-o mais entre as suas pernas e apenas teve de cessar o beijo quando precisou de respirar.
– L-Luci...
Atacou o pescoço dele com mordidas leves pois assim mantinha a sua boca ocupada e enfiou a mão por baixo da roupa interior do moreno, imitando-lhe o gesto mais uma vez.
Mal sentiu a excitação física de Afonso, Luciano puxou-o para seu colo, acabando por impedi-lo de prosseguir com a masturbação.
Assustado e imaginando que Luciano não o desejava, Afonso encarou o brasileiro, soltando um gemido um pouco mais alto ao sentir pressão em seu membro nu.
– Luci--
– A-aqui não...
Afonso assentiu com a cabeça e deixou que Luciano o carregasse até ao quarto.
Pelo caminho, continuou a provocar o moreno quase sem intenção, sempre procurando mais contacto ou fricção.
Ao chegarem no quarto de Afonso, eles voltaram a se beijar, Luciano pousando delicadamente o mais velho na cama grande e macia, suas mãos descobrindo o corpo esguio abaixo de si, tímida e hesitantemente. A roupa o atrapalhava de sentir o calor do europeu, porém Luciano não desgrudava do único pedaço de pele a mostra: o pescoço pulsante de Afonso.
– Estou machucando você? – ele questionou num sussurro, a boca carnuda e quente colada na região logo abaixo do lóbulo direito de Afonso, sua mão voltando a afagar-lhe a intimidade.
Afonso arfou levemente e levou a mão que estava ligada até ás costas de Luciano, metendo-a por baixo da camisola dele.
Com a ponta dos dedos tentava sentir o calor e a pele macia do brasileiro, soltando suspiros profundos e gemidos disfarçados ao ter o seu pescoço provocado.
Luciano era meigo e a sua voz, assim tão baixa, provocava arrepios pelo português.
– N-Não... Isso é bom.
Os lábios de Luciano torceram-se num delicado e faceiro sorriso, e o brasileiro aumentou a pressão de seus movimentos, rumando a mão livre para o cós do jeans de Afonso.
– Posso?
O mais velho acenou afirmativamente com a cabeça e dobrou as pernas para ficarem ambos mais confortáveis.
Luciano acenou com a cabeça e cessou os afagos no mais velho, começando a despi-lo cuidadosamente, seu corpo sempre próximo do de Afonso, com medo que, se lhe desse muito espaço, ele fugiria de si.
O português tinha uma certa tendência a encolher-se mas como Luciano estava demasiado próximo era quase impossível.
Mordiscou-lhe o pescoço e começou a puxar a camisola do moreno para cima, desejoso por poder tocar-lhe sem ter a roupa como impedimento.
Percebendo a intenção do europeu, Luciano afastou-se o suficiente para que Afonso pudesse puxar sua camisa azul-marinho, aproveitando-se também para arranhar levemente a tez morena e quente. O brasileiro soltou um gemido rouco, e assim que teve seu peito despido, voltou a atacar o pescoço do menor, mordendo-lhe.
O português pôs a cabeça um pouco mais para trás para que ele pudesse ter espaço. Fechou os olhos por um momento e foi traçando linhas aleatórias pelas costas de Luciano.
Ele era muito melhor e mais carinhoso do que aquilo que ele tinha esperado.
Ainda hesitante sobre o que podia ou não fazer – e desejando o prazer máximo de Afonso –, Luciano voltou a sua tarefa de despir a vestimenta inferior do mais velho, tendo de se afastar mais uma vez para que concluísse a tarefa. Não antes de, claro, beijar carinhosamente os lábios do europeu, como se dissesse que logo voltava.
Depois de atirar a roupa para um canto – e ouvir Afonso resmungar sobre isso – voltou a aproximar-se dele, apenas parando o carinho por um momento para o poder beijar novamente.
Não demorou muito para entender que o lusitano era um beijoqueiro, pois sempre que se afastava para respirar ele puxava novamente para baixo.
O brasileiro, claro, não reclamaria sobre isso, uma vez que ele mesmo adorava trocar beijos com Afonso. Os lábios do europeu eram macios, e beijá-lo era sempre uma surpresa: a forma como Afonso movia a língua lhe excitava; a mania que ele tinha de lhe morder o lábio inferior quando se afastavam um pouco para respirar o deixava louco; e a insistência do menor de lutar pela dominância fazia-o perder o chão. Afonso não era o pervertido necessitado de seus sonhos, porém era muito mais apaixonante, e Luciano já sentia suas roupas apertadas.
Luciano levou as mãos até a barra da camisa de Afonso, e foi naquele instante que o europeu travou, puxando o tecido para baixo.
A resposta do moreno, entretanto, veio carinhosa e baixa ao pé de seu ouvido:
– Você não precisa tirar... – ele sugou o lóbulo de Afonso, mantendo a carne entre os lábios – Não vou fazer nada que você não queria... Mas vou subir um pouquinho para não nos atrapalhar, ok?
– O-Okey... – ele disse num suspiro baixo e deixou que Luciano puxasse a sua vestimenta até um pouco acima do umbigo, logo se arrepiando quando ele lhe segurou a cintura e acarinhou com o polegar.
Afonso percorreu-lhe a espinha com a mão até chegar ás calças de Luciano e tentar também tirar.
Como o mais jovem ainda estava calçando seus sapatos, a tarefa de Afonso foi um pouco mais complicada, e os dois acabaram se enrolando na cama. Luciano retirou os calçados como pode, e assim que conseguiram se livrar do jeans do brasileiro, eles voltaram a se beijar, Luciano arranhando de leve as coxas do europeu.
Afonso riu um pouco por causa da confusão que foi para despir o brasileiro. Mas logo valeu a pena.
Abraçou-o pelo pescoço e retribuiu, agora era muito melhor pois sentia a pele quentinha de Luciano junto à sua barriga e podia esfregar levemente as pernas junto ao tronco dele, prendendo-o um pouco.
Suspirou profundamente ao ser arranhado, arqueando um pouco as costas para conseguir manter próximo dele.
Luciano mordiscou-lhe o mamilo esquerdo por cima da camisa branca, e começou a acariciar as pernas do europeu, sempre gentil.
– Afonso? Você tem lubrificativo? – ele balançou a cabeça e enrubesceu de leve. Estava tão nervoso que acabara por misturar as palavras – D-digo... lubrificante?
– Lubrificativo? – repetiu com um certo divertimento, apesar de estar também nervoso, e apontou para a mesinha-de-cabeçeira que ficava no lado direito – Tem as duas coisas na gaveta.
O mais jovem deu um meio sorriso e se esticou até o criado-mudo, mantendo-se entre as pernas do europeu. Não foi difícil achar o pacote de preservativos e nem o tubo de lubrificante, e fez questão de usar uma generosa quantidade do produto em suas mãos, melando bem seus dedos.
Acomodou-se meio ajoelhado, e encarou os olhos escuros e brilhantes de Afonso, beijando-lhe a testa antes de esfregar o lubrificante gelado na entrada dele.
– Se doer, avisa e eu paro...
O lusitano acenou com a cabeça e abraçou-lhe o pescoço, puxando um pouco para baixo.
Sibilou por causa do liquido frio mas depressa se habituou à temperatura e começou a marcar o pescoço do brasileiro.
Cuidadosamente, Luciano passou a forçar seu indicador na entrada do europeu, beijando-lhe a têmpora sempre. Não queria machucar aquele que amava, por isso estava muito mais paciente que o normal.
O português suspirou por causa do breve incômodo mas tentou ignorar e ficar a brincar com os cabelos e pescoço de Luciano.
Luciano estava tão ocupado tentando não machucar Afonso que nem percebeu o quão apertada sua intimidade estava, o que descartava uma noite de sexo no dia anterior.
O brasileiro penetrou-lhe o primeiro dedo, esperando um pouco até começar a movê-lo.
Afonso arranhou-lhe as costas sem querer, quase com as pontas dos dedos e gemeu baixinho. Aproveitou a oportunidade e foi descendo a sua mão até ao traseiro do brasileiro e deu-lhe um apalpão.
Aquela ação pegou o maior desprevenido, e Luciano corou sutilmente. Quando se viu satisfeito com o indicador, passou a forçar o dedo médio, movendo sutilmente os quadris em direção ao português, tentando causar-lhe uma sutil fricção.
Desta vez Afonso gemeu mais alto e ajudou-o, começando também a mover os seus quadris ao mesmo tempo que ele.
Luciano mordeu o próprio lábio e arfou, terminando a penetração do segundo dedo e começado a movê-los em sintonia, a mão esquerda migrando para as costas de Afonso, dando-lhe uma espécie de abraço e trazendo o tronco do menor um pouco para cima, capturando-lhe a boca avermelhada.
Afonso corou um pouco e teve de o abraçar novamente para se segurar com o braço, usando as costas da mão livre para acarinhar a bochecha do moreno.
Era difícil dominar o beijo porque Luciano não “deixava” mas como era teimoso, Afonso esfregou-se mais lentamente no brasileiro o que o fez perder o foco.
O sul-americano deu-se por vencido, porém logo o ar foi solicitado. Mantendo sua testa colada na de Afonso, Luciano penetrou-lhe o terceiro dedo, beijando castamente a ponta do nariz do europeu.
Afonso respirou fundo para tentar acalmar um pouco a sua respiração. A dor incomodava-o um pouco mas ele sabia que era uma questão de tempo para isso desaparecer.
Suspirou levemente e mordeu-lhe a bochecha.
Luciano estava estranhamente quieto. Se fosse uma ocasião qualquer, o brasileiro falaria alguns palavrões, assim como a preparação já teria acabado. Porém ele sabia que aquele momento nunca mais aconteceria novamente, por isso desejava estendê-lo o quanto pudesse.
– Está doendo? – ele questionou ao sentir Afonso comprimir a entrada, e mordeu delicadamente a jugular do menor – Vou mais devagar, tá?
Ele abanou com a cabeça:
– N-Não, Luci~ Estou bem... – apertou as pernas na cintura dele e moveu as ancas para conseguir mais fricção.
O gemido agudo de Afonso fez Luciano suspirar, e assim que sentiu ambas as ereções a roçarem-se, ele também acabou por gemer.
Fechando os olhos por um instante, Luciano voltou a beijar o europeu, retirando os dedos de sua entrada e migrando sua mão até o sexo de Afonso, envolvendo-o e afagando-lhe a extensão com firmeza.
Afonso arqueou as costas e cessou o beijo para arfar e gemer novamente, desta vez mais alto por não ter conseguido controlar.
Com a respiração descompassada, segurou a nuca do brasileiro e disse:
– L-Luci... Não é justo que seja só eu a receber.
Com uma força que Luciano não sabia que ele tinha, rodou para o lado e inverteu posições, sentando-se sobre a barriga dele. Dobrou-se para a frente e começou a mordiscar e beijar o peito do moreno.
O brasileiro gemeu doce e roucamente, seus olhos castanhos sendo fechados enquanto ele jogava a cabeça para trás, os cachos úmidos e meramente bagunçados sendo balançados. Agora sim Afonso estava agindo como nos seus sonhos mais impudicos.
– Afon-fon... – Luciano chamou-o de forma entrecortada, puxando o menor para seu colo enquanto o impedia de prosseguir as carícias.
Afonso não entendeu se Luciano estava ou não gostando da provocação, mas sorriu de leve quando o moreno lhe beijou mais uma vez e acarinhou sua bochecha.
– Posso? – questionou enquanto pegava o preservativo ainda na embalagem, roçando-o pela cintura do menor.
Afonso esfregou-se subtilmente sobre o colo dele e gemeu baixo:
– P-Podes...
Beijou-lhe a bochecha e foi descendendo com até aos seus mamilos, que passou a mordiscar.
Acenando com a cabeça, Luciano começou a vestir o preservativo, soltando gemidos baixos enquanto Afonso continuava a provocá-lo.
Ao finalizar a tarefa, puxou novamente o europeu para perto de si, beijando-o apaixonadamente antes de arrumá-lo em seu colo, roçando sua glande na entrada dele.
– Se eu te machucar, fala, ok?
Afonso abraçou-o pelo pescoço e acenou com a cabeça.
– Eu digo...
Como Luciano estava sentado, encostou-se no ombro de Luciano e deixou que fosse ele a empurrar pra baixo.
A penetração foi lenta e cuidadosa, e Luciano manteve-se quieto a abraçar Afonso ao seu término. Aguardava que o europeu se acostumasse com a invasão, e o enchia de beijos e mordidas na jugular.
O português encostou-se no ombro dele por uns momentos, tentando recuperar a sua respiração e habituando-se lentamente à dor.
Só levantou a cabeça para segurar nas bochechas de Luciano e aproximá-lo de si e beijá-lo devagar.
Percebendo o desconforto de Afonso, o sul-americano retribuiu o beijo com calma, abraçando o menor pelas costas com o braço esquerdo e passando a provocá-lo com a mão direita: acariciava-lhe as pernas, apalpando a carne; arranhava de leve a virilha dele, às vezes circundando o umbigo; e, por fim, envolveu-lhe o membro, passando a afagá-lo devagar.
O lusitano foi ronronando levemente enquanto que a mão de Luciano passeava pelas suas pernas. Mesmo não admitindo, ele era um mimado e até mesmo essas carícias o faziam relaxar.
Cessou o beijo e gemeu baixo, chamando pelo brasileiro, que sorriu um pouco e lhe beijou o pescoço.
Largou o abraço e levou a mão esquerda até ás costas de Afonso, por baixo da t-shirt, mas sem a tirar, surpreendendo-se com a suavidade da pele naquela zona.
Afonso arrepiou-se todo com o afago. Sempre ficava nervoso em relação às suas cicatrizes, mas Luciano o tratava com tanto carinho que ele não se sentia mal com aquilo.
Eles ainda não se moviam, mas sentiam que apenas aqueles carinhos seriam suficientes.
Beijou novamente Luciano, sem ter pressa de se afastar, e começou a pressionar com a ponta dos dedos a espinha dele, divertindo-se ao perceber que isso provocava cócegas no moreno e que ele arqueava-se um pouco ao seu encontro.
Quando se afastou outra vez do beijo, riu baixo e comentou, a sua voz saindo entrecortada por causa da respiração acelerada:
– És mesmo sensível...
Luciano também sorriu, arranhando de leve as costas de Afonso enquanto aumentava a velocidade e pressão de seus movimentos manuais.
– Você também é.
– A-Ah~ Sou n-nada. – mordeu-lhe a bochecha e com a mão livre, segurou o pulso de Luciano – Quieto~
Sorriu de lado e começou a mover as ancas, usando Luciano como apoio.
Luciano rangeu os dentes e semicerrou os olhos, trazendo Afonso para mais perto:
– Você não é mais meu chefe. – ele provocou e soltou sua mão, voltando a masturbar Afonso e começando a mover seus quadris.
O mais velho arranhou-lhe as costas sem querer e mordeu-lhe o pescoço, tentando formular a sua frase entre gemidos necessitados:
– S-Sou sim, eu não te despedi.
– Isso não importa mais. – ele murmurou entre arfadas e girou o corpo, deitando Afonso na cama e ficando sobre ele.
Seu braço esquerdo ficou sob as costas do mais velho, entre a pele quente e a camisa do europeu, e Luciano voltou a beijar Afonso. Por culpa da nova posição, o brasileiro teve de mover a mão direita até a coxa esquerda do menor, erguendo-a para facilitar as estocadas, que agora se tornavam mais firmes e rápidas.
O português queria saber o motivo daquela afirmação porém não era o momento apropriado para perguntar.
Era-lhe difícil manter o beijo por isso teve de o terminar mais cedo do que aquilo que gostaria.
Ajudou nos movimentos com o quadril e deixou a cabeça cair sobre a almofada.
– L-Luciano~
Luciano estremeceu ao ouvir Afonso chamar seu nome. Mordeu o pescoço do europeu e impulsionou seu quadril com mais força, abraçando-o com firmeza enquanto gemia rouco:
– Afonso~
Sabia bem ser chamado pelo seu nome, Afonso notou. Mal se lembrava da última vez que isso tinha acontecido.
Agarrou-se nos ombros do moreno, novamente o arranhando sem realmente ter intenção.
Era cada vez mais díficil manter o foco e o português simplesmente fechou os olhos e tentou concentrar-se em Luciano, provocando-o por vezes ao mover-se mais devagar.
O brasileiro suspirou, sua boca movendo dos lábios entreabertos e rubros de Afonso até o pescoço já bem marcado dele. Descobrira que gostava daquela área sensível e macia, e cada vez usava mais força em suas mordidas e chupões, porém ele continuava estranhamente carinhoso. Era quase contraditório.
Apertando-lhe a cintura, acabando também por marcar-lhe aquela região com as unhas, Luciano diminuiu a velocidade das estocadas por um momento, puxando o quadril de Afonso alguns centímetros para cima e fazendo o português enlaçar seu quadril com as pernas.
Então, ele voltou a mover-se rapidamente, agora procurando por um ponto em especial.
Soube que encontrara o que procurava quando o lusitano apertou as pernas na sua cintura e gemeu mais alto que anteriormente, muito para contentamento do brasileiro.
– Ahn, Luci--! – Afonso estremeceu e jogou a cabeça para trás, deixando seus cabelos bagunçados sobre o travesseiro.
Luciano, então, sorriu e voltou a inverter as posições, trazendo Afonso para seu colo. O português abriu os olhos e eles se encararam, o brasileiro sorrindo docemente antes de voltar a beijá-lo e reiniciar a masturbação, movendo ainda mais rápido seus quadris.
O português de imediato segurou a nuca do mais novo, agarrando-lhe levemente no cabelo. Com a outra mão, procurou a livre de Luciano e agarrou-a, brincando com os seus dedos enquanto sentia que não aguentaria muito mais.
O mais jovem, embora a posição dificultasse um pouco, entrelaçou seus dedos nos de Afonso, tendo cuidado para não machucar ainda mais seus ferimentos. O curativo estava úmido e frouxo, e a fricção entre este e a mão machucava, porém o europeu não ligava para isso.
O colar que Luciano sempre usava se movia em sintonia consigo, e às vezes atingia o peito coberto de Afonso, não o magoando por culpa da camisa.
Os movimentos do português começaram-se a tornar incertos assim como os de Luciano mais rápidos e necessitados.
O mais velho mordeu-lhe a orelha esquerda e suspirou:
– L-Luci... Não aguento mais...
Luciano suspirou profundamente e balançou a cabeça, confuso sobre o que fazer: desejava aumentar a velocidade de seus movimentos, mas para isso teria que ajudar Afonso nos dele, e isso o forçaria ou a parar a masturbação ou largar a mão do europeu. O brasileiro não queria nem um e nem outro, porém preferiu parar com os afagos no sexo de Afonso a lhe soltar a mão, puxando o menor com força e convicção de encontro ao seu colo.
Apesar de doer um pouco por causa dos cortes, Afonso apertou-lhe a mão e deixou que fosse ele a comandar os movimentos, uma vez que teria mais força para isso.
A única coisa que conseguia pensar naquele momento era em Luciano e tinha um mau pressentimento de alguma coisa, no entanto ignorou isso e preferiu apenas apenar no primeiro assunto.
Apressou um pouco mais os seus movimentos e não demorou muito para que atingisse o clímax, chamando pelo brasileiro de forma descompassada.
O som de Afonso atingindo seu prazer máximo foi o limite de Luciano. A cavidade quente fora apertada, aumentando o prazer que o mais jovem sentia, e logo ele mordeu a jugular do europeu.
Movendo-se de forma rápida e vacilante, o brasileiro abraçou como pode – sem soltar a mão do menor – Afonso e lhe beijou a bochecha, gemendo contra a pele suada e quente ao atingir o orgasmo:
– A-fonfon-so~
Afonso esfregou-lhe as costas carinhosamente e sorriu um pouco por causa do gesto. Virou o rosto e deu-lhe um beijo de esquimó, encostando-se no seu ombro para recuperar a respiração.
Luciano, exausto e sem forças, deixou seu corpo tombar para o lado, trazendo Afonso carinhosamente consigo. Eles respiravam com dificuldade, e Luciano mantinha o europeu em seus braços, num abraço íntimo e necessitado por ambos.
Ele não queria se separar do mais velho, mas não havia outra alternativa.
O brasileiro suspirou de cansaço e levou a mão esquerda – a direita estava presa pela cabeça de Afonso – até a bochecha do menor, um recado mudo para que se beijassem mais uma vez.
O baixinho entendeu-o de imediato. Enroscou-se junto dele, entrelaçando as suas pernas com as do moreno e segurou-lhe a nuca, mantendo-o próximo enquanto o beijava, novamente devagar.
Gostava da textura dos seus lábios e da sua maciez, e como agora podia estar a beijá-lo sem ter medo de ser rejeitado, fazia o máximo possível para que eles durassem mais.
Ao cessarem o beijo, Luciano sorriu de canto e se afastou calmamente de Afonso, que piscou assustado e lhe segurou o pulso.
– L-Luci?
Luciano encarou o menor e beijou a ponta do nariz dele, lhe acarinhando a bochecha.
– Eu preciso me livrar disso. – mencionou, apontando para o preservativo usado.
O português pestanejou por uns momentos e ao entender acenou com a cabeça, soltando-lhe relutantemente o pulso.
– Voltas?
Ele piscou e acenou com a cabeça.
– Volto.
– O-okey... – sorriu timidamente e ajeitou-se, espalmando a almofada para ficar mais confortável.
Os minutos que Luciano ficara no banheiro se arrastaram com lentidão para Afonso. Um nervosismo estranho fez sua barriga gelar, e Afonso mordeu o lábio inferior. E se Luciano não voltasse? E se ele o odiasse?
Afonso não aguentaria ser tratado por Luciano como Arthur o havia feito no dia anterior. Com Luciano as coisas eram... diferentes.
O barulho da porta do banheiro sendo aberta fez o europeu trancar a respiração e fechar os olhos, e apenas quando um calor agradável envolveu seu corpo ele permitiu-se relaxar.
– Voltei...
Abriu um olho, para se certificar que ele estava mesmo ali e sorriu timidamente, dando depois uns saltinhos para o lado até o conseguir abraçar e se esconder no seu peito.
Luciano agarrou Afonso com força, beijando-lhe o topo da cabeça. O corpo quente do brasileiro e a exaustão das horas de sexo acabaram por fazer Afonso dormir pesadamente. O europeu parecia relaxado, aquecido pelo carinho de Luciano.
O sul-americano permaneceu ao lado de Afonso por uma hora... até começar a pensar.
A cena – e as palavras – de ver Arthur saindo da casa de Afonso e depois encontrá-lo o chão da cozinha, machucado e com o pescoço marcado dava-lhe um nó na garganta. Luciano sentia um ciúme imenso de Afonso, e vê-lo sofrer tanto por uma pessoa traíra e egocêntrica chateava o brasileiro.
Então... ele começou a pensar em seus atos: estava julgando Afonso e Arthur, porém ele estava fazendo o mesmo que o inglês. Beijara o português algumas vezes enquanto ainda namorava Martin – e ainda se achara no direito de xingar o argentino ao vê-lo com Michelle! –, desejara-o ardentemente, e agora se aproveitara da fraqueza dele para levá-lo para a cama.
Ele era ainda pior que Arthur.
Com os olhos úmidos, Luciano engoliu o choro – mas não o nojo que sentia de si mesmo – e se afastou de Afonso, que girou para o outro lado e se agarrou num travesseiro. Cobriu-lhe o corpo semidespido e saiu pelo quarto a procurar suas roupas. Cada passo era uma lágrima silenciosa, e depois de se vestir completamente, procurou pela gaveta do criado-mudo um bloco de papel e uma caneta.
Luciano, apesar de músico, não era bom com palavras, e apenas pode escrever um “Me desculpe.” trêmulo, pondo uma caixa de tic-tac de canela pela metade sobre o bilhete. Ele olhou para o europeu adormecido e ajoelhou-se na cama, sussurrando ao ouvido dele:
– Eu amo você.
Então, beijou a têmpora de Afonso, sentindo o coração apertar. Afastando-se lenta e silenciosamente, Luciano deixou o quarto... a casa... e a vida do português.
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