O Sol Sempre Retorna

8 10 dias antes – Parte II


Os dias passam rápido, mas de uma forma boa, então os dias depois da encenação de Frozen foram totalmente híbridos. Chatos pelai fato de haver aula teórica e nada de expressar a arte, isso me deixou irritada, mas a presença de Thomas próxima a mim me fez não tirar o sorriso do rosto.

Eu estava confusa, em relação ao que sentia pelo Thomas.

Sai da aula de cálculos no sábado de manha. (sim, em um acampamento de artes, somos obrigados a estudar matemática, porque segundo o diretor era pra manter a matéria conservada na cabeça). Peguei minha bolsa e vi o celular vibrando.

Lissia está ligando para você.

Cliquei pra atender.

– Oi.

– Sua animação é contagiante, mas tudo bem, quero que você venha pra quadra, tem um lugar super massa aqui perto da piscina. Beijos. To esperando, anda logo.

Ela desligou na minha cara, demorei um tempo pra ligar informações, então são andando.

Do refeitório consegui ver a quadra e a piscina, de modo assustador que eu não tinha percebido isso. Continuei a andar pela grama, até um ponto que pude ver os garotos sem camisa correndo atrás de uma bola. Percebi que Lis acenava e dava uns pulinhos tentando chamar minha atenção, penso em correr mais acabo por continuar no mesmo ritmo.

Quando estou cara a cara com ela, fiquei surpreendia ao ser recepcionado com um tapa no braço.

– Descobrimos um lugar perfeito. É o que a Mary Angel chamaria de “Ovos da Páscoa”. Mikka tava andando quando achou uma chave no chão e quando fomos entregar na recepção és que ela no explicou. – Lissia começou a falar, mas acabou sendo cortada pela amiga.

– Ela falou que tínhamos sorte e que chaves assim eram espalhadas pelo campus, e elas abriam a porta de um “quarto abandonado”, tipo a gente vai ter um anexo.

– A gente pode ensaiar, ou fazer sei lá o que, e ainda fomos presenteadas com algo mais você tem que ver.

Assim nós fomos, alguns passos a frente havia uma “casa”, um retângulo cinza com teto forrado, nada de telhas, havia uma porta de madeira, e umas janelas do mesmo material. Lissia colocou a chave na abertura e girou a maçaneta. Acabei sendo a ultima a entrar mas isso não diminuiu minha alegria ao ver o lugar por dentro.

Feixes de luz entravam pela greta da janela, deixando o lugar tão iluminado que não foi preciso acender a lâmpada, havia espelhos na parede e uma barra grossa de metal de ambos os lados da sala. Aquilo me parecia tão familiar. Era idêntico ao salão no qual eu ensaiava pro balé.

– Ai. Meu. Deus.

Lissia começou a rir.

– Eu sei, agora vá e seja feliz. Eu tenho alguns garotos para observar.

Ela pegou uma cadeira, se sentou frente a janela, abriu a cortina, tanto suficiente pra observar os jogadores.

Mikka foi para o fundo da sala, e pegou seu violino, e começou com algumas melodias. Não tinha como trocar de roupar então comecei a me alongar com o que estava vestindo ali mesmo.

Parecia Mozart, gostei do modo que Mikka toca, me fez querer continuar mesmo sabendo que estava no meu limite físico, ficar na ponta dos pés causava uma dor insuportável.

Peguei uma toalha de papel na bolsa e passei a tentar secar o rosto com ela, não deu muito certo, mas ajudou a aliviar o cansaço. Procuro por meu celular e quando o acho ligo a tela. Vejo:

Você tem uma nova mensagem.

[Thomas]

Ta ai??

Clico em responder.

[Tessa]

Me encontra na Sala 25-52

Aperto para enviar e em segundo ele responde

[Thomas]

Okay.

Coloco as coisas na bolsa, e aviso para as meninas que estou saindo.

– Tenho aula agora, encontro vocês no jantar.

Já estava na porta quando Lissia grita:

– Ei! Vai ter uma Festa hoje a noite, chama o Thomas.

Assinto com a cabeça e saio. Acelero o passo para ter tempo de conversar com meu namorado. Chego ao prédio e subo as escadas tenho aula de musica, era alternativa, mas eu escolhi que queria conhecer alguns instrumentos.

Tommy está sentado no ultimo degrau, assim que chego até ele, beijo seus lábios. O garoto levanta e me abraça apertado, é bom sentir seus músculos contra meu peito, e seus braços me envolvendo, eu gosto disso.

– Dormiu bem?

– Meio difícil por que fique a madrugada conversando com você, e tive que acordar cedo.

Ele ri.

– Desculpa.

– Sem problemas.

Encontro minha cabeça em seu ombro, e ele segura minha cintura. O silencio me faz pensar algo novo.

– Eu posso até gostar de você, e não sei nada sobre ti.

Posso ouvi-lo engolindo em seco, levanto-me para poder olhar a expressão em seu rosto.

– Eu nem mesmo sei qual seu talento. O que você faz pra estar aqui?

– Eu... Danço.

– Nossa, e isso é ruim?

– As pessoas ficavam brincando com minha cara, e tal...

– Tudo bem, quer ir pra uma festa hoje a noite?

– Eu... Não sei se posso.

– Minha nossa, não pode ou não quer?

Ele vira o rosto, não consigo ver sua expressão, quando se volta para mim parece irritado.

– Não quero! E para o seu bem, você tambem não deveria quer ser vista comigo.

O choque em meu rosto é visível, ele se levanta e desce as escadas correndo, grito:

– Thomas! Espere.

Mas ele nem mesmo olha para trás. Tento não pensar nisso e sigo para a sala.

É estranho ver que as cadeiras estão em semi circulo, não conseguia imaginaria aula assim, sento-me, e espero as outras pessoas chegarem.

Não conheço nenhuma delas, e não farei o favor de me apresentar.

O professor chega, ele tem uma aparecia jovens, barba e um cabelo maneiro, espetado para cima.

– Boa tarde, vocês gostam do Ed Sheeran?

Senti vontade de gritar, porem mantive a calma, eu não me considerava fã, só amava algumas musicas.

– Cês conhecem “Don´t”?

Tive que contar até três, pois certa vez li uma fanfic inspirada nessa musica que me deixou apaixonada pelo cantor.

– Então vamos cantar!

Ele pegou o violão, e um dos alunos se sentou no teclado.

la-la-la

Começamos a bater palmas.

Ele tem uma voz perfeita, e começa a letras.

“Eu conheci uma garota no final do an0 passado, ela disse ‘não se preocupe caso eu desaparecer’, eu disse que não estava procurando por outro erro, liguei pra uma amiga e esperei a confusão acontecer...”

E juntos no coro:

“NÃO... ferre com meu amor, seu coração é tão frio, se aproveitou da minha inocência, não quero saber disso, querida”

Uma garota de levanta, e começa a cantar solo:

“Por umas duas semanas, Tudo o que eu quero fazer é vê-la, Bebemos o dia todo, enquanto pedimos pizza, Antes, só conseguia falar com ela por mensagem, Agora, dorme na minha casa e ama o jeito que a trato”

Tento me segurar, mas é impossível, e acabo cantando mais alto que todos:

“Eu deveria ter escrito, O jeito como as coisas desenrolaram, Quando ela estava beijando ele, E eu fiquei tão confuso, Ela deveria decidir enquanto estou sentado aqui cantando”

E juntos no coro:

“NÃO... ferre com meu amor, seu coração é tão frio, se aproveitou da minha inocência, não quero saber disso, querida”

Toc, Toc, Toc

Alguém bate de verdade na porta, que já esta aberta, então entra cantando:

“Eu nem sei se ela sabe o porque disso, Ela estava chorando em meu ombro, Eu já te disse, Respeito e confiança é o sentido de tudo isso”

Olho para cima, e vê-lo tocando violão faz meu coração bater acelerado, o que ele esta fazendo aqui? Pergunto a mim mesma. Isso não é uma declaração de amor, por que se fosse ele poderia ter escolhido uma musica mais romântica.

“Não é assim que você decide o que quer, Foi um pouco longe demais, e tarde demais, pra ser sincero, E todo esse tempo, só Deus sabe, estou cantando...”

– Garota, não ferre com meu coração! – Thomas diz, passando as mãos pela corda do violão, como grande final, então a única coisa que ele faz é olhar para mim.

Todos da sala avaliam a cena, e quando professor bate palmas as pessoas fazem os mesmo, tenho que admitir, ficou ele, e ele já tem um jeito sexy, cantando me faz quer ir pra cama com ele... Balanço a cabeça para tentar tirar os pensamentos impuros.

– Muito bem, Tom, Ótima entrada, vai querer se juntar a nós?

Algo a minha direta chama atenção, três garotas sussurram, não preciso me esforçar para ouvir, elas estão praticamente gritando.

Vadia Um:
“Meu Deus, ele é um gato.”

Vadia Dois:
“ Tão lindo...”

Vadia três (que não sei o nome, mas já quero matar):
“Ele canta tão bem... sem mencionar aquela boca, que vontade de...”

Levanto-me e olho para elas.

– Ele é tudo isso, inclusive meu. – Digo e peço licença ao professor, que mordendo os lábios para não rir me libera.

Beijo o Thomas na frente de todos só para calar a boca daquelas meninas. Empurro meu namorado para fora da sala. Tenho que parar de sair do meio das aulas ou vou acabar sendo odiada pelo professores.

Jogo ele contra a parede.

– Que merda foi aquela?

– Me Desculpa, eu...

Coloco o dedo indicador sobre sua boca para que ele se cale.

– Tom, você é tão fofo. – Lhe dou um beijo longo, quando abro os olhos posso ver os dele arregalados sem entender nada.

– Mas...

– Sem “mas”, foi legal. quase me matou do coração mas eu gostei, espero sentir essa adrenalina mais vezes.

Alguém me ajuda? O que eu to falando? Eu tenho certeza que não sou do tipo que gosta de aparecer ou passar vergonha só por que sentir um frio na barriga é legal. Tessa, volte a ser aquela menina de sempre!

– Ei... – Ele passa a mão na frente do meu rosto, percebo que eu tava parada olhando pro nada.

– Eu tava em outro planeta aqui, foi mal.

Thomas me entrega um livro, juro que não o vi em momento algum com aquilo nas mãos, onde quer que ele escondeu, esta de parabéns.

– Eu comprei pra você, eu já li, é legal... – Observo a capa, o livro é vermelho-sangue, e a frente cor grafite, como se fossem tiras de madeiras de uma velha casa, há uma menina loira de costas com as pernas cruzadas, ela tá sentada no chão, olhando para uma cadeira de balanço vazia.

– Nossa, parece maneiro. “Roubador de Almas”, de Robert Wayne. Nunca ouve falar, qual a historia? – Pergunto.

– Violet vive tentando fugir de seu passado, e da atual vida que leva, ainda tendo que lidar com uma mãe depressiva e o fantasma de seu amigo morto.

– Tchau. – Saio andando.

– Como assim?

– Desculpa, amor, mas eu vou te trocar por um livro, Adeus.

Ele começa a rir, e eu volto pra abraçá-lo.

– E a festa hoje a noite, ainda quer que eu vá?

– Putz, eu tinha esquecido. – Bato a palma da mão da testa. – Se você não quiser ir tudo bem, eu entendo.

– Obrigado, eu realmente ia me sentir desconfortável, vai ser a FPS, O que quer dizer que faltam alguns dias pros trotes começarem. – Ele diz.

– Como assim, FDS? E os trotes não deveriam ser no primeiro dia?

– F, P, S, Primeira Festa “Show”, e sobre os trotes, ninguém quer arriscar irritar o diretor no primeiro dia, então todo ano esperamos uma semana ou duas depois da festa para poder atacar.

Sorrio, achando uma grande besteira.

– Tudo bem, então, nós falamos mais tarde.

Me despeço do Thomas, e volto para sala, todos me olham com cara safada e cochicham algo para o colega do lado, adianto o passo e me sento na cadeira. No quadro o professor explica sobre as notas. Copio no caderno mesmo já sabendo o que aquilo significa.

Do — C

Ré — D

Mi — E

Fá -F

Sol -G

Lá — A

Si – B

Após isso ele fala dos instrumentos, porem me ocupo mais começando a ler o livro que acabei de ganhar.

Resultado final, tive que fazer a proeza de andar e ler ao mesmo tempo, cheguei no quarto com alguns arranhões porem não consegui tirar os olhos de “Roubador de Almas”.

As primeiras paginas se passam no final no livro, onde Evans chama por Violet, ela não responde, ele entra em casa, corre até o banheiro e encontra o corpo dela, não consegue salva-la, ele vai até o quarto e lê um bilhete “Você sabe os meus motivos, desculpa.”

Ela acorda do pesadelo e explica que foi isso que aconteceu com Evans, quando ele se matou, com essa narrativa eu já passei a suspeitar que eles tinham uma caso, e acertei, pois ela desce prepara o café, e sai para levar a mãe no trabalho, que fica em outra cidade e ela com 17 anos, dirige, com medo da mãe tentara algo se pegar no volante.

Violet acaba passando na frente da antiga casa, ela era vizinha do Evans, e eles transaram no ano interior, na casa dele. Teve narrativa com detalhes! Maravilhoso, me deu vontade de fazer o mesmo com o Thomas.

Depois de flashback, ela explica que o pai havia sumido, isso causando o surto na mãe, anos depois ela recebe a herança de uma velha casa, na primeira semana já começa a ver coisas estranhas.

Paro faltando duzentas paginas, Evans apareceu, ela consegue vê-lo e tocá-lo, rola até umas paradas estranhas, e juntos eles tentam falar com o fantasma da casa.

Quando dou por mim já estou no chuveiro, a água quente escorre por meu corpo, passo a mão sobre meus cabelos molhados, e tiro o excesso de água em minhas pálpebras. Desligo a ducha.

Enrolo-me na toalha e saio do banheiro, momento exato que Lissia e Mik estão chegando. Elas estão conversando e rindo de algo, Lis tranca a porta segurando a chave em uma das mãos, entanto com a outra carrega sacolas de papel.

Depois ela se vira pra mim, e caminha na minha direção, estica o braço e me entrega as embalagens.

Ela esta com um casaco bem grosso, semelhante a pele de animal, calças leg preta, botas de cano alto feitas de couro, óculos escuro e cabelo em rabo de cavalo, parecendo com a Emma Roberts, ou uma integrante da Gangue de Hollywood.

– Finalmente, agora sim as aulas começaram. Esse acampamento não seria um Camp sem trafico de comida, por que né...

Mikka começa rir loucamente e se joga na cama, ela começa tirar os tênis enquanto isso, eu procuro uma roupa para vestir e ponho os sacos sobre o balcão.

Visto algo simples, depois vou até a nossa “cozinha”, e vejo o que tem pra comer. Sinto um cheiro familiar, me faz lembrar das terças-feiras na minha casa.

Meu pai e minha mãe sempre brigavam pra decidir que ia ligar pra fazer o pedido, acabava que ele ligava, pois mamãe nunca acertava todos os detalhes que papai gostava na comida japonesa.

Tiro as pequenas embalagens de dentro do saco e pude sentir o cheiro de yakisoba, vou até o armário e abro a gaveta para pegar um garfo, logo depois sento-me na cadeira junto ao balcão, Lissia esta tirando a roupa e colocando novamente nas malas.

– Como você conseguiu isso? Promoção especial com a tia da cantina?

Ouço Mikka rir.

– Você é hilária, não, eu comprei no restaurante de comida japonesa.

Quase engasgo, fico ludibriada, não acredito que há restaurantes aqui no acampamento e eu não sabia.

– Meu Deus, eu preciso ir lá, quando vamos?

Lissia sai da dispensa, e olha pra Mik, vejo que as duas estão segurando o riso, até que não da mais e elas explodem na gargalhada.

– Se você quiser arriscar ir por shopping em outra cidade nos te levamos.

Como assim? Alguém me explicar, tento juntar os pontos quando vem a iluminação em minha cabeça, a única coisa que consigo pensar é no Oliver.

– Como vocês saíram? Eu achei que era proibida a saída!

Tento não ficar com raiva, mas estou confusa, fiz a escolha, eu resolvi ficar, podendo ou não sair, eu terei que arcar com as conseqüências.

– E é, nós saímos escondidas.

Lis passeia somente com sutiã e calcinha pelo quarto, sua renda rosa bebê me faz sentir inveja do seu corpo.

– Expliquem, por favor! – Antes de falar merda, enfio outra garfada de macarrão na boca.

– Simples, alguns da Elite Nível 1, os clássicos, tem carro, deixam eles escondidos na floresta, seguimos andando até lá, viajamos pra outra cidade, fazemos comprar, voltados e ficamos esperando a fiscalização sumir pra voltarmos aos quartos. – Diz Mikka, que esta sentada na cama, com as pernas cruzadas e o notebook sobre o colo.

– Falando em Elite, a festa começa as 00h no ultimo andar do prédio deles. — Fala Lissia, que esta na porta do banheiro, ela entra e se tranca lá dentro, posso ouvir o barulho da água algum tempo depois.

Olho para Mikka, eu me imagino vestindo uma roupa casualmente sexy, carregando o celular na mão e subindo as escadas, poso escutar o som e as batidas da musica. Me imagino no lugar de um dos garotos da Elite tentando estudar em um quarto do andar mais abaixo, será que não vão contar pro diretor? ou ele mesmo vai ver?

– Ei, me diz uma coisa, será que ninguém vai ver as luzes acenas e a musica alta no ultimo andar de um prédio?

– E quem disse que os prédios da elite são criados pra cima?

***

Ela tinha razão, e isso foi estranho, vesti um roupa super colada, pois acabei pegando um vestido da Lis emprestado, ele azul marinho, e ela amou meu salto alto da mesma cor, ela disse que só faltava um batom vermelho.

E assim estou eu, como imaginei, orando para não cair na escada com meu scarpin da cor do vestido que fica até a metade das minhas coxas, me sinto vulgar, mas desde entrei já recebi diversos elogios de quem eu nem conheço.

O prédio da Elite, a classe um, ficam um pouco mais afastado, pois os corredores passam por debaixo do acampamento, eles tem as salas no subterrâneo, por isso não são vistos entre nós.

Sou guiada por minhas amigas, descubro que Lissia já morou aqui nos seus primeiros anos, mas ao fazer o teste novamente ela foi trocada de “turma”.

As escadas levam até um salão de ensaio, piso de madeira lustrada, e brilhando, havia muita gente, e fumaça, luzes coloridas passaram por meu rosto, e strobos piscam em algum lugar distante.

A musica que toca é Clarity, da Foxes, a batidas estão tão altas que fazem o sangue em minhas veias pulsarem em uma velocidade diferente.

– Deve ter algumas mesas por ai, se não quiser dançar, pelo menos senta em algum lugar, e se diverte! – Lissia Grita, e depois não a vejo mais, ela segue para o meio da galera, e Mikka vai junto, reviro os olhos e começo a andar no meio da multidão.

Uma das lamentações da vida é que nunca me chamaram para um flash mobe, até que hoje sou agarrada, os garotos pegam as meninas mais próximas e as abraçam, primeiro apertado, depois vai ficando mais suave, assim com as batidas da musica. Canon Blue — Honeysuckle (Milwaukee) toca no fundo de nossos movimentos.

Ele entrelaça seus dedos com os meus, estica meus braços, depois, um passo pra trás, outro para trás, dois pra frente, giramos.

Parece que estou dançando tango, so que de uma forma mais sensual, pois sou forçada a mexer o quadril para uma maior sincronização.

Olho pro lado e tento fazer o mesmo que as outras meninas, algumas estão meio perdidas então suponho que só os garotos então ensaiados, quase todas as meninas estão olhando pro lado, elas parecem estar copiando de alguém no final da sala. Lissia desce, sobe e rebola pra o menino que está com ela.

Viro-me de costas, sou envolvida por braços de um desconhecido. Mexo a bunda pra direita e para esquerda, lentamente, Anônimos me segue, e parecemos casal de amantes.

Abraço-o, ainda mexendo o quadril com olhos fechados, um passo pra frente outro pra trás, ele me gira, e eu volto para junto dele, eu o empurro e ele se agarra mais a mim, seguro a sua mão e desço até o chato, lentamente, subo na mesma velocidade, abro os olhos no meio do caminho e vejo que todos estão fazendo igual a mim.

Ele me segura e me joga, sinto como se fosse cair de costas no chão, mas suas mãos então comigo, quando fico novamente de pé, ele beija meu pescoço. Então a música acaba.

Junto com palmas, há gritos e acabou escutados alguém elogios, "você está quente nessa roupa" o que me faz pensar que os clássicos são mais vulgares que os alternativos.

– Você dançou muito bem, Tessa Heigway!

– Como sabe meu nome? Quem é Você? – Eu sei que deveria agradecer mais se alguém da Classe Um sabe meu nome posso me considerar em perigo.

– Sou Charles, ao seu dispor! – Ele bate continência pra mim como se eu fosse uma general do exercito americano.

– Eu tenho um namorado, você deveria saber disso.

Ele começa a rir sem parar.

– Calma ai, garota. Não estou de paquerando, nem te paquerando, nem de vaginas eu gosto.

Fico tensa, posso sentir minha pela facial corando.

– Sem problemas, eu só queria conversar. Então a Lissy recomendou você, tem umas cadeiras ali no fundo, e um sofá, vamos sentar.

Sigo-o, enquanto anda ele dança e mexe as mãos no ritmo de Rather Be, incrível é que as pessoas não ficam se esbarrando na outras, pelo menos não nessa parte, há algumas cadeiras e um sofá, sento-me nele, e Charles ao meu lado.

– Então o que foi?

Ele me olha nos olhos.

– Já se apaixonou por alguém que nunca te quis?

Eu queria dizer que sim mas a única pessoa que eu gostei foi o Thomas, e o Oliver gostou de mim,

– Parece que não, você é do tipo que gostam de você, e não que gosta de alguém. – Ele deita a cabeça no meu colo, — Ele era um garoto legal, eu sempre o via de longe, quando tentei ser amigo dele ele falou “Não quero novos amigos nem novos relacionamentos, muito menos nada com você.”

– Nossa... – Eu queria dizer algo realmente sentimental, só que resolvo fazer melhor. – Você deveria mandá-lo se ferrar.

– Como assim? “Vai Se ferrar” nem é palavrão, se eu fosse falar diria “Vai se foder”.

– Isso ai! Ou... Você poderia fazer isso!

Um... Dois... Três.

– Ei, Galera! Presta Atenção aqui, rapidinho! – Grito, e acabo de perceber a grande merda que eu fiz, todos param e olham para mim, Lissia esta beijando um garoto e Mikka esta bebendo ponche, concentrada demais no suco do que na louca gritando, posso ouvir o som de Classic do MTKO tocando.

– Quantos aqui são Gays? Levantem a mão!

Supondo que havia sessenta pessoas ali, vinte e duas levantam a mão.

– Quando aqui tem um amigo Hetero?

Oito Abaixam a mão, restando quatorze.

– Quantos heteros gostariam de me beijar?

Nove garotos levantam a mão.

– Ótimo, aquele que o amigo quiser beijar o meu colega aqui, vai poder provar o meu gloss de morango!

Sussurros, e múrmuros, quando começam a se aproximar de mim, seis garotos acompanhados de seus melhores amigos.

– Pronto. Agora é só você escolher.

Ele se levanta do sofá e me abraça.

“Você ficou louca? Confiei e você mentiu” Ele fala baixinho no meu ouvido.

“De nada, e você tem razão, eu não estou usando gloss de morango, mas achei que isso estava obvio” Respondo.

Ele acaba beijando um moreno, alto, gato, e magro, não que eu tenha visto o beijo, mas meia hora depois deles terem saído do salão recebi uma mensagem, ela uma foto do Charles abraçado com o gato desconhecido.

Ainda me pergunto como ele descobriu meu numero.

Sobre o amigo dele, não quis um beijo, não imediatamente, só me pediu para passear pelo campus e depois ele me deixaria no quarto.

Ele era meio gordinho mas era bonito, usava roupa social e gravata, alguns passos foram seguidos pelo silencio até que ele começou a falar.

– Oi, eu acho você muito bonita, e foi legal o que cê fez com o Charle, quero saber uma coisa, você ficaria comigo?

Acabo engolindo em seco, mas a resposta é simples.

– Foi o combinado, mas eu acho você bonito.

Ele sorri, mas parece que não era o que ele esperava ouvir.

– Estou falando de dormir comigo.

– Não! – Grito, fico com medo de ter ferido seus sentimentos, então faço algo rápido, lhe dou um selinho e começo a adiantar o passo, tiro o salto para poder correr.

Conclusão sobre a noite: Garotos da Elite me assustam.

***

O Domingo passou tão drasticamente como a semana inteira seguinte. Primeiramente descansei, ensaiei no nossa “Salão ovo da páscoa” e nos dias que havia aula fui para todas, menos aquelas que o Thomas estava.

Ele me manda mensagem.

[Tom]

Ta ai??

Por que esta me evitando?

Tudo bem, te vejo no sábado.

“Ficar Longe de você faz mal a saúde. A minha saúde. Meu rosto muda. As cores trocam de lugar, os lábios ficam claros e as olheiras escuras, sobressaindo-se ao tom sempre pálido da minha pele. Quem me olhar hoje vai notar facilmente que você não esta por perto. Meu corpo responde a sua falta. E você não responde porque?”

Quando ele bate na porta do quarto na quinta de noite, finjo que não estou escutando, e proíbo as meninas de o deixarem entrar.

Sábado de manhã, sou acordava por Lissia, ela me da um tapa no rosto, que me faz gritar assustada.

– O QUE? – Pergunto!

– Sabe quem esta desde cinco da manha me ligando e mandando mensagem? – Ela parece esperar que eu responda, so que quando abro a boca pra dizer “Não sei” ela grita novamente. – SEU NAMORADO! Que merda, Tessa, você não pode simplesmente beijar outro por caridade e depois passar a evitar quem te ama.

Ops, eu já fiz isso com o Oliver e só estou repetindo com o Thomas, se eu vejo problema nisso? Com certeza não!

– Tudo bem, eu vou falar com ele hoje, temos que ir pro Starbucks, uma reunião da turma de Cinema, vocês poderiam vir comigo?

– Vontade eu não tinha até perceber que, eu vou sair desse Acampamento e não irei contar com o risco de ser expulsa.

Lista de integrantes do meu exercito particular:

– Lissia [Confirmada]

– Mikka [Disse que preferia passar o sábado dormindo]

Me arrumo e vou com Lis até a garagem esperar o carro para nos levar.

O carro chega, falo com a professora e ela permite que Lissia vá com a gente, entro no ônibus, se sento no fundo, fui obrigada por minha amiga a deixar uma cadeira vazia para o Thomas, ela se senta atrás de mim e pões os fones de ouvido.

Posso vê-lo subindo as escadas, seu cabelo mexendo quando ele gira a cabeça pro lado, sua boca sendo umedecida por sua língua sexy, fazendo-me arrepender desses dias que fiquei longe dele.

Com o coração acelerado, levanto a mão e aceno pra ele, que adianta o passo e senta do meu lado, a primeira coisa que eu quero dizer é “desculpa” mas quando percebo, minha boca é invadida pela emoção de tocar sua.

– Sentir saudades – Thomas diz quando começa a se afastar.

– Eu sinto muito. – Conto para ele toda historia, sobre o Charles e o beijo, enquanto ele ouve com atenção passa a mão no meu cabelo.

Depois que acabo de falar, ele simplesmente sorri, e me beija novamente.

– Você não esta bravo? – Eu Pergunto, assustada.

– Não, talvez um pouco, por você ter jogando sete dias fora ficando longe de mim, mas você foi boa ajudando aquele garoto e eu sei como o Greg pode ser nojento com as meninas.

O resto do caminho passamos abraçados ou dando uns beijinhos, quando finalmente o ônibus para.

Não é a primeira vez que venho no Starbucks, mas esse é diferente, a frente de vidro, com um grande adesivo da seria de duas caldas, assim que nos aproximados a porta de abri e posso sentir o cheiro de café.

Há um andar em cima, com poltronas estofadas e quadros de figuras com colagem, acho legal mas prefiro ficar aqui em baixo. Há mesas que mesclam da madeira para o metal, e cadeiras simples.

Fazemos uma fila, e espero a minha vez, Thomas me abraça por trás o que é fofo porem faz meu coração acelerar a cada passo parecendo que eu vou cair.

Faço o pedido, Cappuccino com bastante leite.

Thomas acaba pagando, mesmo eu insistindo o contrario.

Sento-me em uma cadeira, e espero ser chamada, procuro pela professora e vejo-a entrando com um violão.

MERDA!

Isso aqui vai ficar pior que Glee se todos começarem a cantar.

Mais algo pior, suponho eu acontece, ela caminha na minha direção, e entrega pra Thomas.

M.E.R.D.A

Chamam meu nome, levanto pra pegar, e volto, minhas pernas tremem, todos ficam me olhando, será que consigo morrer afogada no copo de 500ml de café?

Dou o primeiro gole e quase engasgo quando ele fala:

– Vou cantar uma musica pra mim namorada, Tessa Heigway, espero que ela goste.

“Você pode ser os arrepios que sinto na barriga, Você pode ser a capitã e eu seu ajudante, Você pode ser os planetas do meu universo.”

“Não sei se poderia ficar sem você, por que você me completa, nós somos o casal perfeito”

Paro de ouvi-lo, pois os múrmuros atrás de mim me chamam atenção.

A voz baixa e fina das garotas, faz meu estomago revirar, elas falam o nome de Oliver e o meu, percebo no contexto que falam da festa, o meu beijo com Greg, tambem falam que ele merecia depois do que fez com a Sessão Um.

Conto até três, e me levanto. Bato a mão na mesa das garotas, não me surpreende que uma delas seja a Lauren.

– Que merda você esta falando do meu namorado?

– Nada! Só estamos comentando que ele não tem culpa da puta que você é!

Não me controlo, pego meu café, tiro a tampa, e jogo na cara dela, com o susto, Lauren acaba caindo, ela passa a mão no rosto.

– Sinto muito, mas não tenho culpa se minha mão sente o desejo de vingar essas vagabundas do colégio.

Thomas aparece atrás de mim, e me leva para fora do estabelecimento, algum tempo depois a professora vem falar comigo, ela não me da uma bronca, fala que foi uma ótima cena, que se um dia eu desistir de dançar, poderia ser atriz.

Ela pede pro ônibus levar a mim e o Thomas de volta.

– Nos veremos em breve.

***

Durante todo caminho no ônibus e assim que os trotes começaram pensei a mesma coisa que agora, eu não deveria ter feito nada.

Tem horas que saber quando deve se calar é melhor maneira de continuar vivo.

Faltam duas semanas para o natal, não conseguia me imaginar vivendo longe dos meus pais, porem agora percebo que tenho uma nova família.

A única coisa que consigo sentir de verdade, é água, vejo-me em uma sala, de vidro, todos me olham e riem de mim, Lauren me olha e repete a mesma frase que eu lhe disse e ainda complementa.

“Gostaria de saber se vacas sabem nadar, e agora posso ver... Elas afundam”

Não é um sonho, gostaria que fosse, tento mexer as mãos mais parece impossível, Abro os olhos e sinto dor, consigo ver vultos mas minha visão esta turva.

A ultima coisa que penso é Oliver, sem pais e sem uma amiga. Tudo é bom, até que sinto a água invadir os pulmões.