O Sol Sempre Retorna
5 Primeira Aula
Um professor de artes ser criativo é meio normal, só que eu nunca imaginei encontrar duas camas elásticas dentro de uma sala de aula.
Sorrio e prendo meu cabelo em um rabo do cavalo, suponho que nossa primeira aula será divertida.
A sala tem um mesmo biótipo dos quartos, cores cinza, cadeira arrumadas em fila, Lis e Mikka se dirigem pras últimas cadeira, quatro fileiras, cinco cadeiras em cada, vinte alunos na sala, somente oito deles estão aqui, aquela menina Lauren e seu "namorado" também, eles conversam sobre algo e ela ri.
Lis se senta da fileira junto a parede do lado esquerdo, Mikka senta do outro lado e eu sento atrás dela.
Coloco minha bolsa sobre o braço da carteira, não sabia o que trazer então peguei um caderno pequeno, um caneta, e um apontador 7.0.
O professor entra na sala, ele está vestindo camisa do Pink Flloyd e calça jeans, ele tem cabelo branco e rugas. Posso ler seu nome no crachá.
– Que porra é essa? Cadê meus alunos? — Pergunta senhor Frost. — Ta, beleza, vamos começar mesmo assim, boa quase tarde, sou Jackson Frost... Podem rir, mamãe gostava dos filmes então colocou esse nome, e não, não tenho poderes de gelo.
Começo a rir, se os professores fossem todos assim, eu teria os melhores meses da minha vida.
– Filosofia da Arte, se você acha que vamos discutir sobre o que é arte, pode sair da sala, vamos falar o que se sente com a arte, o que você sente quando desenha, ou quando dança, quando escreve, vamos falar de sentimento, de SENTIR! Nada melhor pra sentir do que... Cama elástica!
Durante o tempo que ele falava, alunos vão chegando.
– Quem vai ser o primeiro? Você!
Olho ao redor procurando pro Benjamin mas não o vejo em lugar nenhum, Mikka me cutuca e aponta para o professor.
– Você parece esta prestando bastante atenção.
– Mas eu estou...
– Qual seu nome, queridinha?
– Tessa... Heighway.
Posso ver a reação das pessoas, muitos cochicham, o professor analisa a situação. Ele vem até mim, e poe a mão em meu ombro, olha pra mim e sussurra "levante-se", faço o que ele pede.
– Temos aqui a cria de Julieta, suponho que vocês conheçam a Nova Julieta.
Lissia me fuzila com os olhos, eu sei que ela sonha em sem a melhor obra que Shakespeare.
– Tenho cinco pula-pulas lá fora, Tessa, Lauren, Ezra, Jenna, Léo, vocês serão os primeiros.
Ele vai até a mesa e pega uma caixa grande, de dentro ele tira cinco embalagens, e as joga para nos, abro-a, dentro do saco, há uma camisa e uma calça branca.
– vistam! Temos provadores no final do corredor. Encontre-nos lá fora.
***
Tento não morrer de vergonha, mas todos estão ridículos com essa roupa adicional.
– lindos! — Diz Jack Frost, que está com uma caixa grande da mão, ele põe a mão lá dentro e puxa uma outra caixa menor, o sorriso curva-se em meus lábios, — um iPod touch pra vocês, eu já fiz o favor de colocar músicas dele, coloquem o fone no ouvido e entrem.
É o que fazemos.
– Antes de apertar "Play" só uma pergunta, quem odeia a Tessa? Ou qualquer desses garotos?
Muitos levantam a mão, lis está entre essas pessoas.
– Ótimo. — ele bate palma- TINTA NELES.
Não resta tempo para pensar sou atingida no rosto por uma bexiga.
Passo a mão e vejo que meu cabelo está sujo de tinta vermelha.
– Pulem!
Tento me mover e levo mais uma bolada, desta vez minha calça é vítima da cor amarela.
Aperto Play e tento focar na música. Meus ouvidos reconhecem a fina melodia de "Girl Just Wanna Have Fun", começo a cantar e me movimentar no ritmo, pulo e uma bola roxa atinge meu peito, depois de algum tempo estou colorida até o cabelo, literalmente.
Mas o desenho que foi resultado em minha camisa ficou belíssimo.
Acabou que todos tomaram um banho de tinta mais só nós, os cinco primeiro ganhamos um IPod. Me sinto são importante como se estivesse fazendo parte do Clube dos Cinco, não acho que eu seria a Alyson, um caso perdido, talvez a Clear, uma princesa.
O professor nos libera, já está no horário de almoço, passo na cantina, pego duas embalagens de batata frita, e me dirijo até o quarto.
Lissia está tomando banho, então espero sento na mesa da cozinha e volto ler "Vale dos renascentes", para se ter idéia consigo acabar o livro e Lissia ainda lá dentro. Tento me consentrar e releio o último capítulo.
Lágrimas escorregam por minha bochecha, o final foi surpreendente. Miranda se sacrifica pra salvar Parker após muitas cenas "ele deveria estar morto" acaba que pobre menina morre... E Acaba acordando em outro lugar. Resumindo, tudo aquilo foi um sonho ou viagem pro mundo paralelo.
Ultima frase do livro:
"E juntos os garotos dizem:
– Olha só quem acordou! Depois de tanto tempo, seja bem-vinda de volta! Espero que não tenha tudo muitos pesadelos."
Autores hilários, penso em mandar uma mensagem para Oliver comentando sobre o final, mas resolvo ir tomar banho, tenho medo só de imaginar essa tinha secar no meu cabelo.
Saio de banheiro, visto uma roupa simples e deixo os cabelos soltos pois suponho que caso eles estejam presos demoraria anos pra secar.
Olho no cronograma e vejo que a próxima aula começa as 13h20, Cinema e literatura, então as 17h tenho Poemas e Letras. Enfim estarei liberada.
Eu nasci as 18h48 do dia 19/11, segundo minha mãe ela estava no cinema esperando o papai chegar com as compras, Então ela começou a sentir contrações e foi levada para o médico com ajuda da moça da bilheteria, assim surgindo o feriado de ação de graças em homenagem aquela pobre moça que poderia ter perdido o emprego mas optou por ajudar minha mãe.
Obrigado, moça.
Resolvo terminar de comer no caminho, aproveito pra procurar o filho do diretor, eu queria pedir desculpas, mesmo que isso significasse ter que assumir a culpa me senti mal no lugar dele.
O vento frio congela cada canto da minha pele quando eu passo pela porta da sala 1312 — C&L
Professora Elizabeth Margareth
O ambiente descontraído da ultima aula se perde, restando uma sala silenciosa.
Com estilo metálico só possuía duas janelas que estavam com adesivo de "Quebre o Vidro em caso de emergência" mas será que se perguntaram como íamos passar pelas grandes?
As cadeira estão arrumadas em fila, sento-me nas últimas cadeiras, imagino que conseguirei prestar atenção mesmo sendo que as pessoas me vejam, sou uma das primeiras a chegar, há somente mais um garoto aqui.
Me aproximo e coloco a bolsa na carteira ao seu lado, abro o caderno e escrevo com uma caneta azul de bico fino.
As letras que formam o texto "Aula 2" ficam borradas pois não é isso que eu queria escrever.
Arranco uma das últimas folhas, e rabisco "Oi, meu nome é Tessa, e o seu?"
Tudo que fiz depois foi jogar o papel em forma de aviãozinho pra mesa dele.
Ele se assusta, e olha pra ver de onde aquilo veio, ele está mexendo no celular, então se vira pra mim, eu sorrio e aceno com a mão direita.
Seu cabelo cai sobre os olhos negros, ele me lembra Oliver, sinto-me mal por querer excluí-lo de minha vida. Tenho que parar de fazer isso, parar de sentir pelos outros e me consertar em por que eu estou aqui.
– Sou Thomas, prazer em conhecê-la.
Ele sorri e eu faço o mesmo.
– Seu primeiro ano aqui correto?
– sim, por que?
– Se eles te pegam jogando papelzinho pelo ar, pode esquecer sua bolsa de estudos.
Engulo em seco.
– eles valorizam mais você levantar e falar com a pessoa do que escrever algo no papel.
Tento agradecer pela dica, so que estou muito nervosa, e minha boca não se abre. A professora entra na sala, que no momento possui somente nove alunos.
– vamos começar, Não, vocês não podem me chamar de Elize, nem Mary El, não sou amiga de vocês. — Ela olha para todos e acaba focando em mim, seus olhos negros com sua pele parecem queimar fazendo meu corpo se estremecer, minhas pernas ficarem tremulas, mas ela surpreende a todos com um sorriso — Estou só zoando com vocês, espero que sejamos amigos, se um de vocês aqui nessa sala for para Londres levará meu nome consigo, então quero ser a melhor professora que já ensinou nesse acampamento.
Me sinto mais confortável, o ar rústico se quebra, não há momentos ruim aqui, estava certa, passarei três meses no paraíso.
– Para trabalhar com Cinema e Literatura eu acabei dando uma olhada no "Currículo" de vocês, e decidir pedir umas volumes extras.
Ela se vira e pega uma caixa de papelão debaixo da mesa, será que todos professores guardam uma surpresa sob as mesas? Não devo que acostumar, porém estou gostando da forma que eles trabalham.
– É um dos filmes mais chatos que eu já assisti, mas a atuação da Audrey ficou um Luxo, nossa querida bonequinha foi inspirada no livro de Truman Capote! Vamos ler, "Breakfast at Tiffany's"!
Ela começa passar entre as carteiras, seu blaser cinza e sua saia de tecido florida com minúsculas rosas alanjadas com florais verdes são um toque diferente e superior. Vestimenta da Sr. Margareth. Ela coloca sobre as mesas um livro de capa cor-de-rosa, com letras em fonte circular, formando o título da obra, a também uma caricatura da Holly, personagem principal do roteiro.
– Temos bastante tempo livre, e pra falar a verdade eu fiquei com preguiça de bolar uma atividade pra vocês então aproveitem essas centenas de minutos pra ler, quero um resumo e resenha critica do livro para nossa próxima aula.
Fico surpresa quando levanto a cabeça e percebo que estou com a caneta em mãos escrevendo o que me foi pedido, o livro tinha poucas paginas, e era um pouco menos pesado que o filme, no quesito da narrativa, sem muita enrolação.
Faço com Letras curvadas, e tento acentuar corretamente as palavras, por fim o meu resumo fica mais ou menos assim:
Breakfast at Tiffany’s, conta historia de Holly, garota com estilo clássico e alternativo, com um glamour insano, que esta decidida a se casar mas não com um interesse amoroso, ela deseja um marido rico.
Narrado por “Fred”, morador do mesmo prédio que a Holly conta que a pobre menina vivia sem luxo algum junto com seu gato, em um apartamento muito bagunçado, a encantadora garota acaba por entrar pela janela do quarto de “Fred”, momentos após eles acabam se tornando amigos. Fazendo Crescer em Fred um súbito amor.
Para acabar a historia, não muito clichê, uma cena básica de despedida, Holly e “Fred” saem a procura do gato sem nome, um beijo, e um adeus. Assim termina a obra de Truman Capote.
Destaco a folha e me levanto, todos me observam caminhar até a professora.
Elize me encara, sinto meu corpo tremer, os olhos dela descem até o papel, seguindo cada letra, meu coração bate acelerado.
– Incrível. – Ela anota meu nome em uma folha de seu caderno capa dura. – Você já assistiu outros filmes com a Audrey?
– Não, somente esse. – Respondo.
– Se há uma atriz para se inspirar, essa mulher é a Hepburn!
– Mas eu sou dançarina...
– Não importa. — Ela pega uma bolsa Prada, e abre o zíper com cuidado, dentro de um dos bolsos internos, ela tira um pendrive preto e me entrega, nele há um adesivo com o nome da atriz escrito a mão. – Vá até à portaria e peça o “Item 32”, eles sabem do que se trata, aproveite o tempo livre restante para assistir os filmes dela, e como você já fez o resumo do livro, quero que escreva uma carta para ela.
– Mas ela esta morta...!
– Desde quando a distancia impediu os monólogos imaginários?
Sorrio.
– Esta liberada.
Pego minha bolsa e saio da sala, Thomas me acompanha com o olhar, sorriu pra ele, e aceno, ele faz o mesmo.
Tento me lembrar do mapa do acampamento e chego na recepção, o ar condicionado parece estar no Maximo, fazendo as gotas de suor no meu rosto congelarem, e as impedindo de se multiplicar quando eu me aproximo para falar com a mulher que esta atrás do balcão.
– Olá, boa tarde.
– Boa tarde, como posso ajudá-la?
– Eu gostaria de recolher o item trinta e dois...
O sorriso da mulher é assustador, eles parecem ir de um canto a outro de seu rosto.
– Isso é incrível, já tenho minha aposta!
– Aposta?
– Era para ser segredo, mas nós aqui apostamos em quem serão os cinco convocados para ganhar a bolsa na universidade. E se você no primeiro dia de aula conseguiu o Item 32, posso ter grandes esperanças.
Ela se levanta, posso ver que ela esta vestindo uma legg preta que combina com seu terninho da mesma cor. a balcão é bem alto, fica em media um pouco abaixo dos meus seios, há alguns folhetos sobre a bancada mas não paro para analisá-los.
Atrás dela há uma parede com um armário gigante semelhante aos guarda-volume nas lojas do shopping, ela abri uma gaveta e pega uma chave e abri uma das pequenas portas.
Meus olhos se arregalam, ponho a mão sobre a boca, para que não seja possível ver meu riso, dentro do cubículo lá varias caixas . Pelo tamanho e o formato suponho que seja um notebook.
– Ele é seu agora, faça bom uso.
Me viro para sair, só que lembro-me que estou esquecendo de algo.
– Desculpe, você foi tão gentil, e nem ao menos sei o seu nome...
– Angel Mary. Eu estarei de olho em você, Conelse.
Ela disse com um sotaque diferente, semelhante aos áudios mexicanos dos filmes estrangeiros.
Não quero ir para o quarto por motivos que não sei descrever bem, então sento-me em um dos bancos, e abro a caixa e tiro o objeto com cuidado, ligo-o e faço login com minha conta no iTunes.
Conecto o pendrive na entrada USB e espero por um tempo, até que aparece uma notificação da pasta e clico em abrir.
[ Audrey Hepburn Movies ]– 7 arquivos
Bonequinha de Luxo
A princesa e o Plebeu
Sabrina
Cinderela em Paris
Charada
My Fair Lady
Além da eternidade
Como já havia assistido o primeiro da lista, clico em “Reproduzir” para o segundo filme, o fato dele ter sido produzido em 1953 faz com que ele esteja em preto e branco, mas isso não tira a graça do filme, nem deixa a atuação dramática da atriz .
Quando o filme acaba faltam apenas cinco minutos para aula de “Poemas e Letras”, guardo o MacBook ma bolsa e saio correndo.
Para minha completa tristeza o professor já esta na sala, ele esta virado de costa para os alunos escrevendo algo na lousa, a aparência da sala é semelhante aquela de Filosofia da Arte.
Bato da porta de vidro. O professor se vira para mim com cara feia.
– Olá, atrasadinha, sente-se.
Faço o que ele manda. as cadeiras então em semicírculo, e no cento a uma grande cadeira giratória, me fazendo lembrar um dos filmes que assisti na primavera, só espero que este professor não mora de Câncer.
– Antes de começar apresentem-se.
Um garoto pálido com corte militar, levanta serio e diz:
– Sou Wally Sant, fiquei em primeiro no teste com noventa e nove pontos. – Seu jeito de falar meio feminino e o fato dele estar de mãos dadas para um garoto lindo que está sentado ao seu lado, me fazendo supor que temos algo em comum: Ambos gostamos de garotos.
– Sou Paul Soul, e em breve me tornarei um Sant. – Eles erguem as mãos para mostrar um anel de ouro no dedo anelar.
“Acho que eles são gays” sussurra uma garota ao meu lado, ele tem olhos e cabelos castanhos, eles estão super bagunçados, semelhantes a um ninho de pássaros, e sorri mostrando os dentes perfeitamente brancos, mesmo assustada retribuo, sorrindo de volta e acenando com a cabeça.
– Sou Vivian Robert, mas podem me chamar de rainha de copas. – A garota do meu lado se levanta e fala isso. Preparo-me pois serei a próxima. Por mais eu que esteja acostumada com apresentações o problema não é esse.
– Meu nome é Tessa. Sou Bailarina, e Admiro muito quem escreve porem mesmo amando a dança não consigo me inspirar nela para criar algo.
O professor bate palmas.
– Parabéns, você falo corretamente, não definiu quem você era pelo seu nome, pessoas não te amaram pelo que falam de você, e sim pelo que você faz. Entre tanto, querida Tessa, qual seu sobrenome?
Gaguejo, não quero dizer, posso imaginar a reação das pessoas, e fico corada antes mesmo de dizer.
– Heig...way.
Sento-me, e posso sentir definitivamente os olhares mortais direcionados a mim.
A lista continua, temos Nick, Gaea, Brian, Até o Thomas da aula de Cinema esta aqui. Chega a hora da ultima pessoa se apresentar, é a mesma menina que ficou com o garoto na hora da fogueira.
– Sou Lauren Antonie, a Julieta mais perfeita que Shakespeare já sonhou em ver.
– Depois da Mãe da senhorita Heigway é claro. – Completa o professor, apontando para mim.
Droga, tento disfarçar mais é impossível. Posso escutar comentários como “Espera só até a princesinha perder o trono.” “Seria engraçado ela se afogar no próprio veneno”.
Veneno... Princesa... Julieta... Clássico!
O professor pede atenção de todos e começa a falar.
– Pensando nos romances de Shakes, quero que escrevam uma estrofe como se fosse um dos personagens do bravo autor, por fim leremos em sala e vocês serão liberados.
Fico enjoada só de ouvir “Ser ou não ser” na maioria dos poemas, reviro os olhos pois eles nem se quer sabem que na verdade é “Esta ou não estar morto”.
Depois de ouvir “Ô Romeu,” o suficiente para fazer Shakespeare, levantar de seu tumulo e dar um surra nesses alunos chega minha vez.
“Vingar-me-ei por mim, e por nós.
Jurai-a vós teu perdão, mas fui amaldiçoado.
Sonharei com ti por todo verão.
Deixa-me ir, deixa-me ser livre.
Tenho um compromisso às 11h, estarei te esperando.”
Todos ficam em silencio, até que o professor começa a bater palmas.
– Querida, tenha mais cuidado da próxima vez, ou o Robertito aqui vai ter um ataque do coração! A tempestade, Macbeth, Sonho de uma noite de verão...
– E meu favorito, muito barulho por nada. – Completo.
– Vocês estão liberados.
Os alunos começam a arrumar as coisas e saírem, escuto mais ameaças de morte, mas sei que eles nãos seriam capazes de fazer nada.
***
A surpresa ao abrir a porta do quarto é grande, há em media umas vinte pessoas aqui, Lissia, Mikka, Thomas, Vivian, e outros que eu não recordo o nome.
– Parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida.
Lissia caminha na minha direção, sensualizando ao som da Lady Gaga.
– LEVANTEM SEUS CUPCAKES, AMORES, É A HORA DE NOSSA AMIGA TESSA FAZER UM PEDIDO.
Todos gritaram, e levantam os bolinhos com uma pequena vela sobre ele, cruzo os dedos e espremo os olhos me concentrando no pedido.
Que esses três meses que eu passar aqui sejam intensos e inesquecíveis.
Abro os olhos e saio assoprando as velas ao meu redor. Muitos que eu não faço idéia quem são me abraçam e dizem “Parabéns, Tessa” ou “Feliz aniversario”.
Encontro com Lissia no fundo do Quarto, ela ta tirando uma bandeja com mini pizzas do microondas.
– Como você descobriu?
– Você esta falando com alguém que é formada em Stalker, assim que você apareceu aqui eu fui procurar sua conta no Facebook, Twitter, ect. Por fim acabei descobrindo que seu aniversário era hoje, chamei a galera depois que você começou a ficar chapada na noite da fogueira e eles vieram.
Começo a rir.
– Obrigado...
Começo a falar mas ela pega uma pequena pizza e enfia na minha boca, sinto o gosto de atum, e estremeço, sem outra saída termino de mastigar.
– Não me agradeça ainda! Você pode se arrepender.
Ela sai andando, rebolando melhor dizendo, ao som da batida da musica. Lis se aproxima e liga a TV.
– Atenção de todos para a palavrinha do namorado de nossa amiga.
Meu coração parece sair pela boca quando vejo o rosto do Oliver em HD na televisão, o sinal do Skype esta translúcido no canto da tela.
– Olá, eu queria te desejar feliz aniversario, mas só uma mensagem não teria graça, com ajuda da sua amiga aqui estou eu, e seus pais mandaram um beijo, disseram que falam como você depois, agora eu só queria dizer que te amo, e você sabe disso. Até mais, Tesa. Tudo de bom pra você.
Lissia aperta o botão de desligar, e vem ate mim, sussurra no meu ouvido para que ninguém mais ouça.
– Posso ser a melhor amiga que você já teve, basta continuar quieta. Nesse acampamento só tem lugar mais uma Julieta.
A festa continua, e meu coração bate tão acelerado quanto a melodia da musica.
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