O Sequestro - Cobrade

29 A cela, o reencontro e um merdinha babaca


Notas iniciais
Resolvi adiantar esse capitulo por causa da recomendação da Rafa. Muito obrigada meu amor, eu amei! Bom, não me lembro se já falei isso aqui, mas estamos caminhando para o final, faltam apenas onze capitulos.

Cobra

A cela era pequena, suja e cheirava a mofo, eu me mantinha sentado no
fundo dela num velho colchão fino que mais parecia que eu estava sentado
no chão do que nele, do outro lado num canto mais escuro um vaso
sanitário em péssimo estado se encontrava. Aquela era a minha cela
provisória, pelo menos era o que eles tinham me dito, eles fizeram um
interrogatório e eu simplesmente dei meu depoimento da minha versão de
tudo e mesmo assim eles não decidiram o que fazer comigo, então me
colocaram na cela de novo. Eu não tive direito a nada a não ser de
apanhar mais algumas vezes e ser largado naquela cela sem nem poder
tomar água. Um policial me vigiava de sua mesinha, não fazia
absolutamente nada a não ser comer batatas gordurosas de uma forma bem
visível para me fazer ficar com vontade, mas, o modo como ele comia me
dava mais nojo do que fome, eu evitava observá-lo.

Eu não conseguia me concentrar muito no que fazer, estava preocupado com
o estado de Jade e do nosso bebê, insisti para que o policial me
informasse se ela estava bem, porém o filho da puta parecia não ter ido
com a minha cara, e, mesmo sabendo daquela informação preciosa se
recusou a falar, eu fiquei puto mas eu não podia fazer nada além de me
encolher no fundo da minha cela e simplesmente esperar que tenham
piedade de mim. A cena do hospital não me saía da cabeça, ela ensanguentada precisando de ajuda, eu a deixando ir e rezando para que nenhum mal acontecesse a ela, e agora eu estava ali, numa cela sendo acusado de ter tentado mata-la e sequestra-la, aquela foi a coisa mais ridícula que eu já ouvi. Ouvi passos apressados no corredor e uma voz conhecida, o policial que comia as batatas se levantou
abruptamente.

– O que está fazendo aqui Duca? – dei um salto e corri até a grade.

– Isso não te interessa, apenas quero conversar a sós com o prisioneiro
– ele foi ríspido, e parecia desesperado.

– Não, as ordens...

– Você é o último cara que deveria vir me dar sermão sobre seguir ordens! – ele suspirou irritado – Tenho permissão para falar com ele e eu
vou, então saia daqui agora ou eu vou chamar seu superior e você terá
O policial olhou para ele irritado e saiu bufando e resmungando coisas.
Duca se aproximou da cela e me observou – Como está cara?

– Estou bem, como está Jade? Tem notícias dela? – ele negou com a cabeça.

– Ninguém aqui quer me contar, acho que sabiam que eu diria a você,
sinto muito cara mas, terá de ficar agoniado por um tempinho – ele falou
chateado.

– Tudo bem – suspirei — E então, tem algum plano sobre me tirar daqui? –
Duca assentiu rapidamente.

– Sim, mas, não posso lhe contar aqui. A única coisa que posso dizer é
que você vai entrar em julgamento em breve, o senhor Gardel está
furioso e vai fazer o possível e o impossível para condenar você, ele
está acelerando as coisas, acho que ele quer que tudo aconteça antes da
melhora da filha, para que ela não interfira em nada – fiz uma careta,
esse não era o melhor jeito de conhecer o meu sogro – Estou atrás de um
bom advogado para que você possa pelo menos sair daqui, estou fazendo o
que posso para que não te mandem para a cadeia mesmo, amanhã eu virei
aqui lhe trazendo mais notícias, acha que pode suportar até amanhã?

– Acho que sim, se sobrevivi até agora – dei de ombros – Só queria ter
notícias da Jade, quero saber se está tudo bem principalmente com o
nosso bebê – Duca suspirou.

– Prometo fazer o que for possível para te tirar daqui.

– Obrigado cara, de verdade, obrigada por tudo que está fazendo por mim
e por ela – sorri – Ei e quanto ao Luis? Acharam ele?

– Não, ainda estão fazendo buscas, ele simplesmente sumiu – Duca
estava tão intrigado com o sumiço dele quanto eu.

– Vocês tem que encontra-lo logo, ele é muito perigoso – Duca assentiu.

– Estamos fazendo o possível Cobra, logo o encontraremos – Duca
olhou o celular e fez uma careta – Preciso resolver umas coisas ainda,
tente sobreviver a esta noite ok? Logo estará livre, eu prometo.
Acredite que tudo vai dar certo – assenti.

– Obrigado, obrigado mesmo! – ele então saiu em disparada pelo
corredor. Uma noite, eu teria que sobreviver a esta noite e esperar que
o dia de amanhã me traga coisas boas. Fui para o fundo da cela novamente
e me deitei naquele colchão horrível, eu estava exausto mas mesmo assim
não conseguia dormir, estava preocupado demais com o estado de Jade e
o desaparecimento de Luis, ambas as coisas encheram a minha cabeça a
noite toda, mas, uma hora o cansaço e a exaustão venceram e eu dormi.

Acordei ouvindo um barulho metálico, quando me dei conta Duca estava
em pé a minha frente sorrindo, me levantei abruptamente e me ajeitei.

– Bom dia cara! Pronto para sair daqui? – levei um tempo para assimilar
as palavras.

– O que você disse? Sair? – estava assustado e contente ao mesmo tempo.

– Sim cara! Você pode sair! Vamos logo! – Duca estava radiante.

Eu o segui para fora da cela sem nem conseguir acreditar no que estava
acontecendo, passei pelo policial que fazia cara feia para mim,
então eu mostrei o dedo médio a ele e continuei seguindo Duca me
sentindo muito realizado. Fomos até o estacionamento e eu entrei no
carro, Duca entrou logo em seguida e começou a dirigir, estava radiante.

– Cara, como você conseguiu isso?

– Consegui um ótimo advogado para você, ele é um velho amigo meu e
garantiu que poderia te libertar, e ele conseguiu! Ele já
analisou o seu caso todo e mais com o meu depoimento, agora estou apenas
esperando que me chamem pra prestar depoimento na delegacia, enquanto
isso vou deixa-lo no hospital – olhei para ele agoniado.

– No hospital? – repeti assustado.

– Não se preocupe, ela está bem, só não tive notícias do bebê. E fique
tranquilo, você vai responder as acusações em liberdade, ninguém vai te
prender de novo – Duca dirigia rápido e logo chegamos ao hospital – O
horário de visitas começa agora, torça para que ninguém esteja no quarto
com ela, caso contrário evite ser visto pelos pais dela, isso pode
trazer uma grande dor de cabeça para você – assenti e saí do carro.

– Muito obrigado! – ele sorriu.

– De nada, eu apenas quero que a justiça seja feita – e então ele saiu
dirigindo rápido novamente.

Suspirei profundamente e entrei no hospital, fui até o balcão e
perguntei onde era o quarto de Jade Gardel e a secretária me
informou dizendo que era no terceiro andar, quarto 26. Subi pelas
escadas mesmo, não tinha paciência para esperar o elevador chegar, eu
queria vê-la logo, queria beijá-la, abraça-la e acariciar sua barriga,
eu precisava sentir o cheiro dela e ouvir sua voz me dizendo que estava
tudo bem. Quando me dei conta eu já tinha chegado ao quarto, abri a
porta bem devagar tentando não fazer barulho para que ela não se
assustasse, mas creio que me ver ali seria uma grande surpresa... Mas eu
fiquei surpreso, irritado e com uma fúria me dominando, não podia
acreditar no que vi. Jade dormia profundamente, e um cara de jaleco
tocava seus lábios, os lábios que me pertenciam, ele segurava a mão dela
e acariciava seus cabelos, eu não aguentei observar por muito tempo.

– Tire suas mãos dela seu merdinha babaca! – falei ríspido, meus punhos
estavam cerrados loucos para acertá-lo, o cara virou para mim assustado,
Jade abriu os olhos devagar e ficou surpresa ao ver aquela cena.

– Cobra!

– Quem é você? – o cara perguntou observando irritado a reação de Jade
ao me ver.

– O cara que vai quebrar a sua cara por ter beijado a Minha mulher – ele
me olhou incrédulo e depois tirou o jaleco.

– Bom, vamos ver quem é que vai quebrar a cara de quem aqui – Jade
olhava horrorizada mas eu não conseguia me acalmar, ele a beijou, ela
estava dormindo! Ela mal tinha percebido o que acontecera, eu não podia
deixar isso passar simplesmente, Jade é minha, e ele não tem o direito
de beijá-la nem aqui e nem em lugar algum, ele iria aprender uma boa
lição por ter tentado roubar a minha princesa de mim...