O Senhor de Gondor
10 Capítulo 10 - Rohan
Após uma longa jornada, finalmente alcançaram Rohan, a lendária terra dos cavaleiros, que assim permanecera por séculos. O céu se fechava sobre as colinas, e ventos fortes assobiavam entre os campos ondulados, como um presságio inquieto.
À primeira visão de Edoras, a cidade do rei, estendia-se diante deles um vasto campo verde, cerrado e vibrante, pontilhado por cavalos pastando e por homens que galopavam apressados em direção a destinos desconhecidos. Ao adentrarem a cidade, logo avistaram o grande castelo que era seu objetivo. Encontraram um estábulo sem dificuldade e deixaram os animais sob os cuidados dos tratadores.
Caminhando pelas ruas, perceberam o quanto Edoras era populosa. Pessoas circulavam por todos os lados, e muitas delas possuíam cabelos claros, semelhantes aos de Hildwyn e Barad. As casas eram todas construídas em madeira, e carroças e cavalos disputavam espaço pelas vias estreitas.
Seguiram pela estrada principal até o palácio. Uma pequena escadaria os conduziu até a grande porta de metal, ornamentada com entalhes e inscrições na língua de Rohan. Antes que pudessem avançar, dois guardas os interceptaram.
— Alto. O que desejam no palácio do rei?
— Trago notícias ao vosso rei — respondeu Aratus.
— Que tipo de notícias?
— A guerra se aproxima. Eithor cairá. O herdeiro de Gondor retornou.
Os guardas trocaram um breve olhar antes de abrirem a pesada porta.
O salão principal era vasto, adornado por bandeiras com o símbolo de Rohan. Uma longa mesa exibia frutas e utensílios, e, ao fundo, sobre alguns degraus, erguia-se o trono. Atrás dele, quadros antigos retratavam as linhagens reais desde Éomer.
No trono estava Théogard, o atual rei de Rohan. Era um homem idoso, de cabelos quase brancos e barba longa, que transmitia uma aparência de sabedoria cansada. Seus olhos, porém, carregavam um peso melancólico, como se a vida lhe houvesse cobrado mais do que poderia pagar. Ao seu lado, dois guerreiros altos vestiam armaduras verdes com o emblema do reino e capacetes adornados com crinas de cavalo.
— Aratus, filho de Barethor… quanto tempo — disse o rei, ao reconhecê-lo.
— Théogard, rei de Rohan. É uma honra revê-lo.
Aratus curvou-se, e os demais o acompanharam.
— Levantem-se. Quem são seus companheiros? E o que os traz aqui?
— Estes são Barad e Hildwyn, filhos de Karick.
O rei se sobressaltou.
— Filhos de Karick?
Levantou-se do trono e aproximou-se de Hildwyn, observando-a com atenção.
— Então você é Hildwyn…
— Sim, meu senhor.
— A semelhança é inegável. Conheci bem seu pai.
Hildwyn sustentou o olhar, sentindo o peso daquela memória.
— E este é Wallor, filho de Guildor — completou Aratus.
O espanto do rei foi ainda maior.
— O herdeiro de Gondor… — murmurou Théogard, recuando até o trono e sentando-se lentamente. — Vejo que você traz peças grandes nesse tabuleiro, Aratus. Qual é o seu jogo?
— Libertar Gondor. Chegou a hora de confrontar Eithor.
— E espera que eu entregue meus homens para essa guerra?
— O povo sofre. Agora existe esperança.
O rei apoiou a mão no queixo.
— Você tem ideia do tamanho do exército de Eithor? São milhares de orcs em Minas Tirith. Isso é suicídio.
— Ainda assim, há esperança.
— Não posso me envolver. Eithor esteve aqui. Jurou que não atacaria Rohan enquanto permanecêssemos neutros.
A esperança se dissipou no ar como fumaça fria.
— Posso apenas oferecer abrigo, em nome da antiga amizade entre nossos povos.
— Isso é covardia! — explodiu Barad. — Que amizade é essa que abandona aliados quando mais precisam?
Os guardas avançaram com as espadas em mãos.
— Parem! — ordenou o rei.
Aproximou-se de Barad.
— Você é mais corajoso do que eu, jovem. E isso me envergonha.
Mesmo assim, manteve sua decisão.
— Levem-nos aos aposentos.
— Prefiro dormir com cães — rosnou Barad, virando-se e deixando o salão.
Os outros o acompanharam.
Do lado de fora, a chuva caía com força, esvaziando as ruas de Edoras. O mundo parecia tão pesado quanto o silêncio entre eles. Aratus gritou em frustração sob a tempestade e acabou sentando-se no chão encharcado.
Wallor aproximou-se e o ajudou a se levantar.
Encontraram uma pousada e alugaram dois quartos. A noite se arrastou lenta, sem sono, sem palavras.
Foi Wallor quem rompeu o silêncio.
— Não vamos desistir. Ainda existe um caminho.
— Vamos invadir Minas Tirith — disse Aratus.
— Isso é loucura.
— Talvez — concordou Barad —, mas é a única opção.
Planejaram partir antes do amanhecer. Barad deixou um bilhete para Hildwyn.
Vestidos com capuzes cinzentos, saíram em silêncio até o estábulo.
Foi então que a viram.
Hildwyn estava ali, segurando o próprio cavalo, armada e decidida.
— Vão a algum lugar?
— Hildwyn… é perigoso demais —
— Não tente. Nós começamos juntos. Terminamos juntos.
Barad tentou argumentar, mas foi silenciado por um sorriso afiado da irmã.
Aratus observou a cena e assentiu.
— Nada separa vocês três.
Sem mais palavras, montaram.
E partiram rumo a Minas Tirith, talvez ao último capítulo de sua jornada.
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