O Segundo Reino

7 VII - Primeiras Mortes


Notas iniciais
Olá, leitores divos :D Cadê vocês comentando, hein? Fiquei tão desanimada para escrever esse capítulo... Só dois comentários? Convenhamos que tem mais gente lendo, certo? Não vai cair o dedo se tu comentar e ainda vai me deixar feliz. ;) Espero que gostem e comentem! Boa leitura!

No início, Lúcifer era como todos os outros anjos. Um mensageiro. Obedecia somente a Elohim, porém recusou-se a servir ao homem e assim desobedeceu a ordem Dele...

Todos os anjos tinham o livre-arbítrio e poderiam escolher quem amar; amar eles próprios ou amar a Elohim. Lúcifer e os anjos caídos escolheram amar a si mesmos e após uma batalha contra Elohim e os arcanjos, a estrela da manhã e os anjos negros perderam. O líder dos anjos caídos jurou vingança e dedicou-se a corromper a humanidade e assim fez...

A humanidade logo negou as vontades de Elohim e caiu no abismo.

Começou no Éden, quando a primeira mulher colocou as suas vontades acima das do Altíssimo, escolhendo seguir as suas próprias leis. Desde então, toda a raça humana voltou-se para o mal e Lúcifer cumpriu os selos, conseguindo corromper a humanidade.

Mas ao ir à Terra, enchê-la com o mal, Lúcifer encontrou uma humana, qual ninguém sabe o nome, e teve seus seis filhos com ela. Era errado, pois as crianças nasceriam meio demônios. Mas ao matar a mulher, ele reprimiu todo vestígio humano dos filhos e os tornou semelhantes a ele. Agora, eles governam juntos os sete reinos e pretendem lutar na batalha apocalíptica que logo virá...

Com o último selo finalizado, a Terra encontra-se perdida, sem nenhuma escapatória. Ninguém será capaz de salvá-los, eles mesmo marcaram as suas sentenças. E eu era o selo e, mesmo sem querer, fui a chave para o fim. A guerra começou por minha causa, nada vai mudar, sempre será minha culpa...

A coroa pesava na minha cabeça logo nos primeiros dias. Johnny nem sequer me ajudava nas regras e ordens a seguir, dizia que eu tinha nascido para fazer aquilo e ele não se meteria nos meus assuntos como rainha. Alie me auxiliava em todas as questões do castelo. Ela era realmente o Oráculo, sempre tinha a melhor solução para resolver os problemas.

Após a cerimônia de coroação, Johnny pediu para Ulric permanecer por mais alguns dias no nosso reino para treinar minhas habilidades. Descobrir o que eu era capaz de fazer não foi tarefa fácil, todo dia era uma aflição para descobrir se eu conseguiria controlar mentes ou seria apenas uma boa guerreira armada... Mas ainda não tinha asas como todos, o que me levou a questionar:

— Ulric, por que não tenho asas? — olhava para as dele e suspirava.

— O Johnny vai fazer as marcas para que nasçam em você também. — falou depois de um riso alegre e continuou a me ensinar como decapitar cabeças com as espadas e a me defender de ataques com escudos.

Ulric me ajudou a fazer uso de cada uma das armas do castelo. Ele era o mais gentil. Às vezes, era muito mais gentil que o Johnny... Após duas semanas de treinos intensos estava pronta para lutar nas batalhas.

No dia em que o treinamento acabou, Alie foi ao meu quarto e disse:

— Prepare-se, rainha! Uma grande batalha virá, mas antes, a senhora terá outra batalha a travar consigo mesma.

— Como assim? — questionei confusa. — Qual batalha me espera?

Alie me olhava com uma ternura que só o seu olhar continha. Veio até mim e alisou meus cabelos...

— Não se preocupe. Johnny a protegerá, mas terá que ser forte. Não tenha raiva dele, o próximo passo é necessário. — ela sorriu e se foi.

Fiquei presa aos meus pensamentos e questionamentos a respeito do que viria a seguir. Não fazia a mínima ideia do que seria, mas lutaria e venceria qualquer obstáculo. Começava a gostar realmente de viver no Inferno Florestal. Antes, eu não tinha ninguém por mim e agora sou a rainha de um povo, que quer proteção e eu os protegerei com a minha vida.

Johnny não passou a dormir no meu quarto como eu imaginava que fosse acontecer, muito menos me levou até o seu quarto, continuei sem saber até mesmo onde era. Ele se mantinha indiferente a minha nova posição, porém era nítida a satisfação por eu aceitar tudo que me foi dado.

Amava-o cada vez mais forte e perseverante. E esse amor me consumia, me agredia, me satisfazia... Amá-lo era como dar um salto, sem asas, no abismo. Continuava caindo, mas enquanto não alcançasse o chão, era como voar... Passava horas pensando no nosso último beijo e suspirava ao ver que ele quase foi meu, quase unimos os nossos corpos.

Parei de pensar nele como um monstro e passei a vê-lo como um homem raro, que necessitava ser moldado e eu estava disposta a ter paciência e aceitá-lo exatamente como ele é.

Sai das ilusões ao ver a porta abrir, era ele.

— Preciso te contar uma coisa... — sorriu fraco e sentou ao meu lado.

— Diga. — estava curiosa e fui mais rude do que gostaria.

— Nós vamos ao seu antigo mundo. — seu olhos estavam meio cinzas e o cabelo irradiava um brilho ofuscante. — Você terá que levar três almas para o meu pai.

— Almas? — não imaginava que o dia de matar alguém do plano terreno chegaria tão rápido, mas isso não foi nada comparado ao choque de saber quem eu deveria matar.

— Sim, Haven. — ele segurou minha mão e apertou mais forte antes de continuar: — Seus pais e seu irmão.

Tirei minha mão da dele e levantei. Não podia acreditar. Como ele achava que eu mataria a minha família?

— Eu não quero matá-los. — sussurrei e ele me abraçou por trás.

— Faz parte do pacto, eles sabiam que isso poderia acontecer. — meus olhos começaram a arder e eu sentia que era a força maldita os tomando. — Eles não acreditavam que você aguentaria passar pelas provas. Devem achar que eu a matei, mas eles vão se surpreender... Você faz parte do clã dos demônios, não há como fugir do seu destino.

— Eu sei... — o resto de sentimento que eu sentia por eles ia embora lentamente. — Quando?

— Agora. Está pronta? — ele me soltou e apontou para a porta.

— Sim, vamos. — falei tirando uma adaga, que ele havia me dado, de dentro de um bolso falso no vestido.

"Às vezes é preciso se desfazer de algumas pessoas", quando eu era humana me desfazia de alguém afastando-a. Mas agora, podia mandá-las direto para o Inferno. Essa era uma das vantagens de não fazer mais parte da raça humana.

Johnny abriu o mesmo círculo azul e logo ao atravessarmos reconheci a sala da casa dos meus pais. Estava aparentemente tudo igual: os móveis, os quadros, a pintura... As luzes estavam todas acesas e nós caminhamos pela casa, avistei minha mãe no quarto.

— Eles podem nos ver? — sussurrei para Johnny, ele assentiu com a cabeça.

Apertei a adaga com mais força na mão e percebi que eu pouco tremia. Olhei para ele esperando uma confirmação e ele mandou:

— Vai!

Andei cautelosamente até a porta do quarto e a empurrei devagar, meu pai estava deitado na cama e minha mãe guardava algumas roupas; logo as deixou cair quando me viu. Gritou dando passos para trás e meu pai levantou.

— Haven? — sua expressão de medo era tão ridícula que eu cheguei a sorrir.

Avancei para cima dele, o segurei pelos braços e o fiz se ajoelhar pondo a adaga no seu pescoço. Minha mãe gritava com a mão na boca e Johnny assistia a cena da porta.

— Não, filha! Por favor, não... — meus olhos começaram a mudar para o tom vermelho e minha raiva aumentava, o velho não calava a droga da boca implorando pela vida...

— Cale-se! — gritei, mas ele continuou. Minha mãe chegou perto lamuriando e eu me senti tonta, Johnny gritou:

— Agora, Haven!

Eu só obedeci a sua voz e passei a adaga com força pelo pescoço do meu pai. Ele caiu para frente sangrando e minha mãe gritou mais ainda, quando ela tentou correr para acudi-lo, enfiei a adaga no seu peito e pus fim a vida deles.

Johnny me abraçou e me levou de volta ao castelo dizendo que eu fui bem. Hesitei perguntando pelo meu irmão, mas ele disse:

— Agora não.

Sentia-me leve e não chorei em nenhum momento. Agora era como eles, não tinha sentimentos bons e isso era ótimo. Sorri ao me lembrar dos seus corpos atirados ao chão, sangrando...

Notas finais
Gostaram? Não? Reclamações? Sugestões? A caixinha de comentar serve para isso, então a usem! õ/ Até o próximo.