O Segundo Advento de Dahr'Mogar
2 Parte II - Para as Trevas, a Luz...
Notas iniciais
“Uff… Uff...”
Ofegou, exausta, Cyndell.
Ela era uma jovem mulher de uma estatura mediana – entre 1,60m e 1,65m de altura – e com um aspecto físico sem muitos atrativos, tendo em vista que o seu corpo era coberto por uma armadura de aço, esta adornada com símbolos que se assemelhavam a estrelas estilizadas. Por baixo da armadura, ela trajava uma cota de malha e uma roupa branca; preso em sua cintura, estava uma maça, típica das utilizadas pela sua Ordem e um artefato, a lembrar um Sol, também estilizado, sobre um suporte, ambos feitos de ouro, que canalizava o seu poder com a Divindade Zherackinne, a entidade da Luz e da Justiça, cuja a jovem fazia parte de sua ordem de seguidores..
Seus cabelos, bem curtos, eram de um tom bem claro de castanho, quase a beirar o loiro, enquanto que os seus olhos que, apesar de exprimirem o seu visível cansaço, possuía uma vivacidade tão intensa, como se tudo lhe parecesse novo.
Cyndell esgueirava-se por entre estreitas passagens do que parecia ser um mar de estalagmites, ao mesmo tempo em que lançava um olhar para o alto: este, no entanto, logo perdeu o brilho e a pouca esperança que tinha, ao ver que faltava muito para poder alcançar a passagem que ela e a sua companheira de jornada, Arthilliel, avistaram, dentre toda escuridão daquela enorme caverna.
Arthilliel é uma elfa, alta e esguia – sua estatura quase beirava os 1,77m de altura – sempre a demonstrar um aspecto imponente que, certamente, faria muitos a temerem, apenas com um único olhar. Bastante ágil, era capaz de mover-se rapidamente, assim como se esquivar facilmente de ataques com grande maestria, destacando-se, desta forma, até dos próprios de sua espécie, cujos se vangloriavam de suas habilidades.
Sua pele era de um tom claro, um pouco mais puxado para uma leve palidez, enquanto que os seus cabelos eram bem longos e lisos, de um tom loiro, quase dourado, presos, em suas mais longas pontas, com uma peça de couro entrelaçada; seus olhos, sempre sérios, possuíam um tom vivaz de verde.
A elfa estava trajada com uma armadura de couro marrom, com protetores, também de couro, nos punhos e na cintura, assim como longas botas do mesmo material, mas a contar com uma proteção de um metal incomum aos humanos, sendo um dos presentes de Luce que, apesar de sua extrema leveza, era bastante resistente, podendo, inclusive, aparar flechas e golpes de espada. A cobrir o seu corpo, ela utilizava de uma capa acinzentada, a contar com um capuz, que ela não o utilizava naquele momento. Em suas costas, estavam o seu arco, também feito do mesmo metal e uma aljava com sessenta flechas, assim como uma espada curta, para ocasiões em que se encontrasse em perigo a curta distância ou quando estivesse sem as flechas.
“… Ainda… falta muito...” Murmurou, Cyndell, cabisbaixa e desesperançosa, arqueando o seu corpo para frente, enquanto que as suas mãos se escoravam em suas próprias coxas, como se a recuperar o seu fôlego.
A mão da elfa, no entanto, pousou-lhe em seu ombro: de forma delicada, porém, ao mesmo tempo, inspiradora.
“Dhea...” Disse, Arthilliel, utilizando-se do nome que ela dera para a jovem clériga, cujo significa ‘Paz’ em sua língua natal, para chamá-la. “… não pare agora...” Concluiu e Cyndell esforçou-se para sorrir para ela, tentando mostrar força, mas não demorou para que ela voltasse a exibir o seu cansaço.
Arthilliel suspirou: ela também sentia-se cansada, porém seus sentidos lhe alertavam sobre um perigo iminente e isso apenas piorava conforme mais tempo elas dispensasse naquela caverna: não era a primeira vez que sentia olhares a segui-las a cada bifurcação no caminho, ou atrás delas, porém tentava não preocupar a jovem clériga, evitando de tocar no assunto.
Vendo-a em tal estado, a elfa voltou o seu olhar para a humana, cuja ainda tentava se esforçar em continuar: não podia negar que a expressão de Cyndell a fazia se sentir penalizada, porém como não era de seu feitio exibir muitas emoções, ela logo retornava a sua costumeira seriedade.
Com um suspiro, a elfa parou.
“Dhea… descanse...” Disse, por fim, Arthilliel, em um tom determinado e Cyndell a observou, confusa.
“Huh? M-Mas… e-eu ainda aguento… por favor, não pare por mim...” Pediu, Cyndell, erguendo-se novamente e tentando, futilmente, demonstrar que estava bem. O fato, no entanto, é que as suas pernas estavam trêmulas e pareciam quererem desmoronar a qualquer momento.
Arthilliel fechou os seus olhos, enquanto movia a sua cabeça em negação.
“… É óbvio que não poderá mais...” Disse, Arthilliel e, com um leve toque com a ponta de seu arco em uma das coxas da jovem clériga, a mesma tombou de joelhos no chão e arregalou os seus olhares.
“Uh… M-Mas…?!?” Questionou-se, Cyndell e a elfa inspirou fundo.
“… Você sequer percebeu que o seu corpo já não podia mais…” Respondeu, Arthilliel e Cyndell corou, envergonhada: queria poder continuar mais, porém a elfa estava certa. Sem esperar uma segunda ordem, ela sentou-se, por fim, ao chão, enquanto recostava as costas contra uma das enormes estalagmites que ali, existia.
“… Eu ficarei de vigília, enquanto que você, procure…?” Arthilliel começou a falar, porém, ao voltar a sua atenção para a clériga, esta havia adormecido quase que imediatamente, fazendo com que a elfa se interrompesse em suas próprias instruções.
Um breve sorriso brotou nos lábios da bela elfa e, em seguida, ela sentou-se ao lado de Cyndell, ajeitando-se de tal forma que, em qualquer situação de necessidade, ela estivesse pronta para sacar o seu arco e disparar as suas precisas flechas.
Ajeitando o capuz de seu manto acinzentado, a elfa ficou a observar o local, com os seus élficos dons lhe permitindo uma clara visão do local, atenta a qualquer movimento ou som diferente do sepulcral silêncio daquela caverna.
Aparentemente, contrariando os seus sentidos élficos, após trinta minutos, nada havia acontecido além do esperado, com exceção do baixo som do respirar de Cyndell, cuja dormia profundamente.
Porém, alguns minutos depois, a elfa pode ouvir um pequeno som: o ruído de como se uma pequena pedra caísse de encontro ao chão, chamando-lhe a atenção, cuja procurou a origem do som.
Olhando ao seu redor, não demorou para que a elfa visse o que parecia ser uma silhueta a se mover, vagarosamente, pelo topo da caverna, esgueirando-se por entre as estalactites, enquanto que as suas mãos, como garras, firmavam-se perfeitamente bem nestas. Aquela figura movia-se como um caçador, a espreitar as suas presas.
Silenciosamente e sem movimentos abruptos, a elfa preparava uma flecha em seu arco, enquanto mantinha a sua atenção ao iminente perigo, ao mesmo tempo em que procurava se haviam mais daquelas criaturas, já que os seus instintos a alertavam a respeito.
Como esperado, não demorou para que Arthilliel avistasse outras figuras, a se locomoverem, tanto pelos tetos, como aquela que chamara a sua atenção, quanto pelo chão, a galgar, quase que silenciosamente, de estalagmite em estalagmite. A elfa pode contar um total de dez daquelas criaturas.
Apreensiva e com a sua flecha já pronta para o seu disparo, Arthilliel apontou, agora de forma rápida, o arco para a primeira que ela avistara e, com uma rápida mira, ela logo a disparou, acertando-a em cheio: urrando de dor, esta se desprendeu do alto da caverna, mas, para a sua infelicidade, caiu sobre as pontas das estalagmites, sendo empalada pela mesma.
Ela agonizou por alguns instantes, até se silenciar, morta.
A elfa, no entanto, não teve tempo de comemorar, já que haviam as demais criaturas que se aproximavam, atiçadas pelo desejo de vingança, por conta da morte de sua companheira: preparando o seu arco, novamente, na direção delas, preparando logo duas flechas ao mesmo tempo e, em seguida, a mirar, rapidamente.
Sem se demorar, ela disparou e as duas criaturas que haviam pulado para cima da elfa, foram arremessadas para trás, ambas com as flechas estocadas em seus peitos: como a outra, elas agonizaram e morreram.
Cyndell, cuja, até aquele momento, ainda estava adormecida, abriu os olhos, assustada com aqueles urros das criaturas e, em seguida, levantou-se, um tanto quanto desorientada.
“!!! A-Arthilliel!” Exclamou, Cyndell, preparando-se para se defender e a observar todo o redor, como se a procurar por mais delas.
“Dhea! Para trás!! Fique atrás de mim!” Exclamou, séria, a elfa, enquanto mantinha a sua atenção nas criaturas: não tardou e logo ela preparou mais duas flechas, apontando o seu arco agora para o alto, onde mais duas daquelas criaturas ameaçavam se atirarem contra elas. Porém, com a sua exímia habilidade, Arthilliel também as acertou, fazendo com que as criaturas caíssem para a morte certa.
Cyndell cobriu os olhos, não suportando ver a forma como elas morreram: apesar de apavorada com aquelas hediondas criaturas, para a jovem clériga, toda a vida é algo sagrado e a mera visão da batalha culmina em terríveis pesadelos para ela.
Duas daquelas criaturas, vindas de trás de Arthilliel, partiram para cima de Cyndell, enquanto que a elfa focava-se em três outras, que vinham pela frente, a realizarem um ataque simultâneo.
“D-Droga… Dhea!!! Para trás!!” Exclamou, irritada, a elfa, porém era meio que inútil: as duas estavam encurraladas, naquele momento.
Arthilliel logo sacou o seu arco e preparou, desesperadamente, duas de suas flechas e as mirou, rapidamente a dispará-las, acertando-as, mas sem matá-las, passando a focar-se na outra que vinha para cima dela.
Pegando uma de suas flechas, a elfa logo a usou diretamente contra a criatura, cravando-a de qualquer jeito no crânio da mesma: ela ainda agonizou, lentamente, porém não demorou para morrer.
Sua preocupação, no entanto, voltava-se para a sua jovem amiga e companheira de viagens, Cyndell: esta recostava-se mais contra as costas de Arthilliel, como se a tentar fugir daquelas criaturas, enquanto que estas recuavam-se parcialmente para trás, como se estivessem a se preparar para saltar, em um feroz ataque contra a jovem clériga.
“A-Arthi...” Disse, Cyndell, mas sabia que ela não podia salvá-la naquele momento e logo, ela pensou na única coisa a fazer: fechando os seus olhos, a clériga pegou o seu artefato e o segurou com ambas as mãos, começando a murmurar uma oração a Zherackinne.
Como se rissem, as criaturas logo recuaram as suas pernas, a prepararem-se para o salto. Porém, quando estavam prontas para se servirem da jovem clériga, a mesma emitiu um forte brilho, como se fosse uma aura a rodear tanto ela, quanto Arthilliel: esta, surpresa, tendo acabado de matar a última criatura com a sua flecha diretamente, voltou-se para trás.
“Dhea?!” Murmurou, surpresa, a elfa, mas não demorou para perceber o que ela fazia, fechando imediatamente os seus olhos.
Incapazes de perceber o que a jovem fazia, as criaturas resmungavam contra aquele brilho, mas logo saltaram, estendendo as suas frias e afiadas garras para frente: no entanto, elas foram surpreendidas por um aumento de intensidade naquela luz, e englobar toda a área daquela caverna com um forte reluzir, como se uma bomba de luz fosse ativada naquele local.
Aos olhos tanto de Cyndell, quanto os das criaturas, aquela luz assumia a forma de uma bela e iluminada mulher, cuja estendia os seus braços para cada lado: tal gesto gerou uma explosão de luz, fazendo com que as criaturas fossem arremessadas para trás, chocando-se contra várias das estalagmites, bastante feridas.
Logo, aos poucos, aquela luz começou a se desfazer e Cyndell caiu de joelhos, ofegante e exausta, sendo amparada pela elfa, cuja a envolveu em seus braços, ajudando-a a se levantar.
“Dhea, sua tola...” Resmungou, Arthilliel, mas era possível perceber, mesmo com os cansados olhares da jovem humana, que ela parecia exibir orgulho no que a clériga havia realizado.
“D-Desculpa, Arthi...” Murmurou, Cyndell, sem jeito, mas esta fora logo calada por um gentil carinho em seus curtos cabelos pela mão da elfa.
“Tente apenas não me assustar mais, Dhea...” Disse, Arthilliel e a humana sorriu, concordando.
“E-Eu… prometo...” Murmurou, Cyndell, mas logo ela caiu, desacordada.
Arthilliel a observou, preocupada e conferiu se ela estava realmente bem, deixando escapar um breve suspiro, ao perceber que ela apenas desmaiara: o cansaço acumulado da jornada, mais a fadiga de sua invocação foi o suficiente para fazer com que a jovem perdesse os sentidos.
Ajudando-a, a elfa a repousou contra uma das estalagmites, próxima de onde estava e, em seguida, voltou–se para as duas criaturas que ela não havia matado, mas sorriu brevemente ao perceber que tanto elas, quanto as demais haviam se tornado cinzas, por conta da invocação criada pela jovem clériga.
Logo, a elfa voltou sua atenção para a passagem que se tornara o objetivo delas, mas vendo o estado em que a jovem estava, certamente teriam que esperar um pouco mais e, com um suspiro, Arthilliel reassumiu o seu posto de vigília.
No entanto, desta vez, os seus instintos estavam calmos: certamente, não haviam mais ameaças naquele local.
— Continua -
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