Notas iniciais
Faz tempo que não escrevo, mas então, aqui esta um pequeno pedaço do capitulo 9, depois posto ele completo :(

– Tessa?

Consigo escutá-lo, mas não consigo responder, quero abrir os olhos, mas tenho que me contentar com seu rosto na minha imaginação.

– Acorde, princesa, esta tudo bem.

Lentamente, tento de novo, o brilho do ambiente agride minhas pupilas, agora dilatas, ao ver o rosto de Thomas, senti um desejo de tê-lo, uso toda minha força e puxo-o pelo pescoço para junto a mim, nossos lábios se tocam, e sinto sua língua encostar na minha.

“Te amo” sussurro.

“Tambem te amo” Posso o ouvir dizendo de volta.

Esforço-me para conseguir sentar, minha cabeça doe, tenho que piscar os olhos algumas vezes até descobrir onde estou.

Parece a ala medica do hospital, as paredes brancas no pequeno cubículo de alguns metros quadrados, há um armário do lado esquerdo da minha casa, e um cabide segurando uma bolsa de soro sobre o ponto mais alto do móvel.

Há uma poltrona e uma pequena cômoda, com um copo cheio de flores rosa claro, eu estou completamente enrolada pela coberta, por sorte ela é fina, pois sinto-me cada vez mais quente ao olhar para meu namorado.

– Qual a ultima coisa que você se lembra? – Ele pergunta se sentando ao meu lado, na cadeira de veludo branco.

Tento pensar, lembro-me da minha briga com Lauren, e dos dias de trote, e depois água, esfrego meus olhos, e os espremo, balanço a cabeça para tirar a lembrança e a dor, consigo escutar um barulho a fundo, como um tiro que perfura meu crânio.

Sinto as mãos de Thomas no meu pescoço.

– Calma, está tudo bem, eu explico.

Sua voz funciona como um arranhão em meus ouvidos, tento me concentrar mais minha cabeça doe.

– Todos os anos, nós jogamos os calouros na piscina, so que a responsável pelo trote foi...

Alguém bate na porta, com um toque suave, que me faz acreditar que é possível aguentar a dor.

– Com licença, estou entrando! – Reconheço a voz de Lissia,e logo a vejo entrando, ele esta com sacola nas mãos, e vem mexendo os ombros, me fazendo recordar da minha festa surpresa, olho para Thomas, não consigo evitar sorrir com a lembrança do nosso primeiro beijo.

– Acho que atrapalhei alguma coisa, né? Foi mal, vocês tava trepando no hospital? Cara, eu sempre quis fazer isso, mas nunca achei um cara legal.

Arregalo os olhos, fico com vergonha, pelo fato dela estar falando putaria para o meu namorado, e mesmo sabendo que nunca fizemos nada ela continua dando uma de vadia.

Não vou me irritar, ela é minha amiga, e acabou de vir me ver quando eu estava, sei lá, em coma.

– Do que vocês estavam falando? – Ela pergunta.

– Eu tava contando que aquela pessoa jogou ela na piscina. – Ele mudou o tom de voz como se eu não devesse saber quem é.

– Affs, falem logo a historia do começo.

Lis se senta do meu lado esquerdo, e segura minha mão logo após perceber que Thomas esta fazendo o mesmo, ter meus dois amor brigando por mim prova que a amizade e o amor pode deixar até um quatro branco divertido.

– Primeiro, desculpa, mas eu deixei eles levarem vocês, chegaram de madrugada, um carinha tão gato, falou que iam “batizar” você, então eu deixei te levarem. – Começa Lissia.

– Foi ai que eu tava passando pela piscina, e vi os outros garotos saindo, eu sabia que você esta lá, foi quando vi seu corpo boiar... Eu juro, achei que você tinha morrido, pulei na água e te tirei de lá. – Completa Tom.

– Okay, o que vem depois, respiração boca a boca, me acordar as duas da manha, chamar o diretor, a ambulância aparecer lá, e você ser diagnosticada com traumatismo craniano, e esta em “coma” por dois dias. – Finaliza Lis.

Olho para os dois e tento somar a informação. Dia do Trote, sexta a noite, me jogaram a piscina, eu bati a cabeça, fiquei apagada pelo sábado e domingo, e hoje é dia 14/12, segunda feira, sendo que só restam um semana para o fim do mês.

– Ai meu Deus, me digam que eu não perdi nenhuma festa legal!

Um minuto de silencio e caímos na gargalhada, eu sei que mudei nos últimos dias, eu deveria estar mais focada na bolsa de estudos do que em um romance que já esta com os dias contados.

– Você não perdeu nada, muito pelo contrario, Mikka e eu passamos o fim de semana “investigando” seu caso, e quem arremessou você na água foi ninguém menos que a Lauren.

Não fico surpresa, pois a vezes pessoas fracas fazem coisas tolas porque não conseguem controlar o que estão sentindo, ai no caso dela, tudo que sentia era ódio e inveja.

– Ela vai ser expulsa? – Pergunto.

– Por um estranho motivo não, mas ao entregarmos ela para o diretor ganhamos um dia no SPA!

Sorrio.

– Nossa! Isso é bom, mas eu tenho que sair desse hospital primeiro.

– Não se preocupe, pois daqui a pouco uma enfermeira vem te dar alta, e Mary Angel estará ai para nos buscar. – Lis me tranquiliza.

– Preciso trocar de roupa, ou tomar um banho, gostaria de falar com meus pais. – Digo.

– Sem problemas, tem um banheiro ali, você pode tomar banho e se trocar. – Ela aponta pra uma porta na parede junto ao armário, eu não tinha visto, maldita morfina. – E sobre seus pais, pode relaxar sua tia já falou com eles, mas você pode mandar uma mensagem se quiser.

Ela pega um sacola de roupas e me entrega.

– Vista isso, seu celular esta ai dentro.

Esforço-me para levantar, Lis me ajuda, posso ver que Thomas me observa em silencio, ele levanta vem até mim.

– Se precisar se ajuda no banho é só chamar. – Ele beija meus lábios. – Brincadeira, mas eu to esperando lá fora.

Ele sorri, seus dentes em uma arcada perfeita, e seus lábios que parecem tremer quando falam comigo, só me faz amá-lo, porem eu gostaria de ter certeza. Queria dizer que o amo, mas o alivio que sinto quando ele sai do quarto, faz com que meu silencio se torne culpa.

Demoro no banho mas acabo nem percebendo, pois quando saio do banheiro, vestindo uma camisa preta com estampa do Darth Vander, calça Jeans e tênis converse All Star, como uma emo gótica depressiva, há uma mulher que não conheço no quarto.

– Olá.

– Oi – Digo, passo a toalha no cabelo para tentar diminuir o efeito que a água causou.

– Sou Norman, irmã do seu Pai, pode ficar tranqüila que eu já falei com ele, Eles não vieram pois estão arrumando algumas papeladas.

– Tudo bem... Seu rosto me é familiar, não por parecer com o papai, mas tenho quase certeza que você não esta nas reuniões de natal.

– Com certeza foi a Sarah, minha irmã, nós somos gemias idênticas, mas desde ela faleceu eu não fui mais na sua casa, ela e seu pai eram muito próximos, então eu sei que ver o rosto dela em mim iria machucá-lo.

Fico em silencio, ela me abraça e sai.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.